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Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias”

Bons dias de Março 2011

 

 

 

Olhar fixo na Cruz, Firmes na Fé, rumo à Páscoa 

 

 

< Algumas histórias

DIA 19 DE MARÇO - S. JOSÉ E DIA DO PAI

Para nos “falar” deste grande Santo, eis algumas palavras do Papa Bento XVI no Angelus em 2006. Palavras que retratam bem a figura de S. José na História da Salvação e o modelo que é para todas as famílias.

«Celebra-se hoje, 19 de Março, a solenidade de São José. A Igreja convida-nos a determo-nos hoje em veneração sobre a figura do esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e Padroeiro da Igreja universal. Apraz-me recordar que era muito devoto de São José também o amado Papa João Paulo II.

A figura deste grande Santo, mesmo sendo bastante escondida, reveste na história da salvação uma importância fundamental. Antes de tudo, pertencendo ele à tribo de Judá, ligou Jesus à descendência davídica, de forma que, realizando as promessas sobre o Messias, o Filho da Virgem Maria se pôde tornar verdadeiramente "filho de David".

(…)

Em tudo isto ele demonstrou-se, ao mesmo nível da esposa Maria, herdeiro autêntico da fé de Abraão: fé no Deus que guia os acontecimentos da história segundo o seu misterioso desígnio salvífico. A sua grandeza, ao mesmo nível da de Maria, sobressai ainda mais porque a sua missão se desempenhou na humildade e no escondimento da casa de Nazaré. De resto, o próprio Deus, na Pessoa do seu Filho encarnado, escolheu este caminho e este estilo a humildade e o escondimento na sua existência terrena.

O exemplo de São José é para todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade, simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José obtenha que amem a Igreja com afecto e dedicação total, e ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para que contribuam com as suas várias profissões para o progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a realizar com confiança e com amor a vontade de Deus, cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.»

 

DIA 25 DE MARÇO  ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

Neste dia recorda-se com especial devoção a pequena oração do Angelus, a oração da Anunciação.

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

E Ela concebeu do Espírito Santo.

Avé- Maria…

 

Eis a Serva do Senhor

Faça-se em mim segundo a vossa Palavra.

Avé- Maria…

O Verbo Divino encarnou

E habitou entre nós.

Avé- Maria…

 

Rogai por nós Santa Mãe de Deus,

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oração: Infundi Senhor, nós Vos suplicamos, a Vossa graça em nossas almas, para que nós pela anunciação do Anjo conhecemos a encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, pela Sua paixão e morte de cruz, sejamos conduzidos à glória da ressurreição.

 

Celebramos a solenidade da Anunciação do Senhor, "maravilhoso mistério da fé" à qual Bento XVI dedicou numerosas reflexões, desde o início de seu pontificado. Trata-se de um evento "humilde e discreto", "mas, ao mesmo tempo, decisivo para a história da humanidade". Naquele sim da Virgem ao anúncio do Anjo, começa a nova era da história selada depois na Páscoa como "nova e eterna Aliança", ressalta o pontífice.

Efectivamente, é a alegria de um Anúncio que muda a humanidade para sempre: Bento XVI explica o autêntico significado da saudação que o Anjo fez à Virgem:


"Por si significa 'alegrai-vos'. Somente com esse diálogo do Anjo com Maria começa realmente o Novo Testamento. Assim podemos dizer que a primeira palavra do Novo Testamento é 'alegrai-vos', é 'alegria'."
O Anjo convida Maria a "não temer" e ela confia completamente no Senhor – recorda o papa.

"Maria disse sim à vontade, aparentemente muito grande, para uma pessoa. Normalmente, preferimos a nossa vontade a esse sim que se mostra por vezes tão difícil."

Maria torna-se desse modo um exemplo para todos nós. Mostra-nos a alegria que nasce do fazer a vontade do Pai.

Esta vontade "Parece inicialmente como um peso quase insuportável, um jugo que não pode ser carregado, mas na realidade a vontade de Deus não é um peso. A vontade de Deus dá-nos asas para voar para o alto."

"Imaginemos o estado de ânimo da Virgem após a Anunciação, quando o Anjo se despediu dela. Maria deparou-se com um grande mistério em seu seio materno; sabia que se tinha dado algo de extraordinariamente único; dava-se conta que tinha iniciado o último capítulo da história da salvação do mundo."

O sim de Maria é "o reflexo perfeito do próprio sim de Cristo quando entrou no mundo"
"A obediência do Filho reflecte-se na obediência da Mãe e assim, mediante o encontro desses dois 'sim', Deus pôde assumir uma feição de homem. Eis o motivo pelo qual a Anunciação é também uma festa cristológica, porque celebra um mistério central de Cristo: a sua Encarnação."


"Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa Palavra". "A resposta de Maria ao Anjo prolonga-se na Igreja, chamada a tornar Cristo presente na história, oferecendo a sua disponibilidade para que Deus possa continuar visitando a humanidade com a sua misericórdia."

 

 

ALGUMAS HISTÓRIAS

A ATENÇÃO

«Comecemos talvez de um modo desajeitado, perguntando: o nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata? A pergunta faz-nos sorrir, é um pouco cómica, mas, se quisermos, acaba por colocar-nos perante a nossa realidade de uma forma bastante profunda.

A pergunta pode ser feita numa cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo, pode ser proferida por filósofos nos seus tratados ou pode ser formulada por um mestre espiritual. O nosso mundo interior é uma cebola ou uma batata?

Uma visão espiritual do mundo, por outro lado, está certamente do lado da batata, pois considera que mesmo escondida por uma crosta ou por um véu persiste uma realidade que é substanciosa e vital.

A verdade é que mesmo sabendo que a vida é uma batata, nós vivêmo-la muitas vezes como se fosse uma cebola. Vivemos de opiniões, de verdades parciais e provisórias, de paixões, vivemos aparências e modas como se a vida fosse isso. Esgotamo-nos a desfilar cascas e camadas, sem um centro que nos dê realmente acesso ao pleno sentido. Não habitamos em nós próprios, levados por ideias, pontos de vistas, cascas e mais cascas … o mais urgente seria apurar e aprofundar os nossos sentidos, aprendendo a ver melhor, a sentir melhor, a escutar melhor.

Na vida espiritual também é isso o mais importante. Simone Weil escrevia que ela é fundamentalmente feita de atenção: «é a orientação para Deus de toda a atenção de que a alma é capaz». Da qualidade da atenção depende em muito a qualidade da vida espiritual.

Fundados no silêncio, os sentidos espirituais abrem-se e amadurecem no silêncio. Se mergulharmos neles, tornam-se trilhos para o nosso caminho: «Ama o silêncio acima de todas as coisas; ele concede-te um fruto que à língua é impossível descrever…

Dentro do nosso silêncio nasce alguma coisa que nos atrai ao silêncio. Que Deus te conceda perceber aquilo que nasce do teu silêncio.»

José Tolentino Mendonça

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


O SINO E O TIGRE

Em plena China vivia um monge chamado Fa-Yan. Morava num templo budista. No mesmo templo morava um monge muito humilde de nome Tai Quin que era posto um pouco de lado porque era algo despistado.

Um dia, depois das orações diárias, o sábio Fa-Yan perguntou aos seus irmãos do mosteiro:

- Se um tigre aparecesse com um sino amarrado ao pescoço, quem poderia desatá-lo?

Todos ficaram perplexos, pois desatar o sino do pescoço de um tigre seria uma imprudência. O tigre é um animal temido por todas as pessoas pelo comportamento que tem. É impossível uma pessoa aproximar-se do seu pescoço e tirar-lhe o sino. Por isso, enquanto pensavam e pensavam, ninguém arriscava dar uma resposta válida.

Nesse momento entrou o monge Tai Quin, e o sábio mestre repetiu a pergunta. O monge que tinha acabado de entrar respondeu sem pensar.

- O sino deve ser desatado por quem o atou.

Esta frase tão corrente converteu-se, como o passar dos anos, num refrão que as pessoas, um pouco por todo o mundo, quer dizer «Deve resolver o problema quem o criou». 

 

Reflexão:

Esta pequena história leva-nos à vivência da responsabilidade. Temos de crescer a saber que somos responsáveis pelos nossos actos. Perdi uma camisola, tenho a responsabilidade de a ir procurar; disseram para trazer um material diferente para a aula… tenho a responsabilidade de o trazer e não arranjar estratégias para desculpar; fiquei de fazer algo para um trabalho de grupo… tenho a responsabilidade de mostrar o que fiz; tenho um trabalho para apresentar… tenho a responsabilidade de trazer o que preciso para que corra bem a apresentação; e por aí fora…

Já agora, vala a pena pensar nisto…

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


DECÁLOGO DO SORRISO

Ao começar mais um dia temos de pensar nas oportunidades que surgem na nossa vida e que nos ajudam na nossa formação. Seria muito bom se começássemos cada dia com um sorriso. Um dia alguém escreveu, também para chamar à atenção «O Decálogo do Sorriso» e com o seguinte texto:

  • O que custa sorrir? Nada.

  • Quanto pode produzir? Muito

  • Quanto tempo dura? Um instante

  • A recordação de um sorriso? Por toda a vida.

  • Quem é tão pobre que não possa sorrir? Ninguém.

  • Quem é tão rico, que não precise dele? Ninguém.

  • Empobrece-se quando se dá? Não, muito pelo contrário, enriquece-se.

  • Quem precisa mais de um sorriso? Quem não tem nada para dar.

  • Qual é o valor social de um sorriso? Substitui qualquer palavra.

  • Qual deve ser o nosso compromisso? Sorrir sempre!

Oração:

Senhor,

Desde o silêncio deste novo dia, venho pedir paz, sabedoria e fortaleza.

Quero olhar o mundo com os olhos cheios de amor; quero ser paciente, compreensivo e amável.

Quero ver para além das aparências, os teus filhos, meus irmãos, como tu os vês, para ver o lado bom de cada um.

 

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


A MOEDA PERDIDA

Fazendo um pouco de zapping pelo Evangelho, encontramos um relato que Jesus contava às pessoas do seu tempo. A parábola da dracma/ moeda perdida. Diz assim:

«Qual é a mulher que tendo dez moedas e perdendo uma, ilumina a casa, varre e procura cuidadosamente até a encontrar? E quando a encontra, reúne as amigas e vizinhas e diz-lhes: Alegrem-se comigo porque encontrei a moeda que tinha perdido. Assim vos digo que haverá mais alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.»

 

Parece que o zelo e o interesse da mulher eram exagerados perante um valor insignificante de uma moeda, mas mesmo assim não deixa de procurar até encontrar a moeda.

Mais uma vez Jesus ensina que um só pecador – por pequeno e insignificante que seja humanamente – é motivo máximo interesse para Deus. E de novo a alegria é manifestação do perdão por aquilo que não parecia nada, e é tanto para Deus. Cristo é portador de perdão do novo reino; o reino do perdão e da misericórdia está de portas abertas para acolher todos.

Uma vez, um educador dizia que a vida é feita de pequenos detalhes. Pequenos detalhes como a pequena moeda perdida que deveria ser encontrada a todo o custo.

No início deste dia, sejamos cuidadosos e sensíveis a todas as coisas pequenas; que tenhamos pequenos detalhes com os nossos colegas, não deixemos ninguém de lado. Com estas pequenas coisas, a vida apresenta-se muito melhor.

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


A BALANÇA 

«Sonhei que não existia. Tinha concluído os meus dias aqui na terra e encontrava-me entre as nuvens do céu. Apenas os olhos se foram habituando à luz forte e brilhante, vi uma longa fila de pessoas à minha frente. Já esperava por isto: todos numa fila esperando pelo juízo final.

À medida que caminhava, começava a ver uma figura barbuda. A expressão era de humildade e doçura, e mesmo assim as rugas que marcavam a fronte davam-lhe um aspecto autoritário. Presas na túnica branca, um molho de chaves grossas douradas, na mão tinha uma balança. Pensava para comigo: Afinal é tudo verdade!

Por cada alma que se apresentava à sua frente, anotava algo no pergaminho. Brevemente seria a minha vez. Decidido a não chegar junto dele mal preparado, percorri a minha vida, de cima a baixo, recordando todas as culpas cometidas, e por fim aquelas mais insignificantes de quando era criança. Finalmente chegou a minha vez: aproximei-me timidamente enquanto o juiz colocava a balança na minha direcção. Estava para começar a contar todos os meus pecados e qual não foi a minha surpresa quando me perguntou:

- Filho, quanto amaste?»

 

Reflexão:

Pensamos sempre que quando chega a nossa vez temos de ter em conta tudo o que fizemos, mas para Deus conta todo o amor que tivemos ao fazer as coisas. Quanto amamos o que fizemos, dissemos, pensamos… Isto será o nosso juízo final…

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


A ESPADA MÁGICA 

Existe uma história muito, muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de testar A sua habilidade com as armas, no torneio local.
 

«Certo dia, os seus amigos quiseram pregar-lhe uma partida e deram-lhe de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate.
Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada.

A cada torneio, a notícia de sua maestria espalhava-se e não tardou a ser aclamado como o primeiro cavaleiro do reino. Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum.

Imediatamente o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror. De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa na garganta e os dedos perderam a força. Incapaz de continuar acreditando na espada, ele já não acreditava mais em si mesmo. E nunca mais competiu.»


Reflexão:
Será que precisamos de uma "Espada Mágica" na nossa vida ou temos consciência do nosso valor e do nosso potencial?

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


A FÁBULA DA CONVIVÊNCIA

Embora seja conhecida, nunca é demais ter em conta esta fabulosa fábula:

 

«Durante uma era glacial muito remota, quando parte do globo terrestre estava coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições de clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a unir-se, ajuntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.

Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começam a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor vital, questão de vida ou morte.

E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportar mais tempo os espinhos de seus semelhantes.

Doíam muito...

Mas essa não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer.

Os que não morreram voltaram a aproximar-se, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unido, cada um conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar nenhum dano recíproco.

Assim suportaram-se resistindo à era glacial. Sobreviveram.

 

Reflexão:

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar o silêncio!

É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar!

É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração!

É fácil apertar as mãos, difícil é reter o seu calor!

É fácil sentir o amor, difícil é conter a sua torrente!

“Todos nós somos anjos de uma asa só e, para voarmos precisamos estar abraçados uns aos outros”.

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


SALTAR NO ESCURO... E NÃO OLHAR PARA TRÁS

Hoje começamos com a Palavra de Deus.

«Depois, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: «Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.» «Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou». (Mateus 14, 22-32)

 

«Às primeiras horas da madrugada, o som de um alarme de incêndio interrompeu o silêncio e, no momento exacto, despertou uma família para o choque de ver a sua casa envolvida pelas chamas. Sem tempo para salvar o que quer que fosse a não ser as suas próprias vidas, desceram as escadas a correr e escaparam para a escuridão. Ainda a recuperar o fôlego, o Pai contava os filhos: «João, Ana, Maria, Miguel... – onde está o Miguel?»

Naquele preciso momento, o Miguel, de cinco anos, chorava de uma das janelas do primeiro andar: «Mãe! Pai! Onde estão?»

Era demasiado tarde para voltar a entrar – a casa estava um inferno – pelo que o Pai respondeu: «Salta, Miguel, que eu seguro-te».

Entre soluços, a criança chorava: «Mas eu não consigo ver-te, papá!»

O pai respondeu-lhe calmamente: «Eu sei que não me consegues ver, filho, mas eu vejo-te. Salta!»

Durante alguns instantes não houve nada a não ser o silêncio. Então o rapaz saltou para a escuridão e encontrou a segurança nos braços do pai.»

 

Reflexão: 

Nós somos aquela criança, todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair, sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo andar sobre a água em direcção a Jesus, mas hesitamos e deixamo-nos submergir.

«O medo é inútil», disse muitas vezes Jesus. «O que é preciso é fé». Está certo, mas a fé de que Ele fala não é o que muitos de nós pensamos. Não se tratam de abstracções teológicas. Trata-se de nos confiarmos às mãos de Deus porque sabemos que Ele nos ama mais do que nós nos amamos a nós mesmos.

Mas a fé tem ainda outro lado: os talentos e dons que Deus nos deu porque Ele teve fé em nós. Pedro perdeu a fé nos dons que Deus lhe havia dado e esperou que Deus resolvesse o problema. Resultado: afundou-se! Confiar em Deus significa também confiar nos seus dons. E confiar nos seus dons significa usá-los.

Há uma antiga expressão que diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário, mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons. Pode ajudar recordar as palavras escritas há mais de 50 anos na parede do gueto de Varsóvia:

Acredito no sol, ainda que não brilhe.

Acredito no amor, ainda que não o sinta.

Acredito em Deus, ainda que não O veja.

Confie em Deus e confie nos dons que Ele lhe deu. Ou seja, use os seus dons. E então salte! E nunca olhe para trás!

Mons. Dennis Clark

In Catholic Exchange

 


O SACO DE CARVÃO

O pequeno Zeca entrou em casa, batendo os pés no assoalho com força. O pai, que se dirigia à horta para fazer alguns serviços, chama o rapaz para uma conversa. O Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado.

Antes que o pai dissesse alguma coisa, fala irritado:

-Pai, estou com muita raiva. O Pedro não deveria ter feito isso comigo. Desejo tudo de mau para ele.

O pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:

-O Pedro humilhou-me na frente dos meus amigos. Não aceito isso! Queria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.

O pai escutava tudo calado enquanto caminhava até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e rapaz acompanhou-o calado. O Zeca vê o saco ser aberto e, antes mesmo que pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe-lhe algo:

-Filho, faz de conta que aquela camisa limpinha que está a secar na corda é o teu amigo Pedro, e que cada pedaço de carvão é um mau pensamento teu dirigido a ele. Quero que lances todo o carvão do saco na camisa, até ao último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.”

 

O Zeca encarou aquilo como uma brincadeira e pôs mãos à obra. A corda com a camisa estava longe, e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora depois terminou a tarefa. O pai, retorna e pergunta-lhe:

- Filho, como te sentes, agora?

-Cansado, mas alegre. Acertei muitos pedaços de carvão na camisa.

O pai olha para o rapaz que não entendeu a razão daquela brincadeira, e com carinho disse-lhe:

- Anda comigo até ao meu quarto, pois quero mostrar-te uma coisa.

Chegados ao quarto, o Zeca é colocado diante  de  um espelho, onde vê  todo  o seu  corpo. Que susto! Apenas se via os dentes  e os olhos . O pai, então, disse-lhe ternamente:

- Filho, tu viste que a camisa estendida na corda quase não ficou suja, mas olha para ti. O mal que desejamos aos outros é como o que te aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos.”

 

Reflexão:

“Cuidado com os teus pensamentos: eles transformam-se em palavras.

Cuidado com as tuas palavras: elas transformam-se em acções.”

Cuidado com as tuas acções: elas transformam-se em hábitos.

Cuidado com os teus hábitos: eles moldam o teu carácter.

Cuidado com o teu carácter: ele decidirá o teu destino.” 

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 


O PODER DA ORAÇÃO 

«Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, aproximou-se do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e pediu-lhe fiado alguns mantimentos. Ela explicou que o marido estava muito doente e não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.

O dono do armazém troçou com dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.

Pensando na necessidade da sua família ela implorou:

- Por favor senhor, eu darei o dinheiro assim que eu tiver....

E ele respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.

Em pé no balcão ao lado, um cliente que assistia à conversa entre os dois aproximou-se do dono do armazém e disse-lhe que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a família, por sua conta.

Então o comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:

- Tem uma lista de mantimentos?

- Sim- respondeu ela.

- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos!

A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e colocou-o suavemente na balança.

Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu em baixo.

Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu cliente e comentou contrariado:

 - Eu não posso acreditar!.

O cliente sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.

Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou a colocar mais e mais mantimentos até não caber mais nada.

O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que tinha acontecido...

Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia:

"Meu Senhor, o Senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em Suas mãos..."

O homem deu os mantimentos à pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e deixou o armazém.

O cliente pagou a conta e disse:

- Valeu cada centavo.."

 

Reflexão:

Só Deus sabe o quanto pesa uma oração... Muitas pessoas acham que a oração é um desperdício de tempo, uma seca, que não se faz nada. Também depende que tipo de oração se faz com quem se partilha, onde. Mas a oração feita no silêncio que reza pelas necessidades da humanidade, sem se fazer ver, nesta situação a oração é importante. A oração fortalece-nos por dentro, permite-nos “voar” pelos corredores do nosso coração

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

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