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1 de
Janeiro: Dia Mundial da Paz
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COMBATER A
POBREZA, CONSTRUIR A PAZ
O dia 1 de
Janeiro é de facto um dia dedicado a pensarmos na Paz. Mas
também é verdade que escutando os meios de comunicação
social, parece que outra coisa não temos que guerra,
violência e distúrbios a torto e a direito, em que os
direitos humanos não são respeitados e as consequências
surgem com um rosto muito negativo. Por isso o apelo do Papa
para este dia mundial da Paz vai de encontro à POBREZA que
está a atravessar o nosso “GLOBO HUMANO”. A frase chave
deste ano: Combater a pobreza, construir a Paz.
Eis algumas das situações que o Papa refere e
que vão para além da ideia de que a pobreza é não ter bens
materiais:
(Estes
pontos podem ser lidos em dois ou três dias, com uma oração
final pedindo a Paz para o mundo.)
«A pobreza aparece muitas
vezes associada, como se fosse sua causa, com o desenvolvimento demográfico. Em consequência disso,
realizam-se campanhas de redução da natalidade,
promovidas a nível internacional, até com métodos que não
respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a
decidirem responsavelmente o número dos filhos e que muitas
vezes – facto ainda mais grave – não respeitam sequer o
direito à vida. O extermínio de milhões de nascituros, em
nome da luta à pobreza, constitui na realidade a eliminação
dos mais pobres dentre os seres humanos.»
«Outro âmbito de
preocupação são as pandemias (doenças graves) como
por exemplo a malária, a tuberculose e a SIDA, pois, na
medida em que atingem os sectores produtivos da população,
influem enormemente no agravamento das condições gerais do
país.(…)
Sobretudo a SIDA, dramática causa de pobreza, é difícil
combatê-la se não se enfrentarem as problemáticas morais
associadas com a difusão do vírus. É preciso, antes de tudo,
fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens,
para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da
pessoa; iniciativas realizadas nesta linha já deram frutos
significativos, fazendo diminuir a difusão da SIDA.»
«Terceiro âmbito,
que é objecto de atenção nos programas de luta contra a
pobreza e que mostra a sua intrínseca dimensão moral, é a
pobreza das crianças. Quando a pobreza atinge uma
família, as crianças são as suas vítimas mais vulneráveis:
actualmente quase metade dos que vivem em pobreza absoluta é
constituída por crianças. O facto de olhar a pobreza
colocando-se da parte das crianças induz a reter como
prioritários os objectivos que mais directamente lhes dizem
respeito, como por exemplo os cuidados maternos, o serviço
educativo, o acesso às vacinas, aos cuidados médicos e à
água potável, a defesa do ambiente e sobretudo o empenho na
defesa da família e da estabilidade das relações no seio da
mesma. Quando a família se debilita, os danos recaem
inevitavelmente sobre as crianças. Onde não é tutelada a
dignidade da mulher e da mãe, a ressentir-se do facto são de
novo principalmente os filhos.»
«Quarto âmbito que,
do ponto de vista moral, merece particular atenção é a
relação existente entre desarmamento e progresso. Gera
preocupação o actual nível global de despesa militar. É que,
como já tive ocasião de sublinhar, «os ingentes recursos
materiais e humanos empregados para as despesas militares e
para os armamentos, na realidade, são desviados dos
projectos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos
mais pobres e necessitados de ajuda. E isto está contra o
estipulado na própria Carta das Nações Unidas, que
empenha a comunidade internacional, e cada um dos Estados em
particular, a ‘‘promover o estabelecimento e a manutenção da
paz e da segurança internacional com o mínimo dispêndio dos
recursos humanos e económicos mundiais para os armamentos''
(art. 26)»
«Quinto âmbito na
referida luta contra a pobreza material diz respeito à
crise alimentar actual, que põe em perigo a satisfação
das necessidades de base. Tal crise é caracterizada não
tanto pela insuficiência de alimento, como sobretudo pela
dificuldade de acesso ao mesmo e por fenómenos especulativos
e, consequentemente, pela falta de um reajustamento de
instituições políticas e económicas que seja capaz de fazer
frente às necessidades e às emergências. A má nutrição pode
também provocar graves danos psicofísicos nas populações,
privando muitas pessoas das energias de que necessitam para
sair, sem especiais ajudas, da sua situação de pobreza.»
Luta contra a pobreza e
solidariedade global
Uma das estradas mestras
para construir a paz é uma globalização que tenha em vista
os interesses da grande família humana. Mas, para guiar a
globalização é preciso uma forte solidariedade global
entre países ricos e países pobres, como também no âmbito
interno de cada uma das nações, incluindo ricas. É
necessário um «código ético comum» cujas normas não tenham
apenas carácter convencional mas estejam radicadas na lei
natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser
humano (cf. Rm 2, 14-15). Porventura não sente
cada um de nós, no íntimo da consciência, o apelo a dar a
própria contribuição para o bem comum e a paz social? A
globalização elimina determinadas barreiras, mas isto não
significa que não possa construir outras novas.
«Cada um entregue-se à
tarefa que lhe incumbe com a maior diligência possível» (…)
Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa
de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um
caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos
pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível
para ir em seu socorro. De facto, aparece como
indiscutivelmente verdadeiro o axioma «combater a pobreza é
construir a paz».
Mensagem do Papa Bento XVI, para o dia Mundial da Paz
Reflexão:
A paz depende de cada um de
nós, depende de cada decisão que tomarmos. Na medida em que
colaboramos e partilhamos a vida com os outros, podemos
construir a paz. A pobreza a final atinge o seio de qualquer
comunidade ou pessoa singular e todos somos responsáveis por
todos, para que a paz interior seja possível. E juntos,
chegaremos à paz exterior. Quem tem ouvidos para
ouvir, que ouça o que o Criador tem para nos dizer.!!!
Senhor fazei-nos instrumentos da Tua Paz, onde houver
ódio que eu leve o amor!
«Se
D. Bosco vivesse no nosso tempo, seria o primeiro a
arregaçar as mangas e a lutar por estas causas. Um olhar
para a nossa realidade (famílias, escola, bairro…) onde
posso ser uma ajuda?
21 de Janeiro: Miguel Magone
(1845-1859)
De uma incrível vivacidade,
era um autêntico pequeno chefe de grupo, que só a perícia
pedagógica de Dom Bosco conseguiu dominar, orientando-o para
a santidade. Foi um outro Domingos Sávio. Desde criança foi
um pequeno apóstolo entre os colegas, sempre disposto a
manter a paz. Ajudava o pároco como catequista dos mais
pequenos. Desde que entrou no Oratório, segui à letra todas
as sugestões de Dom Bosco. Adoeceu em Valdocco e aí morreu.
Tinha só 14 anos.
D. Bosco conta o encontro com
Magone:
«Numa noite de Outono,
encontrava-me em Sommariva del Bosco, junto de Carmagnola, e
devia esperar pelo comboio para voltar a Turim. Já tinham
tocado as 19h00, o tempo estava enublado, uma densa neblina
transformava-se em chuva miudinha. Tudo contribuía a que as
trevas fossem muito densas, que a distância de um passo não
se conseguia ver alma viva. A luz da estação tinha uma
claridade tão fraca que se perdia na escuridão. Só um grupo
de jovens com tanto barulho e agitação chamavam a atenção,
ou melhor, ensurdeciam as orelhas dos “espectadores”. A vos
de “espera”, “apanha”, “corre”, “agarra esta”, “apanha
aquele” serviam para ocupar os pensamentos dos que iam
viajar. Entre aquelas vozes identificava-se uma que
sobressaia das outras, distinta que dominava todas as
outras. Era uma voz de “capitão”, repetida pelos colegas e
seguida por todos. Assim, nasceu em mim um desejo de
conhecer aquele que com tanto ardor e prontidão sabia
regular e controlar tamanha confusão. Encontro-os reunidos à
volta daquele que fazia de guia; com dois saltos lanço-me
para o meio deles. Todos fugiram assustados; fica só um, que
se aproxima e apoiando as mãos nas ancas com ar imperioso
começa a falar:
-Quem sois vós, que
interrompeis os nossos jogos?
- Eu sou um teu amigo.
- O que é que quer de nós?
- Quero, se vos faz contentes,
divertir-me e falar contigo e com os teus companheiros.
Mas quem sois? Eu não vos
conheço.
- Já te disse, sou um teu
amigo: desejo fazer algum recreio contigo e com os teus
companheiros. Mas tu quem és?
- Eu? Quem sou? Eu sou – diz
com voz grave e sonora – Miguel Magone, o chefe cá da malta.
Enquanto estávamos nestes
discursos, os outros rapazes, que se tinham dispersado, um a
seguir ao outro, aproximaram-se e reuniram-se à nossa volta.
Depois de uma palavrinha a um e a outro, voltei-me de nova
para Miguel:
- Meu bom Miguel, quantos anos
tens?
- Tenho 13 anos.
- E já te confessas?
- Oh, sim!! – diz sorrindo.
- Já fizeste a Santa Comunhão?
- Sim já fiz e já recebi mais
algumas vezes.
- Aprendeste alguma profissão?
- Aprendi a profissão de não
fazer nada!
- Então até agora o que tens
feito?
- Fui à escola.
- E que ano fizeste?
- A Terceira classe.
- Ainda tens pai?
- Não, o meu pai já morreu.
- E mãe?
- Sim, a minha mãe ainda é
viva e trabalha para um patrão, e faz o que pode para dar um
pouco pão a mim e aos meus irmãos que a fazemos,
continuamente, desesperar.
- O que queres fazer no
futuro?
- É preciso que eu faça alguma
coisa, mas não sei o quê.
Esta franqueza das coisas,
unido a um discurso assim ordenado, fez-me perceber quanto
perigo estava eminente para aquele jovem, assim lançado
naquele caminho.
- Meu bom Magone, tens vontade
de abandonar esta vida de maltrapilho e aprenderes alguma
profissão, ou então continuar a estudar?
- É claro que tenho vontade.
Esta vida de garoto da rua não me agrada nada. Alguns dos
meus colegas já estão na prisão, e eu temo o mesmo para mim,
mas que devo fazer? O meu pai morreu, a minha mãe é pobre,
quem é que me vai ajudar?
- Esta noite faz uma oração
fervorosa a Deus Pai que está no céu; mas reza de coração,
confia n’Ele; Ele providenciará para mim, para ti e para
todos.
Naquele momento o sino da
estação dava os últimos toques, e eu devia partir.
- Toma! Toma esta medalha, e
amanhã vai ter com D. Ariccio, teu vice- pároco e diz-lhe
que o padre que te deu esta medalha gostaria de ter algumas
informações quanto ao teu comportamento.
Miguel recebeu a medalha com
respeito e perguntou:
- Mas qual é o seu nome, de
onde sois? Conheceis D. Ariccio?
Magone fazia estas e outras
perguntas mas eu não pode responder, porque tinha de subir
rapidamente para a carruagem e voltar a Turim.
O rapaz pela curiosidade,
rapidamente foi ter com D. Ariccio. O vice-pároco
compreendeu logo quem era o padre e no dia seguinte
escreveu-me uma carta com algumas informações: Magone,
Miguel é um rapaz volúvel, agitado, perturba na Igreja e na
escola, difícil de controlar e controlar-se, mas é bom de
coração e simples nos costumes.
Mesmo assim D. Bosco enviou
para Miguel Magone uma carta de aceitação no seu Oratório.
Poucos dias depois, vejo-o
aparecer diante de mim, correndo ao meu emcontro:
- Eis-me aqui! Eu sou o Miguel
Magone que o senhor encontrou na estação de Carmagnola.
- Eu sei tudo, meu bom amigo.
Vieste de boa vontade?
- Sim, sim, boa vontade não me
falta.
- Se tens boa vontade,
recomendo que não me ponhas em pantanas toda a casa!
- Oh, mas estai tranquilo que
não vos vou desiludir. No passado orientei-me mal, mas para
o futuro não quero que seja assim. Dois colegas meus já
estão na prisão…
- Bom ânimo, então. Diz-me só
uma coisa: gostas mais de estudar ou aprender uma profissão?
- Estou disposto a fazer o que
quiser, mas se me deixa escolher, prefiro estudar.
- Pensando de pôr-te a
estudar, o que tens em mente para quando terminares os
estudos?
- Se um vagabundo… - começou a
dizer e baixou a cabeça.
- Continua… o que queres
dizer: se um vagabundo…
- Se um vagabundo pudesse
tornar-se muito bom para ser padre, eu voluntariamente serei
padre.
- Veremos o que um “vagabundo”
saberá fazer!!! Ponho-te a estudar: mas quanto ao seres
padre ou outra coisa, isso dependerá de teu progresso no
estudo, do teu comportamento moral e dos sinais que darás
para seres chamado ao sacerdócio.
- Se os esforços de uma boa
vontade, podem conseguir alguma coisa, asseguro-vos que não
ficareis descontente comigo.
«No
início, a vida no Oratório para Miguel Magone não foi fácil.
Esforçava-se por corrigir-se e deixar-se corrigir dizendo
«Fizeste bem em avisar-me», era pontual na escola, no estudo
e na oração.
Na sua passagem pelo
Oratório, deixou-se acompanhar por D. Bosco, que o conduziu
à vivência dos sacramentos, sobretudo a Confissão e a
Eucaristia, e foi um modelo de alegria, um pacificador entre
os seus colegas. Um verdadeiro astro a brilhar entre os
jovens.
22 de Janeiro: Laura Vicunha
-
Laura nasce no dia 5 de Abril de 1891 no
Chile.
-
No dia da sua morte: “Agora morro contente.
Obrigado Jesus! Obrigada Maria!” Era o dia 22 de Janeiro de
1904. Laura não chegou a completar os 13 anos de idade.
-
No dia 3 de Setembro de 1988, o Papa João
Paulo II proclama-a Beata e modelo de toda a juventude.
Porque não um Bom Dia diferente!?
Cena I
Narrador 1:
Depois da morte do pai, a Srª Mercedes vê-se só com duas
filhas e decide emigrar e fixa-se na Argentina, em Junín de
los Andes. Aqui conheceu um rico proprietário, Manuel Mora,
que lhe deu alojamento e se prontificou no início a pagar o
Colégio para as suas duas filhas.
Narrador 2:
Assim, em 1900 a Srª Mercedes leva as duas filhas para o
Colégio das Irmãs Salesianas, que era um internato.
Mercedes:
Esta é a Laura e a pequenina é a Amanda.
Irmã:
Bem- vindas. Esta é a casa de Nossa Senhora e de hoje em
diante será também a vossa casa.
Amanda:
Mãe, eu não quero ficar.
(a
choramingar)
Laura:
(abraça de forma carinhosa)
Eu fico contigo Amanda. A mãe tem de
trabalhar.
Mercedes:
As férias chegam depressa, sejam boazinhas!
(Despedem-se
da mãe e saem com a Irmã)
Narrador 1:
Os primeiros dias de Colégio são para Laura uma sinfonia e o
início de novas descobertas.
(Pode-se
improvisar um ambiente de colégio, com alunas a passar)
Cena II
(Laura ajoelhada diante de uma imagem de N. Sr.ª)
Narrador 2:
Apercebendo-se da situação da mãe, reza a Nossa Senhora e
pede pela mãe. No dia da primeira comunhão entregou-se a
Deus oferecendo a sua vida pela conversão da mãe.
Laura:
Sim Jesus, compreendi e aceito: a minha vida, ofereço-a para
salvar a minha mãe.
(levanta-se e junta-se às colegas)
Narrador1:
No Colégio todos admiravam as atitudes de Laura, a sua
serenidade e ajuda caridosa.
(Laura mais um grupo de internas no serviço. Avental e
vassouras.)
Interna 1:
Eu é que não vou varrer aquele pórtico aberto aos quatro
ventos. Com este frio não estou para me constipar.
Laura:
Olha, fazemos uma troca. Tu varres o dormitório, e eu varro
o pórtico, pode ser?
Interna 1:
Mas tu, Laura, tens as mãos cheias de frieiras!... Mas de
qualquer modo isso é lá contigo!
(Saem)
Cena III
(Ouvem-se algumas vozes no exterior de curiosidade e
alegria)
Narrador 2:
Sempre que a Srª Mercedes visitava as filhas enchi-as de
presentes: vestidos elegantes, doces, perfumes que
partilhava com as colegas. Mas Laura desejava outro
presente.
(Laura
entra carregada de presentes e as colegas à sua volta)
Interna 2:
O que é que a tua mãe te trouxe hoje?
Laura:
Trouxe aquele doce de que tu gostas... toma.
Interna 3:
Olha um sabonete perfumado... que cheirinho!
Laura:
Gostas? Fica com ele. E quem quer este frasco de perfume? E
este xaile bordado?
Cena IV
Narrador 1:
Mas a inveja ataca uma das colegas de classe.
(Duas
raparigas falam entre si)
Rap1:
Dá-me uma destas raivas a Laura. É tudo uma farsa para dar
nas vistas às freiras.
Rap 2:
Que dizes? Não vês como ela é bondosa, amável e bem-educada!
Rap 1:
Ai si?
Vou pô-la à prova e verás a sua virtude.
Rap 1:
(Com
arrogância)
Laura,
vamos fazer o serviço na sala. É a nossa vez!
Laura:
Está bem, vamos!
(Laura
pega numa vassoura e começa a varrer. A Rap 1 pega no
caixote do lixo e começa a despejar o lixo no chão.)
Laura:
Mas que estás a fazer?
Rap 1:
Tu varres e eu sujo. É simples, não achas?
Laura:
Sim e simples!
(E
continua a varrer)
Rap1:
(falando de forma agitada e enraivecida)
Palerma, atrevida, antipática, é o que tu és!
(Despeja o resto do lixo no chão)
Laura:
Tenho pena de te ver tão aborrecida. Posso fazer alguma
coisa por ti?
(Rap 1
sai furiosa)
Narrador 2:
Laura era compreensiva e tolerante. Tentou sempre caminhar
pelo caminho do bem.
Cena
V
(Laura enferma; deitada numa cama com a mãe ao lado.)
Narr.1:No
Inverno de 1903 adoeceu gravemente. Acolheu a doença como um
dom de Deus concretizando a sua oferta a Jesus: a sua vida
pela mãe.
Laura:
Mãe, ofereci a minha vida por ti! Sempre te amei! Agora
morro contente! Obrigado, Jesus! Obrigada, Maria!
Narr2:
Laura morre no dia 22 de Janeiro de 1904.
Obrigada
Laura pelo teu exemplo de santidade no quotidiano.
Reflexão:
A
capacidade de se ser diferente. Mais do que pretender ser
igual aos outros, viver de aparências, deixar-se levar pelas
emoções e impulsos, mais do que se deixar guiar e orientar
pelo que outros diziam, Laura soube deixar-se iluminar pela
vida de Jesus e de Maria, para ter uma vida verdadeira e
cheia de bons valores. Viver no quotidiano o mandamento do
Amor é o convite lançado a todos nós, nas mais simples
situações do nosso dia- a- dia, nas nossas relações.
«Laura
recebeu a espiritualidade de Cristo, dentro de um carisma
salesiano. É modelo para nós, nas atitudes a ter uns com os
outros: a bondade, a paciência, a amabilidade, a
disponibilidade e a fé; oração, trabalho e diversão, tudo a
mesma coisa quando vividos com Jesus e a Maria, sem medo.
24 de Janeiro: S. Francisco de Sales
Nasceu a Savoia (1567- 1622). Director
espiritual doce e exigente, recordou aos leigos cristãos que
todos são chamados à perfeição evangélica. Santo conhecido
pela sua extrema doçura e amabilidade nas relações,
apostando sempre no Amor de Deus. Escreveu duas grandes
obras “Introdução à vida devota” e “Tratado do amor de
Deus”. D. Bosco deixou o exemplo deste Santo aos seus
salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora para que o
imitassem, dando o nome aos salesianos.
Contamos algo deste Santo e da sua influência
na vida de D. Bosco e como serviu de inspiração:
«D. Bosco inspirou-se em diversos santos.
Dizia: «Não é a ciência que faz os santos mas a virtude».
-
Embora tivesse proposto outros santos, D. Bosco sentiu-se mais inclinado e mais sensibilizado pela
figura de S. Francisco de Sales. Durante o tempo de estudo,
João via diariamente o retrato de Francisco de Sales numa
parede da Capela do Seminário de Chiéri. Que pensaria ele,
cada vez que olhava para aquele quadro? Às vezes, os quadros
dizem e entusiasmam muito mais que as palavras. O jovem
seminarista começou a mostrar interesse por S. Francisco de
Sales. O seu sorriso compreensivo e a sua esperança a toda a
prova tiveram em D. Bosco uma importância decisiva.
-
O bispo de Genebra era um guia espiritual
de grande sensibilidade. Possuía o carisma da direcção
espiritual e compreendia a sensibilidade das almas. S.
Francisco de Sales aliava uma ternura reservada e uma
atitude amável para com todos, mantendo-se afectivamente
desprendido de todos.
-
Tornou-se fundador de um humanismo
religioso. Um dia alguém escreveu: «A linguagem de S.
Francisco de Sales tem o encanto e p perfume dos prados. Não
dos prados de Outono, nem sequer da Primavera e muito menos
do Inverno, mas do Verão, de um meio-dia de Verão. Nas suas
obras há muito calor.»
-
Graças a este humanismo cristão, pode-se
defender a tese que a piedade/ oração pode ser vivida
intensamente tanto nos conventos como no mundo. A vivência
destes dois aspectos foram possíveis a S. Francisco de Sales
porque nele morava a mansidão de
Cristo «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração».
-
Na figura de S. Francisco de Sales
resplandecem a bondade, a compreensão e o perdão. D. Bosco
fez seu, o pensamento do Santo: «Doce no trato, mas firme
nos princípios». Não o imitou, mas inspirou-se
profundamente na sua espiritualidade, adaptando ao contexto
histórico em que vivia. Quando se tratou de dar o nome à
nova associação, não tinha outra escolha a fazer senão
chamar-lhe «Salesiana». Ao Oratório/ Centro Juvenil, não
pensou dar o seu nome, preferindo intitulá-lo com o nome do
Santo que admirava.
«
A bondade, a delicadeza, a cordialidade,
responder com cuidado, escutar com atenção, fortalecer
amizades verdadeiras… algumas das atitudes de S. Francisco
que D. Bosco acolheu e nos transmitiu. Fazem parte da nossa
Galáxia salesiana…
25 de
Janeiro: Conversão de S. Paulo
O
acontecimento que hoje celebramos, dentro das
comemorações do ano Paulino, relata a manifestação do Senhor
a Paulo e do Seu chamamento a ser discípulo. É a conversão
de Paulo de Tarso. De perseguidor dos cristãos, para a ser
ele perseguido, uma vez que compreendeu que Jesus Cristo é a
Luz dos Povos.
Cada conversão é fruto de uma acção gratuita
de Deus que muda o coração de cada homem, e o convertido,
através da sua vida, testemunha que ninguém pode medir as
consequências da Vida de Deus no ser humano. A conversão de
S. Paulo merece ser celebrada com um destaque particular,
porque manifesta uma reviravolta na história da Igreja
nascente. Paulo, leva a mensagem de Cristo, não só a judeus,
mas a todos os povos, com a missão de se viver a unidade da
fé.
S. Paulo, Apóstolo e grande Evangelizador de
todas as nações, ensina-nos a dizer o nosso “Sim” a Deus.
Uma pequena celebração:
Ambiente:
destaque de uma imagem de S. Paulo, Bíblia, palavra “SIM”,
música de fundo, rosto de Cristo ou projecção, papeis para
se escrever.
L1:
Em Jesus, Deus disse o maior dos seus “Sim” à humanidade.
L2:
Também nós somos chamados a pronunciar um grande “Sim” a
Deus.
Cântico apropriado
L3:
“Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Desta
forma, Paulo ensina-nos a dizer o grande “Sim” a Deus.
Proclamação da Palavra
Do livro
dos Actos dos Apóstolos
«Estando
ele em viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente uma
luz vinda do céu o envolveu de claridade. Caindo por terra,
ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me
persegues?” Ele perguntou: “Quem és, Senhor?” E a resposta:
“Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te, entra na
cidade, e te dirão o que deves fazer”.»
Palavra do Senhor
Um
momento de silêncio
J1:
A nossa cegueira esconde-se atrás de mil realidades:
relativismo moral, paralisias espirituais, corações traídos…
J2:
Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus
devemos sair das nossas cegueiras. Lançado por terra, é
constrangido a “meter-se em discussão” .
J3:
Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus
devemos converter-nos e não termos medo de pôr em crise as
imagens que criamos sobre nós mesmos (boa gente, cristãos
devotos…) e de Deus.
J1:
A conversão transforma intimamente Paulo e depois desse
momento renasce o seu carácter de sempre: impulsivo, forte,
corajoso…
J2:
Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus
devemos vigiar sempre sobre o nosso carácter e personalidade
e reconhecer que é sempre Deus que se serve do nosso modo de
agir, seja são ou doente, para fazer chegar a Sua Bênção a
todo o mundo.
Proclamação da Palavra
Da Carta
aos Gálatas
«Com
efeito, eu vos faço saber, irmãos, que o evangelho por mim
anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem
aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo.
Ouvistes certamente da minha conduta de outrora no judaísmo,
de como perseguia e devastava a Igreja de Deus e como
progredia no judaísmo mais do que muito compatriotas da
minha idade, distinguindo-me no zelo pelas tradições
paternas.
Quando,
porém, aquele que me separou desde o seio materno e me
chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu
Filho, para que eu evangelizasse entre os gentios, não
consultei nem carne em sangue, nem subi a Jerusalém, mas fui
à Arábia, e voltei a Damasco.»
Palavra do Senhor
Um
momento de silêncio
J1:
Paulo faz experiência pessoal de Jesus e afirma «Para mim
viver é Cristo e morrer é lucro» (Fil 1, 21)
(descobre-se um rosto de Cristo ou projecta-se)
J2:
Paulo faz experiência do amor incondicional de Deus,
manifestado de modo visível na cruz: Deus ama-me assim como
sou!
(Convida-se a contemplar em silêncio, a imagem ou o
diapositivo de Cristo… música de fundo)
J3:
«É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei
firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo
da escravidão» (Gal 5,1)
J1:
Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus
devemos libertar-nos da dependência das coisas exteriores e
encontrar em Deus a verdadeira liberdade.
Cristo
dará a liberdade, Cristo dará a salvação, Cristo dará a
esperança, Cristo dará o Amor.
J2:
Paulo recorda-nos que para dizer um “sim”grande a Deus
devemos deixar de estar ligados aos critérios do prestígio,
da força, da prepotência, da superioridade…
J3:
Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus
devemos estar dispostos a sofrer pelo Evangelho.
J1, 2,
3:
Diremos o nosso grande “Sim” a Deus?
(Um
momento de silêncio. Convida-se a cada um dar a sua resposta
e se quiserem escrever estará papel disponível)
Cântico final:
O Espírito de Deus hoje está sobre mim… Sou enviado a ser, profeta de um
mundo novo…
«
Embora seja a proposta de uma celebração, pode-se retirar
algumas frases e dar o bom-dia.
Mesmo para os mais pequenos, uma
imagem e algumas frases ajuda-os a conhecer S. Paulo.
31 de Janeiro: D. Bosco
Nasceu em
Turim, Itália, em 1815, de uma família pobre mas
profundamente cristã. Passou por várias dificuldades tendo
que trabalhar ainda muito novo para custear os seus estudos.
Gostava de lidar com crianças e jovens, aprendendo até artes
de ilusionista e saltimbanco para os cativar.
Depois de
muito esforço, foi ordenado padre em 1841. A partir daí,
decidiu consagrar toda a sua vida ao serviço dos mais pobres
e abandonados.
Fundou
Centros juvenis, Escolas, dedicou-se à boa imprensa e às
Missões. "Basta que sejais jovens para que eu vos ame",
costumava dizer.
Fundou os
Salesianos, seus continuadores, nome inspirado em S.
Francisco de Sales, homem de grande bondade. Fundou também o
Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (ou Salesianas)
juntamente com uma jovem, Maria Mazzarello, dedicada às
meninas mais pobres.
Morreu a
31 de Janeiro de 1888, deixando a sua presença e acção em
todo o mundo.
Com base
na mansidão, bondade e alegria, deixamos alguns episódios
conhecidos da vida de D. Bosco, que de certo modo, reflectem
o que D. Bosco já na sua juventude vivia, mas que soube
amadurecer. E o seu exemplo ainda é válido para os dias de
hoje:
Sociedade da Alegria
«Piedoso e bom, sem ostentação alguma, não
tardou em cativar a benevolência, a estima e o afecto de
todos os companheiros. A princípio aproximavam-se dele para
brincar, para ouvir da sua boca factos e anedotas que,
contadas com espontaneidade e graça, despertavam a
hilaridade, fomentavam a alegria e deixavam sempre, como
lembrança de um bom pensamento, um bom conselho, um
incentivo a praticar a virtude. Depois, procuravam-no para
fazerem juntos os trabalhos escolares e prepararem lições;
e, finalmente, acorriam a ele, mesmo sem nenhum motivo
especial, como que atraídos e fascinados pela sua palavra e
pelas suas maneiras correctas e afáveis.
Foi assim que nasceu a «Sociedade da
Alegria», nome muito apropriado a tais reuniões, pois cada
um se comprometia a procurar livros, amenizar conversas e
inventar jogos que pudessem contribuir para despertar a
alegria; ao passo que era rigorosamente proibido tudo aquilo
que originasse tristeza e melancolia, ou fosse contrário à
santa lei de Deus. por conseguinte, quem blasfemasse ou
falasse de coisas inconvenientes era imediatamente afastado
desta sociedade, como indigno de pertencer a ela.
À frente deste grupo de rapazes briosos
estava João Bosco; e a base da união que existia ente eles
eram estes dois artigos:
1º- Todo o membro da Sociedade da Alegria
deve evitar as más conversas e as más acções indignas de um
cristão;
2º- Deve ser exacto no cumprimento dos
deveres escolares e religiosos.
Reuniam-se, durante a semana, na casa de um
dos sócios e nos dias festivos, depois da reunião iam para a
Igreja de S. António, onde os padres jesuítas tinham bem
organizada a catequese.
D. Bosco não se contentava com dar bom
exemplo, no meio da Sociedade, procurava atrair a ela os
rapazes que encontrava, com uma palavrinha, com
entretenimento e jogos de prestidigitação, em que era muito
hábil.
Reflexão
Palavras para quê? O episódio da vida de D.
Bosco, fala-nos e é válido para os nossos dias. Aqui, estão
as suas raízes e origem, de todo o seu carisma e
espiritualidade. Uma juventude assim, vivida em prol da
felicidade dos outros, deita abaixo as barreiras do
individualismo, do egoísmo e egocentrismo que se foram
construindo no mundo juvenil. Vale a pena confrontar a vida
com D. Bosco.
Defende um companheiro… cria-se e
fortalece-se uma amizade.
«Quando D. Bosco frequentava o quinto ano
liceal, ouviu dizer, logo na abertura das aulas, que ia ter
por companheiro um rapaz santo. Sorriu ao ouvir tal coisa e
tomou-a em ar de brincadeira. No entanto, esta notícia
tinha-se espalhado entre os seus colegas, e D. Bosco
desejava ardentemente conhecer o tal rapaz, mas não sabia
como se chamava.
Espírito observador como era, não tardou
muito em notar, entre todos os colegas, um, dos seus quinze
anos, que pela modéstia, pela afabilidade e cortesia com que
falava, parecia ser o indicado. Mais se confirmou João neste
seu juízo, quando, observando-o, o via exactíssimo no
cumprimento dos seus deveres e na pontualidade às aulas. Era
Luís Comollo.
Um dia, enquanto o professor não chegava,
alguns dos mais irrequietos e indisciplinados queriam, por
força, obrigar Luís a tomar parte nuns jogos e saltos
perigosos. Desculpava-se ele com boas maneiras, dizendo que
não estava habituado a tais jogos e que não era capaz. Um
dos alunos, mais atrevido e mal-educado, disse:
- Se não vens a bem, virás a pontapés e a
bofetadas.
- Podes bater-me, se quiseres, mas eu não
sei, não posso e não quero…
E aquele mau colega, vendo que Luís não
cedia, tomou-o por um braço, empurrou-o e deu-lhe duas
bofetadas que ecoaram pela sala.
Diante de tão indigno procedimento, João
Bosco estremeceu, sentiu ferver o sangue nas veias e
esperava que Luís se lançasse contra o colega, para lhe
pagar com a mesma moeda, tanto mais que ele era superior em
força ao agressor. Qual não foi, porém, a admiração, ao ver
Luís envolvê-lo num olhar de piedade e perdão e dizer, no
meio do silêncio de toda a classe:
- Se já estás satisfeito, vai em paz, que eu
fico contente e já te perdoei…!
Desde aquele dia, João e Luís, ficaram
amigos. João colocou nele toda a confiança e Luís nele.
Ambos precisavam de auxílio: João, de auxílio espiritual e
Luís de amparo físico, pois era tímido por natureza, e nem
sequer ousava defender-se dos insultos que, por ser bom, lhe
dirigiam; ao passo que João era temido por todos pela sua
força e coragem.
Uma vez queriam bater no Luís e num outro
colega; procurou dissuadi-los com boas maneiras e, como não
conseguia, disse-lhes:
- Ai de vós, se algum se atreve a maltratar
estes dois!
Um bom número dos maiores e mais fortes
tomaram atitude comum de defesa e de ameaça contra João
Bosco, enquanto duas bofetadas sonoras caíram sobre o Luís.
Naquele momento, João perdeu a cabeça e, com uma força
bruta, não encontrando nem cadeira nem pau, agarrou pelas
costas o primeiro que se aproximou e dele usou como se fosse
um bastão para descarregar golpes sobre os adversários,
prontos a continuarem a maltratar os seus amigos. Quatro
caíram por terra e os outros deram à sola.
Naquele momento chegou o professor e, ouvindo
tamanha algazarra, pôs-se a gritar também ele, dando
palmadas à direita e à esquerda. Quando estava tudo mais
calmo, tudo foi esclarecido e ninguém teve castigo…
Como remate, e quando os dois amigos se
encontraram juntos, Luís comentava:
- Caro João, a tua força mete-me medo; mas
lembra-te que Deus não ta deu para maltratares os teus
companheiros. Ele quer que nós amemos, que perdoemos e que
façamos bem a quem nos faz mal.
«
Ser amigo, é ajudar-se a todos os níveis. É
ajudar-se mutuamente para se crescer maduro na fé e em
humanidade. Laços de amizade assentes nos verdadeiros
valores, humanos e cristãos, fazem mover o mundo.
Sementes
de Paz
Era uma
vez uma mulher que queria a paz no mundo e no seu coração,
mas encontrava-se muito frustrada. Parecia-lhe uma empresa
impossível. Lia os jornais e cada vez ficava mais deprimida.
Um dia,
foi fazer compras e escolheu uma loja à sorte. Entrou e
ficou surpreendida ao ver que dentro estava um famoso Sábio
ao balcão. Ficou admirada e perguntou-lhe:
- É mesmo
o grande Mestre da sabedoria?
- Sim,
sou.
- Trabalha
aqui?
- Não. Sou
apenas o dono da loja.
- E o que
vende?
- De tudo
um pouco.
De tudo?
- Sim, o
que quiser. Que deseja?
- Não sei.
- Bem, tem
liberdade para percorrer todas as estantes e fazer uma
lista, ver o que realmente quer. Depois volta e veremos o
que podemos fazer por si.
A senhora
percorreu todas as secções. Havia produtos como «Paz na
Terra», «Não mais guerras», «Fim à fome», «Fim à pobreza»,
«Harmonia no mudo», «Não à poluição», etc…
Perante
tanta variedade de produtos, a mulher fez uma grande lista
de produtos. Regressou depois ao balcão. O Sábio pegou na
lista, olhou-a com atenção. Em seguida, olhou para a mulher
e disse-lhe:
- Não há
problema.
Inclinou-se e começou a tirar coisas e mais coisas, todas as
que estavam na lista. Atendeu-lhe a encomenda. A mulher, ao
receber a encomenda, perguntou:
- Que é
tudo isto?
- Pacotes
de sementes. São as amostras do estabelecimento. – respondeu
o Sábio.
- Isto que
dizer que não posso levar as coisas terminadas? – perguntou
a mulher.
O Sábio
respondeu:
- Não.
Este é um lugar onde se vendem os sonhos, projectos,
utopias. Vem aqui e vê como gostaria que fossem as coisas.
Eu dou-lhe as sementes dos seus desejos. Depois deverá
semeá-las e cuidar delas até que cresçam e dêem frutos.
A mulher
desiludida, exclamou:
- Era o
que faltava!
E foi-se
embora do estabelecimento sem comprar nada.
Reflexão
Pois é, se
na realidade o mundo está minado com muitas minas
anti-pessoais, depende de nós que os nossos ambientes sejam
ambientes de paz. Uma pessoa pacífica a mais no mundo é uma
pessoa violenta a menos.
Oração:
Se…
1-Se
acreditas que um sorriso é mais forte que uma arma e que o
perdão é preferível à vingança…
2- Se
acreditas no gesto de uma mão amiga que se estende e que é
mais o que nos une que aquilo que nos separa…
3-Se
acreditas que sermos diferentes é para nós um dom e que a
paz é possível em todos os ambientes…
Todos: … então virá a paz!
O
Horizonte
Era uma
vez um homem que gostava das montanhas e das terras altas.
Sempre tivera a tentação de subir os altos montes para ver o
que estava para lá deles. Mas descia sempre a montanha um
pouco desiludido. Para lá da aquela montanha havia outras
montanhas e outras distâncias. Assim, nunca podia desvendar
o segredo do que estava para além. Os livros
diziam que para além das distâncias ficava o horizonte. Mas
o horizonte era como o arco-íris: ninguém conseguia
agarrá-lo. Mas para que servia então o horizonte? O
arco-íris ainda tinha alguma utilidade: servia para anunciar
a chuva, mas do horizonte não se conhecia qualquer préstimo.
Depois de muito matutar, resolveu bater à porta do Céu e
perguntar ao pai Eterno para que é que Ele criara o
horizonte, que não passava de uma miragem para enganar as
pessoas.
São Pedro
acolheu-o com a amabilidade que todos lhe conhecemos e ficou
um pouco surpreendido pela curiosidade daquele peregrino. E
uma vez que ele estava tão interessado em saber o segredo
das distâncias levou-o ao Pai Eterno. Depois das saudações
iniciais o homem foi directo ao assunto. Começou a louvar a
beleza das montanhas e a sabedoria do Criador que as fez tão
belas. E não se poupou a elogios. Mas havia um senão… no seu
pobre entender havia uma coisa que não estava certa. E o Pai
Eterno quis saber, como quem não sabia já as reticências do
nosso amigo:
- O que eu
penso que não está certo é o horizonte. Para que serve o
horizonte senão para enganar as pessoas? Quando avançamos em
direcção ao horizonte, ele afasta-se e volta a aparecer para
lá da última montanha. E, se eu subo a esta última montanha,
lá vai ele colocar-se atrás da montanha seguinte. E assim
sucessivamente. Posso caminhar quilómetros na sua direcção
que ele afasta-se sempre sem nunca s deixar atingir. É uma
coisa que não faz sentido. No meu fraco entender o horizonte
não serve para nada.
O Pai
Eterno sorriu e respondeu ao peregrino:
- É
precisamente para isso que serve o horizonte: para fazer as
pessoas caminhar.
Reflexão
É preciso
partir e ir sempre ao encontro de projectos de vida que nos
valorizem. Temos um vasto horizonte pela frente e nunca
podemos baixar a fasquia quando se trata da nossa
felicidade. É importante caminhar sempre em sempre, mesmo
que leve tempo a alcançar os nossos sonhos, projectos,
ambições de bem. Nunca nos devemos resignar ao menos, mas
quer sempre ao mais pelo nosso bem e pelo bem dos outros.
Oração
Senhor,
quero caminhar com o olhar fixo no Teu horizonte, um
horizonte de Amor, de Esperança e de Paz. Que eu nunca
desanime e tudo o que me acontece seja um motivo para andar
com mais força para a frente; Contigo o caminho é mais
fácil…
Pai Nosso…
Nossa
Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
As mãos
que vêem
Era uma
vez uma jovem que vendia flores, numa das praças de maior
afluência da cidade. Cega como era, vendia as flores,
falando sempre da beleza das suas cores. Conhecia as flores
como se as visse: os cravos, as camélias, as rosas, as
tulipas. Todos se comoviam com a ternura com que a jovem
falava das suas flores e lá levavam um ramo de rosas,
precisassem ou não. Mais que as flores era a imagem daquela
jovem, cega, mas luminosa, que eles levavam consigo. Um dia
soube-se, pela comunicação social, que o seu caso tinha
cura. Mas precisava de uma intervenção cirúrgica, para a
qual a jovem não tinha dinheiro, por mais flores que
vendesse. Era uma esperança sem futuro. Até que um
belo dia, disseram-lhe que havia um senhor disposto a
pagar-lhe a operação. Era um desconhecido que não queria
dar-se a conhecer. O anónimo enviou-lhe o dinheiro, a jovem
foi operada e recuperou a vista. Logo que
ficou capaz, voltou para a praça a vender flores, que era
isso que sabia fazer e lhe dava grande alegria. Mas a
verdade é que ela, a partir daí, passou as tardes da praça a
sonhar com o desconhecido. Imaginava-o jovem, elegante, rico
e, sem dúvida, apaixonado por ela. A jovem só espera
encontrá-lo um dia, e quem sabe para casar com ele. E ela já
estava apaixonada por ele.
Um dia, um
senhor mal vestido, a barba por fazer, com ar de sem-abrigo
e de quem não dormiu aquela noite, passou pela praça. Ao
vê-la, parou e contemplou, como quem a vê pela primeira vez.
Também ela ficou surpreendida ao ver aquele pobre de Cristo,
sem eira nem beira, a olhar para ela. Fixou-o curiosa e logo
viu que ele não era homem de comprar as suas flores. Como
era florista, pegou numa rosa e ofereceu-lha, com aquele
sorriso iluminado de quem só tem alegria para dar. Mas, ao
oferecer-lhe a rosa, tocou na sua mão. E de repente o seu
olhar iluminou-se. Quase ficou sem fala.
- Ah, é o
senhor?
E caiu-lhe
nos braços. Enquanto o pobre homem apanhado de improviso,
não sabia o que fazer, como se lhe tivesse de pedir desculpa
por alguma falta cometida. Era ele, era esmo ele, o homem
que salvara os olhos da jovem cega!
Reflexão
O excerto
é uma cena de um filme dos anos 30, de Charles Chaplin “As
Luzes da Cidade”. Algo muito simples, para dizer que não são
só os olhos que vêem; as mãos também vêem para além do que é
visível. Um simples toque, faz chegar a mensagem ao coração,
porque se reconhece o bem que outros lhe fazem. No fundo, o
coração reconhece e agradece às pessoas que nos estendem as
mãos, sem qualquer tipo de interesse. Que bom quando essas
pequenas estrelas brilham na nossa vida quando somos
“cegos”; que bom quando somos essas estrelas somos nós na
vida dos outros.
Oração
Senhor,
que eu esteja sempre pronto a estender as minhas mãos para
ajudar os que mais precisam.
Pai Nosso…
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
A coruja e o falcão
Ben Said era sapateiro de profissão. A sua vida era dura,
forjada entre o sol e as sedas do deserto. Sempre o mesmo
horizonte fechado pelo sol e pelo vento, sem um amanhã
diferente, o seu dia- a- dia não passava de um mínimo para
sobreviver. Como rotina, diáriamente, ia à mesquita para
rezar a Alá. Era um muçulmano praticante, quanto baste.
Certo dia, antes de começar a sua oração, notou a presença
de uma coruja, numa reentrância da parede da mesquita. Como
não se movia,o sapateiro ficou curioso. Ainda tossiu alto, a
ver se a coruja dava pela sua presença e ia à sua vida, pois
a casa de Alá, não era poiso para animais. Mas a coruja fez
de cnta que não ouviu e o nosso amigo que se conformasse.
No dia seguinte, a cruja lá estava, no mesmo lugar, a olhar
para ele. No terceiro dia, Ben Said achou que o desaforo já
passava dos limites e aproximou-se para expulsar a coruja da
Casa de Deus. Mas qual não foi o seu espanto ao verificar
que a coruja era cega. Estava ele a pensar nesta coisa e a
ver como poderia ajudar, qundo chegou um falcão, trazendo no
bico uma pequena serpente que começou a despedaçar e a
colocar na boca da coruja, como uma mãe dá a papinha aos
seus filhotes. Ora louvado seja Alá e o seu profeta! Ben
Said ao ver aquele cenário interpretou que seria um sinal do
Céu para a sua vida. E pensou: «Se Alá cuida assim de uma
simples coruja, quanto mais não se ocuparia de mim, Ben
Said? Afinal tanto trabalho para receber um salério de
miséria?». Se assim pensou, assim o fez.
No dia seguinte, despediu-se da sua oficina e seus
acessórios e resolveu mudar de vida. Fecchou o “quiosque” e
em vez de começar a trabalhar, dirigiu-se para a porta da
mesquita e lá se sentou, fazendo companhia à coruja e
esperando que Alá providenciasse o seu sustento. Esmolas não
faltariam, que a boa gente que frequenta a mesquita tem bom
coração.
Ali estava, quando um velho amigo por ali passou e o
reconheceu. Admirado, perguntou-lhe o que tinha acontecido.
E Ben Said contou a históeria da coruja e do falcão, e da
sua reflexão. O bom amigo, mais habituado a estas andanças
de Alá, retomou a reflexão e disse:
-Meu bom amigo, não poderias considerar a possibilidade de
que Alá não te estivesse a convidar a ser como a coruja, mas
a ser como o falcão? Será que não quer que te preocupas em
ajudar aqueles que precisam e que não têm possibiliddes de
acudir à sua própria sobrevivência?
(Parábola marroquina)
Reflexão
É o convite a não nos acomodarmos. Se temos uma boa ou
razoavél situação, porquê querer ser como a coruja? Simples
interesses económicos? Poder? Riqueza sem esforço? Viver à
custa dos outros?
Sejamos como o falcão que voa sempre nas alturas, procura
soluções para ajudar os outros, dando-lhes uma qualidade de
vida, a recuperar a sua dignidade e os seus direitos. A
escola é um bom espaço para se puder ajudar neste caminho de
partilha e solidariedade para com aqueles que mais
necessitam. Acomodar-se é muito fácil, mas é perigoso para
o bem da humanidade.
Oração
Pai Nosso...Nossa
Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
O Magnífico diamante
Um
príncipe possuía um magnífico diamante, que conservava com
muito orgulho. Um dia,
por causa de um acidente, a pedra preciosa sofreu um
tremendo aranhão. Ficou desfigurada e já não era a mesma.
Este facto entristeceu o príncipe, que decidiu pôr todo o
seu empenho em conseguir que o diamante voltasse a ser o que
tinha sido anteriormente. Para isso, convocou os mais
habilidosos especialistas, e disse-lhes:
-Chamei-vos aqui para vos pedir uma coisa muito importante.
Os
especialistas em diamantes responderam:
- Dizei,
príncipe, que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.
Ele
explicou:
-Olhai
para este meu diamante. É a minha jóia mais preciosa e
sofreu este tremendo arranhão e preciso que volte ao estado
original. Fazei tudo o que puderdes e souberdes, que vos
pagarei generosamente.
Os
especialistas, um de cada vez, pegaram na jóia e
esmeraram-se para que ela voltasse a ter a beleza original.
Mas em vão. Nenhum deles conseguiu apagar ou sequer
dissimular o arranhão.
O príncipe
ficou muito triste mas não desistiu dos seus esforços. Soube
que, numa cidade vizinha, havia um genial lapidário de
diamantes. Mandou chamá-lo e pediu-lhe:
- Já
muitos artistas tentaram restaurar este meu diamante
precioso. Coloco-o nas suas mãos para que consiga fazer o
que outros não fizeram: dar uma nova beleza à minha pedra de
estimação.
O genial
lapidário, com arte e paciência, gravou no diamante uma
magnífica rosa e foi suficientemente habilidoso para fazer
do arranhão o próprio caule da rosa.
Desta
maneira, a pedra preciosa ficou, para felicidade do
príncipe, muito mais bela do que antes.
Reflexão
O
lapidário, vendo que o aranhão já não podia ser apagado,
serviu-se dele para desenhar uma rosa, ficando este a fazer
de caule. Com imaginação e criatividade, resolveu o
problema. Imaginação, arte e paciência, que é preciso ter
perante situações que nos parecem difíceis. Perante
situações difíceis, D. Bosco, bem que era criativo para dar
soluções a cada uma delas; o importante é não desistir, não
desanimar, mas com a criatividade procurar soluções que
promovam a felicidade. Nunca cruzar os braços, mas com um
pouco de imaginação tudo se resolve. Basta acreditar.
Oração
Pai Nosso…
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
O Barqueiro
«Um famoso professor da Universidade, candidato ao prémio
Nobel, chegou à margem de um lago. Pediu a um barqueiro que
o transportasse para o outro lado. Quando estavam longe da
margem, o professor começou a fazer perguntas ao barqueiro:
- Sabe hstória?
- Não, Senhor.
- Sabe astronomia?
-
Também não.
- Sabe filosofia?
- Não, Senhor.
Então do
alto da sua sabedoria, o professor respondeu:
- Não sabe nada disso? Então perdeu metade da sua vida!
De repente veio uma violenta tempestade. O barco começou a
meter água e o barqueiro perguntou-lhe:
- Sabe nadar?
O professor assustado respondeu que não. Foi então que o
barqueiro lhe disse:
-Então perdeu toda a sua vida!
Reflexão
Na vida, não basta ter muitos conhecimentos científicos e
muita sabedoria. Existem outras coisas essenciais para a
nossa salvação e felicidade. Por vezes corremos demasiado
atrás de muitas boas notas, não vivemos momentos serenos por
causa de se querer alcançar bons resultados, perdendo a
calma, a paz; e talvez ter um canudo na mão, não seja o mais
importante... no meio também dos estudos, é preciso dar
tempo a outras coisas essenciais, não superficiais e de mero
prazer pesssoal, mas a momentos, pessoas que nos ajudarão a
construir a nossa felicidade...
Oração
Pai Nosso…
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
O Viajante…
Um homem,
tendo que fazer uma longa viagem, preparou-se como melhor
lhe convinha. Teria um longo caminho pela frente, e
enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim,
inúmeros obstáculos. Achava que nada poderia detê-lo. Para a
sua caminhada, levou calçados, roupas, chapéu, enfim, tudo o
que achava necessário. E tudo era novo. Pensou no
seu destino e em tudo de valor que achava possuir. Abriu a
mochila, e nela colocou tudo: calçado, roupa, chapéu,
achando que se não os usasse no seu dia-a-dia, ao final,
teria tudo ao seu dispor, quando quisesse. E novo. Colocou
tudo às costas, e partiu. Ao longo da sua vida, após várias
trilhas, viu-se cansado e não pode mais continuar. Estava
exausto. O peso que tinha às costas, com o seu tesouro, já
lhe era insuportável.
Os pés, a
sangrar, o corpo surrado, machucado e frágil, a cabeça
ferida e o pensamento confuso, sem direcção.
Olhou para os seus pés e para seu calçado. O sapato
continuava novo e os seus pés, acabados.
Tomou na roupa nova e tocou no seu corpo velho e dolorido.
Levantou o chapéu novo e tentou colocá-lo na cabeça inchada. Faltava
muito para chegar, e tudo que possuía, novo, tal como
preservou, de nada lhe servia agora. Pensou em
abandonar tudo. Em silêncio, e pela primeira vez, concluiu
que se tivesse utilizado o calçado, ele estaria velho, mas
os seus pés, apenas doloridos. Se tivesse vestido a roupa,
esta estaria rota, mas, o seu corpo não estaria machucado,
cansado e sujo. Se tivesse usado o chapéu, ele estaria com
as abas caídas, mas a cabeça não estaria por estourar de
dor. Reflectiu,
e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos.
Para servi-lo, a todo instante, porém tentando somente
preservá-los, não permitiu que eles participassem da sua
vida.
Reflexão
Lembremo-nos de uma coisa: os amigos são como as peças de
roupa: eles não querem estar numa mochila, como o calçado, a
roupa, o chapéu, como um fardo. Querem estar contigo, no teu
dia- a- dia, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados…
mas estariam certos de que, de algum modo, aliviaram a tua
dor, o teu sacrifício e participaram de tua alegria, e
juntos chegariam à meta.
Mas só é
possível se forem todos juntos, respeitando-se uns aos
outros e fazendo com que cada um se sinta bem, assim como é.
Ser amigo é reconhecer-se um dom e ser dom para o outro;
está longe dos interesseiros que só pensam em si! Agora
escolhe quem levas na tua viagem…
Oração
Pai Nosso…
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
A virtude esquecida…
Conta-se
que, na China antiga, um príncipe da região norte do país
estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo
com a lei, ele deveria casar-se. Sabendo disso, resolveu
fazer uma disputa entre as jovens da corte ou quem quer que
se achasse digna da sua proposta. No dia
seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração
especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
Uma velha
senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os
comentários sobre os preparativos, sentiu tristeza, pois
sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo
amor pelo príncipe. Ao chegar a casa e relatar o facto à
jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à
celebração e indagou, incrédula:
- Minha
filha, o que vais fazer lá? Estarão presentes as mais belas
e ricas jovens da corte.
A filha
respondeu:
- Querida
mãe, eu sei que jamais serei escolhida, mas é a minha
oportunidade de ficar pelos menos alguns momentos perto do
príncipe, isto já me fará feliz.
À noite, a
jovem chegou ao palácio. Lá estavam as mais belas jovens,
com as mais belas roupas, jóias e com as mais determinadas
intenções. Então, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei a
cada uma de vós uma semente. Aquela que dentro de seis meses
me trouxer a mais bela flor, será a escolhida para a minha
esposa, futura imperatriz da China.
O tempo
passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade na
arte da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da
sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na
mesma extensão do seu amor, ela não precisaria de se
preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada
surgiu. Dia após dia, ela sentia cada vez mais profundo o
seu amor. Os seis meses passaram-se e nada tinha brotado.
Consciente do seu esforço e dedicação, a jovem comunicou à
sua mãe que, independentemente das circunstâncias,
retornaria ao palácio, na data e hora combinada, nem que
fosse só para ver o príncipe. Na hora marcada, estava lá com
o seu vaso vazio, assim como todas as outras pretendentes,
mas estas com as mais belas flores, das mais variadas formas
e cores. Ela estava admirada, nunca tinha presenciado tão
bela cena.
Finalmente, chega o momento esperado e o príncipe observa
cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção.
Depois de ter passado por todas, uma a uma, ele anunciou o
resultado e indicou a bela jovem como sua futura esposa. As
pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções.
Ninguém compreendeu porque é que ele tinha escolhido
justamente aquela que não tinha flor. Então, calmamente, o
príncipe esclareceu:
- Esta
jovem foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de
ser imperatriz, a flor da honestidade, pois, todas as
sementes que entreguei eram estéreis.
Reflexão
A flor
da honestidade.
Possivelmente nos dias de hoje, a virtude da honestidade,
não é muito cultivada. Ligada a esta está o valor da
verdade… ser honesto e verdadeiro significa dar a cara por
aquilo que se é e pelas coisas que se fazem. Falsificar,
enganar, aparentar ser, acaba por tornar as pessoas
incoerentes consigo mesmas e com os outros, a querem ser o
que não são, a viver por interesse. E descobrem, no final,
que por ali não é o caminho… e poderá ser tarde demais.
Embora em algumas situações possa ser difícil, apostemos na
verdade e na honestidade; não enganemos ninguém, de pouco
nos adiantará e depois como ficará a nossa consciência?
Oração
Pai Nosso…
Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!
Em nome do
Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!
Deus existe…?
Um zapping pelo Evangelho
Durante
uma conferência com vários universitários, um professor da
Universidade de Berlim, perguntou aos seus alunos:
- Deus
criou tudo o que existe?
Um aluno
respondeu que sim.
Então o
professor disse:
- SE Deus
criou tudo o que existe, então Deus fez o mal, já que o mal
existe! E se dizemos que as nossas obras/ acções são
reflexos de nós mesmos, então Deus é mau!
O jovem
calou-se perante a resposta do mestre, que feliz, se
regozijava de ter provado, uma vez mais que a fé é um mito.
Mas um
aluno pediu a palavra:
- Posso
fazer-lhe uma pergunta?
- Claro,
avança.
O jovem
levantou-se e perguntou:
- A
escuridão existe?
- Existe.
– respondeu o professor.
- A
escuridão não existe. A escuridão, na realidade, é ausência
de luz. A luz, podemo-la estudar, a escuridão não! Através
do prisma de Nichols, pode-se decompor a luz branca nas suas
várias cores, com as suas diferentes longitudes de onda. A
escuridão não. Como se pode saber que um determinado espaço
estão tão escuro? Com base na quantidade de luz presente
nesse espaço.
- A
escuridão é uma definição utilizada pelo homem para
descrever o que ocorre quando há ausência de luz. – disse o
professor.
O aluno
voltou a perguntar ao professor:
- O mal
existe?
- Como
afirmei no início, vemos constantemente golpes, crimes,
violência em todo o mundo. Essas coisas são o mal.
O
estudante respondeu:
- O mal
não existe, senhor professor, ou pelo menos por si mesmo;
existe enquanto ausência de bem. Como referiu anteriormente,
o mal é uma definição que o homem utiliza para descrever a
ausência de Deus. Deus não criou o mal. O mal é o resultado
da ausência de Deus no coração dos seres humanos. É igual ao
que acontece com a escuridão por ausência de luz.
O jovem
foi aplaudido de pé, e o professor, mexendo a cabeça
permaneceu em silêncio…
Reflexão
Nós mesmo
podemos fazer estas perguntas: como negar a existência de
Deus vendo todas as coisas boas que temos em cada dia? Como
podemos negar a existência de Deus vendo o número de pessoas
que dedicam a sua vida e o seu tempo aos outros? Deus
existe e oferece-nos a beleza de cada dia para o
enfrentarmos com alegria e amor. Ele não nos abandona, por
mais que existam pessoas que nos digam que sim.
Oração
Rezemos a
Deus nosso Pai com toda a confiança: Pai Nosso… Nossa
Senhora Auxiliadora
A única estrada…
«O Anjo da
Morte, um dia bateu à porta de um homem.
- Entra e
senta-te. – disse o homem. – Estava à tua espera.
- Mas eu
não vim para dar dois dedos de conversa. – disse o Anjo- mas
para levar-te a vida.
- E que
outra coisa quererias tu levar?
- Não sei.
Mas todos aqueles que me vêem a aproximar gostariam de
oferecer-me sempre outras coisas; tudo menos a vida. E se
soubesses que ofertas me fazem!!!!
- Mas eu
não. Não tenho nada para te dar. As alegrias que me foram
dadas, gozei-as; diverti-me imenso, mas não fiz da diversão
o projecto da minha vida. As canseiras, confie-as ao vento;
os problemas, as dúvidas, as inquietações confiei-as à
providência. Utilizei os bens terrenos e materiais enquanto
me foram necessários e renunciei ao supérfluo; o sorriso,
ofereci-o a todos os que me pediam; o meu coração a quantos
amei e me amaram; a minha alma confiei-a a Deus. Por isso,
toma a minha vida, porque não tenho outra coisa para
oferecer-te.
O Anjo da
Morte elevou o homem nos seus braços e encontrou leve como
uma pena. Quando chegaram ao Paraíso, o Senhor escancarou a
porta porque estava para entrar um santo.»
Reflexão
Mesmo que
ainda sejas adolescente ou jovem, acredita que não há outra
estrada… a única estrada para uma vida plena, realizada e
feliz é a da santidade. E tudo vivido no hoje, no presente
que o Senhor nos dá como dom todos os dias. Cabe a ti
decidir por onde queres caminhar… e como desejas brilhar!
Oração
Senhor, nas tuas mãos a
minha vida;
Pai
Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do
pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.
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