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O PRESÉPIO SOMOS NÓS
Mesmo em pleno mês de Janeiro
nunca é demais olhar para o grande mistério da Encarnação e
descobrir que, nos tempos de hoje, o presépio somos nós. É
um belo poema que merece alguma da nossa atenção, porque se
quisermos testemunhos e exemplos de quem foi um “presépio”
D. Bosco é com certeza esse testemunho. O convite é a
escutar com o coração, a saborear cada palavra e a digerir
ao longo da vida:
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos.
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o
fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece.
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno
O QUE
FAZEMOS NÓS DO TEMPO?
«Que é, pois, o tempo? Se
ninguém me pergunta, eu o sei; se desejo explicar a quem a
pergunta, não o sei». - St Agostinho.
Sabemos que somos feitos de
tempo, de idades, de cronometrias visíveis e invisíveis, de
estações… Sabemos que o tempo é a argila da vida. Do
incomensurável oceano ao sucinto regato, da minúscula pedra
ao elevado rochedo, da planta solitária ao vastíssimo
bosque, tudo tem no tempo uma chave indispensável. Também
nós somos modelados e lavrados, instante a instante, pelos
instrumentos do tempo. Por vezes de um modo tão delicado que
nem sentimos como ele, irreversível, desliza dentro e fora
de nós. Por vezes, atormentando-nos claramente a sua
voracidade, sentindo-nos perdidos na sua envolvente
vertigem. Que é, pois, o tempo?
Nós dizemos, repetindo um
provérbio que os latinos já usavam, que o tempo voa (tempus
fugit). De facto, tudo o que é humano é feito de tempo, mas
a experiência que mais vezes nos ocorre é a de não termos
tempo. «Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a
tua rosa tão importante para ti», explicou a raposa ao
Principezinho. Há uma qualidade de relação que só se obtém
no tempo partilhado. Por alguma razão, esse raro Mestre de
humanidade chamado Jesus, disse: «Se alguém te pede para o
acompanhares durante uma milha, anda com ele duas». Só com
tempo descobrimos tanto o sentido e a relevância da nossa
marcha ao lado dos outros, como o da nossa própria caminhada
interior. Sem tempo tornamo-nos desconhecidos. Sem tempo
falamos, mas não escutamos.
Repetimos, mas não inventamos. Consumimos, mas não
saboreamos. É verdade que mesmo num rápido relance se pode
alcançar muita coisa, mas normalmente escapa-nos o detalhe.
E Deus habita o detalhe.
Gosto muito do «Poema do
Tempo» que vem no livro bíblico do Eclesiastes, pois nos
expõe à consciência de que o tempo é uma arte que realmente
possuímos e que somos chamados a desenvolver com sabedoria.
Não é verdade que não temos tempo. A nossa vida está cheia
de tempos. Precisamos identificá-los e tratar deles, como
quem cuida de um tesouro. Não é a quantidade de tempo o mais
determinante. Importante é perguntar-se o que fazemos do
tempo e investir aí a matéria dos nossos sonhos.
«Para tudo há um momento e
um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:
tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se
plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edificar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
tempo para abraçar e tempo para afastar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para recusar,
tempo para guerra e tempo para paz.»
Bom ano de
2011.
José Tolentino
Mendonça
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ALGUMAS HISTÓRIAS |
O
BARCO AMARELO
Um homem foi chamado à praia
para pintar um barco. Trouxe tinta e pincéis e começou a
pintar o barco de um amarelo brilhante, como fora contratado
para fazer.
Enquanto pintava, notou que a
tinta estava a passar pelo fundo do barco. Procurou e
descobriu que a causa do vazamento era um buraco e o
consertou. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e
se foi.
No dia seguinte, o
proprietário do barco procurou o pintor e entregou-lhe um
cheque de grande valor. O pintor ficou surpreendido e disse:
- Mas o senhor já me pagou
pela pintura do barco!
- Mas isto não é pelo trabalho
de pintura - disse o homem. - É por ter consertado o defeito
do barco.
- Foi um serviço tão pequeno
que não quis cobrar, acrescentou o pintor. Certamente o
senhor não me está a pagar uma quantia tão alta por algo tão
insignificante!
- Meu caro amigo, você não
compreendeu - disse o proprietário do barco. - Deixe-me
contar-lhe o que aconteceu... Quando lhe pedi que pintasse o
barco, esqueci de mencionar o furo. Quando ele secou, os
meus filhos pegaram no barco, colocaram-no na água, entraram
e foram para uma pescaria em alto-mar. E eu não estava em
casa naquele momento...
- Quando voltei e notei que
tinham saído com o barco, fiquei desesperado, pois
lembrei-me que no barco havia um furo. Grande foi o meu
alívio e a minha alegria quando os vi regressar, sãos e
salvos. Então, examinei o barco e constatei que você já o
tinha consertado. Percebe, agora, o que fez? Você salvou a
vida dos meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para lhe
pagar pela sua "PEQUENA" boa acção!
Reflexão:
Se nas nossas acções diárias
fizéssemos como aquele pintor, certamente o mundo seria
diferente. O que geralmente acontece é que fazemos apenas a
nossa obrigação! Fazer o que nos compete é apenas cumprir um
dever. Mas, se procurarmos fazer o que é preciso ser feito,
sem nos pedirem nada, então poderemos dizer que estamos a
construir uma sociedade melhor. Trabalhar por convicção e
prazer, não por obrigação, é a melhor maneira de se sentir
bem. Isso porque, "Se ninguém elogiar nosso trabalho nem
reconhecer nosso esforço, para nós não fará diferença
alguma". A grande satisfação estará unicamente em fazer com
excelência o que fazemos.
Oração:
Pedimos hoje ao Senhor que nos
ilumine no dia-a-dia, que nos ajude a ir sempre mais além, a
superar a nossa preguiça e a nossa indiferença e a viver o
nosso trabalho do dia-a-dia com alegria.
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
O
LUGAR CERTO
Um lavrador trabalhava no seu
campo, de sol a sol. Um dia, enquanto limpava o suor, olhou
para uma camionista que passava na estrada próxima e disse
para consigo:
- Feliz daquele camionista que
ganha ávida sentado e à sombra. Ele pode viajar e conhecer o
mundo, enquanto eu estou agarrado à terra.
O camionista, a um certo
momento, foi ultrapassado por um carro de luxo, conduzido
por um empresário. O camionista cobiçou esse carro dizendo:
- Quem me dera ter a vida de
um empresário. Bom carro, sem patrões, sem horários.
O empresário teve de parar num
semáforo e viu um avião. Disse então para consigo:
- Como deve ser agradável a
vida de um piloto: viaja gratuitamente e conhece o mundo
inteiro.
Entretanto, o piloto do avião
avistou no meio do campo um ponto escuro. Verificou que era
um lavrador e disse:
- Que bela deve ser a vida
calma de um camponês. E eu aqui no ar, longe da minha
família e dos meus amigos, nesta vida agitada de um lado
para o outro. Como eu gostava de passar a vida no campo!
Talvez um dia o camponês/
lavrador se encontre com o piloto e perca o desejo de deixar
a sua actividade de camponês/ lavrador.
Reflexão
Cada um de nós tem uma vocação
a realizar e todas são importantes. Nenhuma é melhor que
outra. Todos podemos ser tentados a ser igual ou ater as
mesmas coisas que os outros têm, mas isso não nos traz
felicidade. Não adianta ambicionar querer ter e ser como…
aos poucos vamos descobrindo qual a nossa missão e vocação
cá na terra. Os outros são mediações para que descubramos
qual o nosso projecto de felicidade. Tentemos ser nós
mesmos, tenhamos amor por nós mesmos. Façamos o que nos
compete com alegria. Ambicionemos ser felizes e lutemos por
aquilo que nos realiza como pessoas. Mesmo na escola, fugir
da tentação de querer ser como ou outro, só porque ele ou
ela tem mais coisas do que eu, tem roupa daquela e daquela
marca, tem aquele jogo… tudo isto não conta, conta é o
coração, o que cada um é e faz de bem ao outro. Isto vale a
pena imitar.
De que estais à espera? Sê tu
mesmo.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
A
IMPERFEIÇÃO
«Quando era pequeno,
ocasionalmente, a minha mãe gostava de fazer uma torrada na
hora do jantar. Eu lembro-me, especialmente de uma noite,
quando ela fez uma torrada, depois de um dia de trabalho em
cheio.
Naquela noite, a minha mãe
pôs, diante do meu pai, um prato com torradas queimadas um
pouco além do ponto.
Eu lembro-me de ter esperado
um pouco, para ver se alguém tinha reparado.Tudo o queo meu
pai fez, foi pegar na torrada, sorrir para a minha mãe e
perguntar-me como tinha sido o meu dia na escola.
Eu não me lembro do que
respondi, mas lembro-me de ter olhado para ele comendo a
torrada com um pouco de manteiga e engolindo cada bocado.
Quando deixei a mesa naquela noite, ouvi a minha mãe pedir
desculpa por ter queimado a torrada. Nunca esquecerei o que
ele disse à minha mãe:
- Fica tranquila. Prefiro as
torradas assim.
Mais tarde, naquela noite,
quando fui dar um beijo de boa noite ao meu pai
perguntei-lhe se tinha realmente gostado da torrada
queimada. Ele deu-me um abraço e disse:
- Meu filho, hoje, a tua mãe
teve um dia cheio de trabalho e estava realmente cansada.
Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A
vida é cheia de imperfeições e as pessoas também não são
perfeitas. Eu também não sou o melhor empregado, o melhor
pai e o melhor marido! Aceitar as próprias falhas preferindo
relevar as diferenças entre uns e outros é uma das chaves
mais importantes para criar relacões saudáveis e duradouras.
Por isso, mantém a calma e a
serenidade.
Aprende a falar sempre do bem
e as partes feias da vida coloca-as diante do Criador.
Não ponhas a chave da tua
felicidade no bolso de outra pessoa mas no teu próprio
bolso.
Vê pelos olhos de Deus e sente
pelo coração d’Ele. Só assim, conseguirás ser feliz.»
Reflexão
Olhar para as coisas com
serenidade e crescer na compreensão para com o outro. Saber
parar e perceber porque é que o outro reage ou faz desta ou
daquela maneira é uma sabedoria. E muitas vezes não o
fazemos. Entender o outro na sua situação é meio caminho
andado para uma relação verdadeira e autêntica. Não vale a
pena perder tempo com coisas que podemos simplificar. Isto é
também apelo a construirmos a nossa felicidade e a dos
outros. A única coisa que, hoje, te podemos dizer é «Que
Deus te abençoe.», porque Ele é o único que compreende.
Oração
Ave-Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
NOVOS
RUMOS
Há muitos anos, havia um reino
longínquo onde os cidadãos ainda não conheciam as horas.
Um dia, o rei, regressando de
uma viagem a um país mais desenvolvido, trouxe um objecto
que a todos deixou maravilhados: um relógio de sol.
Esse relógio de sol mudou a
vida das pessoas do reino. Os súbditos aprenderam
imediatamente a dividir o dia em horas, olhando para o
relógio, e a subdividir o tempo. Tornaram-se pontuais,
ordenados, diligentes.
Em pouco tempo, a cidade ficou
mais alegre e mais rica. Um dia, como acontece a todos os
mortais, o rei adoeceu e faleceu. Depois da sua morte, os
bons e prósperos cidadãos quiseram erigir um monumento em
honra de tão bom soberano. E que fazer?
Como o relógio de sol era o
melhor símbolo da bondade do rei, os notáveis do reino
pensaram construir à volta do relógio de sol um magnífico
templo com uma cúpula dourada.
Quando o templo ficou
completo, a cúpula cobriu o relógio e os raios de sol
naturalmente já não conseguiam entrar para indicar as horas.
Muitos cidadãos deixaram de ser pontuais, outros andavam
desorientados. E, andando cada um para seu lado, o reino
desmoronou-se.
Reflexão
Talvez a nossa vida seja algo
semelhante aos cidadãos deste reino. Tendo um instrumento de
orientação, quando encoberto pelo “eu”, pelo poder, pelo
reconhecimento material e aparências, tudo acaba por cair.
Estimar o que se tem, que nos ajuda a orientar e a encontrar
o sentido para a vida é um bem a preservar. Como cidadãos e
como cristãos temos o Evangelho. Se déssemos mais atenção a
este instrumento de vida, possivelmente muitas das nossas
relações interpessoais, muitos dos nossos projectos teriam
outro sabor. Pode iluminar a nossa inteligência, o coração e
as nossas acções. O que fez D. Bosco se não deixar-se
orientar por este relógio de sol? A partir dele se aprende a
discernir, a optar pelo que é justo, a descobrir a maravilha
do dom da vida e qual o sentido da mesma.
Oxalá nunca ninguém construa
templos que ofusquem o nosso relógio de sol.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
O
SABOR DO SAL
Era uma vez um rei que tinha
três filhas. Querendo escolher uma delas para sua sucessora
no trono, chamou-as e perguntou á primeira:
- Tu amas-me?
- Sim, pai, amo-te como a luz
do dia, como o sol que dá vida às plantas. Tu és a minha
luz!
Fez a mesma pergunta à
segunda, que respondeu:
- Sim, pai, amo-te como o
maior tesouro do mundo. A tua sabedoria mais vale que o ouro
e as pedras preciosas. Tu és a minha riqueza!
Fez a mesma pergunta à
terceira, que respondeu:
- Sim, pai, amo-te como o sal
da cozinha.
O rei não gostou da resposta.
Ficou muito irritado e expulsou-a do palácio.
A princesa arranjou emprego
como cozinheira do rei do país vizinho, mas sem que o pai o
soubesse.
Um dia, esse rei, seu patrão
organizou um banquete para o qual o seu pai fora convidado.
A princesa em vez de sal, utilizou açúcar.
O rei, irritado, quis saber
quem tinha feito tal coisa, pois sem sal os alimentos não
tinham qualquer sabor. O pai, que era o convidado, quando
soube que a cozinheira era a sua filha, percebeu a
importância do sal e pediu-lhe perdão. E consta que foi ela
a herdeira do trono real.
Reflexão
Hoje em dia há muitas vidas e
projectos de vida sem sal, sem sabor. Muitos ambientes
escuros, insípidos, sem gosto… que em nada ajudam a seguir
com a vida para a frente. Numa sociedade que vive pautadas
por valores sem sabor e que se deixa andar ao sabor dos
tempos e dos ventos, acaba por ser uma sociedade entregue a
si mesma e que vive sob castelos de areia.
Nos dias de hoje, há que dar
sabor à vida. Todos nós somos convidados a ser sal da terra.
Para sermos um bom sal temos de nos deixar tratar e acolher
em nós todos os sabores de vida. Quem nos pode ajudar nisso:
Jesus. As suas palavras são Vida e se as pronunciou é para
que tenhamos vida e vida em abundância. Acolhendo a vida de
Cristo em nós (palavras, sentimentos, pensamentos, acções)
acolhemos o sabor da Vida e é essa mesma vida que passa para
o mundo de hoje. Não há que ter medo. Hoje, muitas pessoas
esperam por um pouco de sal. Vale a pena tentar.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
A
VARIEDADE
Uma vez, os discípulos muito
reivindicativos foram ter com o Mestre e disseram-lhe:
- A vida na escola é útil mas
aborrecida. Todos os dias a começar à mesma hora, a
sentar-se debaixo das mesmas árvores, a tomar banho no mesmo
rio, a comer a mesma comida. Exigiam por isso mais
variedade.
O Mestre prometeu:
- Farei todo o possível para
não vos aborrecerdes.
Mas os discípulos insistiram
que desejavam mais variedade. O Mestre então disse-lhes:
- Vou mostrar-vos como existe
variedade todos os dias. O nascer do sol é sempre diferente,
as nuvens formam sempre novas figuras, a água do rio é
diferente da de ontem, os ventos mudam a cada instante, não
há dois grãos de trigo iguais, o canto das aves é sempre
novo.
Os discípulos ficaram
pensativos. De facto era mesmo verdade. O Mestre continuou:
- A variedade é preciso
buscá-la não fora de nós, mas dentro de nós, isto é, na
nossa forma de olhar para as coisas. Só quem se sabe
maravilhar pode ver, como uma beleza sempre nova, o nascer
do sol cada manhã. Esta é a minha lição de hoje. Ide,
contemplai com olhos novos tudo o que encontrardes e
deixai-vos maravilhar.
Reflexão
Nos Dias que passam o desafio
é habilitarmo-nos a maravilharmo-nos por tudo o que de bom e
belo existe. Olhar para as situações e experiências de vida
com um olhar sempre renovado, positivo, optimista. Retirar
de cada encontro algo que nos encha o coração e nos dê
razões de viver. Tudo isto é possível se acreditarmos
primeiro em nós mesmos e tivermos a capacidade de viajar
dentro de nós para descobrirmos o grande dom que somos. Se
descobrirmos que dentro de nós está inscrita a vocação para
o amor, o nosso olhar, o nosso falar e o nosso modo de agir
é totalmente diferente, porque nos sabemos amados pelo
Criador de tudo o que nos rodeia, sentimo-nos amados pelo
próprio Amor, por Deus. Então para quê apostar na monotonia
quando temos a capacidade de renovar todas as coisas? Porquê
desejar a rotina quando tudo o que nos rodeia se transforma
cada dia? Troquemos o nosso modo de ver as coisas, mudemos o
coração, porque os olhos são apenas as janelas que comunicam
com o exterior.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
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RUMO À VIDA DE D. BOSCO |
Apresentamos algumas reflexões
sobre a vida de D. Bosco. Manifestam a vocação de um homem
que se deixou tocar pelo Amor. O que viu, ouviu e as suas
mãos tocaram … não conseguiu calar-se.
PROTAGONISTA DA SUA VIDA
O que dizer de D. Bosco:
João Bosco é um líder.
Escutam-no de boa vontade; tem ascendente e, quando inicia
um projecto, contagia a todos com o seu entusiasmo. Sendo
aluno de segundo ensino em Chieri, decide criar um grupo de
amigos e consegue reunir, sem maior dificuldade, um grande
número de colegas.
No entanto, o projecto é
exigente. Ninguém se compromete por meias medidas.
Desde sempre, os jovens gostam
de se reunir em lugares muito seus, para as suas coisas, os
seus intercâmbios, longe dos adultos.
Com frequência não sabem que
fazer e isto pode levar-lhes, de repente, a realizar apostas
perigosas, gratuitas, sem medir as consequências.
João Bosco é um homem de
projectos. E, neste caso, não se reúne aos seus amigos para
passar o tempo, sem construir nada, sem ser útil para algo
ou para alguém.
É o que se chama um líder
positivo. Tem umas qualidades recebidas de adultos que foram
importantes na sua vida: sua mãe, Dom Calosso, alguns
professores. A todos eles, há que acrescentar também um
sonho que o guia, e ao qual nunca renunciará.
Por isso, nada de falar de
perder o tempo ou deixar que o seu grupo se desfaça. Quando
a causa é justa ou alguém tenta colocar obstáculos no nosso
projecto, enfrenta-se quem quer que seja.
Reflexão
É curioso…Muitos jovens vivem
sem um projecto sério. Dão a impressão de suportar
dificilmente a sua escolaridade e de gastar as suas energias
em actividades que parecem estéreis. Será que o mundo, a
sociedade, não favorece esta falta de iniciativa? Será que
não consegue dar-lhes responsabilidades e confiar neles?
Hoje, mais do que nunca, juntos (educadores e jovens),
precisamos de experimentar o que é viver juntos e
organizarmo-nos juntos. Animarmo-nos a sermos verdadeiros
protagonistas da nossa vida.
Oração
Convida-se a assembleia a dar
as mãos e rezar
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
D.
BOSCO – O ENVIADO
Quando D. Bosco estende a mão
aos mais desfavorecidos, não se apresenta como tendo um
plano salvador. Não é o herói de quem se fala muitas vezes
sem razão, que chega para mudar tudo ou para resolver todos
os problemas.
Tem em mente algumas
convicções que determinam a sua atitude e o seu
comportamento.
Em primeiro lugar, a convicção
de que é enviado: o seu compromisso é a resposta a uma
missão recebida.
Não actua em nome próprio. O
sonho dos nove anos assinala-lhe o horizonte de sua missão:
uns destinatários, uma maneira de actuar, uma meta.
De corpo e alma coloca-se ao
serviço do projecto que Deus lhe confia. Por isso, em frente
aos jovens mais marginalizados mantém-se seguro em si mesmo
e, ao mesmo tempo, aproxima-se deles com todo respeito.
Aceita o titubear dos começos,
suporta as mudanças forçadas, encaixa as rejeições e os
abandonos por parte de jovens e adultos.
Quando alguém como D. Bosco se
dedica por inteiro a um projecto, não procura resultados
imediatos. Compreende que a educação é a via mais fecunda
quando o tempo é bem aproveitado e se agarram oportunidades.
Sem dúvida que o maior acordo
que D. Bosco fez, foi conseguir que os seus destinatários
fossem os seus melhores colaboradores. Os mais
insignificantes, aqueles por quem ninguém apostaria nada,
chegaram a converter-se nos pilares de uma obra que
unicamente contava com a Providência. E com eles, D. Bosco,
fundou e organizou uma sociedade, os SALESIANOS.
Reflexão
Apostar, ter a coragem de
arriscar, lançar-se, agarrar as oportunidades, confiar nas
mediações, sentir-se enviado para algo. D. Bosco foi o
primeiro a experimentar tudo o que atrás se referiu. Se ele
não tivesse feito a experiência nunca conseguiria ajudar e
orientar os seus rapazes. Sentindo que tinha um projecto, um
projecto que o realizava plenamente colocando-se ao serviço
das gerações novas, mesmo com os obstáculos e dificuldades
que encontrou, consolidou as suas convicções de que vale a
pena deixar desabrochar o que de melhor há em nós e
colocá-lo ao serviço dos mais necessitados. Sente-se a
alegria da retribuição de um sorriso e de uma palavra:
obrigado.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
EU SOU
D.BOSCO
«Nasci a 15 de Agosto de 1815
nos Becchi, Castelnuovo, próximo de Turim. O meu pai morreu
quando eu tinha dois anos. Cresci numa família humilde,
dessas que precisam de trabalhar para poder sobreviver.
Apesar dos muitos impedimentos
e dos poucos recursos económicos que dispúnhamos, consegui,
terminar os meus estudos e cumprir o meu maior desejo: ser
padre para dedicar-me aos jovens. A minha mãe foi a que
sempre me apoiou na minha vocação.
Uma vez ordenado sacerdote,
passei a trabalhar com os reclusos da prisão. Perguntava-me
muitas vezes: «Porque é que estes garotos chegaram até aqui?
Que futuro lhes espera? Quem será a mão amiga que lhes salve
para não cairem nesta situação?
Descobri que a minha missão,
mais que salvar presos era prevenir que pudessem chegar ali.
E com este pensamento comecei a reunir os garotos que
encontrava nas ruas, que roubavam nas esquinas e a quantos
quisessem seguir-me porque não tinham nada melhor que fazer.
Depois de alguns anos fundei o
meu primeiro Oratório, numa casa que me vendeu um senhor
chamado Pinardi. Neste lugar, no bairro de Valdocco, em
Turim, os meninos podiam viver, estudar, jogar e rezar.
Há tantas coisas que poderia
ainda contar...
Queria agora convidar-vos a
partilhar comigo o meu sonho.
Eu descobri que Deus me pedia
que me dedicasse aos jovens mais pobres. Esse foi o meu
sonho que tratei de tornar realidade, e que hoje compõe a
Família Salesiana espalhada por todo mundo.
Mas agora sois vós, e cada um
de vós, que tem de descobrir qual é o seu sonho, e como
fazer para que se torne realidade. Por isso proponho-vos que
deis resposta a estas perguntas:
Qual é teu sonho? O que é que
queres fazer com tua vida?
O que podes fazer para ir
fazendo realidade o teu sonho?
Que compromisso assumes? A que
te comprometes?
(Dá-se algum tempo para quem
quiser responder)
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
ESCREVO A VÓS, MEUS QUERIDOS JOVENS…
D. Bosco, falava aos seus
rapazes de viver cada dia como se fosse uma festa. Oxalá
este conselho seja válido para os dias de hoje e que sejam
vividos com muita alegria e cada hora se converta numa
festa... e tudo pelo carinho que temos a D. Bosco que é,
para nós, pai, mestre e amigo. As suas palavras ficaram
escritas e podemos lê-las. No ano 1874, D. Bosco teve que
viajar a Roma e escreveu uma carta aos jovens. Acolhamo-las
como sendo dirigidas também a nós, crianças, jovens e menos
jovens deste século.
«Queridos amigos:
Não precisais que vos diga o
muito que vos quero porque constantemente vos dou prova
disso. Que vós me quereis bem, também não precisais de mo
dizer, porque mo tendes demonstrado constantemente.
Mas este carinho mútuo em que
se apoia? No dinheiro?
Não no meu, que o gasto por
vós; também não no vosso, porque, não vos ofendais, também
não o tendes devido à vossa pobreza.
Portanto meu carinho funda-se
no desejo que tenho de que sejais boas pessoas e, sobretudo,
conheçais e vos façais amigos de Jesus; e vós quereis-me bem
porque vos trato de guiar pelo bom caminho. Portanto vosso
bem é o fundamento de nosso afecto.»
Reflexão
Hoje, em qualquer casa
salesiana podemos dizer o mesmo que D. Bosco: “O nosso
carinho funda-se no desejo de que sejais boas pessoas e vos
façais amigos de Jesus.» A maior preocupação na casa
salesiana é ajudar a formar bons cristãos e honestos
cidadãos. A sociedade precisa de pessoas que vivam a sua
vocação a partir de dentro, do amor, da autenticidade, da
sinceridade, da solidariedade. Que ajudem a formar uma
sociedade onde os valores humanos e cristãos coabitam e não
se estrangulam. A sociedade precisa de pessoas maduras que
sabem construir projectos de vida e solidificam as suas
convicções em que prevalece o bem para todos.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
D.
BOSCO… PARA ONDE IR?
João Bosco, jovem estudante,
consegue estudar e ordenar-se sacerdote no ano 1841. João
tinha 26 anos de idade, e um projecto de vida a favor dos
meninos mais excluídos da sociedade. Não foi obra fácil:
apostar pelos mais esfarrapados, desprotegidos teve os seus
custos pessoais.
No entanto, quando as coisas
não nos correm tão bem, recorremos a Deus para que nos ajude
e nos faça ver que é o que temos de fazer para que tudo seja
bom. Foi o que fez D. Bosco no princípio de seu oratório,
quando trabalhava com seus rapazes. Escutemos este episódio:
«Por aqueles dias chegaram os
donos do prado onde D. Bosco reunia aos domingos os seus
rapazes. Inclinaram-se sobre o terreno pisado sem piedade
por oitocentas sapatilhas e sapatões e chamaram D. Bosco:
- Isto está-se a converter num
deserto! Por este andar o nosso prado ficará como um caminho
de terra batida! Tenha paciência, senhor padre, mas assim
não pode continuar, perdoamos-lhe isto, mas tem de sair
daqui.
E deram-lhe quinze dias para
procurar outro lugar e sair dali.
Aquilo foi como um raio para
D. Bosco. Às humilhantes aventuras daqueles dias
acrescentava-se a preocupação de ter que encontrar em
seguida outro campo. Mas desta vez não encontrou nada: Quem
ia alugar um lugar a um louco com 800 rapazes?
O dia 5 de Abril de 1846,
último domingo no prado Filippi, foi para D. Bosco um dos
dias mais amargos da sua vida. Foi com seus rapazes à Igreja
de Nossa Senhora do Campo. Falou durante a Missa, mas não se
lhe ouviu nenhum ruído. Disse que lhes olhava como aos
pássaros, cujo ninho alguém quer desfazer. Convidou a rezar
à Virgem, porque, apesar de tudo, estavam nas suas mãos.
Ao meio-dia fez a sua última
tentativa sobre o prado Filippi. Mas não obteve nada. Tinha
mesmo que se despedir dos seus rapazes.
O próprio D. Bosco escreveu no
seu diário:
«Ao entardecer daquele dia
contemplava a multidão de rapazes que se divertiam. Estava
só, esgotado de forças e em mau estado de saúde. Retirei-me
a um lado, pus-me a passear sozinho e comecei a chorar:
- Meu Deus! Diz-me o que tenho
que fazer!»
Reflexão
D. Bosco sofreu bastante por
não ter um lugar fixo para os seus rapazes. A lição que ele
deixa com este episódio é a capacidade de confiarmos e nunca
desesperarmos. Mesmo que tenhamos de chorar perante as
dificuldades e obstáculos, temos de manter a calma e confiar
em nós mesmos. Alguém dizia que tudo tem solução, basta ler
os sinais e acreditar que a presença divina, Deus, também
fará a sua parte. Não será quando queremos nem como
queremos, porque não mandamos em Deus, mas acontecerá.
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
UM
SONHO…
Na noite de 8 para 9 Julho
1880, D. Bosco sonhou que estava com o seu conselho no
quarto a fim de realizar uma conferência. Enquanto ele
falava, notou que o céu estava sombrio, aproximando-se uma
tempestade com trovões, raios e relâmpagos pelo que estavam
com medo e assustados. Um trovão forte ecoou e estremeceu a
casa. D. Bonetti levantou-se e foi para a construção da
galeria. Após alguns instantes, gritou:
- Uma chuva de espinhos.
Na verdade, as gotas caíam
grossas como cascatas de água numa chuva torrencial.
Então, houve um trovão forte como o primeiro mas agora
parecia que o céu se clareava um pouco. Então, D. Bonetti da
galeria gritou:
- Oh! Uma chuva de botões!
Ao terceiro trovão apareceram
algumas frinchas de céu claro e um pouco de sol. E D.
Bonetti do alpendre diz:
- Uma chuva de flores!
Todo o ar estava cheio de
flores de todas as cores, forma e qualidade, que num
instante cobriu o chão e os telhados das casas. Uma
solidariedade admirável de matizes.
Um quarto trovão forte soou no ar. O céu estava claro e
brilhou um sol brilhante. E D. Bonetti gritando:
- Venha, venha e veja D. Bosco: uma chuva de rosas!
Das nuvens caiam fragrâncias
de rosas,
- Ah, finalmente! - exclamou D. Bonetti.
Reflexão
Finalmente a bonança, a
tranquilidade. Será que conseguimos interpretar o sonho de
D. Bosco para os dias de hoje? A que podemos comparar os
espinhos? Os botões? As flores? As rosas?
(Em conjunto procurar
respostas e aprofundar as mesmas)
Oração
Pai Nosso… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo. Amén.
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