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Tempo sem tempo…
“Não tenho tempo! Estou com pressa!...
Quando tiver tempo faço isso!… Agora não
posso…” Estas expressões são cada vez mais
comuns no dia-a-dia de cada um de nós… e não
adianta negar pois o trabalho, o stress e a
crise leva-nos a utilizar estas palavras
vezes sem conta. No entanto, acho que todos
devíamos deixar de dizer “que estamos sem
tempo” tantas vezes… acho que devíamos
guardar um pouco do nosso tempo precioso
para as coisas realmente importantes… Esta
foi uma lição que aprendi este Verão, e que
me foi ensinada, com muito empenho, pelas
doentes da Casa de Saúde das Irmãs
Hospitaleiras de Condeixa-a-Nova!
Há um ano atrás aceitei guardar algum do meu
pouco tempo para dedicar a uma nova
actividade: o voluntariado pelas missões!
Desde então fiz todo o percurso da formação
para o voluntariado, donde saíram duas
equipas para fazer missão na nossa terra:
Portugal! Uma das equipas esteve na Casa de
Saúde de Braga e a outra equipa, da qual fiz
parte, esteve na Casa de Saúde de
Condeixa-a-Nova (casa onde estão internadas
temporária ou permanentemente mulheres com
doenças do foro psiquiátrico). O trabalho
desenvolvido pela minha equipa (constituída
por 4 elementos na primeira semana e por 3
na segunda semana) foi dar o apoio
necessário nas horas da higiene e das
refeições das doentes e dinamizar
actividades de entretenimento nas manhãs e
tardes delas. Esta última tarefa foi a mais
importante e aquela que me deu bastante
satisfação cumprir.
Imaginem uma casa gigante onde estão cerca
de 350 mulheres doentes (algumas sem
qualquer autonomia), muitas delas sem
família e as que a têm poucas visitas
recebem. Agora imaginem essas doentes todas
cheias de vontade de dar beijinhos e abraços
a quem por lá aparece… pois bem, resumindo
os meus dias lá na Casa, posso dizer que os
passei entre abraços, beijinhos e sorrisos.
O melhor de tudo nessas duas semanas que
roubei ao tempo, foi todo o tempo que lá
passei… foi um assalto bem sucedido… e só
foram duas semanas…
O que aprendi com as doentes? Aprendi a
lição que vos quero passar:
“O sonho do mundo ideal vive dentro de nós,
dependendo de nós para ser realizado! Somos
nós que devemos sorrir para as pessoas que
passam por nós, somos nós que devemos tomar
a iniciativa de dar o abraço, de dizer “bom
dia” a quem passa, de desejar “uma boa
noite” a quem está perto de nós, de dar a
mão ao mendigo que escorregou na calçada e
ajudá-lo a levantar, e de muitas outras
coisas tão simples mas que fazem toda a
diferença!
O sonho só se torna realidade se nós
quisermos roubar tempo ao tempo e mudar as
nossas prioridades!”
Elisa Silva
Ponte de Vagos
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