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Cresci numa família de fé tradicional, onde fiz o
percurso normal da catequese e de prática de vida
cristã. Porém, foi por volta dos 15 anos que
‘descobri’ de facto Jesus Cristo; Ele passou a fazer
parte da minha vida enquanto sentido e resposta!
Senti-me interpelada a uma caminhada de crescimento
na fé e a viver de forma coerente e responsável, com
envolvimento e empenho na Paróquia, no grupo de
jovens e dando catequese. Neste sentido, procurei
orientação espiritual. Fui questionada
vocacionalmente, mas nesta idade achava que ser
religiosa não era para mim.
Só
mais tarde, por volta dos 18 anos, me questionei
existencialmente, diante de mim, do mundo e de Deus:
o que vou fazer com a minha vida? Como posso ser
útil aos outros? O que quer Deus de mim?
Não me sentia bem no fazer como todos os jovens, no
‘ir na onda’! Sentia-me chamada a algo mais, a
seguir Jesus numa entrega total! A Vida consagrada
começou a ser uma interpelação forte que me tocava
profundamente, ora em experiências de retiro, ora em
tempos de oração e escuta da Palavra, em
experiências de Igreja e empenho pastoral, ora em
provocações directas.
A
primeira visita de João Paulo II a Portugal foi o
impulso decisivo: quando seguia pela televisão o
encontro que teve em Fátima com os consagrados,
senti-me tocada, interpelada, e disse a mim mesma: é
deste grupo que eu quero vir a fazer parte. Cada
palavra dos discursos que o Papa proferiu em
Portugal senti-as como apelo a uma decisão
vocacional.
Entretanto, alguns escritos sobre a vida de S. João
Bosco e de Sta Maria Mazzarello vieram-me ter às
mãos, através de quem me acompanhava e achava que
ser salesiana se coadunava comigo; no campo da
evangelização e da educação poderia realizar a minha
vocação de consagração! Deus foi trazendo luz ao meu
caminho! Após uma longa caminhada de discernimento,
com tempos fortes de reflexão, oração e
acompanhamento, com avanços e recuos, a meta da
decisão foi-se tornando realidade; ora movida por
uma força interior que me atraia e entusiasmava, ora
com vontade de desistir e procurar outros caminhos!
Foi aos 21 anos, com muitos medos e dúvidas, mas
também com serenidade e alegria, que entrei para o
Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, decidida
a discernir melhor a minha vocação salesiana. No
tempo de formação preparei-me para entregar a minha
vida a Deus, ao serviço da educação da juventude, ao
jeito de Madre Mazzarello e segundo as linhas de S.
João Bosco. Professei em 1988, ano centenário da
morte de S. João Bosco. Após estes 22 anos de Filha
de Maria Auxiliadora reconheço que o mistério da
vocação faz parte da existência. Deus esteve e está
neste processo! Não sabemos onde começa, por onde
nos leva, nem onde termina! Apenas temos a certeza
de que Deus, porque nos chama, não nos abandona
nunca; acompanha-nos a alenta os nossos passos
fazendo-nos tocar a gratuidade e a imensidão do Seu
amor e a radicalidade do caminho que aponta!
Responder-Lhe e segui-Lo é o segredo de uma vida
autêntica e feliz.
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