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É sempre difícil falar da
nossa vocação e do nosso caminho vocacional, mas a proposta
foi lançada à Ir. Lurdes Portela, e ela aceitou o desafio.
Com o coração aberto e muito salesiano, de quem deu, dá e
continuará a dar a vida pelas crianças e jovens, e com
simplicidade partilhou as origens do seu SIM ao Senhor.
Afinal de contas são 50 anos, e como ela mesma diz «50 anos
muito felizes».
«Tudo começou no dia 2 de
Março de 1934, quando nasceu uma flor, uma pequena e simples
flor, numa pequena e simples aldeia chamada Cabanas, da
freguesia de Pensalvos, no Concelho de Vila Pouca de Aguiar,
distrito de Vila Real. Essa flor chamava-se Lurdes. Olhar
para ela e vê-la crescer era uma maravilha. Cada dia um
pouco mais: mais um salto para uma vida cristã, mais uma
oportunidade de aprender, mais um desafio a enfrentar, mais
um passo na personalidade e na responsabilidade.
Nestes “mais”, chegou um máximo e um sinal: um dia a minha
mãe voltando-se para mim, disse-me: «Lurdes, tu davas bem
para freira, queres ir?» Desde aquele dia nunca mais larguei
a minha mãe e quase todos os dias perguntava: «Então
mãe, quando vou?» Uma pergunta que marcou o início
da minha caminhada vocacional. Entretanto fui crescendo e
fui trabalhar para o Hospital das Irmãs Franciscanas
Hospitaleiras, em Vila do Conde. Durante o dia fazia o meu
trabalho no hospital e quando não estava participava da vida
comunitária das irmãs. Até ali nunca tinha ouvido falar das
Irmãs salesianas. Quem me falou das salesianas foi o irmão
da Ir. Amélia Cabo. Ele contava que as irmãs eram alegres e
orientava-me para ali. Numa das idas ao Porto, com as
colegas do Hospital, passamos por uma casa salesiana. Toquei
à porta e atendeu-me a Ir. Adélia Rabolini. Depois da
conversa e de ter conhecido um pouco a obra salesiana,
entusiasmei-me.
Assim, no dia 31 de Janeiro de
1957 saí da casa dos meus pais, rumo ao Estoril, feliz da
vida, embora depois tivesse chorado algumas lágrimas com
saudades da minha mãe, mas, com a graça do Senhor, consegui
ultrapassar. Fiz o aspirantado e postulantado no Monte
Estoril e o noviciado na Casa Provincial, rua Trouville.
Professei em 1960 e em 1963 fui para Moçambique. Aqui estive
12 anos. Um tempo em que fui muito feliz. Partilhei a vida
com as meninas e senti o palpitar do seu coração, e cada dia
agradecia a Deus pela minha vocação. Regressei a Portugal em
1975. Estive em várias comunidades com a única e exclusiva
missão de servir a Deus nas crianças e jovens que Ele nos
confia. Não me arrependo do caminho que escolhi e segui, e
hoje dou graças a Deus por me ter chamado.
A vida salesiana é bonita pelo
espírito de família que todos os dias se tenta viver, pelo
desprendimento das irmãs, pela alegria de sermos chamadas, e
tudo para a salvação da juventude. Como sabemos, a vida tem
momentos altos e baixos, mas nunca podemos perder a
esperança. E a todas as crianças e jovens convido a serem
felizes. Como? Amando-se e perdoando-se uns aos outros no
Amor de Deus.
Obrigado, Senhor pelo dom da
vocação, pelo Teu amor infinito que cada dia me convida a
viver e a servir-te com fidelidade, para que a Tua Palavra
chegue a todos.»
Ir. Lurdes Portela
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