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Foi no dia 1 de Julho de 2010 que a comunidade de Setúbal
resolveu, antecipadamente, celebrar e festejar os 50 anos de
vida consagrada da Ir. Maria José Pereira. E porque são
muitos anos, a festejada quis que fossem muitas as pessoas a
dar graças a Deus pelas maravilhas que Ele vai realizando em
cada dia! Por isso, o convite foi alargado … convidámos toda
a comunidade educativa, pais, alunos e todos os grupos da
família salesiana que fazem parte desta casa. E em clima de
festa e de alegria, fomos até à Sé catedral. Aí, pelas 18hs,
reunimo-nos à volta do altar para, juntos, louvarmos pela
fidelidade da nossa irmã que, sustentada pelo amor de Deus,
não desfaleceu durante todos estes anos. De regresso a casa
a festa continuou, em clima de família e de simplicidade,
resolvemos conviver com todos aqueles que se sentem de casa.
Que bom estarmos assim… até as meninas do lar tiveram um
gesto de agradecimento pela doação e pelo testemunho de vida
da Ir. Maria José. Foi bonito e é sempre bonito perceber que
ser de Jesus é válido e perceptível para o mundo de hoje!
Comunidade
de Setúbal
Partilha da Irmã Maria
José Pereira
50
anos de entrega ao Senhor, vividos na alegria!
Pequenina ainda, com os meus 4 ou 5 anos,
chamou-me a atenção uma fotografia da minha tia.
Encontrava-me na casa dos meus avós, pela necessidade que
eles tinham de companhia, já que a única filha que tinham,
decidiu ser religiosa. Cada pessoa que entrava em casa e
perguntava pela filha, a minha avó mostrava uma fotografia,
e fazia-o sempre com uma lágrima no olho, porque tinha
sempre saudades… Estes episódios tocaram-me e fizeram
nascer dentro de mim um grande desejo de conhecer a minha
tia e de ir para junto dela. A ninguém contei o que sentia
até ser adolescente! Sempre que encontrava religiosas, algo
mexia comigo. Fazia sempre muitas perguntas! Aos 17 anos
encontrei um rapaz de quem gostava, era recíproco. Comecei a
relacionar-me durante um ano e mesmo com ele, vinha sempre
espontâneo dizer-lhe que talvez a minha vocação fosse ser
religiosa. Ele ria-se sempre, gozando… brincando com minhas
palavras! Mas como já nessa altura, o Senhor me queria para
Ele, achei providencial quando o rapaz deixou de aparecer.
Caso não o tivesse feito, se calhar não teria conseguido
decidir com tanta audácia e abertura.
Ajudou-me o facto de fazer parte da Acção Católica, e também
nesse sentido os encontros e as formações que nos davam,
foram importantes para definir o meu caminho. Foi num
retiro orientado por um Padre salesiano (Pe Claudino) que
tomei a decisão de seguir a Jesus como religiosa consagrada.
Quando comuniquei aos meus pais a minha forte convicção,
tinha eu 18 anos, a reacção não foi muito boa
(principalmente da parte da minha mãe). O meu pai disse-me
para eu esperar algum tempo para amadurecer a ideia. Eu
porém, não tive mais sossego e comuniquei ao padre
salesiano. Ele veio a minha casa falar com os meus pais e
convence-os! Depois de uma semana, a 12 de Janeiro de 1947,
dei entrada no aspirantado, acompanhada pelo meu pai e pelo
Pe Claudino. Neste dia, sem cerimónias e sem aparatos,
entreguei-me logo ao Senhor para SEMPRE! Tinha a certeza que
Ele me chamava a ser Filha de Maria Auxiliadora. O caminho
não foi sempre fácil e por isso, nos primeiros tempos
dava-me as saudades da família. Mas como a minha decisão era
ficar, dizia ao Senhor: “custe
o que custar, é para sempre!”.
Durante estes 50 anos, nesta minha segunda
família que amo de todo o coração, vivi a certeza de estar
no lugar certo, de viver aquilo que era projecto de Deus
para mim.
Sempre senti alegria, apesar dos meus
limites, de ser de Deus, consagrada totalmente para bem da
juventude. Nunca senti que o importante era fazer ou
desempenhar cargos com maior responsabilidade, mas que o
verdadeiro sentido da vida, passa mais por ser e ser dEle! O
correcto para mim sempre foi fazer aquela que era a Sua
vontade, e isso bastava para obedecer ao que me era
proposto. Fiz de tudo um pouco durante estes 50 anos: fui
educadora durante 20 anos seguidos, fui animadora de
comunidade, fui ecónoma, fui encarregada de alguns grupos da
Família Salesiana, neste momento sou ajudante da ecónoma,
com a responsabilidade da cozinha e da quinta. De todos
estes cargos, gostaria de sublinhar que o que mais me
agradou foi o tempo que estive directamente a trabalhar com
as crianças da infantil. Sempre senti como elas eram
sensíveis e abertas a tudo aquilo que se falava e que estava
relacionado com Deus.
Vivi muito e tudo foi feito sempre com muita
alegria! Mas o caminho ainda não acabou, estou a começar uma
nova etapa. Enquanto as forças me valerem, continuo a
dar-me no que for preciso e necessário. E continuarei a
fazê-lo sempre com a mesma alegria!
Desejo 3 coisas:
-
Aproveitar o tempo que me é concedido por Deus, vivê-lo
ao máximo;
-
Que cada jovem escute aquilo que Deus tem para lhe dizer
e se sinta tão realizado e feliz como eu;
-
Que todos os que se encontram com a minha idade e no
mesmo estado de vida religiosa, sintam o vigor e o
desejo profundo de ser mais de Deus e de fazer o bem a
todos.
Por tudo isto, só me resta agradecer, ao meu
DEUS e SENHOR
que me tem concedido mares de alegrias,
muitas delas inexplicáveis!
Obrigada a Ti!
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