|
Quando um
dia encontrou o pequeno Miguel Rua, e intuiu o futuro
daquele rapaz de oito anos, fez o gesto de oferecer metade
da sua mão e disse-lhe:"Toma, Miguel: nós os dois faremos
tudo a meias". A 18 de Dezembro de 1859, num pequeno quarto
de Turim, nasce a família dos “Salesianos”, com os primeiros
dezassete rapazes que manifestaram a vontade de seguir D.
Bosco, para viver e trabalhar sempre em favor dos rapazes
pobres: “Da mihi animas coetera tolle”. Tudo para levar
Jesus Cristo aos jovens e para que os jovens se encontrassem
com Cristo.
O Da mihi
animas é o lema que traduz a linguagem de um amor infinito
pela salvação dos jovens, fruto da acção do Espírito Santo
na vida de D. Bosco. É um sonho que não tem espaço nem tempo
que o bloqueie e que continua aqui e hoje, contigo, comigo,
connosco.
Acção:
aprofundar a vida de D. Bosco, o estilo com
que envolvia adultos e jovens na missão educativa e de
evangelização, a sua preocupação pelo jovem em todas as
dimensões da sua vida; conhecer as várias expressões do
carisma salesiano hoje presentes no mundo, …
|
JANEIRO 2010 |
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Sexta |
1 |
Santa Maria, Dia Internacional da
Paz. |
|
Segunda |
4 |
2010, uma nova etapa do caminho |
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Terça |
5 |
2010, novas oportunidades |
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Quarta |
6 |
2010, novos desafios |
|
Quinta |
7 |
2010, novos empenhos nos estudos |
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Sexta |
8 |
2010, novos olhares |
|
Segunda |
11 |
Caminhando juntos como João Bosco
(preparar a festa de S. João Bosco) |
|
Terça |
12 |
… Um jovem que arriscou sonhar |
|
Quarta |
13 |
... Ser um padre … que aposta nos
jovens |
|
Quinta |
14 |
... Acreditar nas potencialidades
de cada um |
|
Sexta |
15 |
... Criador de uma grande família
(Família Salesiana) |
|
Segunda |
18 |
... Caminhos de João Bosco: de
casa para a escola (a infância) |
|
Terça |
19 |
... Caminhos de João Bosco: com
os marginalizados |
|
Quarta |
20 |
... Caminhos de João Bosco:
caminhos de festa e diversão |
|
Quinta |
21 |
… Dar protagonismo aos jovens: Um
exemplo – Miguel Magone |
|
Sexta |
22 |
... Dar protagonismo aos jovens:
outros exemplos – Domingos Sávio e Laura Vicuña
(Festa de Laura Vicuña) |
|
Sábado |
23 |
Flash-Bosco
(7º,8º e 9º Anos – Évora) |
|
Domingo |
24 |
Flash-Bosco
(7º,8º e 9º Anos – Évora) –
(Dia 24 Festa de S. Francisco de
Sales) |
|
Segunda |
25 |
... Educar a partir da
amabilidade e respeito (S. Francisco de Sales)
(Festa da conversão de S. Paulo) |
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Terça |
26 |
… A educação é sempre uma missão
partilhada – Mãe Margarida |
|
Quarta |
27 |
… A educação é sempre uma missão
partilhada – Miguel Rua |
|
Quinta |
28 |
… A educação é sempre uma missão
partilhada – Buzzetti |
|
Sexta |
29 |
CELEBRAMOS D. BOSCO NA ESCOLA |
|
Domingo |
31 |
Festa de S. João Bosco |
2010, uma nova etapa do caminho
Um novo
ano representa sempre um recomeço, uma nova etapa no caminho
já iniciado a meados de Setembro. Vivemos o encontro com o
novo ano como
um momento sempre cheio de promessas.
FOLHA EM BRANCO
Certo dia
eu estava a dar um teste e os alunos, em silêncio, tentavam
responder às perguntas com uma certa ansiedade. Faltavam uns
15 minutos para o final e um aluno levantou o braço,
dirigiu-se a mim e disse:
"Professor, pode dar-me uma folha em branco?"
Levei-lhe
a folha carteira e perguntei porque queria mais uma folha em
branco. Ele respondeu:
" Eu
tentei responder às questões, risquei tudo, fiz uma confusão
danada e queria começar outra vez".
Apesar do
pouco tempo que faltava, confiei no rapaz, dei-lhe a folha
em branco e desejei que ele terminasse a tempo. Aquela
atitude causou-me simpatia. Hoje, quando recordo aquele
episódio simples, penso em tantas pessoas que receberam uma
folha em branco, que foi a vida que DEUS lhe deu até agora,
e que só têm feito riscos, tentativas frustradas e uma
confusão doida...
Acho que
agora seria um bom momento para se pedir a DEUS uma nova
folha, em branco, uma nova oportunidade para ser feliz.
Assim como
tirar uma boa nota depende da atenção e esforço do aluno,
uma vida bem orientada também depende da atenção que damos à
voz de Deus no nosso interior. Não importa qual a idade,
condição financeira, religião, etc.
Levanta o
braço, pede uma folha em branco, passa a tua vida a limpo.
Não fiques obcecado em ser o melhor. Preocupa-te apenas em
aplicar o que aprendeste de verdade como lição de Bem e de
Amor.
Pode
faltar-nos muita coisa, e a única certeza que temos é a
presença de DEUS. Ele sim, não mudou e continua a acreditar
em nós e certamente acreditará em ti.
Oração
Que Deus
fique connosco neste ano 2010, para que juntos arranjemos
coragem e nos ajudemos mutuamente a preservar o que temos e
criar um mundo melhor. Que consigamos com a sua força,
realizar todos os nossos sonhos. 2010 marca uma nova etapa
que todos queremos agarrar. Bem-vindo entre nós.
2010, novas oportunidades
A dádiva
da vida… foi-te dada por Deus e dela tu és o seu gestor. Por
isso, faz com que realmente valha a pena, sempre numa
perspectiva positiva. É esta perspectiva que transforma os
obstáculos em oportunidades. Um exemplo muito interessante
pode ser a história que se segue:
Uma
empresa de calçado de marca certificada desenvolveu um
projecto de exportação de sapatos para Índia. Para preparar
o terreno, o Presidente da empresa enviou dois dos seus
consultores a pontos diferentes daquele país para fazerem as
primeiras observações do potencial do futuro mercado.
Após
alguns dias de pesquisas, um dos consultores enviou o
seguinte fax para a direcção da empresa:
- "Sr.
Presidente e meus caros Senhores, cancelem o projecto de
exportação de sapatos para Índia. Aqui ninguém usa sapatos.
Será um projecto fracassado."
O
Presidente recebeu a comunicação e ficou apreensivo.
Contudo, ficou a aguardar a opinião do segundo consultor.
Sem saber deste fax, alguns dias depois o segundo consultor
mandou a sua comunicação:
"Exmo. Sr.
Presidente e caros Senhores, venho comunicar que será melhor
triplicarem o projecto de exportação de sapatos para Índia.
É que aqui AINDA ninguém usa sapatos. Já imaginaram o
potencial deste mercado?"
Reflexão / Oração
A mesma
situação que era um tremendo obstáculo para um dos
consultores, era uma fantástica oportunidade para o outro.
Da mesma forma, na nossa vida podemos ver as situações com
maneiras diferentes.
A maneira
como encaras a vida....faz toda a diferença!!! Deus está
connosco e oferece-nos este novo ano repleto de
oportunidades a não desperdiçar! Peçamos-lhe a força para as
saber viver com coragem e alegria! Pai Nosso…
2010, novos desafios
Por vezes
não damos valor aos sonhos que trazemos no coração ou, pelo
menos, não acreditamos que podem mesmo realizar-se... mesmo
que comecemos por passos muito discretos. Um exemplo
interessante é o do sr. Walt Disney: Sabem como este
realizador de sonhos criava e realizava?
Walt Disney (1901-1966) criou um império de lazer que vai
muito além dos dias actuais, Além da Disneylândia e dos
estágios iniciais do Disney World, produziu 497 filmes de
curta-metragem, 21 filmes de animação, 56 filmes de
longa-metragem, 330 horas do Mickey Mouse Club, 78 emissões
de meia hora do Zorro e 330 horas de outros shows de
televisão. W. Disney também foi responsável por várias
inovações empresariais e técnicas importantes no campo da
animação e do cinema em geral.
Disney
possuía uma capacidade excepcional: pegava em algo que
existe apenas na imaginação e dava a esse algo uma
existência física que influenciava de maneira positiva a
experiência das pessoas. E o que tornou isto possível?
Disney usava uma estratégia interessante para conseguir o
que queria. Ele conseguia pensar, sonhar e agir como se
fossem três Disneys diferentes:
-
O
sonhador tinha toda a liberdade de usar a imaginação.
-
O
realista era o tradutor das fantasias em forma tangível.
-
E o
crítico aplicava o julgamento da obra que estava para
nascer.
O sonho
elaborado pelo sonhador era passado ao realista, cuja tarefa
era transformar o sonho em partes realizáveis. Nessa altura,
o crítico era solicitado para reconhecer o que estava bom e
questionar o que não estava dentro dos critérios. O sonhador
passava a elaborar novas ideias para atender aos requisitos
de qualidade do crítico e solucionar problemas
identificados. O ciclo repetia-se até que “todos” estivessem
satisfeitos. Cada faceta Disney tinha os seus próprios
métodos e características. O sonhador era livre e
espontâneo. O realista era organizado e analítico e levava
em conta recursos e limites da realidade. Para o sonhador e
o realista era importante ter novas ideias, mas o mesmo não
ocorria para o crítico, cujo enfoque era a qualidade. Cada
um até trabalhava em salas diferentes. Esta estratégia
continuou a ser implementada nos estúdios depois de Walt
Disney morrer.
Reflexão / Oração
Ainda hoje
os filmes da Disney não só oferecem o encanto da fantasia
que outras produções estão longe de conseguir, como
despertam nas pessoas o seu melhor, a capacidade de sonhar.
W. Disney mudou o mundo do espectáculo, e é curioso notar
que tudo começou com um rabisco, que viria a ser o Mickey...
mas este foi o seu primeiro desafio!
Dar asas e
credibilidade aos nossos sonhos é algo mais realista do que
possamos pensar. O sonho que nos impele para a felicidade
depende muito da nossa capacidade de escutar a voz de Deus
que habita o mais profundo do nosso ser. É aí que Ele nos
fala do sonho que nos faz felizes. Peçamos a protecção do
nosso Anjo da Guarda para que nos ajude a estar atentos à
voz de Deus.
2010, novos empenhos nos estudos
O meu
maior defeito, nos tranquilos dias da infância, consistia em
desanimar com demasiada facilidade quando uma tarefa
qualquer me parecia difícil. Eu podia ser tudo, menos um
menino persistente. Foi quando, numa noite, o meu pai me
entregou uma tabuinha de fina espessura e um canivete, e me
pediu que, com este, riscasse uma linha a toda largura da
tábua. Obedeci às suas instruções, e, em seguida, a tábua e
o canivete foram trancados na escrivaninha do pai.
Repetiu-se
a mesma coisa nas noites seguintes, durante uma semana e eu
não aguentava mais de curiosidade. Mas a história
continuava. Todas as noites eu tinha que riscar com o
canivete, uma vez, pelo sulco, que era cada vez mais
profundo.
Chegou
afinal um dia em que não havia mais sulco. O meu último e
leve esforço cortara a tábua em duas.
O pai
olhou longamente para mim, e depois disse:
- Tu nunca
acreditarias que isto fosse possível com tão pouco esforço,
não é verdade? Pois o êxito ou fracasso da tua vida não
depende tanto da força que colocas numa tentativa, mas da
persistência no que se faz.
Reflexão / Oração
Numa
altura em que tudo é rápido, aqui e agora, desde as
comunicações à fast-food, parece que ter persistência é algo
de um passado longínquo. O certo é que as pequenas ou
grandes melhorias, inclusive nos estudos, requerem método e
constância. Até podemos ter sorte no estudo de uma tarde
para um teste de avaliação, com tudo “enfiado” à pressão,
mas o verdadeiro saber é aquele que permanece. Que o Senhor
nos dê força e tenacidade para saber “riscar” as nossas
prioridades com persistência. Pai Nosso…
2010, novos olhares
OS FAMOSOS
Um famoso
conferencista começou uma palestra numa sala com 300
pessoas, segurando numa nota de 100€. Perguntou bem alto:
“-Quem de
vocês quer esta nota de 100€?”
Todos
ergueram a mão... Então, ele disse:
"-Darei
esta nota a um de vocês esta noite, mas, primeiro, deixem-me
fazer isto..."
Então,
amassou totalmente a nota. E perguntou outra vez:
"-Quem
ainda quer esta nota?"
As mãos,
continuavam erguidas... E continuou:
"-E se eu
fizer isto..." - Deixou a nota cair ao chão e começou a
pisá-la. Depois, pegou na nota, agora já imunda e amassada e
perguntou:
"-E
agora?... Quem ainda vai querer esta nota de 100€?”
Todas as
mãos voltaram a erguer-se.
O homem
voltou-se para a plateia e disse com uma voz mais serena e
cativante:
"-Não
importa o que eu faça com o dinheiro, vocês continuarão a
querer esta nota, porque ela não perde o valor. Esta
situação também acontece connosco... Muitas vezes, somos
amassados, pisados por várias circunstâncias em que a vida
nos coloca e ficamos a sentir-nos sem importância. O preço
de nossas vidas, não é pelo que aparentamos ser, mas pelo
que somos e sabemos!”
Agora,
reflictam bem e façamos este exercício de memória:
1 - Nomeie
as 5 pessoas mais ricas do mundo.
2 - Nomeie
as 5 últimas vencedoras do concurso Miss Universo.
3 - Nomeie
10 vencedores do prémio Nobel.
4 - Nomeie
os 5 últimos vencedores do Óscar, como melhores actores ou
actrizes.
Então,
como Vai? Difícil de lembrar???... Não se preocupem. Ninguém
de nós se lembra dos melhores de ontem porque rapidamente os
aplausos vão-se embora e os troféus ficam cheios de pó!
Agora, faça o seguinte:
1 - Nomeie
3 professores que o ajudaram na sua verdadeira formação.
2 - Nomeie
3 amigos que já o ajudaram nos momentos difíceis.
3 - Pense
em algumas pessoas que o fizeram sentir alguém especial.
4 - Nomeie
3 pessoas com quem se diverte e que com a sua companhia o
tempo voa.
Como vai?
Melhor, não é verdade?
As pessoas
que marcam a nossa vida não são as que têm as melhores
credenciais, ou mais dinheiro, ou os melhores prémios... São
aquelas que se preocupam connosco, que cuidam de nós, que,
de algum modo, estão ao nosso lado. Reflicta um momento... A
vida é muito curta!
Reflexão / Oração
Vamos por
isso agradecer a Deus pelas pessoas que fazem com que a
nossa vida ganhe uma cor viva e alegre. Muitas ou poucas,
não importa, o importante é que nós também sejamos como
estrelas que iluminam o olhar de quem se cruza connosco.
Pai-nosso, …
Caminhando juntos como João Bosco
(explicação da campanha de preparação para a
festa de S. João Bosco)
Ao longo
destas duas semanas vamos dedicar os nossos bons-dias a
conhecer um pouco melhor D. Bosco e o sonho de levar o amor
de Deus aos jovens e de os ajudar a crescer e a tornarem-se
honestos cidadãos e bons cristãos.
O Director
de Turma entrega a um par de alunos um pequeno papel com uma
frase de D. Bosco para decifrarem. Depois de todos
descobrirem a frase, recolhe-as, pedindo aos alunos para
escrever o seu nome na parte de trás. Ao longo dos dias, até
à festa de D. Bosco, depois da mensagem do bom-dia, um dos
alunos vai escrever a frase num poster colocado na sala de
aula, alusivo a D. Bosco e, assim, completa a mensagem e
oferece um empenho para a turma nesse dia.
… Um jovem que arriscou sonhar
Conhecemos
bem o quanto João Bosco foi um sonhador. Se não o fosse
dificilmente teria levado em frente o sonho salesiano. Tudo
começou quando ele era muito jovem. É próprio da juventude
sonhar, desejar voar e libertar horizontes. O sonho dos 9
anos motivara o pequeno João dos Bechi a ir muito além dos
limites da sua terra, dos limites da pobreza real da sua
família. Em vez de encarar esses limites como um obstáculo,
João transformou-os em desafios e oportunidades que o foram
ajudando a crescer.
Os alunos
do 5º ano escutam a narração do sonho dos nove anos,
enquanto aos alunos mais crescidos motiva-se para que sejam
eles a narrar esta história.
Uma noite,
talvez aquela que se seguiu à troca do pão branco pelo pão
negro, Joãozinho teve um sonho. Contá-lo-á ele mesmo algum
tempo depois:
“Aos 9
anos tive um sonho, que me ficou profundamente gravado na
memória por toda a vida. No sonho parecia-me estar perto de
casa, num terreiro amplo, onde brincava uma chusma de
garotos. Uns riam, outros blasfemavam. Ao ouvir aquelas
blasfémias, caí sobre eles, tentando fazê-los calar,
primeiro com boas razões, e depois ao sopapo.
Nisto,
apareceu um personagem misterioso, ricamente vestido.
O seu
rosto era tão brilhante que me era impossível fixá-lo.
Chamou-me pelo nome e disse-me:
— Não é à
pancada, mas com bons modos que deves conquistar-lhes a
amizade. Começa imediatamente a falar-lhes do mal que é o
pecado e do bem que é a virtude.
Confuso e
atónito, respondi que era um rapaz pobre e ignorante. De
repente aqueles garotos, já transformados, juntaram-se à
volta daquele personagem que lhes falava. Quase sem saber o
que dizia, perguntei:
— Quem
sois vós que me pedis coisas impossíveis?
— Eu sou
filho d’Aquela que a tua mãe te ensinou a saudar três vezes
ao dia. O meu nome pergunta-o à minha Mãe.
Naquele momento vi uma Senhora de aspecto majestoso, vestida
com um manto resplandecente como o sol. Vendo-me confuso,
fez-me sinal para me aproximar. Tomou-me com bondade pela
mão e disse-me:
— Olha! —
Olhando, verifiquei que aqueles garotos tinham desaparecido
todos; e vi então uma chusma de cabritos, cães, gatos, ursos
e muitos outros animais.
— Eis o
campo em que deverás trabalhar. Torna-te humilde, forte e
robusto: e aquilo que neste momento vês acontecer com estes
animais, hás-de consegui-lo com os meus filhos.
Olhei de
novo, e eis que, em vez de animais bravios, via apenas
cordeiros, saltitando e balindo, em ar de festa, em volta
daquele Homem e daquela Senhora.
Nisto,
sempre em sonho, desatei a chorar e pedi àquela Senhora que
falasse mais claro, pois eu não estava a perceber nada.
Então ela colocou-me a mão sobre a cabeça e disse-me:
— A seu
tempo tudo compreenderás. Ditas estas palavras, acordei com
um ruído e tudo desapareceu.
Tinha a
cabeça atordoada. Parecia-me sentir as mãos doridas, pelos
murros que tinha dado, e a cara a escaldar com os que tinha
apanhado daqueles garotos”.
Batem na
janela os primeiros raios de sol e já todos lá em casa se
levantaram. Joãozinho salta rapidamente da cama, diz uma
breve oração e desce a correr para a cozinha, onde estão a
mãe, a avó e os dois irmãos José e António. Incapaz de
resistir, acaba por contar o sonho com todos os pormenores.
Os irmãos dão uma forte gargalhada:
— Virás a
ser pastor! — diz o José, em ar de mofa.
— Talvez
um chefe de bandidos! — acrescenta o António, com ar
escarninho.
A mãe,
pelo contrário, fica pensativa. Fita os olhos no filho,
inteligente e generoso, e exclama:
— Quem
sabe se um dia não teremos aqui um sacerdote!?
A avó, por
seu lado, bate impacientemente com a bengala no chão e
murmura:
— Os
sonhos são sonhos, e não devemos acreditar neles. Agora o
importante é irmos comer.
Reflexão / Oração
O sonho
que João Bosco teve foi fácil de interpretar? Os comentários
de quem estava com ele foram positivos? E tu? Se estivesses
na pele de João Bosco, ter-te-ias importado com os
comentários negativos? Vamos pedir a Nossa Senhora que nos
ensine a ser interiormente muito livres, acerca das nossas
convicções mais profundas, dos valores que orientam a nossa
vida. Que Maria nos ajude a caminhar na verdade e a realizar
os sonhos que Deus inscreveu no nosso coração. Ave Maria…
... Ser um padre … que aposta nos jovens
João Bosco
tornou-se um jovem vigoroso. Tinha estudado e trabalhado
duramente. Tinha conquistado centenas de amigos. Em 1835,
com vinte anos, toma a resolução mais importante da sua
vida: entra no seminário e decide realizar o seu sonho:
ser padre.
Mais seis
anos de estudo difícil, levados em frente com coragem e
alegria. A 5 de Junho de 1841, o arcebispo de Turim impõe as
mãos sobre a cabeça de João Bosco e invoca o Espírito Santo
que o consagra sacerdote para sempre. A partir deste momento
todos passarão a chamá-lo D. Bosco (“Dom” é o titulo dado
aos padres em Itália).
Mas, o que
fará agora D. Bosco? Como padre poderá desempenhar missões
muito diferentes. Ofereceram-lhe a oportunidade de ser tutor
de famílias ricas, boas propostas como assistente espiritual
em algumas comunidades, mas o seu projecto é outro: os
jovens que vagueavam sem sentido numa sociedade que os
escravizava pelo trabalho e pela orfandade. Fica em Turim a
aperfeiçoar o estudo da teologia e a estudar a situação
social da cidade.
Um dos
seus professores foi um jovem padre que se tornou seu amigo
e conselheiro por toda a vida: o Padre José Cafasso. D.
Bosco começa a ir com o seu mestre às prisões de Turim.
Naquelas prisões escuras, entre paredes negras e húmidas,
encontra caras sombrias e ameaçadoras. Sentia calafrios tão
fortes que, por vezes, quase desmaia. Aquilo que mais o faz
sofrer é a presença de presos ainda jovens, de olhos
revoltados e sorriso trocista, como o de alguém que já não
tem amor nenhum pela sua vida.
Um dia,
viu atrás das grades um grupo de rapazes tão jovens que lhe
causou um desgosto imenso, a ponto das lágrimas lhe surgirem
aos olhos.
— Porque
chora aquele padre? — pergunta um deles.
— Porque
nos quer bem — responde um outro. — A minha mãe também era
capaz de chorar se me visse aqui dentro…
Naquele
dia, ao sair da cadeia, D. Bosco toma uma resolução firme:
“Muitos
jovens vêm para aqui porque ninguém se ocupa deles. É
necessário acompanhá-los, educá-los; é urgente impedir a
todo o custo que rapazes ainda tão novos acabem na cadeia.
Quero fazer tudo para os salvar”.
Reflexão / Oração
A
felicidade de D. Bosco não era um projecto de vida mesquinho
que passasse por ter o melhor conforto para ele. Ele
entendeu, desde muito novo, que a vida só vale a pena quando
deixamos uma marca de felicidade no coração de quem está à
nossa volta e daqueles que mais necessitam. Ele sempre se
preocupou com os jovens de todas as classes sociais, mas
tinha um especial cuidado pelos jovens mais pobres da
sociedade. Peçamos a Nossa Senhora, a Mestra de D. Bosco que
nos ajude a procurar cada dia uma pérola felicidade que
contribua para uma vida mais feliz para aqueles que nos
rodeiam.
... Acreditar nas potencialidades de cada um
Quando D.
Bosco já tinha a mãe consigo em Turim, pensou fazer algo
mais pelos seus rapazes. Alguns, à noite, não tinham onde
dormir. Ficavam em qualquer canto ou nos miseráveis
dormitórios públicos. Por isso, pensou em recolher em casa
os mais abandonados. A primeira experiência saiu-lhe mal.
Tinha posto alguns a dormir no palheiro, só que de manhã,
nem um só para amostra: tinham fugido todos e até levaram
consigo as mantas que a Mãe Margarida lhes tinha emprestado.
Mas D. Bosco não desanimou.
Numa tarde
de Maio, em que chovia a cântaros, D. Bosco e a mãe tinham
acabado de jantar, quando alguém bateu à porta. Era um
rapaz, aí pelos 15 anos, todo molhado e gélido.
— Sou
órfão. Venho de Valsesia. Sou servente de pedreiro, mas
ainda não encontrei trabalho. Tenho frio e não sei para onde
ir…
— Entra —
disse-lhe D. Bosco —. Vai para a lareira, pois ensopado como
estás pode ser perigoso.
Margarida
prepara-lhe qualquer coisa para comer. Depois pergunta-lhe:
— E agora,
para onde vais?
O rapaz
fica pensativo. Depois, de lágrimas nos olhos:
— Não sei.
Tinha três liras quando cheguei a Turim, mas já as gastei
todas. Por favor, não me mande embora. Margarida pensa nas
mantas que tinham voado:
— Poderias
ficar, mas quem nos garante que não foges com as panelas?
— Não
senhora. Sou pobre, mas nunca roubei.
D. Bosco
acabara de sair debaixo da chuva. Pouco depois entra com uns
tijolos, faz com eles quatro suportes sobre os quais coloca
umas tábuas. Depois vai à sua própria cama. Tira o colchão e
estende-o sobre as tábuas.
— Ficas a
dormir aqui, meu caro. E ficarás o tempo que for preciso.
Ninguém te mandará embora.
Este rapaz
foi o primeiro órfão que entra na casa de D. Bosco. No fim
do ano já eram sete. Mais tarde serão milhares.
Reflexão / Oração
Na
sociedade em que estamos, em que parece mais comum
desconfiar do que ter confiança, por vezes perdemos a
oportunidade de fazer o bem a alguém, e até de lhe salvar a
vida, por não olharmos com um coração cheio de bondade
aqueles que mais precisam. Não é por acaso que continuam a
existir milhares de pessoas, jovens e adultos, abandonados,
a viver na mais fria solidão, carentes de amor e de gestos
de fraternidade. Apostar nas pessoas é ajudá-las no concreto
da sua situação e não só materialmente. É preciso que
acompanhemos, que nos demos ao trabalho de fazer o bem,
ajudando os outros a recuperar a sua dignidade. É uma missão
tão difícil quanto valiosa. Peçamos a Jesus, o Bom Pastor,
que nos ensine a ser pessoas inclusivas (não
marginalizadoras). É certo que o Bem dá trabalho, muito
trabalho mesmo, mas torna-nos pessoas grandes aos olhos de
Deus e dos mais humildes. Pai Nosso…
... Criador de uma grande família (Família
Salesiana)
Desde o
início da sua missão D. Bosco procurou envolver muita gente
nos seus projectos. Não duvidava que cada pessoa, na sua
própria vocação, podia contribuir muito em favor da
juventude. Desta forma, praticamente desde o início, D.
Bosco contou com os Salesianos, com as Salesianas e com
muitos outros homens e mulheres que colaboravam com ele de
múltiplas formas: Antes de mais, a sua própria mãe,
Margarida, que o acompanhava nos difíceis inícios dos
oratórios (centros juvenis) e no trabalho directo com os
rapazes que batiam à porta da sua casa. Com Margarida esteve
também a mãe do padre Miguel Rua, um dos primeiros
salesianos, e o pai de Domingos Sávio.
Este grupo
de pessoas, que conhecia muito bem D. Bosco, foi dando à sua
obra características distintas das de outras instituições da
época. Foram dando ao ambiente educativo a característica de
“espírito de família”. O espírito de família
salesiano é o ambiente educativo de confiança e
preventividade por parte dos diferentes educadores que
favorece o crescimento dos jovens.
A visão de
D. Bosco ultrapassava os confins do oratório. Ele queria
chegar, se possível, “a todos os jovens do mundo”.
Numerosos grupos constituem a Família
Salesiana e dela fazem
parte jovens, homens e mulheres, religiosos ou com vida em
família. Os grupos da Família Salesiana são mais de vinte e
entre eles:
-
Salesianos;
-
Filhas
de Maria Auxiliadora;
-
Salesianos Cooperadores;
-
Voluntárias de Dom Bosco;
-
Antigos-alunos de Dom Bosco;
-
Filhas
do Sagrado Coração de Jesus e Maria;
-
Salesianas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus;
-
Irmãs
da caridade de Miyazaki;
-
Irmãs
Missionárias de Maria Auxiliadora;
-
Servas
do Coração Imaculado de Maria;
-
Antigos-alunos das FMA;
-
Irmãs
de Jesus Adolescente;
-
Associação de Maria Auxiliadora (ADMA);
-
Voluntários com Dom Bosco;
-
Testemunhas do Ressuscitado (TR 2000). Etc…
Reflexão / Oração
Seguindo o raciocínio de Dom Bosco, o mundo terá a
oportunidade de melhorar e renovar-se, se os jovens, no seu
crescimento, percorrerem o caminho, da generosidade e
solidariedade. Este é o grande compromisso da Família
Salesiana de Dom Bosco: a educação e a solidariedade unidas
no propósito do crescimento social e espiritual dos jovens.
Esta grande Família evidencia, na harmonia dos diferentes
dons, a importância da missão em favor dos jovens no mundo
inteiro. Agradecemos hoje a Deus pelas diferentes vocações
vividas no interior da Família Salesiana, pela cor
específica com que cada uma delas presta um serviço generoso
à missão educativa. Pedimos que o Senhor continue a abençoar
cada grupo e a ajudar os jovens e os adultos a viver bem a
sua vocação. Pai Nosso…
... Caminhos de João Bosco: de casa para a
escola (a infância)
João
começa a frequentar a primeira classe primária aos 9 anos,
no Inverno de 1824-25. A mãe Margarida quer que ele
frequente a terceira classe no Inverno seguinte, mas o irmão
mais velho, António, opõe-se ferozmente, dizendo que estudar
é uma perda de tempo:
— Que
necessidade há de perder tanto tempo? Saber ler e fazer o
nome é mais que suficiente. Ele que pegue na enxada como eu.
Um dia, por causa de um livro que João colocara sobre a mesa
ao lado do prato, João (com 11 anos) é agredido pelo irmão
mais velho (de 17 anos), num acesso de fúria. Era impossível
continuar assim, pelo que numa manhã de Fevereiro, Margarida
disse a João as palavras mais tristes da sua vida:
— É melhor
saíres de casa. Qualquer dia o António pode cometer um
desacato.
João parte
à procura de trabalho. Tem 11 anos e meio, e leva consigo
uma sacola com duas camisas, dois livros e um pão. Margarida
fica a dizer-lhe adeus da soleira da porta, enquanto vê
desaparecer por entre o nevoeiro o seu pequeno emigrante.
João
Caminha até à quinta da família Moglia.
— Que
procuras, meu rapaz? — pergunta-lhe um sujeito ainda novo
que pelos vistos deve ser o patrão.
— Procuro
Luís Moglia
— Sou eu
mesmo.
— Venho da
parte da minha mãe, para ver se o senhor me aceita a
trabalhar em sua casa.
— Mas
assim tão pequeno? Quem é a tua mãe?
—
Margarida Bosco. O meu irmão António maltrata-me, e é por
isso que venho da parte dela à procura de trabalho.
— Olha,
meu rapaz, até ao fim de Março não aceitamos ninguém. É
melhor voltar para casa.
— Peço-lhe
por tudo que me aceite mesmo sem ganhar nada — suplica
Joãozinho — e começa a chorar.
A senhora
Doroteia, mulher do patrão, comove-se.
— Deixa-o
ficar, Luís. Fazemos a experiência por alguns dias.
João
mete-se ao trabalho com determinação, para não ser
despedido: trabalha de sol a sol. Depois, enquanto os outros
vão dormir, acende um toco de vela, e continua a ler os
livros que lhe tinha emprestado o seu professor. E enquanto
leva os bois para o campo lá vai ele de livro na mão. O
patrão não o contraria, mas abana a cabeça:
— Porque é
que estás sempre a ler?
— Porque
quero ser padre.
E estudar
começa a tornar-se cada vez mais difícil. Alguns meses mais
tarde, e contra a vontade do António, João Bosco voltou para
casa, levado pelo seu tio Miguel. Margarida teve que
suportar a humilhação de dividir a casa e as terras com
António para acabar com as contínuas discussões. E João,
decididamente, começou a percorrer 10 quilómetros por dia
para frequentar a escola de Castelnuovo. Botas a tiracolo e
pés doridos do longo caminhar, tinha por companheiros a
chuva e o vento, o sol e a poeira, conforme as estações.
Reflexão / Oração
Quantas
vezes desperdiçamos oportunidades de estudo que nos são
oferecidas? Nem nos lembramos que temos o direito à educação
é muito recente e nem sequer está garantido a todas as
crianças do mundo. Que saibamos ir valorizando de verdade
tanta coisa de bom que recebemos todos os dias. O nosso
esforço será sempre recompensado pois a primeira pessoa a
lucrar somos nós mesmos. A educação não se compra.
Na nossa
oração de hoje, peçamos por todas as crianças que gostariam
de ter um lugar numa escola, mesmo a mais humildes das
escolas, e para quem isso não passa de um sonho. Jesus,
ilumina os governantes das nações, todos os homens e
mulheres, para que saibam realizar o desenvolvimento
necessário para garantir o bem e os direitos de todas as
pessoas. Pai-nosso...
... Caminhos de João Bosco: com os
marginalizados
Já em
Turim D. Bosco não consegue encontrar um tecto para abrigar
os seus rapazes, mas não desiste. Fala com eles ao ar livre,
reunindo-os nas praças desertas ou no campo. As pessoas
observam. Umas riem, outras sentem pena.
— Mas que
padre é aquele?
— É D.
Bosco com os seus rapazes!
— Coitado,
dizem que tem uma ideia fixa. No meio daquele pandemónio
ainda perde o juízo.
A verdade
é que a atmosfera que se respira por toda a parte é de
revolução, e aqueles 300 rapazes que marcham ao som da
corneta e do tambor começam a preocupar o governo daquela
região.
O Marquês
Miguel de Cavour, manda chamar D. Bosco e impõe-lhe várias
coisas: reduzir o número de rapazes; evitar absolutamente
que entrem na cidade em formatura; excluir os maiores por
serem os mais perigosos. D. Bosco opõe-se. A conversa com o
ministro acaba em tempestade.
E Cavour
grita com raiva:
— Mas o
que é que você tem a ver com estes maltrapilhos? Deixe-os lá
com a sua vida. Não se meta em sarilhos. A coisa pode
tornar-se muito séria para todos!
D. Bosco
retira-se sem nada ceder, mas a partir daí o campo de jogos
dos seus rapazes começa a ser vigiado pelos agentes da
ordem. Os obstáculos são cada vez maiores e numerosos e
quando D. Bosco se vê impedido de ir com os seus rapazes
para um espaço amplo sente-se fulminado. E agora, para onde
ir?
“Ao cair
da tarde daquele dia — escreve D. Bosco — olhei para aquelas
centenas de rapazes que se divertiam. Sem ninguém que me
desse a mão, sem forças, com a saúde abalada. Afastando-me
um pouco, pus-me a passear sozinho e não pude conter as
lágrimas: “Meu Deus, exclamei, que fazer agora?”
Nisto
aparece um homenzinho a gaguejar. Um fabricante de soda e
detergentes.
— É
verdade que você anda à procura de um lugar para fazer um
laboratório?
— Não, não
é bem um laboratório (que em italiano quer dizer oficina),
mas um oratório, um centro juvenil de formação e alegre
convívio para a juventude.
—
Laboratório ou oratório, seja lá o que for, o lugar existe.
Se quiser ver…
Seguindo
aquele homem, D. Bosco percorre, quando muito duzentos
metros e chega a um telheiro comprido e tosco, pertencente a
um certo Francisco Pinardi. Era um minúsculo terreno, mas D.
Bosco corre a dar a notícia:
—
Alegrai-vos, meus amigos. Já temos Oratório! Vamos ter
igreja, escola e pátio para correr e saltar. No próximo
domingo lá nos encontraremos. É aqui ao lado, na casa
Pinardi!
Era o dia
5 de Abril de 1846 e o sonho de D. Bosco começa a ser
concretizado.
Reflexão / Oração
Naquela
altura os jovens de D. Bosco vinham de ambientes de famílias
devastadas pela fome, pela miséria, por uma sociedade
industrial a nascer à custa da escravidão dos indefesos.
Muito poucas pessoas acreditavam neles. D. Bosco não só
acreditava neles, como lhes dava mesmo confiança e apostava
neles. Só um amor autêntico, puro e radical, que tem origem
no amor de Deus, é que pode chegar ao coração destes jovens,
e dos jovens de hoje, e ajudar cada um a crescer. Vamos hoje
pedir a Nossa Senhora por todos os educadores dos ambientes
salesianos e pelas famílias de todos os jovens. Que Ela
ensine a todos a procurar sempre o bem dos jovens, a
olhá-los com a ternura de Jesus e a orientá-los no seu
crescimento. Os desafios de hoje não são mais fáceis dos que
existiam no tempo de D. Bosco. Ave-Maria…
... Caminhos de João Bosco: caminhos de festa
e diversão
O sonho
que o pequeno João teve levou-o a pensar nos rapazes que
sempre andavam metidos em desordens, os que não tinham
educação e diziam asneiras continuamente. João sabe que
provavelmente conhece já vários desses rapazes: vivem na
vizinhança e nas quintas espalhadas pelo campo em redor.
Alguns são bons, mas há-os também desordeiros, rudes e
desbocados. Porque não começar já a captar a amizade desses
rapazes?
Um dia,
entra em casa com o rosto a sangrar. Andava a brincar com os
companheiros à guerra e um projéctil de madeira tinha-o
atingido violentamente na cara. Margarida faz-lhe o curativo
e observa preocupada:
— Qualquer
dia voltas para casa sem algum dos olhos. Por que motivo
andas com esses rapazes? Tu sabes que há sempre algum
atravessado.
— Se é
para lhe fazer a vontade, não volto para o meio deles. Mas
olhe, que quando estou com eles, portam-se melhor.
Margarida
suspira e deixa-o à vontade e João continua a investir na
amizade com os rapazes mais difíceis, a “estudar” os truques
dos ilusionistas e os segredos dos equilibristas. Quer
sempre estar na fila da frente. Volta para casa e faz
experiências: caminhar na corda bamba, e muitas vezes lá vai
ao chão, tirar um frango vivo de uma panela a ferver, fazer
os truques mais variados…Há que multiplicar os exercícios
meses seguidos, ser constante, apesar dos trambolhões.
Numa tarde
de Verão, Joãozinho anuncia aos amigos o seu primeiro
espectáculo. Sobre um tapete de sacos estendidos no chão,
faz prodígios de equilíbrio com latas e caçarolas de cozinha
na ponta do nariz. Pede a um pequeno que abra bem a boca e
tira-lhe de lá dezenas de bolinhas coloridas. Depois entra
em acção a “varinha mágica”. O irmão António chega do
trabalho precisamente a meio do espectáculo. Atira para o
chão a enxada que trazia às costas e começa a gritar
furioso:
— Cá está
o palhaço! O mandrião! Eu farto-me de trabalhar, e ele aqui
com palhaçadas!
Joãozinho
suspende o espectáculo, mas só para o recomeçar a duzentos
metros dali, debaixo das árvores, longe da vista do irmão.
Joãozinho
é um palhaço “especial”. Antes do número final, tira o terço
do bolso, ajoelha-se e convida todos os presentes a rezar
com ele. Outras vezes repete a mensagem que ouvira na
igreja. Depois ata uma corda a duas árvores, salta para
cima, e caminha sobre ela de braços estendidos, entre
repentinos silêncios e frenéticas ovações dos amigos. Parece
que está ali um anjo a ampará-lo, para evitar um brusco
trambolhão. Seja como for, o pequeno saltimbanco tem a
protecção de Deus, e ia crescendo são e forte.
Reflexão / Oração
Até para
brincar João tinha arte e não escolhia qualquer coisa.
Queria divertir os amigos e deixar sempre uma mensagem
positiva e espalhar o amor de Jesus à sua volta. Seria bom
pensarmos como é que nós nos ajudamos a divertir, que tipo
de actividades e experiências fazemos e até propomos e
influenciamos os outros a fazer. Pois que a mão do nosso
Anjo nos ajude a escolher o bem e a ter coragem para o
fazer, pois é muito mais «fácil» fazer coisas parvas e
perigosas. E Deus sabe o quanto podemos ser melhores. Oração
ao Anjo da Guarda ou Santo Anjo do Senhor.
… Dar protagonismo aos jovens: Um Exemplo –
Miguel Magone
D.
Bosco escreveu a biografia de alguns dos jovens que
acompanhou. Três deles são exemplos do quanto D. Bosco
reconhecia e acreditava no protagonismo dos jovens no seu
próprio crescimento: Miguel Magone, Francisco Besuco e
Domingos Sávio. Hoje falaremos de Magone, o general da
malta.
Era a tarde de um dia de Outono de 1857. Na
estação de caminho de ferro de Carmagnola, Dom Bosco espera
a chegada do comboio que o levará a Turim. Está quase a
anoitecer e o céu encontra-se muito nublado. Não se vê para
além de alguns metros. A luz do candeeiro da estação faz
passar uma luz ténue. Naquela neblina só são nítidas as
vozes de alguns rapazes: «Espera, agarra-o, corre,
pára-o...». Uma dessas vozes impõe-se às demais, de alguém
que dirige o jogo, à qual todos obedecem.
"De quem
será essa voz?", pensou Dom Bosco. O sacerdote levanta-se do
banco e vai até junto do grupo de rapazes. Diante da
aparição inesperada desta figura escura, os rapazes fogem,
todos menos um, que dá um passo em frente, com as mãos na
cintura e um ar de desafio. Pergunta ao padre:
- “Quem é
você para se meter nos nossos jogos?
- "Eu sou
um teu amigo" – responde D. Bosco – e gostaria de entrar no
jogo contigo e com os teus companheiros. E tu, quem és? "
- "Eu sou
Miguel Magone, general da malta.
Enquanto
isso, tinham chegado aqueles rapazes que pouco antes corriam
e gritavam com o seu «general».
- Bem,
Magone, quantos anos tens?
- Tenho
doze anos...
-
Aprendeste algum ofício?
- Aprendi
o ofício de não fazer nada.
- E que
tens feito até agora?
- Andei na
escola… até à terceira classe.
- Tens
pai?
- Não, o
meu pai morreu. Minha mãe é viva e trabalha para outros e
faz o que pode para dar pão a mim e aos meus irmãos que a
fazemos desesperar continuamente.
- Que
queres fazer no futuro?
- Alguma
coisa vai ter que ser, mas não sei o quê.
- Meu caro
Miguel, gostarias de deixar esta vida de preguiça e começar
a aprender uma profissão ou continuar a estudar?
- Claro
que sim! Esta vida de desgraçado já não me agrada. Alguns
dos meus amigos já foram parar à cadeia. E tenho medo que me
aconteça a mesma coisa. Mas que hei-de eu fazer? O meu pai
morreu, a minha mãe é pobre. Quem me poderá ajudar?"
Dom Bosco
sugere-lhe que reze a Deus Pai. Entretanto, tira do seu
bolso uma medalha e entrega-a a Miguel: "Toma, vai ter
amanhã com o padre Ariccio, e diz-lhe que o padre que te deu
esta medalha deseja obter informações sobre o teu
comportamento".
Miguel
pergunta-lhe como se chama e de onde vem, mas D. Bosco já
não responde, apresando-se a subir para o comboio que está
prestes a arrancar.
No dia seguinte, Miguel vai imediatamente ter
com o pe. Ariccio e fala-lhe daquele encontro, mostrando-lhe
a medalha. O sacerdote, ao vê-la, percebe que se trata de
Dom Bosco e escreve-lhe uma carta que lhe confirmou a
história de Miguel. Na carta refere que "o jovem Miguel
Magone tem um bom coração e os hábitos saudáveis, mas é
difícil de domar. Nas aulas da escola e da catequese é o
intrometido universal; quando não faz das suas, está tudo
tranquilo; quando está ausente, fica tudo calmo...
Far-lhe-ia muito bem se o aceitasse entre os seus rapazes".
Com a carta no bolso e a permissão da sua
mãe, Miguel vai até Turim e chega a Valdocco. "Aqui estou eu
- exclama Miguel correndo para Dom Bosco -, eu sou aquele
Miguel Magone que encontrou na estação de Carmagnola.” E
entrega-lhe a carta. Dom Bosco lê-a e admite-o entre os seus
jovens, em Valdocco. O rapaz promete que não lhe dará
desgostos, que se empenhará e garante-lhe que fará o que Dom
Bosco preferir, embora ele preferisse continuar a estudar.
Começa assim o período de estudo. Os
primeiros dias são muito pesados para o Miguel. Cantar,
gritar, correr, saltar, fazer barulho são as únicas
actividades que o fazem feliz. É engraçado vê-lo quando o
sino toca para o recreio: "Parecia que saía da boca de um
canhão, voando por todos os cantos do pátio", escreve Dom
Bosco, mas um mês depois o rebelde estava totalmente
diferente e até pediu a D. Bosco para se confessar. Quando
faz a sua primeira confissão exclama: - Estou tão feliz!
Reflexão / Oração
Quanta humildade tinha Miguel Magone para se
deixar transformar por D. Bosco. Só o amor transforma o
coração, um amor paciente que respeita os ritmos de cada
pessoa mas que também sabe ver as potencialidades de cada um
e propor metas altas. Quando se fala de amar os jovens temos
sempre de ter presente que o verdadeiro amor não é permitir
que se faça o que apetece ou que se aprenda apenas pelos
erros. Amar é corrigir os erros, mas também propor caminhos
de crescimento que muitas vezes são mal entendidos pelos
adolescentes e jovens mais crescidos.
Na nossa oração de hoje vamos pedir a Maria
que nos ensine a verdadeira humildade, que é o oposto do
orgulho. Só quem tem um coração humilde está disposto a
aprender ao longo da vida, sempre! Ave-Maria
... Dar protagonismo aos jovens: Outros
Exemplos – Domingos Sávio e Laura Vicuña
Domingos
Sávio continua a ser recordado no mundo inteiro. Ele não fez
coisas extraordinárias mas foi um dos jovens em quem D.
Bosco descobriu a grandiosidade de pessoa e reconhecia nele
um santo que vivia extraordinariamente as coisas simples do
dia a dia.
D. Bosco
recebeu Domingos Sávio na sua escola. E ficou como aluno
interno, uma vez que a sua terra ficava longe e os
transportes não eram fáceis. Na escola de D. Bosco, Domingos
encontrou muitos outros alunos internos. De manhã, cada um
devia deixar a sua cama bem feita. Os grandes já faziam isso
com alguma facilidade, mas os pequenos… era um problema:
eles bem puxavam os lençóis, os cobertores… mas muitos deles
não tinham força… e, sobretudo, não tinham jeito! E não
conseguiam que a cama ficasse bem feita. Os mais velhos riam
e gozavam as pobres crianças. Mas Domingos não. Quando via a
aflição dos mais pequenos, aproximava-se e ajudava-os a
fazer a cama. E os pequenos ficavam-lhe muito agradecidos. E
ficavam amigos.
Escreve o
seu professor: «Não me lembro de ter tido alguma vez aluno
mais atento, mais dócil, mais respeitador do que Domingos
Sávio. Era um verdadeiro modelo em todas as coisas. Era
amável e amigo, delicado, bem-educado, trabalhador na sala
de aula e alegre e divertido no recreio, ao ponto dos seus
companheiros gostarem imenso de conviverem com ele e
procurarem a sua amizade e companhia. Como em todo o lado,
havia alunos na turma que não tinham um bom comportamento,
ou alunos que não conseguiam acompanhar as matérias. Quando
isto sucedia, com frequência, eu mudava estes alunos para
junto de Domingos: o seu exemplo e as suas explicações
faziam deles, em pouco tempo, melhores alunos.”
Também Laura Vicuña que não conheceu D. Bosco mas cresceu em
pleno ambiente salesiano com as Irmãs salesianas do colégio
de Junín de los Andes. Dizia esta encantadora adolescente
chilena “Para
mim, rezar ou trabalhar, brincar ou dormir é a mesma coisa.”
Estas palavras de Laura Vicuña revelam o modo
extraordinário de viver a santidade no quotidiano, na
alegria e no amor do ambiente salesiano. Laura foi um
exemplo claro de que nem a adolescência nem a juventude são
tempos de espera, e que não podemos deixar os jovens
acomodarem-se a uma vida sem ideais. Pelo contrário, devemos
encorajá-los na criação de um mundo mais humanizado e
fraterno conforme o desejo de Deus, através da sua acção e
protagonismo na construção de uma nova civilização do amor.
Reflexão / Oração
Fantástico! Como não é possível que pessoas assim fiquem na
história? Laura e Domingos eram adolescentes tão autênticos
e livres que se destacavam pela positiva. Quem é verdadeiro
e simples, quem não usa máscaras nem vive atrás de
aparências e looks da moda, será sempre aceite pelos outros,
porque a verdade fala por si. E nós? Como gostaríamos que os
outros nos recordassem: com um arrepio na coluna ou com uma
doce ternura de saudade? É que ninguém nos fica
indiferente... E não nos esqueçamos:
Os jovens são capazes de fazer escolhas corajosas de vida.
Procuremos
ter a abertura de espírito para receber o dom do Amor de
Deus na nossa vida e a coragem para ser um astro de luz no
caminho que percorremos. Que Maria nos acompanhe e nos guie.
Avé-Maria...
... Educar a partir da amabilidade e respeito
(S. Francisco de Sales)
A
gentileza é uma arte que não nos custa nada e que nos trás
enormes benefícios. Fazer uso de palavrinhas mágicas no
nosso dia-a-dia não só nos vai tornar pessoas mais
simpáticas, como também vai construir pontes entre nós e
aqueles que o Senhor escolheu para fazerem parte da história
da nossa vida. O estilo educativo salesiano assenta num
conceito muito importante: a amabilidade ou amorevollezza.
D. Bosco inspirou-se na amabilidade vivida por um Santo que
viveram cerca de 300 anos antes dele: Francisco de Sales.
Aos seus
seguidores, D. Bosco deu o nome de “salesianos”, porque
queria que fossem imitadores de S. Francisco de Sales, na
sua bondade, na sua dedicação, na sua entrega aos jovens;
daí o nome de “salesianos”.
Francisco
de Sales nasceu no dia 21 de Agosto de 1567, numa família
nobre, no reino da Sabóia, situado entre a França, Itália e
a Suíça. Estudou no Colégio de Clermont dos Jesuítas, em
Paris, e na Universidade de Pádua, onde se doutorou no
Direito Canónico e Civil. Para o seu pai, foi uma grande
decepção que Francisco não aceitasse uma carreira de
diplomata e preferisse ser padre.
Depois da
ordenação, foi como jovem missionário para Chablais,
distrito da Sabóia, por quatro anos. Lá ficou famoso pelos
folhetos impressos em defesa da fé. Por sorte ou protecção
divina, escapou de um atentado contra a sua vida. A sua fama
como director espiritual e escritor aumentava de dia para
dia. Este Santo escreveu sobretudo sobre a bondade e
amabilidade, que procurava por em prática em cada momento,
mesmo tendo um feito difícil e irascível. O valor permanente
e a popularidade dos seus escritos, levaram a Igreja a
conceder-lhe o título de Padroeiro dos escritores católicos
e dos jornalistas, dia que se celebra a 24 de Janeiro.
Eis
algumas frases célebres de Francisco de Sales que nos podem
servir de inspiração:
"O ruído faz pouco bem, o bem
faz pouco ruído."; “A alegria abre, a tristeza fecha o
coração.”; “Um
santo triste é um triste santo”; “Caçam-se mais moscas com
uma gota de mel do que com um barril de vinagre”.
Reflexão / Oração
Praticar a
bondade a todo o momento só mesmo com a força de Deus no
nosso coração. Vamos pedir-lhe que nos ajude cultivar em nós
a semente da bondade e a ter coragem para reagir bem nas
situações em que mais facilmente reagimos mal. Para tal
escutamos e meditamos neste poema de Madre Teresa de
Calcutá, uma mulher que fez da bondade o seu GPS em cada
dia:
As pessoas
agem como irracionais, são ilógicas e egocêntricas.
Mesmo
assim, Ame-as.
Se você
tem sucesso nas suas realizações, ganhará falsos amigos e
verdadeiros inimigos.
Mesmo
assim, procure ser bem sucedido.
O bem que
você faz será esquecido amanhã.
Mesmo
assim, faça-o.
A
honestidade e a franqueza tornam-no vulnerável.
Mesmo
assim seja honesto e franco.
Aquilo que
você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia
para o outro.
Mesmo
assim, construa.
Os pobres
têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles
podem atacá-lo quando você os quiser ajudar.
Mesmo
assim, ajude-os.
Se você
der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, corre sempre
o risco de ser mal-entendido.
Mesmo assim, dê o seu melhor.
… A educação é sempre uma missão partilhada –
Mãe Margarida
D. Bosco
procurou envolver muita gente nesta missão educativa.
Começou logo por alguém que ele conhecia muito bem e que
fora sempre o grande apoio na realização dos seus sonhos: a
sua mãe, Margarida.
Quando Dom Bosco fica gravemente doente,
Margarida vai assisti-lo, descobrindo o bem que faz pelos
jovens abandonados. Ao pedido para acompanhá-lo, responde
assim: "Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou
pronta a ir". A presença da Mãe Margarida transforma o
oratório numa família. E durante dez anos a sua vida
confunde-se com a do filho.
Era o dia
3 de Novembro de 1846. As folhas caíam com o vento do
Outono, e D. Bosco regressou a Turim. Desta vez não vem
sozinho: acompanha-o Margarida sua mãe, que tinha concordado
em acompanhá-lo para se tornar a mãe de todos aqueles
rapazes.
Os dois
peregrinos fizeram a longa caminhada a pé. Margarida trazia
no braço uma cesta, com todos os seus bens: alguma roupa
branca e um pouco de comida.
Já perto
do Oratório um padre amigo de D. Bosco reconhece-o, dá-lhe
as boas-vindas e quer saber notícias:
— Então
como é que vai a saúde?
— Sinto-me
bem, obrigado.
— Onde é
que ficas a viver?
— Aqui, na
casa Pinardi. Aluguei lá três divisões. Como vês, trouxe
comigo a minha mãe.
— Com que
meios contas?
— Ainda
não sei. Mas a Deus lá está.
— És
sempre o mesmo — murmurou o outro abanando a cabeça —.
Depois, tirou o relógio do bolso e entregou-lho dizendo:
— Gostaria
de ter mais recursos para poder ajudar-te.
Margarida
foi a primeira a entrar na nova casa: três quartinhos vazios
e tristes, apenas com as respectivas camas, duas cadeiras e
alguns tachos. Esforçou-se por sorrir e disse a D. Bosco:
— Na nossa
terra, eu andava numa roda viva para ter tudo em ordem,
limpar os móveis e lavar a louça. Aqui terei menos
preocupações…
Ambos, de
sorriso nos lábios, meteram mãos à obra. D. Bosco pôs na
parede um crucifixo e um pequeno quadro de Nossa Senhora.
Margarida preparou as camas e depois mãe e filho começaram a
cantar.
Reflexão / Oração
O que é
que D. Bosco tinha para oferecer à Mãe naquele momento em
que a trouxe consigo para Turim? Um espaço de pobreza e o
pedido da sua ajuda e colaboração com os jovens. Não
importava o conforto que deixara para trás, pois diante dela
estava um sonho que viria a ser concretizado com a sua
ajuda, com o seu precioso amor de Mãe. Ela não foi apenas a
mãe de João Bosco, como também a mãe de centenas de rapazes
que passaram por Valdocco.
Peçamos
hoje a Maria por todas as mães do mundo, de um modo especial
por aquelas que vivem momentos difíceis, por razões de
saúde, por questões ligadas à família, ao emprego ou à
educação dos seus filhos. Que Nossa Senhora estenda a sua
protecção sobre elas e as ajude na sua missão de Mãe.
Avá-Maria…
… A educação é sempre uma missão partilhada –
Miguel Rua
Miguel Rua nasceu em Turim no dia 9 de Junho
de 1837. Foi o último de 9 filhos e perdeu o pai aos oito
anos. Estudou com os Irmãos das Escolas Cristãs até ao
terceiro ano elementar. Deveria começar a trabalhar na Real
Fábrica de Armas de Turim, onde o pai era operário, mas Dom
Bosco – que aos domingos ia confessar na escola – propôs-lhe
continuar os estudos com ele, dizendo-lhe para não se
preocupar comas despesas.
Certo dia, Dom Bosco distribuía algumas
medalhas aos seus rapazes. Miguel era o último da fila e
chegou atrasado, mas ouviu Dom Bosco dizer: "Toma, Miguel!".
O rapaz ficou atónito porque o padre não lhe
estava a dar nada. Mas D. Bosco fez-lhe um traço na mão e
acrescentou: "De hoje em diante nós os dois faremos tudo a
metade”.
Realmente, João Bosco e Miguel Rua passaram a
realizar todas as obras em conjunto: governo da Congregação,
visitas, trabalhos, fundações.
Dom Bosco dizia dele:
"Se eu
tivesse dez Miguel Rua, partiria à conquista do mundo".
Reflexão / Oração
Miguel Rua foi um dos primeiros quatro
salesianos de D. Bosco e foi o seu primeiro sucessor como
Superior da Congregação Salesiana, tendo sempre no coração
continuar a obra ao estilo do Pai e Mestre dos jovens. Aonde
chegava era frequente dizer: “aqui quero ser como D. Bosco”.
Que tal como Miguel Rua, nos sintamos parte
de um sonho que continua – o de ajudar os jovens a serem
bons cristãos e honestos cidadãos. Ave-Maria …
… A educação é sempre uma missão partilhada –
Os rapazes
Os jovens
que estavam com D. Bosco em Turim foram-se tornando a pouco
e pouco colaboradores da sua missão educativa, mesmo em
situações bastante arriscadas. Em 1854, uma notícia
alarmante percorre as ruas de Turim: a epidemia de cólera
está a alastrar como uma mancha de óleo nas aldeias do baixo
Piemonte. O rei, a rainha e toda a família real fogem em
coches fechados, e refugiam-se no castelo de Casellette.
Entretanto, na periferia da cidade, no pico do verão,
apareciam os primeiros casos da terrível peste. O bairro
mais atingido de Turim é Borgo Dora bairro contíguo a
Valdocco. Todos os dias mais de cem vítimas jazem pelas
diversas casas e nas enfermarias improvisadas para tratar os
doentes.
O
presidente da Câmara dirige um apelo dramático aos
sacerdotes, religiosos e religiosas: morrem pessoas nas
enfermarias por falta de médicos e enfermeiras. Precisa-se
de gente de boa vontade, disposta a arriscar a vida. Naquela
noite D. Bosco disse aos jovens do seu Oratório:
— O
presidente da Câmara lançou um apelo. Se, entre os mais
crescidos, alguém se sentir com coragem de vir comigo aos
hospitais e às casas particulares tratar os doentes de
cólera, faremos uma boa acção que muito agradará ao Senhor.
E garanto-vos que se todos procurardes viver na graça de
Deus a cólera não entrará aqui nesta casa.
Catorze
rapazes dos mais velhos deram o seu nome. Poucos dias
depois, outros trinta conseguiram obter licença, apesar de
serem ainda muito novos. Foram dias de trabalho árduo, nada
convidativo.
Durante
mais de um mês aqueles 44 rapazes voluntários não tiveram
mãos a medir. D. Bosco dava o exemplo a todos: sempre pronto
a acudir, a confortar, a administrar os sacramentos.
Com as
primeiras chuvas do Outono, o número de vítimas foi
diminuindo. A 21 de Novembro deu-se por fim o estado de
“emergência”.
Reflexão / Oração
A
colaboração destes jovens não foi por interesse ou
recompensa, nem por inconsciência ou desconhecimento dos
riscos que corriam. Um grupo de jovens que estava disposto a
dar apoio e a confortar, na medida do possível, quem padecia
de um grande sofrimento. Não pediram milagres de cura, mas
estavam junto das pessoas a confortá-las na sua recuperação
ou nos últimos instantes, sempre com dignidade. Estar ao
lado, dar o seu tempo, oferecer palavras de conforto,... são
gestos tão concretos de um amor forte e que oferece a paz e
a serenidade. São gestos que qualquer um de nós, em
situações mais ou menos complexas, pode sempre oferecer.
Pedimos hoje, de um modo especial, por todos os jovens que
frequentam os ambientes salesianos, para que se sintam
verdadeiros colaboradores activos da missão educativa e
autênticos construtores de um mundo mais fraterno e justo.
Confiamo-los a Maria Auxiliadora, aquela que tudo fez, a Mãe
e Mestra de D. Bosco. Ave-Maria…
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