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Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias”

Janeiro 2010

Só cresce quem re-parte de Jesus Cristo em cada momento. João Bosco descobriu e cultivou, desde muito jovem, esta atitude de re-partir sempre de Cristo, isto é, de deixar que Jesus fosse sempre a novidade na sua vida. Re-partir de Jesus é ver cada dia, cada pessoa, cada situação com um olhar novo e cheio de esperança, mesmo nas situações mais difíceis. É viver na confiança que Jesus caminha connosco.

E só cresce quem reparte os seus dons e a sua vida, para que outros sejam o melhor que podem ser. É nesta experiência original que D. Bosco evangeliza e envolve os seus colaboradores salesianos na educação dos jovens.

 

Bons dias Janeiro 2010 - O SONHO DE D.BOSCO CONTINUA E CONTA CONNOSCO!

Quando um dia encontrou o pequeno Miguel Rua, e intuiu o futuro daquele rapaz de oito anos, fez o gesto de oferecer metade da sua mão e disse-lhe:"Toma, Miguel: nós os dois faremos tudo a meias". A 18 de Dezembro de 1859, num pequeno quarto de Turim, nasce a família dos “Salesianos”, com os primeiros dezassete rapazes que manifestaram a vontade de seguir D. Bosco, para viver e trabalhar sempre em favor dos rapazes pobres: “Da mihi animas coetera tolle”. Tudo para levar Jesus Cristo aos jovens e para que os jovens se encontrassem com Cristo.

 O Da mihi animas é o lema que traduz a linguagem de um amor infinito pela salvação dos jovens, fruto da acção do Espírito Santo na vida de D. Bosco. É um sonho que não tem espaço nem tempo que o bloqueie e que continua aqui e hoje, contigo, comigo, connosco.

 

Acção: aprofundar a vida de D. Bosco, o estilo com que envolvia adultos e jovens na missão educativa e de evangelização, a sua preocupação pelo jovem em todas as dimensões da sua vida; conhecer as várias expressões do carisma salesiano hoje presentes no mundo, …

 


JANEIRO 2010

Sexta

1

Santa Maria, Dia Internacional da Paz.

Segunda

4

2010, uma nova etapa do caminho

Terça

5

2010, novas oportunidades

Quarta

6

2010, novos desafios

Quinta

7

2010, novos empenhos nos estudos

Sexta

8

2010, novos olhares

Segunda

11

Caminhando juntos como João Bosco (preparar a festa de S. João Bosco)

Terça

12

… Um jovem que arriscou sonhar

Quarta

13

... Ser um padre … que aposta nos jovens

Quinta

14

... Acreditar nas potencialidades de cada um

Sexta

15

... Criador de uma grande família (Família Salesiana)

Segunda

18

... Caminhos de João Bosco: de casa para a escola (a infância)

Terça

19

... Caminhos de João Bosco: com os marginalizados

Quarta

20

... Caminhos de João Bosco: caminhos de festa e diversão

Quinta

21

… Dar protagonismo aos jovens: Um exemplo – Miguel Magone

Sexta

22

... Dar protagonismo aos jovens: outros exemplos – Domingos Sávio e Laura Vicuña (Festa de Laura Vicuña)

Sábado

23

Flash-Bosco (7º,8º e 9º Anos – Évora)

Domingo

24

Flash-Bosco (7º,8º e 9º Anos – Évora) – (Dia 24 Festa de S. Francisco de Sales)

Segunda

25

... Educar a partir da amabilidade e respeito (S. Francisco de Sales)

(Festa da conversão de S. Paulo)

Terça

26

… A educação é sempre uma missão partilhada – Mãe Margarida

Quarta

27

… A educação é sempre uma missão partilhada – Miguel Rua

Quinta

28

… A educação é sempre uma missão partilhada – Buzzetti

Sexta

29

CELEBRAMOS D. BOSCO NA ESCOLA

Domingo

31

Festa de S. João Bosco

 


2010, uma nova etapa do caminho

Um novo ano representa sempre um recomeço, uma nova etapa no caminho já iniciado a meados de Setembro. Vivemos o encontro com o novo ano como um momento sempre cheio de promessas.

 

FOLHA EM BRANCO

Certo dia eu estava a dar um teste e os alunos, em silêncio, tentavam responder às perguntas com uma certa ansiedade. Faltavam uns 15 minutos para o final e um aluno levantou o braço, dirigiu-se a mim e disse:

"Professor, pode dar-me uma folha em branco?"

Levei-lhe a folha carteira e perguntei porque queria mais uma folha em branco. Ele respondeu:

" Eu tentei responder às questões, risquei tudo, fiz uma confusão danada e queria começar outra vez".

Apesar do pouco tempo que faltava, confiei no rapaz, dei-lhe a folha em branco e desejei que ele terminasse a tempo. Aquela atitude causou-me simpatia. Hoje, quando recordo aquele episódio simples, penso em tantas pessoas que receberam uma folha em branco, que foi a vida que DEUS lhe deu até agora, e que só têm feito riscos, tentativas frustradas e uma confusão doida... 

Acho que agora seria um bom momento para se pedir a DEUS uma nova folha, em branco, uma nova oportunidade para ser feliz.

Assim como tirar uma boa nota depende da atenção e esforço do aluno, uma vida bem orientada também depende da atenção que damos à voz de Deus no nosso interior. Não importa qual a idade, condição financeira, religião, etc.

Levanta o braço, pede uma folha em branco, passa a tua vida a limpo. Não fiques obcecado em ser o melhor. Preocupa-te apenas em aplicar o que aprendeste de verdade como lição de Bem e de Amor.

Pode faltar-nos muita coisa, e a única certeza que temos é a presença de DEUS. Ele sim, não mudou e continua a acreditar em nós e certamente acreditará em ti.

Oração

Que Deus fique connosco neste ano 2010, para que juntos arranjemos coragem e nos ajudemos mutuamente a preservar o que temos e criar um mundo melhor. Que consigamos com a sua força, realizar todos os nossos sonhos. 2010 marca uma nova etapa que todos queremos agarrar. Bem-vindo entre nós.

 

2010, novas oportunidades

A dádiva da vida… foi-te dada por Deus e dela tu és o seu gestor. Por isso, faz com que realmente valha a pena, sempre numa perspectiva positiva. É esta perspectiva que transforma os obstáculos em oportunidades. Um exemplo muito interessante pode ser a história que se segue:

Uma empresa de calçado de marca certificada desenvolveu um projecto de exportação de sapatos para Índia. Para preparar o terreno, o Presidente da empresa enviou dois dos seus consultores a pontos diferentes daquele país para fazerem as primeiras observações do potencial do futuro mercado.

Após alguns dias de pesquisas, um dos consultores enviou o seguinte fax para a direcção da empresa:

- "Sr. Presidente e meus caros Senhores, cancelem o projecto de exportação de sapatos para Índia. Aqui ninguém usa sapatos. Será um projecto fracassado."

O Presidente recebeu a comunicação e ficou apreensivo. Contudo, ficou a aguardar a opinião do segundo consultor. Sem saber deste fax, alguns dias depois o segundo consultor mandou a sua comunicação:

"Exmo. Sr. Presidente e caros Senhores, venho comunicar que será melhor triplicarem o projecto de exportação de sapatos para Índia. É que aqui AINDA ninguém usa sapatos. Já imaginaram o potencial deste mercado?"

 

Reflexão / Oração

A mesma situação que era um tremendo obstáculo para um dos consultores, era uma fantástica oportunidade para o outro. Da mesma forma, na nossa vida podemos ver as situações com maneiras diferentes.

A maneira como encaras a vida....faz toda a diferença!!! Deus está connosco e oferece-nos este novo ano repleto de oportunidades a não desperdiçar! Peçamos-lhe a força para as saber viver com coragem e alegria! Pai Nosso…

 

2010, novos desafios

Por vezes não damos valor aos sonhos que trazemos no coração ou, pelo menos, não acreditamos que podem mesmo realizar-se... mesmo que comecemos por passos muito discretos. Um exemplo interessante é o do sr. Walt Disney: Sabem como este realizador de sonhos criava e realizava?


Walt Disney (1901-1966) criou um império de lazer que vai muito além dos dias actuais, Além da Disneylândia e dos estágios iniciais do Disney World, produziu 497 filmes de curta-metragem, 21 filmes de animação, 56 filmes de longa-metragem, 330 horas do Mickey Mouse Club, 78 emissões de meia hora do Zorro e 330 horas de outros shows de televisão. W. Disney também foi responsável por várias inovações empresariais e técnicas importantes no campo da animação e do cinema em geral.

Disney possuía uma capacidade excepcional: pegava em algo que existe apenas na imaginação e dava a esse algo uma existência física que influenciava de maneira positiva a experiência das pessoas. E o que tornou isto possível? Disney usava uma estratégia interessante para conseguir o que queria. Ele conseguia pensar, sonhar e agir como se fossem três Disneys diferentes:

  • O sonhador tinha toda a liberdade de usar a imaginação.

  • O realista era o tradutor das fantasias em forma tangível.

  • E o crítico aplicava o julgamento da obra que estava para nascer.

 

O sonho elaborado pelo sonhador era passado ao realista, cuja tarefa era transformar o sonho em partes realizáveis. Nessa altura, o crítico era solicitado para reconhecer o que estava bom e questionar o que não estava dentro dos critérios. O sonhador passava a elaborar novas ideias para atender aos requisitos de qualidade do crítico e solucionar problemas identificados. O ciclo repetia-se até que “todos” estivessem satisfeitos. Cada faceta Disney tinha os seus próprios métodos e características. O sonhador era livre e espontâneo. O realista era organizado e analítico e levava em conta recursos e limites da realidade. Para o sonhador e o realista era importante ter novas ideias, mas o mesmo não ocorria para o crítico, cujo enfoque era a qualidade. Cada um até trabalhava em salas diferentes. Esta estratégia continuou a ser implementada nos estúdios depois de Walt Disney morrer.

 

Reflexão / Oração

Ainda hoje os filmes da Disney não só oferecem o encanto da fantasia que outras produções estão longe de conseguir, como despertam nas pessoas o seu melhor, a capacidade de sonhar. W. Disney mudou o mundo do espectáculo, e é curioso notar que tudo começou com um rabisco, que viria a ser o Mickey... mas este foi o seu primeiro desafio!

Dar asas e credibilidade aos nossos sonhos é algo mais realista do que possamos pensar. O sonho que nos impele para a felicidade depende muito da nossa capacidade de escutar a voz de Deus que habita o mais profundo do nosso ser. É aí que Ele nos fala do sonho que nos faz felizes. Peçamos a protecção do nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a estar atentos à voz de Deus.

 

2010, novos empenhos nos estudos

O meu maior defeito, nos tranquilos dias da infância, consistia em desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa qualquer me parecia difícil. Eu podia ser tudo, menos um menino persistente. Foi quando, numa noite, o meu pai me entregou uma tabuinha de fina espessura e um canivete, e me pediu que, com este, riscasse uma linha a toda largura da tábua. Obedeci às suas instruções, e, em seguida, a tábua e o canivete foram trancados na escrivaninha do pai.

Repetiu-se a mesma coisa nas noites seguintes, durante uma semana e eu não aguentava mais de curiosidade. Mas a história continuava. Todas as noites eu tinha que riscar com o canivete, uma vez, pelo sulco, que era cada vez mais profundo.

Chegou afinal um dia em que não havia mais sulco. O meu último e leve esforço cortara a tábua em duas.

O pai olhou longamente para mim, e depois disse:

- Tu nunca acreditarias que isto fosse possível com tão pouco esforço, não é verdade? Pois o êxito ou fracasso da tua vida não depende tanto da força que colocas numa tentativa, mas da persistência no que se faz.

 

Reflexão / Oração

Numa altura em que tudo é rápido, aqui e agora, desde as comunicações à fast-food, parece que ter persistência é algo de um passado longínquo. O certo é que as pequenas ou grandes melhorias, inclusive nos estudos, requerem método e constância. Até podemos ter sorte no estudo de uma tarde para um teste de avaliação, com tudo “enfiado” à pressão, mas o verdadeiro saber é aquele que permanece. Que o Senhor nos dê força e tenacidade para saber “riscar” as nossas prioridades com persistência. Pai Nosso…

 

2010, novos olhares

OS FAMOSOS

Um famoso conferencista começou uma palestra numa sala com 300 pessoas, segurando numa nota de 100€. Perguntou bem alto:

“-Quem de vocês quer esta nota de 100€?”

Todos ergueram a mão... Então, ele disse:

"-Darei esta nota a um de vocês esta noite, mas, primeiro, deixem-me fazer isto..."

Então, amassou totalmente a nota. E perguntou outra vez:

"-Quem ainda quer esta nota?"

As mãos, continuavam erguidas... E continuou:

"-E se eu fizer isto..." - Deixou a nota cair ao chão e começou a pisá-la. Depois, pegou na nota, agora já imunda e amassada e perguntou:

"-E agora?... Quem ainda vai querer esta nota de 100€?”

Todas as mãos voltaram a erguer-se.

O homem voltou-se para a plateia e disse com uma voz mais serena e cativante:

"-Não importa o que eu faça com o dinheiro, vocês continuarão a querer esta nota, porque ela não perde o valor. Esta situação também acontece connosco... Muitas vezes, somos amassados, pisados por várias circunstâncias em que a vida nos coloca e ficamos a sentir-nos sem importância. O preço de nossas vidas, não é pelo que aparentamos ser, mas pelo que somos e sabemos!”

Agora, reflictam bem e façamos este exercício de memória:

1 - Nomeie as 5 pessoas mais ricas do mundo.

2 - Nomeie as 5 últimas vencedoras do concurso Miss Universo.

3 - Nomeie 10 vencedores do prémio Nobel.

4 - Nomeie os 5 últimos vencedores do Óscar, como melhores actores ou actrizes.

Então, como Vai? Difícil de lembrar???... Não se preocupem. Ninguém de nós se lembra dos melhores de ontem porque rapidamente os aplausos vão-se embora e os troféus ficam cheios de pó! Agora, faça o seguinte:

1 - Nomeie 3 professores que o ajudaram na sua verdadeira formação.

2 - Nomeie 3 amigos que já o ajudaram nos momentos difíceis.

3 - Pense em algumas pessoas que o fizeram sentir alguém especial.

4 - Nomeie 3 pessoas com quem se diverte e que com a sua companhia o tempo voa.

Como vai? Melhor, não é verdade?

As pessoas que marcam a nossa vida não são as que têm as melhores credenciais, ou mais dinheiro, ou os melhores prémios... São aquelas que se preocupam connosco, que cuidam de nós, que, de algum modo, estão ao nosso lado. Reflicta um momento... A vida é muito curta!

 

Reflexão / Oração

Vamos por isso agradecer a Deus pelas pessoas que fazem com que a nossa vida ganhe uma cor viva e alegre. Muitas ou poucas, não importa, o importante é que nós também sejamos como estrelas que iluminam o olhar de quem se cruza connosco. Pai-nosso, …

 

Caminhando juntos como João Bosco

(explicação da campanha de preparação para a festa de S. João Bosco)

Ao longo destas duas semanas vamos dedicar os nossos bons-dias a conhecer um pouco melhor D. Bosco e o sonho de levar o amor de Deus aos jovens e de os ajudar a crescer e a tornarem-se honestos cidadãos e bons cristãos.

 

O Director de Turma entrega a um par de alunos um pequeno papel com uma frase de D. Bosco para decifrarem. Depois de todos descobrirem a frase, recolhe-as, pedindo aos alunos para escrever o seu nome na parte de trás. Ao longo dos dias, até à festa de D. Bosco, depois da mensagem do bom-dia, um dos alunos vai escrever a frase num poster colocado na sala de aula, alusivo a D. Bosco e, assim, completa a mensagem e oferece um empenho para a turma nesse dia.

 

… Um jovem que arriscou sonhar

Conhecemos bem o quanto João Bosco foi um sonhador. Se não o fosse dificilmente teria levado em frente o sonho salesiano. Tudo começou quando ele era muito jovem. É próprio da juventude sonhar, desejar voar e libertar horizontes. O sonho dos 9 anos motivara o pequeno João dos Bechi a ir muito além dos limites da sua terra, dos limites da pobreza real da sua família. Em vez de encarar esses limites como um obstáculo, João transformou-os em desafios e oportunidades que o foram ajudando a crescer.

Os alunos do 5º ano escutam a narração do sonho dos nove anos, enquanto aos alunos mais crescidos motiva-se para que sejam eles a narrar esta história.

 

Uma noite, talvez aquela que se seguiu à troca do pão branco pelo pão negro, Joãozinho teve um sonho. Contá-lo-á ele mesmo algum tempo depois:

“Aos 9 anos tive um sonho, que me ficou profundamente gravado na memória por toda a vida. No sonho parecia-me estar perto de casa, num terreiro amplo, onde brincava uma chusma de garotos. Uns riam, outros blasfemavam. Ao ouvir aquelas blasfémias, caí sobre eles, tentando fazê-los calar, primeiro com boas razões, e depois ao sopapo.

Nisto, apareceu um personagem misterioso, ricamente vestido.

O seu rosto era tão brilhante que me era impossível fixá-lo. Chamou-me pelo nome e disse-me:

— Não é à pancada, mas com bons modos que deves conquistar-lhes a amizade. Começa imediatamente a falar-lhes do mal que é o pecado e do bem que é a virtude.

Confuso e atónito, respondi que era um rapaz pobre e ignorante. De repente aqueles garotos, já transformados, juntaram-se à volta daquele personagem que lhes falava. Quase sem saber o que dizia, perguntei:

— Quem sois vós que me pedis coisas impossíveis?

— Eu sou filho d’Aquela que a tua mãe te ensinou a saudar três vezes ao dia. O meu nome pergunta-o à minha Mãe.
Naquele momento vi uma Senhora de aspecto majestoso, vestida com um manto resplandecente como o sol. Vendo-me confuso, fez-me sinal para me aproximar. Tomou-me com bondade pela mão e disse-me:

— Olha! — Olhando, verifiquei que aqueles garotos tinham desaparecido todos; e vi então uma chusma de cabritos, cães, gatos, ursos e muitos outros animais.

— Eis o campo em que deverás trabalhar. Torna-te humilde, forte e robusto: e aquilo que neste momento vês acontecer com estes animais, hás-de consegui-lo com os meus filhos.

Olhei de novo, e eis que, em vez de animais bravios, via apenas cordeiros, saltitando e balindo, em ar de festa, em volta daquele Homem e daquela Senhora.

Nisto, sempre em sonho, desatei a chorar e pedi àquela Senhora que falasse mais claro, pois eu não estava a perceber nada. Então ela colocou-me a mão sobre a cabeça e disse-me:

— A seu tempo tudo compreenderás. Ditas estas palavras, acordei com um ruído e tudo desapareceu.

Tinha a cabeça atordoada. Parecia-me sentir as mãos doridas, pelos murros que tinha dado, e a cara a escaldar com os que tinha apanhado daqueles garotos”.

Batem na janela os primeiros raios de sol e já todos lá em casa se levantaram. Joãozinho salta rapidamente da cama, diz uma breve oração e desce a correr para a cozinha, onde estão a mãe, a avó e os dois irmãos José e António. Incapaz de resistir, acaba por contar o sonho com todos os pormenores. Os irmãos dão uma forte gargalhada:

— Virás a ser pastor! — diz o José, em ar de mofa.

— Talvez um chefe de bandidos! — acrescenta o António, com ar escarninho.

A mãe, pelo contrário, fica pensativa. Fita os olhos no filho, inteligente e generoso, e exclama:

— Quem sabe se um dia não teremos aqui um sacerdote!?

A avó, por seu lado, bate impacientemente com a bengala no chão e murmura:

— Os sonhos são sonhos, e não devemos acreditar neles. Agora o importante é irmos comer.

 

Reflexão / Oração

O sonho que João Bosco teve foi fácil de interpretar? Os comentários de quem estava com ele foram positivos? E tu? Se estivesses na pele de João Bosco, ter-te-ias importado com os comentários negativos? Vamos pedir a Nossa Senhora que nos ensine a ser interiormente muito livres, acerca das nossas convicções mais profundas, dos valores que orientam a nossa vida. Que Maria nos ajude a caminhar na verdade e a realizar os sonhos que Deus inscreveu no nosso coração. Ave Maria…

 

... Ser um padre … que aposta nos jovens

João Bosco tornou-se um jovem vigoroso. Tinha estudado e trabalhado duramente. Tinha conquistado centenas de amigos. Em 1835, com vinte anos, toma a resolução mais importante da sua vida: entra no seminário e decide realizar o seu sonho: ser padre.

Mais seis anos de estudo difícil, levados em frente com coragem e alegria. A 5 de Junho de 1841, o arcebispo de Turim impõe as mãos sobre a cabeça de João Bosco e invoca o Espírito Santo que o consagra sacerdote para sempre. A partir deste momento todos passarão a chamá-lo D. Bosco (“Dom” é o titulo dado aos padres em Itália).

Mas, o que fará agora D. Bosco? Como padre poderá desempenhar missões muito diferentes. Ofereceram-lhe a oportunidade de ser tutor de famílias ricas, boas propostas como assistente espiritual em algumas comunidades, mas o seu projecto é outro: os jovens que vagueavam sem sentido numa sociedade que os escravizava pelo trabalho e pela orfandade. Fica em Turim a aperfeiçoar o estudo da teologia e a estudar a situação social da cidade.

Um dos seus professores foi um jovem padre que se tornou seu amigo e conselheiro por toda a vida: o Padre José Cafasso. D. Bosco começa a ir com o seu mestre às prisões de Turim. Naquelas prisões escuras, entre paredes negras e húmidas, encontra caras sombrias e ameaçadoras. Sentia calafrios tão fortes que, por vezes, quase desmaia. Aquilo que mais o faz sofrer é a presença de presos ainda jovens, de olhos revoltados e sorriso trocista, como o de alguém que já não tem amor nenhum pela sua vida.

Um dia, viu atrás das grades um grupo de rapazes tão jovens que lhe causou um desgosto imenso, a ponto das lágrimas lhe surgirem aos olhos.

— Porque chora aquele padre? — pergunta um deles.

— Porque nos quer bem — responde um outro. — A minha mãe também era capaz de chorar se me visse aqui dentro…

Naquele dia, ao sair da cadeia, D. Bosco toma uma resolução firme:

“Muitos jovens vêm para aqui porque ninguém se ocupa deles. É necessário acompanhá-los, educá-los; é urgente impedir a todo o custo que rapazes ainda tão novos acabem na cadeia. Quero fazer tudo para os salvar”.

 

Reflexão / Oração

A felicidade de D. Bosco não era um projecto de vida mesquinho que passasse por ter o melhor conforto para ele. Ele entendeu, desde muito novo, que a vida só vale a pena quando deixamos uma marca de felicidade no coração de quem está à nossa volta e daqueles que mais necessitam. Ele sempre se preocupou com os jovens de todas as classes sociais, mas tinha um especial cuidado pelos jovens mais pobres da sociedade. Peçamos a Nossa Senhora, a Mestra de D. Bosco que nos ajude a procurar cada dia uma pérola felicidade que contribua para uma vida mais feliz para aqueles que nos rodeiam.

 

... Acreditar nas potencialidades de cada um

Quando D. Bosco já tinha a mãe consigo em Turim, pensou fazer algo mais pelos seus rapazes. Alguns, à noite, não tinham onde dormir. Ficavam em qualquer canto ou nos miseráveis dormitórios públicos. Por isso, pensou em recolher em casa os mais abandonados. A primeira experiência saiu-lhe mal. Tinha posto alguns a dormir no palheiro, só que de manhã, nem um só para amostra: tinham fugido todos e até levaram consigo as mantas que a Mãe Margarida lhes tinha emprestado. Mas D. Bosco não desanimou.

Numa tarde de Maio, em que chovia a cântaros, D. Bosco e a mãe tinham acabado de jantar, quando alguém bateu à porta. Era um rapaz, aí pelos 15 anos, todo molhado e gélido.

— Sou órfão. Venho de Valsesia. Sou servente de pedreiro, mas ainda não encontrei trabalho. Tenho frio e não sei para onde ir…

— Entra — disse-lhe D. Bosco —. Vai para a lareira, pois ensopado como estás pode ser perigoso.

Margarida prepara-lhe qualquer coisa para comer. Depois pergunta-lhe:

— E agora, para onde vais?

O rapaz fica pensativo. Depois, de lágrimas nos olhos:

— Não sei. Tinha três liras quando cheguei a Turim, mas já as gastei todas. Por favor, não me mande embora. Margarida pensa nas mantas que tinham voado:

— Poderias ficar, mas quem nos garante que não foges com as panelas?

— Não senhora. Sou pobre, mas nunca roubei.

D. Bosco acabara de sair debaixo da chuva. Pouco depois entra com uns tijolos, faz com eles quatro suportes sobre os quais coloca umas tábuas. Depois vai à sua própria cama. Tira o colchão e estende-o sobre as tábuas.

— Ficas a dormir aqui, meu caro. E ficarás o tempo que for preciso. Ninguém te mandará embora.

Este rapaz foi o primeiro órfão que entra na casa de D. Bosco. No fim do ano já eram sete. Mais tarde serão milhares.

 

Reflexão / Oração

Na sociedade em que estamos, em que parece mais comum desconfiar do que ter confiança, por vezes perdemos a oportunidade de fazer o bem a alguém, e até de lhe salvar a vida, por não olharmos com um coração cheio de bondade aqueles que mais precisam. Não é por acaso que continuam a existir milhares de pessoas, jovens e adultos, abandonados, a viver na mais fria solidão, carentes de amor e de gestos de fraternidade. Apostar nas pessoas é ajudá-las no concreto da sua situação e não só materialmente. É preciso que acompanhemos, que nos demos ao trabalho de fazer o bem, ajudando os outros a recuperar a sua dignidade. É uma missão tão difícil quanto valiosa. Peçamos a Jesus, o Bom Pastor, que nos ensine a ser pessoas inclusivas (não marginalizadoras). É certo que o Bem dá trabalho, muito trabalho mesmo, mas torna-nos pessoas grandes aos olhos de Deus e dos mais humildes. Pai Nosso…

 

... Criador de uma grande família (Família Salesiana)

Desde o início da sua missão D. Bosco procurou envolver muita gente nos seus projectos. Não duvidava que cada pessoa, na sua própria vocação, podia contribuir muito em favor da juventude. Desta forma, praticamente desde o início, D. Bosco contou com os Salesianos, com as Salesianas e com muitos outros homens e mulheres que colaboravam com ele de múltiplas formas: Antes de mais, a sua própria mãe, Margarida, que o acompanhava nos difíceis inícios dos oratórios (centros juvenis) e no trabalho directo com os rapazes que batiam à porta da sua casa. Com Margarida esteve também a mãe do padre Miguel Rua, um dos primeiros salesianos, e o pai de Domingos Sávio.

Este grupo de pessoas, que conhecia muito bem D. Bosco, foi dando à sua obra características distintas das de outras instituições da época. Foram dando ao ambiente educativo a característica de “espírito de família”. O espírito de família salesiano é o ambiente educativo de confiança e preventividade por parte dos diferentes educadores que favorece o crescimento dos jovens.

A visão de D. Bosco ultrapassava os confins do oratório. Ele queria chegar, se possível, “a todos os jovens do mundo”. Numerosos grupos constituem a Família Salesiana e dela fazem parte jovens, homens e mulheres, religiosos ou com vida em família. Os grupos da Família Salesiana são mais de vinte e entre eles:

  1. Salesianos;

  2. Filhas de Maria Auxiliadora;

  3. Salesianos Cooperadores;

  4. Voluntárias de Dom Bosco;

  5. Antigos-alunos de Dom Bosco;

  6. Filhas do Sagrado Coração de Jesus e Maria;

  7. Salesianas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus;

  8. Irmãs da caridade de Miyazaki;

  9. Irmãs Missionárias de Maria Auxiliadora;

  10. Servas do Coração Imaculado de Maria;

  11. Antigos-alunos das FMA;

  12. Irmãs de Jesus Adolescente;

  13. Associação de Maria Auxiliadora (ADMA);

  14. Voluntários com Dom Bosco;

  15. Testemunhas do Ressuscitado (TR 2000). Etc…

 

Reflexão / Oração

Seguindo o raciocínio de Dom Bosco, o mundo terá a oportunidade de melhorar e renovar-se, se os jovens, no seu crescimento, percorrerem o caminho, da generosidade e solidariedade. Este é o grande compromisso da Família Salesiana de Dom Bosco: a educação e a solidariedade unidas no propósito do crescimento social e espiritual dos jovens. Esta grande Família evidencia, na harmonia dos diferentes dons, a importância da missão em favor dos jovens no mundo inteiro. Agradecemos hoje a Deus pelas diferentes vocações vividas no interior da Família Salesiana, pela cor específica com que cada uma delas presta um serviço generoso à missão educativa. Pedimos que o Senhor continue a abençoar cada grupo e a ajudar os jovens e os adultos a viver bem a sua vocação. Pai Nosso…

 

... Caminhos de João Bosco: de casa para a escola (a infância)

João começa a frequentar a primeira classe primária aos 9 anos, no Inverno de 1824-25. A mãe Margarida quer que ele frequente a terceira classe no Inverno seguinte, mas o irmão mais velho, António, opõe-se ferozmente, dizendo que estudar é uma perda de tempo:

— Que necessidade há de perder tanto tempo? Saber ler e fazer o nome é mais que suficiente. Ele que pegue na enxada como eu. Um dia, por causa de um livro que João colocara sobre a mesa ao lado do prato, João (com 11 anos) é agredido pelo irmão mais velho (de 17 anos), num acesso de fúria. Era impossível continuar assim, pelo que numa manhã de Fevereiro, Margarida disse a João as palavras mais tristes da sua vida:

— É melhor saíres de casa. Qualquer dia o António pode cometer um desacato.

João parte à procura de trabalho. Tem 11 anos e meio, e leva consigo uma sacola com duas camisas, dois livros e um pão. Margarida fica a dizer-lhe adeus da soleira da porta, enquanto vê desaparecer por entre o nevoeiro o seu pequeno emigrante.

João Caminha até à quinta da família Moglia.

— Que procuras, meu rapaz? — pergunta-lhe um sujeito ainda novo que pelos vistos deve ser o patrão.

— Procuro Luís Moglia

— Sou eu mesmo.

— Venho da parte da minha mãe, para ver se o senhor me aceita a trabalhar em sua casa.

— Mas assim tão pequeno? Quem é a tua mãe?

— Margarida Bosco. O meu irmão António maltrata-me, e é por isso que venho da parte dela à procura de trabalho.

— Olha, meu rapaz, até ao fim de Março não aceitamos ninguém. É melhor voltar para casa.

— Peço-lhe por tudo que me aceite mesmo sem ganhar nada — suplica Joãozinho — e começa a chorar.

A senhora Doroteia, mulher do patrão, comove-se.

— Deixa-o ficar, Luís. Fazemos a experiência por alguns dias.

João mete-se ao trabalho com determinação, para não ser despedido: trabalha de sol a sol. Depois, enquanto os outros vão dormir, acende um toco de vela, e continua a ler os livros que lhe tinha emprestado o seu professor. E enquanto leva os bois para o campo lá vai ele de livro na mão. O patrão não o contraria, mas abana a cabeça:

— Porque é que estás sempre a ler?

— Porque quero ser padre.

E estudar começa a tornar-se cada vez mais difícil. Alguns meses mais tarde, e contra a vontade do António, João Bosco voltou para casa, levado pelo seu tio Miguel. Margarida teve que suportar a humilhação de dividir a casa e as terras com António para acabar com as contínuas discussões. E João, decididamente, começou a percorrer 10 quilómetros por dia para frequentar a escola de Castelnuovo. Botas a tiracolo e pés doridos do longo caminhar, tinha por companheiros a chuva e o vento, o sol e a poeira, conforme as estações.

 

Reflexão / Oração

Quantas vezes desperdiçamos oportunidades de estudo que nos são oferecidas? Nem nos lembramos que temos o direito à educação é muito recente e nem sequer está garantido a todas as crianças do mundo. Que saibamos ir valorizando de verdade tanta coisa de bom que recebemos todos os dias. O nosso esforço será sempre recompensado pois a primeira pessoa a lucrar somos nós mesmos. A educação não se compra.

Na nossa oração de hoje, peçamos por todas as crianças que gostariam de ter um lugar numa escola, mesmo a mais humildes das escolas, e para quem isso não passa de um sonho. Jesus, ilumina os governantes das nações, todos os homens e mulheres, para que saibam realizar o desenvolvimento necessário para garantir o bem e os direitos de todas as pessoas. Pai-nosso...

 

... Caminhos de João Bosco: com os marginalizados

Já em Turim D. Bosco não consegue encontrar um tecto para abrigar os seus rapazes, mas não desiste. Fala com eles ao ar livre, reunindo-os nas praças desertas ou no campo. As pessoas observam. Umas riem, outras sentem pena.

— Mas que padre é aquele?

— É D. Bosco com os seus rapazes!

— Coitado, dizem que tem uma ideia fixa. No meio daquele pandemónio ainda perde o juízo.

A verdade é que a atmosfera que se respira por toda a parte é de revolução, e aqueles 300 rapazes que marcham ao som da corneta e do tambor começam a preocupar o governo daquela região.

O Marquês Miguel de Cavour, manda chamar D. Bosco e impõe-lhe várias coisas: reduzir o número de rapazes; evitar absolutamente que entrem na cidade em formatura; excluir os maiores por serem os mais perigosos. D. Bosco opõe-se. A conversa com o ministro acaba em tempestade.

E Cavour grita com raiva:

— Mas o que é que você tem a ver com estes maltrapilhos? Deixe-os lá com a sua vida. Não se meta em sarilhos. A coisa pode tornar-se muito séria para todos!

D. Bosco retira-se sem nada ceder, mas a partir daí o campo de jogos dos seus rapazes começa a ser vigiado pelos agentes da ordem. Os obstáculos são cada vez maiores e numerosos e quando D. Bosco se vê impedido de ir com os seus rapazes para um espaço amplo sente-se fulminado. E agora, para onde ir?

“Ao cair da tarde daquele dia — escreve D. Bosco — olhei para aquelas centenas de rapazes que se divertiam. Sem ninguém que me desse a mão, sem forças, com a saúde abalada. Afastando-me um pouco, pus-me a passear sozinho e não pude conter as lágrimas: “Meu Deus, exclamei, que fazer agora?”

Nisto aparece um homenzinho a gaguejar. Um fabricante de soda e detergentes.

— É verdade que você anda à procura de um lugar para fazer um laboratório?

— Não, não é bem um laboratório (que em italiano quer dizer oficina), mas um oratório, um centro juvenil de formação e alegre convívio para a juventude.

— Laboratório ou oratório, seja lá o que for, o lugar existe. Se quiser ver…

Seguindo aquele homem, D. Bosco percorre, quando muito duzentos metros e chega a um telheiro comprido e tosco, pertencente a um certo Francisco Pinardi. Era um minúsculo terreno, mas D. Bosco corre a dar a notícia:

— Alegrai-vos, meus amigos. Já temos Oratório! Vamos ter igreja, escola e pátio para correr e saltar. No próximo domingo lá nos encontraremos. É aqui ao lado, na casa Pinardi!

Era o dia 5 de Abril de 1846 e o sonho de D. Bosco começa a ser concretizado.

 

Reflexão / Oração

Naquela altura os jovens de D. Bosco vinham de ambientes de famílias devastadas pela fome, pela miséria, por uma sociedade industrial a nascer à custa da escravidão dos indefesos. Muito poucas pessoas acreditavam neles. D. Bosco não só acreditava neles, como lhes dava mesmo confiança e apostava neles. Só um amor autêntico, puro e radical, que tem origem no amor de Deus, é que pode chegar ao coração destes jovens, e dos jovens de hoje, e ajudar cada um a crescer. Vamos hoje pedir a Nossa Senhora por todos os educadores dos ambientes salesianos e pelas famílias de todos os jovens. Que Ela ensine a todos a procurar sempre o bem dos jovens, a olhá-los com a ternura de Jesus e a orientá-los no seu crescimento. Os desafios de hoje não são mais fáceis dos que existiam no tempo de D. Bosco. Ave-Maria…

  

... Caminhos de João Bosco: caminhos de festa e diversão

O sonho que o pequeno João teve levou-o a pensar nos rapazes que sempre andavam metidos em desordens, os que não tinham educação e diziam asneiras continuamente. João sabe que provavelmente conhece já vários desses rapazes: vivem na vizinhança e nas quintas espalhadas pelo campo em redor. Alguns são bons, mas há-os também desordeiros, rudes e desbocados. Porque não começar já a captar a amizade desses rapazes?

Um dia, entra em casa com o rosto a sangrar. Andava a brincar com os companheiros à guerra e um projéctil de madeira tinha-o atingido violentamente na cara. Margarida faz-lhe o curativo e observa preocupada:

— Qualquer dia voltas para casa sem algum dos olhos. Por que motivo andas com esses rapazes? Tu sabes que há sempre algum atravessado.

— Se é para lhe fazer a vontade, não volto para o meio deles. Mas olhe, que quando estou com eles, portam-se melhor.

Margarida suspira e deixa-o à vontade e João continua a investir na amizade com os rapazes mais difíceis, a “estudar” os truques dos ilusionistas e os segredos dos equilibristas. Quer sempre estar na fila da frente. Volta para casa e faz experiências: caminhar na corda bamba, e muitas vezes lá vai ao chão, tirar um frango vivo de uma panela a ferver, fazer os truques mais variados…Há que multiplicar os exercícios meses seguidos, ser constante, apesar dos trambolhões.

Numa tarde de Verão, Joãozinho anuncia aos amigos o seu primeiro espectáculo. Sobre um tapete de sacos estendidos no chão, faz prodígios de equilíbrio com latas e caçarolas de cozinha na ponta do nariz. Pede a um pequeno que abra bem a boca e tira-lhe de lá dezenas de bolinhas coloridas. Depois entra em acção a “varinha mágica”. O irmão António chega do trabalho precisamente a meio do espectáculo. Atira para o chão a enxada que trazia às costas e começa a gritar furioso:

— Cá está o palhaço! O mandrião! Eu farto-me de trabalhar, e ele aqui com palhaçadas!

Joãozinho suspende o espectáculo, mas só para o recomeçar a duzentos metros dali, debaixo das árvores, longe da vista do irmão.

Joãozinho é um palhaço “especial”. Antes do número final, tira o terço do bolso, ajoelha-se e convida todos os presentes a rezar com ele. Outras vezes repete a mensagem que ouvira na igreja. Depois ata uma corda a duas árvores, salta para cima, e caminha sobre ela de braços estendidos, entre repentinos silêncios e frenéticas ovações dos amigos. Parece que está ali um anjo a ampará-lo, para evitar um brusco trambolhão. Seja como for, o pequeno saltimbanco tem a protecção de Deus, e ia crescendo são e forte.

 

Reflexão / Oração

Até para brincar João tinha arte e não escolhia qualquer coisa. Queria divertir os amigos e deixar sempre uma mensagem positiva e espalhar o amor de Jesus à sua volta. Seria bom pensarmos como é que nós nos ajudamos a divertir, que tipo de actividades e experiências fazemos e até propomos e influenciamos os outros a fazer. Pois que a mão do nosso Anjo nos ajude a escolher o bem e a ter coragem para o fazer, pois é muito mais «fácil» fazer coisas parvas e perigosas. E Deus sabe o quanto podemos ser melhores. Oração ao Anjo da Guarda ou Santo Anjo do Senhor.

 

… Dar protagonismo aos jovens: Um Exemplo – Miguel Magone

D. Bosco escreveu a biografia de alguns dos jovens que acompanhou. Três deles são exemplos do quanto D. Bosco reconhecia e acreditava no protagonismo dos jovens no seu próprio crescimento: Miguel Magone, Francisco Besuco e Domingos Sávio. Hoje falaremos de Magone, o general da malta.

 

Era a tarde de um dia de Outono de 1857. Na estação de caminho de ferro de Carmagnola, Dom Bosco espera a chegada do comboio que o levará a Turim. Está quase a anoitecer e o céu encontra-se muito nublado. Não se vê para além de alguns metros. A luz do candeeiro da estação faz passar uma luz ténue. Naquela neblina só são nítidas as vozes de alguns rapazes: «Espera, agarra-o, corre, pára-o...». Uma dessas vozes impõe-se às demais, de alguém que dirige o jogo, à qual todos obedecem.

"De quem será essa voz?", pensou Dom Bosco. O sacerdote levanta-se do banco e vai até junto do grupo de rapazes. Diante da aparição inesperada desta figura escura, os rapazes fogem, todos menos um, que dá um passo em frente, com as mãos na cintura e um ar de desafio. Pergunta ao padre:

- “Quem é você para se meter nos nossos jogos?

- "Eu sou um teu amigo" – responde D. Bosco – e gostaria de entrar no jogo contigo e com os teus companheiros. E tu, quem és? "

- "Eu sou Miguel Magone, general da malta.

Enquanto isso, tinham chegado aqueles rapazes que pouco antes corriam e gritavam com o seu «general».

- Bem, Magone, quantos anos tens?

- Tenho doze anos...

- Aprendeste algum ofício?

- Aprendi o ofício de não fazer nada.

- E que tens feito até agora?

- Andei na escola… até à terceira classe.

- Tens pai?

- Não, o meu pai morreu. Minha mãe é viva e trabalha para outros e faz o que pode para dar pão a mim e aos meus irmãos que a fazemos desesperar continuamente.

- Que queres fazer no futuro?

- Alguma coisa vai ter que ser, mas não sei o quê.

- Meu caro Miguel, gostarias de deixar esta vida de preguiça e começar a aprender uma profissão ou continuar a estudar?

- Claro que sim! Esta vida de desgraçado já não me agrada. Alguns dos meus amigos já foram parar à cadeia. E tenho medo que me aconteça a mesma coisa. Mas que hei-de eu fazer? O meu pai morreu, a minha mãe é pobre. Quem me poderá ajudar?"

Dom Bosco sugere-lhe que reze a Deus Pai. Entretanto, tira do seu bolso uma medalha e entrega-a a Miguel: "Toma, vai ter amanhã com o padre Ariccio, e diz-lhe que o padre que te deu esta medalha deseja obter informações sobre o teu comportamento".

Miguel pergunta-lhe como se chama e de onde vem, mas D. Bosco já não responde, apresando-se a subir para o comboio que está prestes a arrancar.

No dia seguinte, Miguel vai imediatamente ter com o pe. Ariccio e fala-lhe daquele encontro, mostrando-lhe a medalha. O sacerdote, ao vê-la, percebe que se trata de Dom Bosco e escreve-lhe uma carta que lhe confirmou a história de Miguel. Na carta refere que "o jovem Miguel Magone tem um bom coração e os hábitos saudáveis, mas é difícil de domar. Nas aulas da escola e da catequese é o intrometido universal; quando não faz das suas, está tudo tranquilo; quando está ausente, fica tudo calmo... Far-lhe-ia muito bem se o aceitasse entre os seus rapazes".

Com a carta no bolso e a permissão da sua mãe, Miguel vai até Turim e chega a Valdocco. "Aqui estou eu - exclama Miguel correndo para Dom Bosco -, eu sou aquele Miguel Magone que encontrou na estação de Carmagnola.” E entrega-lhe a carta. Dom Bosco lê-a e admite-o entre os seus jovens, em Valdocco. O rapaz promete que não lhe dará desgostos, que se empenhará e garante-lhe que fará o que Dom Bosco preferir, embora ele preferisse continuar a estudar.

Começa assim o período de estudo. Os primeiros dias são muito pesados para o Miguel. Cantar, gritar, correr, saltar, fazer barulho são as únicas actividades que o fazem feliz. É engraçado vê-lo quando o sino toca para o recreio: "Parecia que saía da boca de um canhão, voando por todos os cantos do pátio", escreve Dom Bosco, mas um mês depois o rebelde estava totalmente diferente e até pediu a D. Bosco para se confessar. Quando faz a sua primeira confissão exclama: - Estou tão feliz!

 

Reflexão / Oração

Quanta humildade tinha Miguel Magone para se deixar transformar por D. Bosco. Só o amor transforma o coração, um amor paciente que respeita os ritmos de cada pessoa mas que também sabe ver as potencialidades de cada um e propor metas altas. Quando se fala de amar os jovens temos sempre de ter presente que o verdadeiro amor não é permitir que se faça o que apetece ou que se aprenda apenas pelos erros. Amar é corrigir os erros, mas também propor caminhos de crescimento que muitas vezes são mal entendidos pelos adolescentes e jovens mais crescidos.

Na nossa oração de hoje vamos pedir a Maria que nos ensine a verdadeira humildade, que é o oposto do orgulho. Só quem tem um coração humilde está disposto a aprender ao longo da vida, sempre! Ave-Maria

 

... Dar protagonismo aos jovens: Outros Exemplos – Domingos Sávio e Laura Vicuña

Domingos Sávio continua a ser recordado no mundo inteiro. Ele não fez coisas extraordinárias mas foi um dos jovens em quem D. Bosco descobriu a grandiosidade de pessoa e reconhecia nele um santo que vivia extraordinariamente as coisas simples do dia a dia.

D. Bosco recebeu Domingos Sávio na sua escola. E ficou como aluno interno, uma vez que a sua terra ficava longe e os transportes não eram fáceis. Na escola de D. Bosco, Domingos encontrou muitos outros alunos internos. De manhã, cada um devia deixar a sua cama bem feita. Os grandes já faziam isso com alguma facilidade, mas os pequenos… era um problema: eles bem puxavam os lençóis, os cobertores… mas muitos deles não tinham força… e, sobretudo, não tinham jeito! E não conseguiam que a cama ficasse bem feita. Os mais velhos riam e gozavam as pobres crianças. Mas Domingos não. Quando via a aflição dos mais pequenos, aproximava-se e ajudava-os a fazer a cama. E os pequenos ficavam-lhe muito agradecidos. E ficavam amigos.

Escreve o seu professor: «Não me lembro de ter tido alguma vez aluno mais atento, mais dócil, mais respeitador do que Domingos Sávio. Era um verdadeiro modelo em todas as coisas. Era amável e amigo, delicado, bem-educado, trabalhador na sala de aula e alegre e divertido no recreio, ao ponto dos seus companheiros gostarem imenso de conviverem com ele e procurarem a sua amizade e companhia. Como em todo o lado, havia alunos na turma que não tinham um bom comportamento, ou alunos que não conseguiam acompanhar as matérias. Quando isto sucedia, com frequência, eu mudava estes alunos para junto de Domingos: o seu exemplo e as suas explicações faziam deles, em pouco tempo, melhores alunos.”

 

Também Laura Vicuña que não conheceu D. Bosco mas cresceu em pleno ambiente salesiano com as Irmãs salesianas do colégio de Junín de los Andes. Dizia esta encantadora adolescente chilena “Para mim, rezar ou trabalhar, brincar ou dormir é a mesma coisa.” Estas palavras de Laura Vicuña revelam o modo extraordinário de viver a santidade no quotidiano, na alegria e no amor do ambiente salesiano. Laura foi um exemplo claro de que nem a adolescência nem a juventude são tempos de espera, e que não podemos deixar os jovens acomodarem-se a uma vida sem ideais. Pelo contrário, devemos encorajá-los na criação de um mundo mais humanizado e fraterno conforme o desejo de Deus, através da sua acção e protagonismo na construção de uma nova civilização do amor.

 

Reflexão / Oração

Fantástico! Como não é possível que pessoas assim fiquem na história? Laura e Domingos eram adolescentes tão autênticos e livres que se destacavam pela positiva. Quem é verdadeiro e simples, quem não usa máscaras nem vive atrás de aparências e looks da moda, será sempre aceite pelos outros, porque a verdade fala por si. E nós? Como gostaríamos que os outros nos recordassem: com um arrepio na coluna ou com uma doce ternura de saudade? É que ninguém nos fica indiferente... E não nos esqueçamos: Os jovens são capazes de fazer escolhas corajosas de vida.

Procuremos ter a abertura de espírito para receber o dom do Amor de Deus na nossa vida e a coragem para ser um astro de luz no caminho que percorremos. Que Maria nos acompanhe e nos guie. Avé-Maria...

 

... Educar a partir da amabilidade e respeito (S. Francisco de Sales)

A gentileza é uma arte que não nos custa nada e que nos trás enormes benefícios. Fazer uso de palavrinhas mágicas no nosso dia-a-dia não só nos vai tornar pessoas mais simpáticas, como também vai construir pontes entre nós e aqueles que o Senhor escolheu para fazerem parte da história da nossa vida. O estilo educativo salesiano assenta num conceito muito importante: a amabilidade ou amorevollezza. D. Bosco inspirou-se na amabilidade vivida por um Santo que viveram cerca de 300 anos antes dele: Francisco de Sales.

Aos seus seguidores, D. Bosco deu o nome de “salesianos”, porque queria que fossem imitadores de S. Francisco de Sales, na sua bondade, na sua dedicação, na sua entrega aos jovens; daí o nome de “salesianos”.

 

Francisco de Sales nasceu no dia 21 de Agosto de 1567, numa família nobre, no reino da Sabóia, situado entre a França, Itália e a Suíça. Estudou no Colégio de Clermont dos Jesuítas, em Paris, e na Universidade de Pádua, onde se doutorou no Direito Canónico e Civil. Para o seu pai, foi uma grande decepção que Francisco não aceitasse uma carreira de diplomata e preferisse ser padre.

Depois da ordenação, foi como jovem missionário para Chablais, distrito da Sabóia, por quatro anos. Lá ficou famoso pelos folhetos impressos em defesa da fé. Por sorte ou protecção divina, escapou de um atentado contra a sua vida. A sua fama como director espiritual e escritor aumentava de dia para dia. Este Santo escreveu sobretudo sobre a bondade e amabilidade, que procurava por em prática em cada momento, mesmo tendo um feito difícil e irascível. O valor permanente e a popularidade dos seus escritos, levaram a Igreja a conceder-lhe o título de Padroeiro dos escritores católicos e dos jornalistas, dia que se celebra a 24 de Janeiro.

 

Eis algumas frases célebres de Francisco de Sales que nos podem servir de inspiração:

"O ruído faz pouco bem, o bem faz pouco ruído."; “A alegria abre, a tristeza fecha o coração.”; “Um santo triste é um triste santo”; “Caçam-se mais moscas com uma gota de mel do que com um barril de vinagre”.

 

Reflexão / Oração

Praticar a bondade a todo o momento só mesmo com a força de Deus no nosso coração. Vamos pedir-lhe que nos ajude cultivar em nós a semente da bondade e a ter coragem para reagir bem nas situações em que mais facilmente reagimos mal. Para tal escutamos e meditamos neste poema de Madre Teresa de Calcutá, uma mulher que fez da bondade o seu GPS em cada dia:

 

As pessoas agem como irracionais, são ilógicas e egocêntricas.

Mesmo assim, Ame-as.

Se você tem sucesso nas suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.

Mesmo assim, procure ser bem sucedido.

O bem que você faz será esquecido amanhã.

Mesmo assim, faça-o.

A honestidade e a franqueza tornam-no vulnerável.

Mesmo assim seja honesto e franco.

Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.

Mesmo assim, construa.

Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo quando você os quiser ajudar.

Mesmo assim, ajude-os.

Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, corre sempre o risco de ser mal-entendido.
Mesmo assim, dê o seu melhor.

 

… A educação é sempre uma missão partilhada – Mãe Margarida

D. Bosco procurou envolver muita gente nesta missão educativa. Começou logo por alguém que ele conhecia muito bem e que fora sempre o grande apoio na realização dos seus sonhos: a sua mãe, Margarida. Quando Dom Bosco fica gravemente doente, Margarida vai assisti-lo, descobrindo o bem que faz pelos jovens abandonados. Ao pedido para acompanhá-lo, responde assim: "Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou pronta a ir". A presença da Mãe Margarida transforma o oratório numa família. E durante dez anos a sua vida confunde-se com a do filho.

 

Era o dia 3 de Novembro de 1846. As folhas caíam com o vento do Outono, e D. Bosco regressou a Turim. Desta vez não vem sozinho: acompanha-o Margarida sua mãe, que tinha concordado em acompanhá-lo para se tornar a mãe de todos aqueles rapazes.

Os dois peregrinos fizeram a longa caminhada a pé. Margarida trazia no braço uma cesta, com todos os seus bens: alguma roupa branca e um pouco de comida.

Já perto do Oratório um padre amigo de D. Bosco reconhece-o, dá-lhe as boas-vindas e quer saber notícias:

— Então como é que vai a saúde?

— Sinto-me bem, obrigado.

— Onde é que ficas a viver?

— Aqui, na casa Pinardi. Aluguei lá três divisões. Como vês, trouxe comigo a minha mãe.

— Com que meios contas?

— Ainda não sei. Mas a Deus lá está.

— És sempre o mesmo — murmurou o outro abanando a cabeça —. Depois, tirou o relógio do bolso e entregou-lho dizendo:

— Gostaria de ter mais recursos para poder ajudar-te.

Margarida foi a primeira a entrar na nova casa: três quartinhos vazios e tristes, apenas com as respectivas camas, duas cadeiras e alguns tachos. Esforçou-se por sorrir e disse a D. Bosco:

— Na nossa terra, eu andava numa roda viva para ter tudo em ordem, limpar os móveis e lavar a louça. Aqui terei menos preocupações…

Ambos, de sorriso nos lábios, meteram mãos à obra. D. Bosco pôs na parede um crucifixo e um pequeno quadro de Nossa Senhora. Margarida preparou as camas e depois mãe e filho começaram a cantar.

 

Reflexão / Oração

O que é que D. Bosco tinha para oferecer à Mãe naquele momento em que a trouxe consigo para Turim? Um espaço de pobreza e o pedido da sua ajuda e colaboração com os jovens. Não importava o conforto que deixara para trás, pois diante dela estava um sonho que viria a ser concretizado com a sua ajuda, com o seu precioso amor de Mãe. Ela não foi apenas a mãe de João Bosco, como também a mãe de centenas de rapazes que passaram por Valdocco.

Peçamos hoje a Maria por todas as mães do mundo, de um modo especial por aquelas que vivem momentos difíceis, por razões de saúde, por questões ligadas à família, ao emprego ou à educação dos seus filhos. Que Nossa Senhora estenda a sua protecção sobre elas e as ajude na sua missão de Mãe. Avá-Maria…

 

… A educação é sempre uma missão partilhada – Miguel Rua

Miguel Rua nasceu em Turim no dia 9 de Junho de 1837. Foi o último de 9 filhos e perdeu o pai aos oito anos. Estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs até ao terceiro ano elementar. Deveria começar a trabalhar na Real Fábrica de Armas de Turim, onde o pai era operário, mas Dom Bosco – que aos domingos ia confessar na escola – propôs-lhe continuar os estudos com ele, dizendo-lhe para não se preocupar comas despesas.

Certo dia, Dom Bosco distribuía algumas medalhas aos seus rapazes. Miguel era o último da fila e chegou atrasado, mas ouviu Dom Bosco dizer: "Toma, Miguel!".

O rapaz ficou atónito porque o padre não lhe estava a dar nada. Mas D. Bosco fez-lhe um traço na mão e acrescentou: "De hoje em diante nós os dois faremos tudo a metade”.

Realmente, João Bosco e Miguel Rua passaram a realizar todas as obras em conjunto: governo da Congregação, visitas, trabalhos, fundações.

Dom Bosco dizia dele: "Se eu tivesse dez Miguel Rua, partiria à conquista do mundo".

 

Reflexão / Oração

Miguel Rua foi um dos primeiros quatro salesianos de D. Bosco e foi o seu primeiro sucessor como Superior da Congregação Salesiana, tendo sempre no coração continuar a obra ao estilo do Pai e Mestre dos jovens. Aonde chegava era frequente dizer: “aqui quero ser como D. Bosco”.

Que tal como Miguel Rua, nos sintamos parte de um sonho que continua – o de ajudar os jovens a serem bons cristãos e honestos cidadãos. Ave-Maria …

 

… A educação é sempre uma missão partilhada – Os rapazes

Os jovens que estavam com D. Bosco em Turim foram-se tornando a pouco e pouco colaboradores da sua missão educativa, mesmo em situações bastante arriscadas. Em 1854, uma notícia alarmante percorre as ruas de Turim: a epidemia de cólera está a alastrar como uma mancha de óleo nas aldeias do baixo Piemonte. O rei, a rainha e toda a família real fogem em coches fechados, e refugiam-se no castelo de Casellette.

Entretanto, na periferia da cidade, no pico do verão, apareciam os primeiros casos da terrível peste. O bairro mais atingido de Turim é Borgo Dora bairro contíguo a Valdocco. Todos os dias mais de cem vítimas jazem pelas diversas casas e nas enfermarias improvisadas para tratar os doentes.

O presidente da Câmara dirige um apelo dramático aos sacerdotes, religiosos e religiosas: morrem pessoas nas enfermarias por falta de médicos e enfermeiras. Precisa-se de gente de boa vontade, disposta a arriscar a vida. Naquela noite D. Bosco disse aos jovens do seu Oratório:

— O presidente da Câmara lançou um apelo. Se, entre os mais crescidos, alguém se sentir com coragem de vir comigo aos hospitais e às casas particulares tratar os doentes de cólera, faremos uma boa acção que muito agradará ao Senhor. E garanto-vos que se todos procurardes viver na graça de Deus a cólera não entrará aqui nesta casa.

Catorze rapazes dos mais velhos deram o seu nome. Poucos dias depois, outros trinta conseguiram obter licença, apesar de serem ainda muito novos. Foram dias de trabalho árduo, nada convidativo.

Durante mais de um mês aqueles 44 rapazes voluntários não tiveram mãos a medir. D. Bosco dava o exemplo a todos: sempre pronto a acudir, a confortar, a administrar os sacramentos.

Com as primeiras chuvas do Outono, o número de vítimas foi diminuindo. A 21 de Novembro deu-se por fim o estado de “emergência”.

 

Reflexão / Oração

A colaboração destes jovens não foi por interesse ou recompensa, nem por inconsciência ou desconhecimento dos riscos que corriam. Um grupo de jovens que estava disposto a dar apoio e a confortar, na medida do possível, quem padecia de um grande sofrimento. Não pediram milagres de cura, mas estavam junto das pessoas a confortá-las na sua recuperação ou nos últimos instantes, sempre com dignidade. Estar ao lado, dar o seu tempo, oferecer palavras de conforto,... são gestos tão concretos de um amor forte e que oferece a paz e a serenidade. São gestos que qualquer um de nós, em situações mais ou menos complexas, pode sempre oferecer. Pedimos hoje, de um modo especial, por todos os jovens que frequentam os ambientes salesianos, para que se sintam verdadeiros colaboradores activos da missão educativa e autênticos construtores de um mundo mais fraterno e justo. Confiamo-los a Maria Auxiliadora, aquela que tudo fez, a Mãe e Mestra de D. Bosco. Ave-Maria…
 

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