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DIA 19 DE MARÇO - S. JOSÉ E
DIA DO PAI
Para nos “falar” deste grande
Santo, eis algumas palavras do Papa Bento XVI no Angelus
em 2006. Palavras que retratam bem a figura de S. José
na História da Salvação e o modelo que é para todas as
famílias.
«Celebra-se hoje, 19 de Março,
a solenidade de São José. A Igreja convida-nos a determo-nos
hoje em veneração sobre a figura do esposo da Bem-Aventurada
Virgem Maria e Padroeiro da Igreja universal. Apraz-me
recordar que era muito devoto de São José também o amado
Papa João Paulo II.
A figura deste grande Santo,
mesmo sendo bastante escondida, reveste na história da
salvação uma importância fundamental. Antes de tudo,
pertencendo ele à tribo de Judá, ligou Jesus à descendência
davídica, de forma que, realizando as promessas sobre o
Messias, o Filho da Virgem Maria se pôde tornar
verdadeiramente "filho de David".
(…)
Em tudo isto ele
demonstrou-se, ao mesmo nível da esposa Maria, herdeiro
autêntico da fé de Abraão: fé no Deus que guia os
acontecimentos da história segundo o seu misterioso desígnio
salvífico. A sua grandeza, ao mesmo nível da de Maria,
sobressai ainda mais porque a sua missão se desempenhou na
humildade e no escondimento da casa de Nazaré. De resto, o
próprio Deus, na Pessoa do seu Filho encarnado, escolheu
este caminho e este estilo a humildade e o escondimento na
sua existência terrena.
O exemplo de São José é para
todos nós um forte convite a desempenhar com fidelidade,
simplicidade e humildade a tarefa que a Providência nos
destinou. Penso antes de tudo, nos pais e nas mães de
família, e rezo para que saibam sempre apreciar a beleza de
uma vida simples e laboriosa, cultivando com solicitude o
relacionamento conjugal e cumprindo com entusiasmo a grande
e difícil missão educativa. Aos sacerdotes, que exercem a
paternidade em relação às comunidades eclesiais, São José
obtenha que amem a Igreja com afecto e dedicação total, e
ampare as pessoas consagradas na sua jubilosa e fiel
observância dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade
e obediência. Proteja os trabalhadores de todo o mundo, para
que contribuam com as suas várias profissões para o
progresso de toda a humanidade, e ajude cada cristão a
realizar com confiança e com amor a vontade de Deus,
cooperando assim para o cumprimento da obra da salvação.»
DIA 25 DE MARÇO
ANUNCIAÇÃO DO SENHOR
Neste dia recorda-se com
especial devoção a pequena oração do Angelus, a
oração da Anunciação.
O Anjo do Senhor anunciou
a Maria
E Ela concebeu do Espírito
Santo.
Avé- Maria…
Eis a Serva do Senhor
Faça-se em mim segundo a
vossa Palavra.
Avé- Maria…
O Verbo Divino encarnou
E habitou entre nós.
Avé- Maria…
Rogai por nós Santa Mãe de
Deus,
Para que sejamos dignos
das promessas de Cristo.
Oração:
Infundi Senhor, nós Vos suplicamos, a Vossa graça em
nossas almas, para que nós pela anunciação do Anjo
conhecemos a encarnação de Jesus Cristo, Vosso Filho, pela
Sua paixão e morte de cruz, sejamos conduzidos à glória da
ressurreição.
Celebramos a solenidade da Anunciação do
Senhor, "maravilhoso mistério da fé" à qual Bento XVI
dedicou numerosas reflexões, desde o início de seu
pontificado. Trata-se de um evento "humilde e discreto",
"mas, ao mesmo tempo, decisivo para a história da
humanidade". Naquele sim da Virgem ao anúncio do Anjo,
começa a nova era da história selada depois na Páscoa como
"nova e eterna Aliança", ressalta o pontífice.
Efectivamente, é a alegria de um Anúncio que muda a
humanidade para sempre: Bento XVI explica o autêntico
significado da saudação que o Anjo fez à Virgem:
"Por si significa 'alegrai-vos'. Somente com esse diálogo
do Anjo com Maria começa realmente o Novo Testamento. Assim
podemos dizer que a primeira palavra do Novo Testamento é
'alegrai-vos', é 'alegria'."
O Anjo convida Maria a "não temer" e ela confia
completamente no Senhor – recorda o papa.
"Maria disse sim à vontade, aparentemente muito grande,
para uma pessoa. Normalmente, preferimos a nossa vontade a
esse sim que se mostra por vezes tão difícil."
Maria torna-se desse modo um
exemplo para todos nós. Mostra-nos a alegria que nasce do
fazer a vontade do Pai.
Esta vontade "Parece
inicialmente como um peso quase insuportável, um jugo que
não pode ser carregado, mas na realidade a vontade de Deus
não é um peso. A vontade de Deus dá-nos asas para voar para
o alto."
"Imaginemos o estado de ânimo da Virgem após a
Anunciação, quando o Anjo se despediu dela. Maria deparou-se
com um grande mistério em seu seio materno; sabia que se
tinha dado algo de extraordinariamente único; dava-se conta
que tinha iniciado o último capítulo da história da salvação
do mundo."
O sim de Maria é "o reflexo perfeito do próprio sim de
Cristo quando entrou no mundo"
"A obediência do Filho reflecte-se na obediência da Mãe e
assim, mediante o encontro desses dois 'sim', Deus pôde
assumir uma feição de homem. Eis o motivo pelo qual a
Anunciação é também uma festa cristológica, porque celebra
um mistério central de Cristo: a sua Encarnação."
"Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a vossa
Palavra". "A resposta de Maria ao Anjo prolonga-se na
Igreja, chamada a tornar Cristo presente na história,
oferecendo a sua disponibilidade para que Deus possa
continuar visitando a humanidade com a sua misericórdia."
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ALGUMAS HISTÓRIAS |
A ATENÇÃO
«Comecemos talvez de um modo
desajeitado, perguntando: o nosso mundo interior é uma
cebola ou uma batata? A pergunta faz-nos sorrir, é um pouco
cómica, mas, se quisermos, acaba por colocar-nos perante a
nossa realidade de uma forma bastante profunda.
A pergunta pode ser feita numa
cozinha, por uma criança que está a descobrir o mundo, pode
ser proferida por filósofos nos seus tratados ou pode ser
formulada por um mestre espiritual. O nosso mundo interior é
uma cebola ou uma batata?
Uma visão espiritual do mundo,
por outro lado, está certamente do lado da batata, pois
considera que mesmo escondida por uma crosta ou por um véu
persiste uma realidade que é substanciosa e vital.
A verdade é que mesmo sabendo
que a vida é uma batata, nós vivêmo-la muitas vezes como se
fosse uma cebola. Vivemos de opiniões, de verdades parciais
e provisórias, de paixões, vivemos aparências e modas como
se a vida fosse isso. Esgotamo-nos a desfilar cascas e
camadas, sem um centro que nos dê realmente acesso ao pleno
sentido. Não habitamos em nós próprios, levados por ideias,
pontos de vistas, cascas e mais cascas … o mais urgente
seria apurar e aprofundar os nossos sentidos, aprendendo a
ver melhor, a sentir melhor, a escutar melhor.
Na vida espiritual também é
isso o mais importante. Simone Weil escrevia que ela é
fundamentalmente feita de atenção: «é a orientação para Deus
de toda a atenção de que a alma é capaz». Da qualidade da
atenção depende em muito a qualidade da vida espiritual.
Fundados no silêncio, os
sentidos espirituais abrem-se e amadurecem no silêncio. Se
mergulharmos neles, tornam-se trilhos para o nosso caminho:
«Ama o silêncio acima de todas as coisas; ele concede-te um
fruto que à língua é impossível descrever…
Dentro do nosso silêncio nasce
alguma coisa que nos atrai ao silêncio. Que Deus te conceda
perceber aquilo que nasce do teu silêncio.»
José Tolentino Mendonça
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
O SINO E O TIGRE
Em plena China vivia um monge
chamado Fa-Yan. Morava num templo budista. No mesmo templo
morava um monge muito humilde de nome Tai Quin que era posto
um pouco de lado porque era algo despistado.
Um dia, depois das orações
diárias, o sábio Fa-Yan perguntou aos seus irmãos do
mosteiro:
- Se um tigre aparecesse com
um sino amarrado ao pescoço, quem poderia desatá-lo?
Todos ficaram perplexos, pois
desatar o sino do pescoço de um tigre seria uma imprudência.
O tigre é um animal temido por todas as pessoas pelo
comportamento que tem. É impossível uma pessoa aproximar-se
do seu pescoço e tirar-lhe o sino. Por isso, enquanto
pensavam e pensavam, ninguém arriscava dar uma resposta
válida.
Nesse momento entrou o monge
Tai Quin, e o sábio mestre repetiu a pergunta. O monge que
tinha acabado de entrar respondeu sem pensar.
- O sino deve ser desatado por
quem o atou.
Esta frase tão corrente
converteu-se, como o passar dos anos, num refrão que as
pessoas, um pouco por todo o mundo, quer dizer «Deve
resolver o problema quem o criou».
Reflexão:
Esta pequena história leva-nos
à vivência da responsabilidade. Temos de crescer a saber que
somos responsáveis pelos nossos actos. Perdi uma camisola,
tenho a responsabilidade de a ir procurar; disseram para
trazer um material diferente para a aula… tenho a
responsabilidade de o trazer e não arranjar estratégias para
desculpar; fiquei de fazer algo para um trabalho de grupo…
tenho a responsabilidade de mostrar o que fiz; tenho um
trabalho para apresentar… tenho a responsabilidade de trazer
o que preciso para que corra bem a apresentação; e por aí
fora…
Já agora, vala a pena pensar
nisto…
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
DECÁLOGO DO SORRISO
Ao começar mais um dia temos
de pensar nas oportunidades que surgem na nossa vida e que
nos ajudam na nossa formação. Seria muito bom se
começássemos cada dia com um sorriso. Um dia alguém
escreveu, também para chamar à atenção «O Decálogo do
Sorriso» e com o seguinte texto:
-
O que custa sorrir? Nada.
-
Quanto pode produzir?
Muito
-
Quanto tempo dura? Um
instante
-
A recordação de um
sorriso? Por toda a vida.
-
Quem é tão pobre que não
possa sorrir? Ninguém.
-
Quem é tão rico, que não
precise dele? Ninguém.
-
Empobrece-se quando se dá?
Não, muito pelo contrário, enriquece-se.
-
Quem precisa mais de um
sorriso? Quem não tem nada para dar.
-
Qual é o valor social de
um sorriso? Substitui qualquer palavra.
-
Qual deve ser o nosso
compromisso? Sorrir sempre!
Oração:
Senhor,
Desde o silêncio deste novo
dia, venho pedir paz, sabedoria e fortaleza.
Quero olhar o mundo com os
olhos cheios de amor; quero ser paciente, compreensivo e
amável.
Quero ver para além das
aparências, os teus filhos, meus irmãos, como tu os vês,
para ver o lado bom de cada um.
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
A MOEDA PERDIDA
Fazendo um pouco de zapping
pelo Evangelho, encontramos um relato que Jesus contava às
pessoas do seu tempo. A parábola da dracma/ moeda perdida.
Diz assim:
«Qual é a mulher que tendo dez
moedas e perdendo uma, ilumina a casa, varre e procura
cuidadosamente até a encontrar? E quando a encontra, reúne
as amigas e vizinhas e diz-lhes: Alegrem-se comigo porque
encontrei a moeda que tinha perdido. Assim vos digo que
haverá mais alegria entre os anjos de Deus por um só pecador
que se arrependa.»
Parece que o zelo e o
interesse da mulher eram exagerados perante um valor
insignificante de uma moeda, mas mesmo assim não deixa de
procurar até encontrar a moeda.
Mais uma vez Jesus ensina que
um só pecador – por pequeno e insignificante que seja
humanamente – é motivo máximo interesse para Deus. E de novo
a alegria é manifestação do perdão por aquilo que não
parecia nada, e é tanto para Deus. Cristo é portador de
perdão do novo reino; o reino do perdão e da misericórdia
está de portas abertas para acolher todos.
Uma vez, um educador dizia que
a vida é feita de pequenos detalhes. Pequenos detalhes como
a pequena moeda perdida que deveria ser encontrada a todo o
custo.
No início deste dia, sejamos
cuidadosos e sensíveis a todas as coisas pequenas; que
tenhamos pequenos detalhes com os nossos colegas, não
deixemos ninguém de lado. Com estas pequenas coisas, a vida
apresenta-se muito melhor.
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
A BALANÇA
«Sonhei que não existia. Tinha
concluído os meus dias aqui na terra e encontrava-me entre
as nuvens do céu. Apenas os olhos se foram habituando à luz
forte e brilhante, vi uma longa fila de pessoas à minha
frente. Já esperava por isto: todos numa fila esperando pelo
juízo final.
À medida que caminhava,
começava a ver uma figura barbuda. A expressão era de
humildade e doçura, e mesmo assim as rugas que marcavam a
fronte davam-lhe um aspecto autoritário. Presas na túnica
branca, um molho de chaves grossas douradas, na mão tinha
uma balança. Pensava para comigo: Afinal é tudo verdade!
Por cada alma que se
apresentava à sua frente, anotava algo no pergaminho.
Brevemente seria a minha vez. Decidido a não chegar junto
dele mal preparado, percorri a minha vida, de cima a baixo,
recordando todas as culpas cometidas, e por fim aquelas mais
insignificantes de quando era criança. Finalmente chegou a
minha vez: aproximei-me timidamente enquanto o juiz colocava
a balança na minha direcção. Estava para começar a contar
todos os meus pecados e qual não foi a minha surpresa quando
me perguntou:
- Filho, quanto amaste?»
Reflexão:
Pensamos sempre que quando
chega a nossa vez temos de ter em conta tudo o que fizemos,
mas para Deus conta todo o amor que tivemos ao fazer as
coisas. Quanto amamos o que fizemos, dissemos, pensamos…
Isto será o nosso juízo final…
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
A ESPADA MÁGICA
Existe uma história muito,
muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes
armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de
testar A sua habilidade com as armas, no torneio local.
«Certo dia, os seus amigos
quiseram pregar-lhe uma partida e deram-lhe de presente uma
espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O
homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate.
Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em
uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais
vira tanta velocidade e ousadia na espada.
A cada torneio, a notícia de
sua maestria espalhava-se e não tardou a ser aclamado como o
primeiro cavaleiro do reino. Por fim, achando que não faria
mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira,
confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era
só uma espada comum.
Imediatamente o jovem
cavaleiro foi dominado pelo terror. De pé na extremidade da
área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou
presa na garganta e os dedos perderam a força. Incapaz de
continuar acreditando na espada, ele já não acreditava mais
em si mesmo. E nunca mais competiu.»
Reflexão:
Será que precisamos de uma "Espada Mágica" na nossa vida ou
temos consciência do nosso valor e do nosso potencial?
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
A FÁBULA DA CONVIVÊNCIA
Embora seja conhecida, nunca é
demais ter em conta esta fabulosa fábula:
«Durante uma era glacial muito
remota, quando parte do globo terrestre estava coberto por
densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao
frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às
condições de clima hostil.
Foi então que uma grande
manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e
sobreviver, começou a unir-se, ajuntar-se mais e mais.
Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E
todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente,
aqueciam-se enfrentando por mais tempo aquele inverno
tenebroso.
Porém, vida ingrata, os
espinhos de cada um começam a ferir os companheiros mais
próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor
vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos,
magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportar mais
tempo os espinhos de seus semelhantes.
Doíam muito...
Mas essa não foi a melhor
solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer.
Os que não morreram voltaram a
aproximar-se, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de
tal forma que, unido, cada um conservava uma certa distância
do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir,
para sobreviver sem magoar, sem causar nenhum dano
recíproco.
Assim suportaram-se resistindo
à era glacial. Sobreviveram.
Reflexão:
É fácil trocar palavras,
difícil é interpretar o silêncio!
É fácil caminhar lado a lado,
difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
difícil é reter o seu calor!
É fácil sentir o amor, difícil
é conter a sua torrente!
“Todos nós somos anjos de
uma asa só e, para voarmos precisamos estar abraçados uns
aos outros”.
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
SALTAR NO ESCURO... E NÃO
OLHAR PARA TRÁS
Hoje começamos com a Palavra
de Deus.
«Depois, Jesus obrigou os
discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem,
enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu,
subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite,
estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de
metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era
contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando
sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos
assustaram-se e disseram: «É um fantasma!» E gritaram com
medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo:
«Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!» Pedro respondeu-lhe:
«Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas.»
«Vem» - disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco,
caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo
a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo,
gritou: «Salva-me, Senhor!» Imediatamente Jesus estendeu-lhe
a mão, segurou-o e disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque
duvidaste?» E, quando entraram no barco, o vento amainou».
(Mateus 14, 22-32)
«Às primeiras horas da
madrugada, o som de um alarme de incêndio interrompeu o
silêncio e, no momento exacto, despertou uma família para o
choque de ver a sua casa envolvida pelas chamas. Sem tempo
para salvar o que quer que fosse a não ser as suas próprias
vidas, desceram as escadas a correr e escaparam para a
escuridão. Ainda a recuperar o fôlego, o Pai contava os
filhos: «João, Ana, Maria, Miguel... – onde está o Miguel?»
Naquele preciso momento, o
Miguel, de cinco anos, chorava de uma das janelas do
primeiro andar: «Mãe! Pai! Onde estão?»
Era demasiado tarde para
voltar a entrar – a casa estava um inferno – pelo que o Pai
respondeu: «Salta, Miguel, que eu seguro-te».
Entre soluços, a criança
chorava: «Mas eu não consigo ver-te, papá!»
O pai respondeu-lhe
calmamente: «Eu sei que não me consegues ver, filho, mas eu
vejo-te. Salta!»
Durante alguns instantes não
houve nada a não ser o silêncio. Então o rapaz saltou para a
escuridão e encontrou a segurança nos braços do pai.»
Reflexão:
Nós somos aquela criança,
todos nós, todos os dias: apanhados no escuro, precisando e
querendo saltar, mas incapazes de ver onde vamos cair,
sentindo-nos sós e assustados. Somos também Pedro, querendo
andar sobre a água em direcção a Jesus, mas hesitamos e
deixamo-nos submergir.
«O medo é inútil», disse
muitas vezes Jesus. «O que é preciso é fé». Está certo, mas
a fé de que Ele fala não é o que muitos de nós pensamos. Não
se tratam de abstracções teológicas. Trata-se de nos
confiarmos às mãos de Deus porque sabemos que Ele nos ama
mais do que nós nos amamos a nós mesmos.
Mas a fé tem ainda outro lado:
os talentos e dons que Deus nos deu porque Ele teve fé em
nós. Pedro perdeu a fé nos dons que Deus lhe havia dado e
esperou que Deus resolvesse o problema. Resultado:
afundou-se! Confiar em Deus significa também confiar nos
seus dons. E confiar nos seus dons significa usá-los.
Há uma antiga expressão que
diz: Trabalha como se tudo dependesse de ti, e reza como se
tudo dependesse de Deus. É precisamente o que é necessário,
mas não é fácil aplicá-lo porque não conseguimos ver Deus, e
demasiadas vezes não conseguimos ver os nossos dons. Pode
ajudar recordar as palavras escritas há mais de 50 anos na
parede do gueto de Varsóvia:
Acredito no sol, ainda que não
brilhe.
Acredito no amor, ainda que
não o sinta.
Acredito em Deus, ainda que
não O veja.
Confie em Deus e confie nos
dons que Ele lhe deu. Ou seja, use os seus dons. E então
salte! E nunca olhe para trás!
Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
O SACO DE CARVÃO
O pequeno Zeca entrou em casa,
batendo os pés no assoalho com força. O pai, que se dirigia
à horta para fazer alguns serviços, chama o rapaz para uma
conversa. O Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o
desconfiado.
Antes que o pai dissesse
alguma coisa, fala irritado:
-Pai, estou com muita raiva. O
Pedro não deveria ter feito isso comigo. Desejo tudo de mau
para ele.
O pai, um homem simples, mas
cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a
reclamar:
-O Pedro humilhou-me na frente
dos meus amigos. Não aceito isso! Queria que ele ficasse
doente sem poder ir à escola.
O pai escutava tudo calado
enquanto caminhava até um abrigo onde guardava um saco cheio
de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e rapaz
acompanhou-o calado. O Zeca vê o saco ser aberto e, antes
mesmo que pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe-lhe algo:
-Filho, faz de conta que
aquela camisa limpinha que está a secar na corda é o teu
amigo Pedro, e que cada pedaço de carvão é um mau pensamento
teu dirigido a ele. Quero que lances todo o carvão do saco
na camisa, até ao último pedaço. Depois eu volto para ver
como ficou.”
O Zeca encarou aquilo como uma
brincadeira e pôs mãos à obra. A corda com a camisa estava
longe, e poucos pedaços acertavam o alvo. Uma hora depois
terminou a tarefa. O pai, retorna e pergunta-lhe:
- Filho, como te sentes,
agora?
-Cansado, mas alegre. Acertei
muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o rapaz que
não entendeu a razão daquela brincadeira, e com carinho
disse-lhe:
- Anda comigo até ao meu
quarto, pois quero mostrar-te uma coisa.
Chegados ao quarto, o Zeca é
colocado diante de um espelho, onde vê todo o seu
corpo. Que susto! Apenas se via os dentes e os olhos . O
pai, então, disse-lhe ternamente:
- Filho, tu viste que a camisa
estendida na corda quase não ficou suja, mas olha para ti. O
mal que desejamos aos outros é como o que te aconteceu. Por
mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos
pensamentos, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós
mesmos.”
Reflexão:
“Cuidado com os teus
pensamentos: eles transformam-se em palavras.
Cuidado com as tuas palavras:
elas transformam-se em acções.”
Cuidado com as tuas acções:
elas transformam-se em hábitos.
Cuidado com os teus hábitos:
eles moldam o teu carácter.
Cuidado com o teu carácter:
ele decidirá o teu destino.”
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
O PODER DA ORAÇÃO
«Uma pobre senhora, com
visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num
armazém, aproximou-se do proprietário conhecido pelo seu
jeito grosseiro, e pediu-lhe fiado alguns mantimentos. Ela
explicou que o marido estava muito doente e não podia
trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.
O dono do armazém troçou com
dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.
Pensando na necessidade da sua
família ela implorou:
- Por favor senhor, eu darei o
dinheiro assim que eu tiver....
E ele respondeu que ela não
tinha crédito e nem conta na sua loja.
Em pé no balcão ao lado, um
cliente que assistia à conversa entre os dois aproximou-se
do dono do armazém e disse-lhe que ele deveria dar o que
aquela mulher necessitava para a família, por sua conta.
Então o comerciante falou meio
relutante para a pobre mulher:
- Tem uma lista de
mantimentos?
- Sim- respondeu ela.
- Muito bem, coloque a sua
lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em
mantimentos!
A pobre mulher hesitou por uns
instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço
de papel, escreveu alguma coisa e colocou-o suavemente na
balança.
Os três ficaram admirados
quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu em
baixo.
Completamente pasmado com o
marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para
o seu cliente e comentou contrariado:
- Eu não posso acreditar!.
O cliente sorriu e o homem
começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.
Como a escala da balança não
equilibrava, ele continuou a colocar mais e mais mantimentos
até não caber mais nada.
O comerciante ficou parado ali
por uns instantes olhando para a balança, tentando entender
o que tinha acontecido...
Finalmente, ele pegou o pedaço
de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista
de compras e sim uma oração que dizia:
"Meu Senhor, o Senhor conhece
as minhas necessidades e eu estou deixando isto em Suas
mãos..."
O homem deu os mantimentos à
pobre mulher no mais completo silêncio, que agradeceu e
deixou o armazém.
O cliente pagou a conta e
disse:
- Valeu cada centavo.."
Reflexão:
Só Deus sabe o quanto pesa uma
oração... Muitas pessoas acham que a oração é um desperdício
de tempo, uma seca, que não se faz nada. Também depende que
tipo de oração se faz com quem se partilha, onde. Mas a
oração feita no silêncio que reza pelas necessidades da
humanidade, sem se fazer ver, nesta situação a oração é
importante. A oração fortalece-nos por dentro, permite-nos
“voar” pelos corredores do nosso coração
Oração:
Avé Maria… Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós. Em nome do pai do Filho e do
Espírito Santo. Amém.
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