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Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias”

Bons dias de Janeiro 2011

 

A vocação salesiana: vocação ao amor

Retornar a D. Bosco, testemunha do amor

 

Como os discípulos de João não hesitaram em seguir Jesus respondendo ao seu convite e desejaram estar com Ele, conhecê-l’O um pouco mais, em profundidade, passando aos poucos da admiração à imitação e ao seguimento, assim podemos falar de D. Bosco.

 

Neste mês encontrar-nos-emos mais em profundidade com D. Bosco, testemunha que viveu mesmo a fundo a sua vocação ao serviço do Reino de Deus. Ele é modelo de vida para cada um de nós que o quer seguir, no dom total da sua vida a Deus. Para D. Bosco seguir Jesus, não é só estar com Jesus, mas pôr-se, de imediato, ao serviço dos outros com compaixão e esperança.

BONS DIAS DE JANEIRO - A vocação salesiana: vocação ao amor

 

< Algumas histórias

< Rumo à vida de D. Bosco

< Vida de Laura Vicunha

 

O PRESÉPIO SOMOS NÓS

Mesmo em pleno mês de Janeiro nunca é demais olhar para o grande mistério da Encarnação e descobrir que, nos tempos de hoje, o presépio somos nós. É um belo poema que merece alguma da nossa atenção, porque se quisermos testemunhos e exemplos de quem foi um “presépio” D. Bosco é com certeza esse testemunho. O convite é a escutar com o coração, a saborear cada palavra e a digerir ao longo da vida:

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
a esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos.

 

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece.

 

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno

O QUE FAZEMOS NÓS DO TEMPO?

«Que é, pois, o tempo? Se ninguém me pergunta, eu o sei; se desejo explicar a quem a pergunta, não o sei». - St Agostinho.

Sabemos que somos feitos de tempo, de idades, de cronometrias visíveis e invisíveis, de estações… Sabemos que o tempo é a argila da vida. Do incomensurável oceano ao sucinto regato, da minúscula pedra ao elevado rochedo, da planta solitária ao vastíssimo bosque, tudo tem no tempo uma chave indispensável. Também nós somos modelados e lavrados, instante a instante, pelos instrumentos do tempo. Por vezes de um modo tão delicado que nem sentimos como ele, irreversível, desliza dentro e fora de nós. Por vezes, atormentando-nos claramente a sua voracidade, sentindo-nos perdidos na sua envolvente vertigem. Que é, pois, o tempo?

Nós dizemos, repetindo um provérbio que os latinos já usavam, que o tempo voa (tempus fugit). De facto, tudo o que é humano é feito de tempo, mas a experiência que mais vezes nos ocorre é a de não termos tempo. «Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante para ti», explicou a raposa ao Principezinho. Há uma qualidade de relação que só se obtém no tempo partilhado. Por alguma razão, esse raro Mestre de humanidade chamado Jesus, disse: «Se alguém te pede para o acompanhares durante uma milha, anda com ele duas». Só com tempo descobrimos tanto o sentido e a relevância da nossa marcha ao lado dos outros, como o da nossa própria caminhada interior. Sem tempo tornamo-nos desconhecidos. Sem tempo falamos, mas não escutamos.


Repetimos, mas não inventamos. Consumimos, mas não saboreamos. É verdade que mesmo num rápido relance se pode alcançar muita coisa, mas normalmente escapa-nos o detalhe. E Deus habita o detalhe.

Gosto muito do «Poema do Tempo» que vem no livro bíblico do Eclesiastes, pois nos expõe à consciência de que o tempo é uma arte que realmente possuímos e que somos chamados a desenvolver com sabedoria. Não é verdade que não temos tempo. A nossa vida está cheia de tempos. Precisamos identificá-los e tratar deles, como quem cuida de um tesouro. Não é a quantidade de tempo o mais determinante. Importante é perguntar-se o que fazemos do tempo e investir aí a matéria dos nossos sonhos.

«Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que  se deseja debaixo do céu:
tempo para nascer e tempo para morrer,
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edificar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
tempo para abraçar e tempo para afastar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para recusar,
tempo para guerra e tempo para paz.»

Bom ano de 2011.                                                                                       

 

José Tolentino Mendonça

ALGUMAS HISTÓRIAS

O BARCO AMARELO

Um homem foi chamado à praia para pintar um barco. Trouxe tinta e pincéis e começou a pintar o barco de um amarelo brilhante, como fora contratado para fazer.

Enquanto pintava, notou que a tinta estava a passar pelo fundo do barco. Procurou e descobriu que a causa do vazamento era um buraco e o consertou. Quando terminou a pintura, recebeu seu dinheiro e se foi.

No dia seguinte, o proprietário do barco procurou o pintor e entregou-lhe um cheque de grande valor. O pintor ficou surpreendido e disse:

- Mas o senhor já me pagou pela pintura do barco!

- Mas isto não é pelo trabalho de pintura - disse o homem. - É por ter consertado o defeito do barco.

- Foi um serviço tão pequeno que não quis cobrar, acrescentou o pintor. Certamente o senhor não me está a pagar uma quantia tão alta por algo tão insignificante!

- Meu caro amigo, você não compreendeu - disse o proprietário do barco. - Deixe-me contar-lhe o que aconteceu... Quando lhe pedi que pintasse o barco, esqueci de mencionar o furo. Quando ele secou, os meus filhos pegaram no barco, colocaram-no na água, entraram e foram para uma pescaria em alto-mar. E eu não estava em casa naquele momento...

- Quando voltei e notei que tinham saído com o barco, fiquei desesperado, pois lembrei-me que no barco havia um furo. Grande foi o meu alívio e a minha alegria quando os vi regressar, sãos e salvos. Então, examinei o barco e constatei que você já o tinha consertado. Percebe, agora, o que fez? Você salvou a vida dos meus filhos! Não tenho dinheiro suficiente para lhe pagar pela sua "PEQUENA" boa acção!

 

Reflexão:

Se nas nossas acções diárias fizéssemos como aquele pintor, certamente o mundo seria diferente. O que geralmente acontece é que fazemos apenas a nossa obrigação! Fazer o que nos compete é apenas cumprir um dever. Mas, se procurarmos fazer o que é preciso ser feito, sem nos pedirem nada, então poderemos dizer que estamos a construir uma sociedade melhor. Trabalhar por convicção e prazer, não por obrigação, é a melhor maneira de se sentir bem. Isso porque, "Se ninguém elogiar nosso trabalho nem reconhecer nosso esforço, para nós não fará diferença alguma". A grande satisfação estará unicamente em fazer com excelência o que fazemos.

 

Oração:

Pedimos hoje ao Senhor que nos ilumine no dia-a-dia, que nos ajude a ir sempre mais além, a superar a nossa preguiça e a nossa indiferença e a viver o nosso trabalho do dia-a-dia com alegria.

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


O LUGAR CERTO

Um lavrador trabalhava no seu campo, de sol a sol. Um dia, enquanto limpava o suor, olhou para uma camionista que passava na estrada próxima e disse para consigo:

- Feliz daquele camionista que ganha ávida sentado e à sombra. Ele pode viajar e conhecer o mundo, enquanto eu estou agarrado à terra.

O camionista, a um certo momento, foi ultrapassado por um carro de luxo, conduzido por um empresário. O camionista cobiçou esse carro dizendo:

- Quem me dera ter a vida de um empresário. Bom carro, sem patrões, sem horários.

O empresário teve de parar num semáforo e viu um avião. Disse então para consigo:

- Como deve ser agradável a vida de um piloto: viaja gratuitamente e conhece o mundo inteiro.

Entretanto, o piloto do avião avistou no meio do campo um ponto escuro. Verificou que era um lavrador e disse:

- Que bela deve ser a vida calma de um camponês. E eu aqui no ar, longe da minha família e dos meus amigos, nesta vida agitada de um lado para o outro. Como eu gostava de passar a vida no campo!

Talvez um dia o camponês/ lavrador se encontre com o piloto e perca o desejo de deixar a sua actividade de camponês/ lavrador.

 

Reflexão

Cada um de nós tem uma vocação a realizar e todas são importantes. Nenhuma é melhor que outra. Todos podemos ser tentados a ser igual ou ater as mesmas coisas que os outros têm, mas isso não nos traz felicidade. Não adianta ambicionar querer ter e ser como… aos poucos vamos descobrindo qual a nossa missão e vocação cá na terra. Os outros são mediações para que descubramos qual o nosso projecto de felicidade. Tentemos ser nós mesmos, tenhamos amor por nós mesmos. Façamos o que nos compete com alegria. Ambicionemos ser felizes e lutemos por aquilo que nos realiza como pessoas. Mesmo na escola, fugir da tentação de querer ser como ou outro, só porque ele ou ela tem mais coisas do que eu, tem roupa daquela e daquela marca, tem aquele jogo… tudo isto não conta, conta é o coração, o que cada um é e faz de bem ao outro. Isto vale a pena imitar.

De que estais à espera? Sê tu mesmo.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


A IMPERFEIÇÃO

«Quando era pequeno, ocasionalmente, a minha mãe gostava de fazer uma torrada na hora do jantar. Eu lembro-me, especialmente de uma noite, quando ela fez uma torrada, depois de um dia de trabalho em cheio.

Naquela noite, a minha mãe pôs, diante do meu pai, um prato com torradas queimadas um pouco além do ponto.

Eu lembro-me de ter esperado um pouco, para ver se alguém tinha reparado.Tudo o queo  meu pai fez, foi pegar na torrada, sorrir para a minha mãe e perguntar-me como tinha sido o meu dia na escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas lembro-me de ter olhado para ele comendo a torrada com um pouco de manteiga e engolindo cada bocado. Quando deixei a mesa naquela noite, ouvi a minha mãe pedir desculpa por ter queimado a torrada. Nunca esquecerei o que ele disse à minha mãe:

- Fica tranquila. Prefiro as torradas assim.

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite ao meu pai perguntei-lhe se tinha realmente gostado da torrada queimada. Ele deu-me um abraço e disse:

- Meu filho, hoje, a tua mãe teve um dia cheio de trabalho e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém.  A vida é cheia de imperfeições e as pessoas também não são perfeitas. Eu também não sou o melhor empregado, o melhor pai e o melhor marido! Aceitar as próprias falhas preferindo relevar as diferenças entre uns e outros é uma das chaves mais importantes para criar relacões saudáveis e duradouras.

Por isso,  mantém a calma e a serenidade.

Aprende a falar sempre do bem e as partes feias da vida coloca-as diante do Criador.

Não ponhas a chave da tua felicidade no bolso de outra pessoa mas no teu próprio bolso.

Vê pelos olhos de Deus e sente pelo coração d’Ele. Só assim, conseguirás ser feliz.»

 

Reflexão

Olhar para as coisas com serenidade e crescer na compreensão para com o outro. Saber parar e perceber porque é que o outro reage ou faz desta ou daquela maneira é uma sabedoria. E muitas vezes não o fazemos. Entender o outro na sua situação é meio caminho andado para uma relação verdadeira e autêntica. Não vale a pena perder tempo com coisas que podemos simplificar. Isto é também apelo a construirmos a nossa felicidade e a dos outros. A única coisa que, hoje, te podemos dizer é «Que Deus te abençoe.», porque Ele é o único que compreende.

 

Oração

Ave-Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


NOVOS RUMOS

Há muitos anos, havia um reino longínquo onde os cidadãos ainda não conheciam as horas.

Um dia, o rei, regressando de uma viagem a um país mais desenvolvido, trouxe um objecto que a todos deixou maravilhados: um relógio de sol.

Esse relógio de sol mudou a vida das pessoas do reino. Os súbditos aprenderam imediatamente a dividir o dia em horas, olhando para o relógio, e a subdividir o tempo. Tornaram-se pontuais, ordenados, diligentes.

Em pouco tempo, a cidade ficou mais alegre e mais rica. Um dia, como acontece a todos os mortais, o rei adoeceu e faleceu. Depois da sua morte, os bons e prósperos cidadãos quiseram erigir um monumento em honra de tão bom soberano. E que fazer?

Como o relógio de sol era o melhor símbolo da bondade do rei, os notáveis do reino pensaram construir à volta do relógio de sol um magnífico templo com uma cúpula dourada.

Quando o templo ficou completo, a cúpula cobriu o relógio e os raios de sol naturalmente já não conseguiam entrar para indicar as horas. Muitos cidadãos deixaram de ser pontuais, outros andavam desorientados. E, andando cada um para seu lado, o reino desmoronou-se.

 

Reflexão

Talvez a nossa vida seja algo semelhante aos cidadãos deste reino. Tendo um instrumento de orientação, quando encoberto pelo “eu”, pelo poder, pelo reconhecimento material e aparências, tudo acaba por cair. Estimar o que se tem, que nos ajuda a orientar e a encontrar o sentido para a vida é um bem a preservar. Como cidadãos e como cristãos temos o Evangelho. Se déssemos mais atenção a este instrumento de vida, possivelmente muitas das nossas relações interpessoais, muitos dos nossos projectos teriam outro sabor. Pode iluminar a nossa inteligência, o coração e as nossas acções. O que fez D. Bosco se não deixar-se orientar por este relógio de sol? A partir dele se aprende a discernir, a optar pelo que é justo, a descobrir a maravilha do dom da vida e qual o sentido da mesma.

Oxalá nunca ninguém construa templos que ofusquem o nosso relógio de sol.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


O SABOR DO SAL

Era uma vez um rei que tinha três filhas. Querendo escolher uma delas para sua sucessora no trono, chamou-as e perguntou á primeira:

- Tu amas-me?

- Sim, pai, amo-te como a luz do dia, como o sol que dá vida às plantas. Tu és a minha luz!

Fez a mesma pergunta à segunda, que respondeu:

- Sim, pai, amo-te como o maior tesouro do mundo. A tua sabedoria mais vale que o ouro e as pedras preciosas. Tu és a minha riqueza!

Fez a mesma pergunta à terceira, que respondeu:

- Sim, pai, amo-te como o sal da cozinha.

O rei não gostou da resposta. Ficou muito irritado e expulsou-a do palácio.

A princesa arranjou emprego como cozinheira do rei do país vizinho, mas sem que o pai o soubesse.

Um dia, esse rei, seu patrão organizou um banquete para o qual o seu pai fora convidado. A princesa em vez de sal, utilizou açúcar.

O rei, irritado, quis saber quem tinha feito tal coisa, pois sem sal os alimentos não tinham qualquer sabor. O pai, que era o convidado, quando soube que a cozinheira era a sua filha, percebeu a importância do sal e pediu-lhe perdão. E consta que foi ela a herdeira do trono real.

 

Reflexão

Hoje em dia há muitas vidas e projectos de vida sem sal, sem sabor. Muitos ambientes escuros, insípidos, sem gosto… que em nada ajudam a seguir com a vida para a frente. Numa sociedade que vive pautadas por valores sem sabor e que se deixa andar ao sabor dos tempos e dos ventos, acaba por ser uma sociedade entregue a si mesma e que vive sob castelos de areia.

Nos dias de hoje, há que dar sabor à vida. Todos nós somos convidados a ser sal da terra. Para sermos um bom sal temos de nos deixar tratar e acolher em nós todos os sabores de vida. Quem nos pode ajudar nisso: Jesus. As suas palavras são Vida e se as pronunciou é para que tenhamos vida e vida em abundância. Acolhendo a vida de Cristo em nós (palavras, sentimentos, pensamentos, acções) acolhemos o sabor da Vida e é essa mesma vida que passa para o mundo de hoje. Não há que ter medo. Hoje, muitas pessoas esperam por um pouco de sal. Vale a pena tentar.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


A VARIEDADE

Uma vez, os discípulos muito reivindicativos foram ter com o Mestre e disseram-lhe:

- A vida na escola é útil mas aborrecida. Todos os dias a começar à mesma hora, a sentar-se debaixo das mesmas árvores, a tomar banho no mesmo rio, a comer a mesma comida. Exigiam por isso mais variedade.

O Mestre prometeu:

- Farei todo o possível para não vos aborrecerdes.

Mas os discípulos insistiram que desejavam mais variedade. O Mestre então disse-lhes:

- Vou mostrar-vos como existe variedade todos os dias. O nascer do sol é sempre diferente, as nuvens formam sempre novas figuras, a água do rio é diferente da de ontem, os ventos mudam a cada instante, não há dois grãos de trigo iguais, o canto das aves é sempre novo.

Os discípulos ficaram pensativos. De facto era mesmo verdade. O Mestre continuou:

- A variedade é preciso buscá-la não fora de nós, mas dentro de nós, isto é, na nossa forma de olhar para as coisas. Só quem se sabe maravilhar pode ver, como uma beleza sempre nova, o nascer do sol cada manhã. Esta é a minha lição de hoje. Ide, contemplai com olhos novos tudo o que encontrardes e deixai-vos maravilhar.

 

Reflexão

Nos Dias que passam o desafio é habilitarmo-nos a maravilharmo-nos por tudo o que de bom e belo existe. Olhar para as situações e experiências de vida com um olhar sempre renovado, positivo, optimista. Retirar de cada encontro algo que nos encha o coração e nos dê razões de viver. Tudo isto é possível se acreditarmos primeiro em nós mesmos e tivermos a capacidade de viajar dentro de nós para descobrirmos o grande dom que somos. Se descobrirmos que dentro de nós está inscrita a vocação para o amor, o nosso olhar, o nosso falar e o nosso modo de agir é totalmente diferente, porque nos sabemos amados pelo Criador de tudo o que nos rodeia, sentimo-nos amados pelo próprio Amor, por Deus. Então para quê apostar na monotonia quando temos a capacidade de renovar todas as coisas? Porquê desejar a rotina quando tudo o que nos rodeia se transforma cada dia? Troquemos o nosso modo de ver as coisas, mudemos o coração, porque os olhos são apenas as janelas que comunicam com o exterior.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 

RUMO À VIDA DE D. BOSCO

Apresentamos algumas reflexões sobre a vida de D. Bosco. Manifestam a vocação de um homem que se deixou tocar pelo Amor. O que viu, ouviu e as suas mãos tocaram … não conseguiu calar-se.

 

PROTAGONISTA DA SUA VIDA

O que dizer de D. Bosco:

João Bosco é um líder. Escutam-no de boa vontade; tem ascendente e, quando inicia um projecto, contagia a todos com o seu entusiasmo. Sendo aluno de segundo ensino em Chieri, decide criar um grupo de amigos e consegue reunir, sem maior dificuldade, um grande número de colegas.

No entanto, o projecto é exigente. Ninguém se compromete por meias medidas.

Desde sempre, os jovens gostam de se reunir em lugares muito seus, para as suas coisas, os seus intercâmbios, longe dos adultos.

Com frequência não sabem que fazer e isto pode levar-lhes, de repente, a realizar apostas perigosas, gratuitas, sem medir as consequências.

João Bosco é um homem de projectos. E, neste caso, não se reúne aos seus amigos para passar o tempo, sem construir nada, sem ser útil para algo ou para alguém.

É o que se chama um líder positivo. Tem umas qualidades recebidas de adultos que foram importantes na sua vida: sua mãe, Dom Calosso, alguns professores. A todos eles, há que acrescentar também um sonho que o guia, e ao qual nunca renunciará.

Por isso, nada de falar de perder o tempo ou deixar que o seu grupo se desfaça. Quando a causa é justa ou alguém tenta colocar obstáculos no nosso projecto, enfrenta-se quem quer que seja.

 

Reflexão

É curioso…Muitos jovens vivem sem um projecto sério. Dão a impressão de suportar dificilmente a sua escolaridade e de gastar as suas energias em actividades que parecem estéreis. Será que o mundo, a sociedade, não favorece esta falta de iniciativa? Será que não consegue dar-lhes responsabilidades e confiar neles? Hoje, mais do que nunca, juntos (educadores e jovens), precisamos de experimentar o que é viver juntos e organizarmo-nos juntos. Animarmo-nos a sermos verdadeiros protagonistas da nossa vida.

 

Oração

Convida-se a assembleia a dar as mãos e rezar

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


D. BOSCO – O ENVIADO

Quando D. Bosco estende a mão aos mais desfavorecidos, não se apresenta como tendo um plano salvador. Não é o herói de quem se fala muitas vezes sem razão, que chega para mudar tudo ou para resolver todos os problemas.

Tem em mente algumas convicções que determinam a sua atitude e o seu comportamento.

Em primeiro lugar, a convicção de que é enviado: o seu compromisso é a resposta a uma missão recebida.

Não actua em nome próprio. O sonho dos nove anos assinala-lhe o horizonte de sua missão: uns destinatários, uma maneira de actuar, uma meta.

De corpo e alma coloca-se ao serviço do projecto que Deus lhe confia. Por isso, em frente aos jovens mais marginalizados mantém-se seguro em si mesmo e, ao mesmo tempo, aproxima-se deles com todo respeito.

 

Aceita o titubear dos começos, suporta as mudanças forçadas, encaixa as rejeições e os abandonos por parte de jovens e adultos.

Quando alguém como D. Bosco se dedica por inteiro a um projecto, não procura resultados imediatos. Compreende que a educação é a via mais fecunda quando o tempo é bem aproveitado e se agarram oportunidades.

 

Sem dúvida que o maior acordo que D. Bosco fez, foi conseguir que os seus destinatários fossem os seus melhores colaboradores. Os mais insignificantes, aqueles por quem ninguém apostaria nada, chegaram a converter-se nos pilares de uma obra que unicamente contava com a Providência. E com eles, D. Bosco, fundou e organizou uma sociedade, os SALESIANOS.

 

Reflexão

Apostar, ter a coragem de arriscar, lançar-se, agarrar as oportunidades, confiar nas mediações, sentir-se enviado para algo. D. Bosco foi o primeiro a experimentar tudo o que atrás se referiu. Se ele não tivesse feito a experiência nunca conseguiria ajudar e orientar os seus rapazes. Sentindo que tinha um projecto, um projecto que o realizava plenamente colocando-se ao serviço das gerações novas, mesmo com os obstáculos e dificuldades que encontrou, consolidou as suas convicções de que vale a pena deixar desabrochar o que de melhor há em nós e colocá-lo ao serviço dos mais necessitados. Sente-se a alegria da retribuição de um sorriso e de uma palavra: obrigado.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


EU SOU D.BOSCO

«Nasci a 15 de Agosto de 1815 nos Becchi, Castelnuovo, próximo de Turim. O meu pai morreu quando eu tinha dois anos. Cresci numa família humilde, dessas que precisam de trabalhar para poder sobreviver.

 

Apesar dos muitos impedimentos e dos poucos recursos económicos que dispúnhamos, consegui, terminar os meus estudos e cumprir o meu maior desejo: ser padre para dedicar-me aos jovens. A minha mãe foi a que sempre me apoiou na minha vocação.

Uma vez ordenado sacerdote, passei a trabalhar com os reclusos da prisão. Perguntava-me muitas vezes: «Porque é que estes garotos chegaram até aqui? Que futuro lhes espera? Quem será a mão amiga que lhes salve para não cairem nesta situação?

 

Descobri que a minha missão, mais que salvar presos era prevenir que pudessem chegar ali. E com este pensamento comecei a reunir os garotos que encontrava nas ruas, que roubavam nas esquinas e a quantos quisessem seguir-me porque não tinham nada melhor que fazer.

Depois de alguns anos fundei o meu primeiro Oratório, numa casa que me vendeu um senhor chamado Pinardi. Neste lugar, no bairro de Valdocco, em Turim, os meninos podiam viver, estudar, jogar e rezar.

Há tantas coisas que poderia ainda contar...

 

Queria agora convidar-vos a partilhar comigo o meu sonho.

Eu descobri que Deus me pedia que me dedicasse aos jovens mais pobres. Esse foi o meu sonho que tratei de tornar realidade, e que hoje compõe a Família Salesiana espalhada por todo mundo.

Mas agora sois vós, e cada um de vós, que tem de descobrir qual é o seu sonho, e como fazer para que se torne realidade. Por isso proponho-vos que deis resposta a estas perguntas:

 

Qual é teu sonho? O que é que queres fazer com tua vida?

O que podes fazer para ir fazendo realidade o teu sonho?

Que compromisso assumes? A que te comprometes?

(Dá-se algum tempo para quem quiser responder)

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


ESCREVO A VÓS, MEUS QUERIDOS JOVENS…

D. Bosco, falava aos seus rapazes de viver cada dia como se fosse uma festa. Oxalá este conselho seja válido para os dias de hoje e que sejam vividos com muita alegria e cada hora se converta numa festa... e tudo pelo carinho que temos a D. Bosco que é, para nós, pai, mestre e amigo. As suas palavras ficaram escritas e podemos lê-las. No ano 1874, D. Bosco teve que viajar a Roma e escreveu uma carta aos jovens. Acolhamo-las como sendo dirigidas também a nós, crianças, jovens e menos jovens deste século.

 

«Queridos amigos:

Não precisais que vos diga o muito que vos quero porque constantemente vos dou prova disso. Que vós me quereis bem, também não precisais de mo dizer, porque mo tendes demonstrado constantemente.

Mas este carinho mútuo em que se apoia? No dinheiro?

Não no meu, que o gasto por vós; também não no vosso, porque, não vos ofendais, também não o tendes devido à vossa pobreza.

Portanto meu carinho funda-se no desejo que tenho de que sejais boas pessoas e, sobretudo, conheçais e vos façais amigos de Jesus; e vós quereis-me bem porque vos trato de guiar pelo bom caminho. Portanto vosso bem é o fundamento de nosso afecto.»

 

Reflexão

Hoje, em qualquer casa salesiana podemos dizer o mesmo que D. Bosco: “O nosso carinho funda-se no desejo de que sejais boas pessoas e vos façais amigos de Jesus.» A maior preocupação na casa salesiana é ajudar a formar bons cristãos e honestos cidadãos. A sociedade precisa de pessoas que vivam a sua vocação a partir de dentro, do amor, da autenticidade, da sinceridade, da solidariedade. Que ajudem a formar uma sociedade onde os valores humanos e cristãos coabitam e não se estrangulam. A sociedade precisa de pessoas maduras que sabem construir projectos de vida e solidificam as suas convicções em que prevalece o bem para todos.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


D. BOSCO…  PARA ONDE IR?

João Bosco, jovem estudante, consegue estudar e ordenar-se sacerdote no ano 1841. João tinha 26 anos de idade, e um projecto de vida a favor dos meninos mais excluídos da sociedade. Não foi obra fácil: apostar pelos mais esfarrapados, desprotegidos teve os seus custos pessoais.

 

No entanto, quando as coisas não nos correm tão bem, recorremos a Deus para que nos ajude e nos faça ver que é o que temos de fazer para que tudo seja bom. Foi o que fez D. Bosco no princípio de seu oratório, quando trabalhava com seus rapazes. Escutemos este episódio:

 

«Por aqueles dias chegaram os donos do prado onde D. Bosco reunia aos domingos os seus rapazes. Inclinaram-se sobre o terreno pisado sem piedade por oitocentas sapatilhas e sapatões e chamaram D. Bosco:

- Isto está-se a converter num deserto! Por este andar o nosso prado ficará como um caminho de terra batida! Tenha paciência, senhor padre, mas assim não pode continuar, perdoamos-lhe isto, mas tem de sair daqui.

E deram-lhe quinze dias para procurar outro lugar e sair dali.

Aquilo foi como um raio para D. Bosco. Às humilhantes aventuras daqueles dias acrescentava-se a preocupação de ter que encontrar em seguida outro campo. Mas desta vez não encontrou nada: Quem ia alugar um lugar a um louco com 800 rapazes?

 

O dia 5 de Abril de 1846, último domingo no prado Filippi, foi para D. Bosco um dos dias mais amargos da sua vida. Foi com seus rapazes à Igreja de Nossa Senhora do Campo. Falou durante a Missa, mas não se lhe ouviu nenhum ruído. Disse que lhes olhava como aos pássaros, cujo ninho alguém quer desfazer. Convidou a rezar à Virgem, porque, apesar de tudo, estavam nas suas mãos.

Ao meio-dia fez a sua última tentativa sobre o prado Filippi. Mas não obteve nada. Tinha mesmo que se despedir dos seus rapazes.

 

O próprio D. Bosco escreveu no seu diário:

«Ao entardecer daquele dia contemplava a multidão de rapazes que se divertiam. Estava só, esgotado de forças e em mau estado de saúde. Retirei-me a um lado, pus-me a passear sozinho e comecei a chorar:

- Meu Deus! Diz-me o que tenho que fazer!»

 

Reflexão

D. Bosco sofreu bastante por não ter um lugar fixo para os seus rapazes. A lição que ele deixa com este episódio é a capacidade de confiarmos e nunca desesperarmos. Mesmo que tenhamos de chorar perante as dificuldades e obstáculos, temos de manter a calma e confiar em nós mesmos. Alguém dizia que tudo tem solução, basta ler os sinais e acreditar que a presença divina, Deus, também fará a sua parte. Não será quando queremos nem como queremos, porque não mandamos em Deus, mas acontecerá.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 


UM SONHO…

Na noite de 8 para 9 Julho 1880, D. Bosco sonhou que estava com o seu conselho no quarto a fim de realizar uma conferência. Enquanto ele falava, notou que o céu estava sombrio, aproximando-se uma tempestade com trovões, raios e relâmpagos pelo que estavam com medo e assustados. Um trovão forte ecoou e estremeceu a casa. D. Bonetti levantou-se e foi para a construção da galeria. Após alguns instantes, gritou:

- Uma chuva de espinhos.

Na verdade, as gotas caíam grossas como cascatas de água numa chuva torrencial.
Então, houve um trovão forte como o primeiro mas agora parecia que o céu se clareava um pouco. Então, D. Bonetti da galeria gritou:
- Oh! Uma chuva de botões!

Ao terceiro trovão apareceram algumas frinchas de céu claro e um pouco de sol. E D. Bonetti do alpendre diz:
- Uma chuva de flores!

Todo o ar estava cheio de flores de todas as cores, forma e qualidade, que num instante cobriu o chão e os telhados das casas. Uma solidariedade admirável de matizes.
Um quarto trovão forte soou no ar. O céu estava claro e brilhou um sol brilhante. E D. Bonetti gritando:
- Venha, venha e veja D. Bosco: uma chuva de rosas!

Das nuvens caiam fragrâncias de rosas,
- Ah, finalmente! - exclamou D. Bonetti.

 

Reflexão

Finalmente a bonança, a tranquilidade. Será que conseguimos interpretar o sonho de D. Bosco para os dias de hoje? A que podemos comparar os espinhos? Os botões? As flores? As rosas?

(Em conjunto procurar respostas e aprofundar as mesmas)

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amén.

 

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