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Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias”

Janeiro 09 - BIG BANG SALESIANO: DON BOSCO

As origens e a explosão do carisma salesiano

 

Nenhum astro se cria a si mesmo mas tem origem numa explosão inicial. Assim aconteceu com o carisma salesiano, graças ao dom que Deus, com D. Bosco, concedeu à Igreja. Descobrir as nossas origens significa descobrir o nosso destino e dar consistência ao presente. A explosão inicial não acabou: outros astros estão a nascer, outros horizontes estão a ser explorados para a salvação dos jovens… a força inicial do Espírito não tem limites.

 

Objectivos: aprofundar a vida de D. Bosco, a história salesiana e conhecer as várias expressões do carisma salesiano presentes no mundo…

 

Recordamos…

 

1 de Janeiro: Dia Mundial da Paz

18 de Janeiro: Início da semana de oração pela unidade dos cristãos

21 de Janeiro: Miguel Magone

22 de Janeiro: Laura Vicunha

24 de Janeiro: S. Francisco de Sales

25 de Janeiro: Conversão de S. Paulo e Dia Mundial dos Leprosos

31 de Janeiro: Festa S. João Bosco

Don Bosco

 

1 de Janeiro: Dia Mundial da Paz - COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

O dia 1 de Janeiro é de facto um dia dedicado a pensarmos na Paz. Mas também é verdade que escutando os meios de comunicação social, parece que outra coisa não temos que guerra, violência e distúrbios a torto e a direito, em que os direitos humanos não são respeitados e as consequências surgem com um rosto muito negativo. Por isso o apelo do Papa para este dia mundial da Paz vai de encontro à POBREZA que está a atravessar o nosso “GLOBO HUMANO”. A frase chave deste ano: Combater a pobreza, construir a Paz.

 

Eis algumas das situações que o Papa refere e que vão para além da ideia de que a pobreza é não ter bens materiais: (Estes pontos podem ser lidos em dois ou três dias, com uma oração final pedindo a Paz para o mundo.)

«A pobreza aparece muitas vezes associada, como se fosse sua causa, com o desenvolvimento demográfico. Em consequência disso, realizam-se campanhas de redução da natalidade, promovidas a nível internacional, até com métodos que não respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o número dos filhos e que muitas vezes – facto ainda mais grave – não respeitam sequer o direito à vida. O extermínio de milhões de nascituros, em nome da luta à pobreza, constitui na realidade a eliminação dos mais pobres dentre os seres humanos.»

«Outro âmbito de preocupação são as pandemias (doenças graves) como por exemplo a malária, a tuberculose e a SIDA, pois, na medida em que atingem os sectores produtivos da população, influem enormemente no agravamento das condições gerais do país.() Sobretudo a SIDA, dramática causa de pobreza, é difícil combatê-la se não se enfrentarem as problemáticas morais associadas com a difusão do vírus. É preciso, antes de tudo, fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens, para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa; iniciativas realizadas nesta linha já deram frutos significativos, fazendo diminuir a difusão da SIDA.»

«Terceiro âmbito, que é objecto de atenção nos programas de luta contra a pobreza e que mostra a sua intrínseca dimensão moral, é a pobreza das crianças. Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as suas vítimas mais vulneráveis: actualmente quase metade dos que vivem em pobreza absoluta é constituída por crianças. O facto de olhar a pobreza colocando-se da parte das crianças induz a reter como prioritários os objectivos que mais directamente lhes dizem respeito, como por exemplo os cuidados maternos, o serviço educativo, o acesso às vacinas, aos cuidados médicos e à água potável, a defesa do ambiente e sobretudo o empenho na defesa da família e da estabilidade das relações no seio da mesma. Quando a família se debilita, os danos recaem inevitavelmente sobre as crianças. Onde não é tutelada a dignidade da mulher e da mãe, a ressentir-se do facto são de novo principalmente os filhos.»

«Quarto âmbito que, do ponto de vista moral, merece particular atenção é a relação existente entre desarmamento e progresso. Gera preocupação o actual nível global de despesa militar. É que, como já tive ocasião de sublinhar, «os ingentes recursos materiais e humanos empregados para as despesas militares e para os armamentos, na realidade, são desviados dos projectos de desenvolvimento dos povos, especialmente dos mais pobres e necessitados de ajuda. E isto está contra o estipulado na própria Carta das Nações Unidas, que empenha a comunidade internacional, e cada um dos Estados em particular, a ‘‘promover o estabelecimento e a manutenção da paz e da segurança internacional com o mínimo dispêndio dos recursos humanos e económicos mundiais para os armamentos'' (art. 26)»

«Quinto âmbito na referida luta contra a pobreza material diz respeito à crise alimentar actual, que põe em perigo a satisfação das necessidades de base. Tal crise é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, como sobretudo pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenómenos especulativos e, consequentemente, pela falta de um reajustamento de instituições políticas e económicas que seja capaz de fazer frente às necessidades e às emergências. A má nutrição pode também provocar graves danos psicofísicos nas populações, privando muitas pessoas das energias de que necessitam para sair, sem especiais ajudas, da sua situação de pobreza.»

Luta contra a pobreza e solidariedade global

Uma das estradas mestras para construir a paz é uma globalização que tenha em vista os interesses da grande família humana. Mas, para guiar a globalização é preciso uma forte solidariedade global entre países ricos e países pobres, como também no âmbito interno de cada uma das nações, incluindo ricas. É necessário um «código ético comum» cujas normas não tenham apenas carácter convencional mas estejam radicadas na lei natural inscrita pelo Criador na consciência de todo o ser humano (cf. Rm 2, 14-15). Porventura não sente cada um de nós, no íntimo da consciência, o apelo a dar a própria contribuição para o bem comum e a paz social? A globalização elimina determinadas barreiras, mas isto não significa que não possa construir outras novas.

«Cada um entregue-se à tarefa que lhe incumbe com a maior diligência possível» () Assim, a cada discípulo de Cristo bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhe for concretamente possível para ir em seu socorro. De facto, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma «combater a pobreza é construir a paz».

Mensagem do Papa Bento XVI, para o dia Mundial da Paz

Reflexão:

A paz depende de cada um de nós, depende de cada decisão que tomarmos. Na medida em que colaboramos e partilhamos a vida com os outros, podemos construir a paz. A pobreza a final atinge o seio de qualquer comunidade ou pessoa singular e todos somos responsáveis por todos, para que a paz interior seja possível. E juntos, chegaremos à paz exterior. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça o que o Criador tem para nos dizer.!!!  Senhor fazei-nos instrumentos da Tua Paz, onde houver ódio que eu leve o amor!

 

«Se D. Bosco vivesse no nosso tempo, seria o primeiro a arregaçar as mangas e a lutar por estas causas. Um olhar para a nossa realidade (famílias, escola, bairro…) onde posso ser uma ajuda?

 


21 de Janeiro: Miguel Magone (1845-1859)

De uma incrível vivacidade, era um autêntico pequeno chefe de grupo, que só a perícia pedagógica de Dom Bosco conseguiu dominar, orientando-o para a santidade. Foi um outro Domingos Sávio. Desde criança foi um pequeno apóstolo entre os colegas, sempre disposto a manter a paz. Ajudava o pároco como catequista dos mais pequenos. Desde que entrou no Oratório, segui à letra todas as sugestões de Dom Bosco. Adoeceu em Valdocco e aí morreu. Tinha só 14 anos.

 

D. Bosco conta o encontro com Magone:

«Numa noite de Outono, encontrava-me em Sommariva del Bosco, junto de Carmagnola, e devia esperar pelo comboio para voltar a Turim. Já tinham tocado as 19h00, o tempo estava enublado, uma densa neblina transformava-se em chuva miudinha. Tudo contribuía a que as trevas fossem muito densas, que a distância de um passo não se conseguia ver alma viva. A luz da estação tinha uma claridade tão fraca que se perdia na escuridão. Só um grupo de jovens com tanto barulho e agitação chamavam a atenção, ou melhor, ensurdeciam as orelhas dos “espectadores”. A vos de “espera”, “apanha”, “corre”, “agarra esta”, “apanha aquele” serviam para ocupar os pensamentos dos que iam viajar. Entre aquelas vozes identificava-se uma que sobressaia das outras, distinta que dominava todas as outras. Era uma voz de “capitão”, repetida pelos colegas e seguida por todos. Assim, nasceu em mim um desejo de conhecer aquele que com tanto ardor e prontidão sabia regular e controlar tamanha confusão. Encontro-os reunidos à volta daquele que fazia de guia; com dois saltos lanço-me para o meio deles. Todos fugiram assustados; fica só um, que se aproxima e apoiando as mãos nas ancas com ar imperioso começa a falar:

-Quem sois vós, que interrompeis os nossos jogos?

- Eu sou um teu amigo.

- O que é que quer de nós?

- Quero, se vos faz contentes, divertir-me e falar contigo e com os teus companheiros.

Mas quem sois? Eu não vos conheço.

- Já te disse, sou um teu amigo: desejo fazer algum recreio contigo e com os teus companheiros. Mas tu quem és?

- Eu? Quem sou? Eu sou – diz com voz grave e sonora – Miguel Magone, o chefe cá da malta.

Enquanto estávamos nestes discursos, os outros rapazes, que se tinham dispersado, um a seguir ao outro, aproximaram-se e reuniram-se à nossa volta. Depois de uma palavrinha a um e a outro, voltei-me de nova para Miguel:

- Meu bom Miguel, quantos anos tens?

- Tenho 13 anos.

- E já te confessas?

- Oh, sim!! – diz sorrindo.

- Já fizeste a Santa Comunhão?

- Sim já fiz e já recebi mais algumas vezes.

- Aprendeste alguma profissão?

- Aprendi a profissão de não fazer nada!

- Então até agora o que tens feito?

- Fui à escola.

- E que ano fizeste?

- A Terceira classe.

- Ainda tens pai?

- Não, o meu pai já morreu.

- E mãe?

- Sim, a minha mãe ainda é viva e trabalha para um patrão, e faz o que pode para dar um pouco pão a mim e aos meus irmãos que a fazemos, continuamente, desesperar.

- O que queres fazer no futuro?

- É preciso que eu faça alguma coisa, mas não sei o quê.

Esta franqueza das coisas, unido a um discurso assim ordenado, fez-me perceber quanto perigo estava eminente para aquele jovem, assim lançado naquele caminho.

- Meu bom Magone, tens vontade de abandonar esta vida de maltrapilho e aprenderes alguma profissão, ou então continuar a estudar?

- É claro que tenho vontade. Esta vida de garoto da rua não me agrada nada. Alguns dos meus colegas já estão na prisão, e eu temo o mesmo para mim, mas que devo fazer? O meu pai morreu, a minha mãe é pobre, quem é que me vai ajudar?

- Esta noite faz uma oração fervorosa a Deus Pai que está no céu; mas reza de coração, confia n’Ele; Ele providenciará para mim, para ti e para todos.

Naquele momento o sino da estação dava os últimos toques, e eu devia partir.

- Toma! Toma esta medalha, e amanhã vai ter com D. Ariccio, teu vice- pároco e diz-lhe que o padre que te deu esta medalha gostaria de ter algumas informações quanto ao teu comportamento.

Miguel recebeu a medalha com respeito e perguntou:

- Mas qual é o seu nome, de onde sois?  Conheceis D. Ariccio?

Magone fazia estas e outras perguntas mas eu não pode responder, porque tinha de subir rapidamente para a carruagem e voltar a Turim.

O rapaz pela curiosidade, rapidamente foi ter com D. Ariccio. O vice-pároco compreendeu logo quem era o padre e no dia seguinte escreveu-me uma carta com algumas informações: Magone, Miguel é um rapaz volúvel, agitado, perturba na Igreja e na escola, difícil de controlar e controlar-se, mas é bom de coração e simples nos costumes.

Mesmo assim D. Bosco enviou para Miguel Magone uma carta de aceitação no seu Oratório.

 

Poucos dias depois, vejo-o aparecer diante de mim, correndo ao meu emcontro:

- Eis-me aqui! Eu sou o Miguel Magone que o senhor encontrou na estação de Carmagnola.

- Eu sei tudo, meu bom amigo. Vieste de boa vontade?

- Sim, sim, boa vontade não me falta.

- Se tens boa vontade, recomendo que não me ponhas em pantanas toda a casa!

- Oh, mas estai tranquilo que não vos vou desiludir. No passado orientei-me mal, mas para o futuro não quero que seja assim. Dois colegas meus já estão na prisão…

- Bom ânimo, então. Diz-me só uma coisa: gostas mais de estudar ou aprender uma profissão?

- Estou disposto a fazer o que quiser, mas se me deixa escolher, prefiro estudar.

- Pensando de pôr-te a estudar, o que tens em mente para quando terminares os estudos?

- Se um vagabundo… - começou a dizer e baixou a cabeça.

- Continua… o que queres dizer: se um vagabundo…

- Se um vagabundo pudesse tornar-se muito bom para ser padre, eu voluntariamente serei padre.

- Veremos o que um “vagabundo” saberá fazer!!! Ponho-te a estudar: mas quanto ao seres padre ou outra coisa, isso dependerá de teu progresso no estudo, do teu comportamento moral e dos sinais que darás para seres chamado ao sacerdócio.

- Se os esforços de uma boa vontade, podem conseguir alguma coisa, asseguro-vos que não ficareis descontente comigo.

«No início, a vida no Oratório para Miguel Magone não foi fácil. Esforçava-se por corrigir-se e deixar-se corrigir dizendo «Fizeste bem em avisar-me», era pontual na escola, no estudo e na oração.

Na sua passagem pelo Oratório, deixou-se acompanhar por D. Bosco, que o conduziu à vivência dos sacramentos, sobretudo a Confissão e a Eucaristia, e foi um modelo de alegria, um pacificador entre os seus colegas. Um verdadeiro astro a brilhar entre os jovens.

 


22 de Janeiro: Laura Vicunha

  • Laura nasce no dia 5 de Abril de 1891 no Chile.

  • No dia da sua morte: “Agora morro contente. Obrigado Jesus! Obrigada Maria!” Era o dia 22 de Janeiro de 1904. Laura não chegou a completar os 13 anos de idade.

  • No dia 3 de Setembro de 1988, o Papa João Paulo II proclama-a Beata e modelo de toda a juventude.

Porque não um Bom Dia diferente!?

Cena I

Narrador 1: Depois da morte do pai, a Srª Mercedes vê-se só com duas filhas e decide emigrar e fixa-se na Argentina, em Junín de los Andes. Aqui conheceu um rico proprietário, Manuel Mora, que lhe deu alojamento e se prontificou no início a pagar o Colégio para as suas duas filhas.

Narrador 2: Assim, em 1900 a Srª Mercedes leva as duas filhas para o Colégio das Irmãs Salesianas, que era um internato.

Mercedes: Esta é a Laura e a pequenina é a Amanda.

Irmã: Bem- vindas. Esta é a casa de Nossa Senhora e de hoje em diante será também a vossa casa.

Amanda: Mãe, eu não quero ficar. (a choramingar)

Laura: (abraça de forma carinhosa) Eu fico contigo Amanda. A mãe tem de trabalhar.

Mercedes: As férias chegam depressa, sejam boazinhas!

 (Despedem-se da mãe e saem com a Irmã)

Narrador 1: Os primeiros dias de Colégio são para Laura uma sinfonia e o início de novas descobertas. (Pode-se improvisar um ambiente de colégio, com alunas a passar)

Cena II

(Laura ajoelhada diante de uma imagem de N. Sr.ª)

Narrador 2: Apercebendo-se da situação da mãe, reza a Nossa Senhora e pede pela mãe. No dia da primeira comunhão entregou-se a Deus oferecendo a sua vida pela conversão da mãe.

Laura: Sim Jesus, compreendi e aceito: a minha vida, ofereço-a para salvar a minha mãe.

(levanta-se e junta-se às colegas)

Narrador1: No Colégio todos admiravam as atitudes de Laura, a sua serenidade e ajuda caridosa.

(Laura mais um grupo de internas no serviço. Avental e vassouras.)

Interna 1: Eu é que não vou varrer aquele pórtico aberto aos quatro ventos. Com este frio não estou para me constipar.

Laura: Olha, fazemos uma troca. Tu varres o dormitório, e eu varro o pórtico, pode ser?

Interna 1: Mas tu, Laura, tens as mãos cheias de frieiras!... Mas de qualquer modo isso é lá contigo!

(Saem)

Cena III

 (Ouvem-se algumas vozes no exterior de curiosidade e alegria)

Narrador 2: Sempre que a Srª Mercedes visitava as filhas enchi-as de presentes: vestidos elegantes, doces, perfumes que partilhava com as colegas. Mas Laura desejava outro presente.

(Laura entra carregada de presentes e as colegas à sua volta)

Interna 2: O que é que a tua mãe te trouxe hoje?

Laura: Trouxe aquele doce de que tu gostas... toma.

Interna 3: Olha um sabonete perfumado... que cheirinho!

Laura: Gostas? Fica com ele. E quem quer este frasco de perfume? E este xaile bordado?

Cena IV

Narrador 1: Mas a inveja ataca uma das colegas de classe.

(Duas raparigas falam entre si)

Rap1: Dá-me uma destas raivas a Laura. É tudo uma farsa para dar nas vistas às freiras.

Rap 2: Que dizes? Não vês como ela é bondosa, amável e bem-educada!

Rap 1: Ai si? Vou pô-la à prova e verás a sua virtude.

Rap 1: (Com arrogância) Laura, vamos fazer o serviço na sala. É a nossa vez!

Laura: Está bem, vamos!

 (Laura pega numa vassoura e começa a varrer. A Rap 1 pega no caixote do lixo e começa a despejar o lixo no chão.)

Laura: Mas que estás a fazer?

Rap 1: Tu varres e eu sujo. É simples, não achas?

Laura: Sim e simples! (E continua a varrer)

Rap1: (falando de forma agitada e enraivecida) Palerma, atrevida, antipática, é o que tu és! (Despeja o resto do lixo no chão)

Laura: Tenho pena de te ver tão aborrecida. Posso fazer alguma coisa por ti? (Rap 1 sai furiosa)

Narrador 2: Laura era compreensiva e tolerante. Tentou sempre caminhar pelo caminho do bem.

Cena V

(Laura enferma; deitada numa cama com a mãe ao lado.)

Narr.1:No Inverno de 1903 adoeceu gravemente. Acolheu a doença como um dom de Deus concretizando a sua oferta a Jesus: a sua vida pela mãe.

Laura: Mãe, ofereci a minha vida por ti! Sempre te amei! Agora morro contente! Obrigado, Jesus! Obrigada, Maria!

Narr2: Laura morre no dia 22 de Janeiro de 1904.

Obrigada Laura pelo teu exemplo de santidade no quotidiano.

 

Reflexão:

A capacidade de se ser diferente. Mais do que pretender ser igual aos outros, viver de aparências, deixar-se levar pelas emoções e impulsos, mais do que se deixar guiar e orientar pelo que outros diziam, Laura soube deixar-se iluminar pela vida de Jesus e de Maria, para ter uma vida verdadeira e cheia de bons valores. Viver no quotidiano o mandamento do Amor é o convite lançado a todos nós, nas mais simples situações do nosso dia- a- dia, nas nossas relações.

 

«Laura recebeu a espiritualidade de Cristo, dentro de um carisma salesiano. É modelo para nós, nas atitudes a ter uns com os outros: a bondade, a paciência, a amabilidade, a disponibilidade e a fé; oração, trabalho e diversão, tudo a mesma coisa quando vividos com Jesus e a Maria, sem medo.  

 


24 de Janeiro: S. Francisco de Sales

Nasceu a Savoia (1567- 1622). Director espiritual doce e exigente, recordou aos leigos cristãos que todos são chamados à perfeição evangélica. Santo conhecido pela sua extrema doçura e amabilidade nas relações, apostando sempre no Amor de Deus. Escreveu duas grandes obras “Introdução à vida devota” e “Tratado do amor de Deus”. D. Bosco deixou o exemplo deste Santo aos seus salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora para que o imitassem, dando o nome aos salesianos.

Contamos algo deste Santo e da sua influência na vida de D. Bosco e como serviu de inspiração:

«D. Bosco inspirou-se em diversos santos. Dizia: «Não é a ciência que faz os santos mas a virtude».

  • Embora tivesse proposto outros santos, D. Bosco sentiu-se mais inclinado e mais sensibilizado pela figura de S. Francisco de Sales. Durante o tempo de estudo, João via diariamente o retrato de Francisco de Sales numa parede da Capela do Seminário de Chiéri. Que pensaria ele, cada vez que olhava para aquele quadro? Às vezes, os quadros dizem e entusiasmam muito mais que as palavras. O jovem seminarista começou a mostrar interesse por S. Francisco de Sales. O seu sorriso compreensivo e a sua esperança a toda a prova tiveram em D. Bosco uma importância decisiva.
     

  • O bispo de Genebra era um guia espiritual de grande sensibilidade. Possuía o carisma da direcção espiritual e compreendia a sensibilidade das almas. S. Francisco de Sales aliava uma ternura reservada e uma atitude amável para com todos, mantendo-se afectivamente desprendido de todos.
     

  • Tornou-se fundador de um humanismo religioso. Um dia alguém escreveu: «A linguagem de S. Francisco de Sales tem o encanto e p perfume dos prados. Não dos prados de Outono, nem sequer da Primavera e muito menos do Inverno, mas do Verão, de um meio-dia de Verão. Nas suas obras há muito calor.»
     

  • Graças a este humanismo cristão, pode-se defender a tese que a piedade/ oração pode ser vivida intensamente tanto nos conventos como no mundo. A vivência destes dois aspectos foram possíveis a S. Francisco de Sales porque nele morava a mansidão de Cristo «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração».
     

  • Na figura de S. Francisco de Sales resplandecem a bondade, a compreensão e o perdão. D. Bosco fez seu, o pensamento do Santo: «Doce no trato, mas firme nos princípios». Não o imitou, mas inspirou-se profundamente na sua espiritualidade, adaptando ao contexto histórico em que vivia. Quando se tratou de dar o nome à nova associação, não tinha outra escolha a fazer senão chamar-lhe «Salesiana». Ao Oratório/ Centro Juvenil, não pensou dar o seu nome, preferindo intitulá-lo com o nome do Santo que admirava.

« A bondade, a delicadeza, a cordialidade, responder com cuidado, escutar com atenção, fortalecer amizades verdadeiras… algumas das atitudes de S. Francisco que D. Bosco acolheu e nos transmitiu. Fazem parte da nossa Galáxia salesiana…


25 de Janeiro: Conversão de S. Paulo

O acontecimento que hoje celebramos, dentro das comemorações do ano Paulino, relata a manifestação do Senhor a Paulo e do Seu chamamento a ser discípulo. É a conversão de Paulo de Tarso. De perseguidor dos cristãos, para a ser ele perseguido, uma vez que compreendeu que Jesus Cristo é a Luz dos Povos.

Cada conversão é fruto de uma acção gratuita de Deus que muda o coração de cada homem, e o convertido, através da sua vida, testemunha que ninguém pode medir as consequências da Vida de Deus no ser humano. A conversão de S. Paulo merece ser celebrada com um destaque particular, porque manifesta uma reviravolta na história da Igreja nascente. Paulo, leva a mensagem de Cristo, não só a judeus, mas a todos os povos, com a missão de se viver a unidade da fé.

S. Paulo, Apóstolo e grande Evangelizador de todas as nações, ensina-nos a dizer o nosso “Sim” a Deus.

Uma pequena celebração:

Ambiente: destaque de uma imagem de S. Paulo, Bíblia, palavra “SIM”, música de fundo, rosto de Cristo ou projecção, papeis para se escrever.

L1: Em Jesus, Deus disse o maior dos seus “Sim” à humanidade.

L2: Também nós somos chamados a pronunciar um grande “Sim” a Deus.

Cântico apropriado

L3: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Desta forma, Paulo ensina-nos a dizer o grande “Sim” a Deus.

Proclamação da Palavra

Do livro dos Actos dos Apóstolos

«Estando ele em viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente uma luz vinda do céu o envolveu de claridade. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, porque me persegues?” Ele perguntou: “Quem és, Senhor?” E a resposta: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Mas levanta-te, entra na cidade, e te dirão o que deves fazer”.»

Palavra do Senhor

Um momento de silêncio

J1: A nossa cegueira esconde-se atrás de mil realidades: relativismo moral, paralisias espirituais, corações traídos…

J2: Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus devemos sair das nossas cegueiras. Lançado por terra, é constrangido a “meter-se em discussão” .

J3: Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus devemos converter-nos e não termos medo de pôr em crise as imagens que criamos sobre nós mesmos (boa gente, cristãos devotos…) e de Deus. 

J1: A conversão transforma intimamente Paulo e depois desse momento renasce o seu carácter de sempre: impulsivo, forte, corajoso…

J2: Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus devemos vigiar sempre sobre o nosso carácter e personalidade e reconhecer que é sempre Deus que se serve do nosso modo de agir, seja são ou doente, para fazer chegar a Sua Bênção a todo o mundo.

Proclamação da Palavra

 

Da Carta aos Gálatas

«Com efeito, eu vos faço saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo. Ouvistes certamente da minha conduta de outrora no judaísmo, de como perseguia e devastava a Igreja de Deus e como progredia no judaísmo mais do que muito compatriotas da minha idade, distinguindo-me no zelo pelas tradições paternas.

Quando, porém, aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho, para que eu evangelizasse entre os gentios, não consultei nem carne em sangue, nem subi a Jerusalém, mas fui à Arábia, e voltei a Damasco.»

Palavra do Senhor

Um momento de silêncio

J1: Paulo faz experiência pessoal de Jesus e afirma «Para mim viver é Cristo e morrer é lucro» (Fil 1, 21) (descobre-se um rosto de Cristo ou projecta-se)

J2: Paulo faz experiência do amor incondicional de Deus, manifestado de modo visível na cruz: Deus ama-me assim como sou!

(Convida-se a contemplar em silêncio, a imagem ou o diapositivo de Cristo… música de fundo)

J3: «É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão» (Gal 5,1)

J1: Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus devemos libertar-nos da dependência das coisas exteriores e encontrar em Deus a verdadeira liberdade.

Cristo dará a liberdade, Cristo dará a salvação, Cristo dará a esperança, Cristo dará o Amor.

J2: Paulo recorda-nos que para dizer um “sim”grande a Deus devemos deixar de estar ligados aos critérios do prestígio, da força, da prepotência, da superioridade…

J3: Paulo recorda-nos que para dizer um grande “sim” a Deus devemos estar dispostos a sofrer pelo Evangelho.

J1, 2, 3: Diremos o nosso grande “Sim” a Deus?

(Um momento de silêncio. Convida-se a cada um dar a sua resposta e se quiserem escrever estará papel disponível)

Cântico final: O Espírito de Deus hoje está sobre mim… Sou enviado a ser, profeta de um mundo novo…

« Embora seja a proposta de uma celebração, pode-se retirar algumas frases e dar o bom-dia. Mesmo para os mais pequenos, uma imagem e algumas frases ajuda-os a conhecer S. Paulo.

 


31 de Janeiro: D. Bosco

Nasceu em Turim, Itália, em 1815, de uma família pobre mas profundamente cristã. Passou por várias dificuldades tendo que trabalhar ainda muito novo para custear os seus estudos. Gostava de lidar com crianças e jovens, aprendendo até artes de ilusionista e saltimbanco para os cativar.

Depois de muito esforço, foi ordenado padre em 1841. A partir daí, decidiu consagrar toda a sua vida ao serviço dos mais pobres e abandonados.

Fundou Centros juvenis, Escolas, dedicou-se à boa imprensa e às Missões. "Basta que sejais jovens para que eu vos ame", costumava dizer.

Fundou os Salesianos, seus continuadores, nome inspirado em S. Francisco de Sales, homem de grande bondade. Fundou também o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (ou Salesianas) juntamente com uma jovem, Maria Mazzarello, dedicada às meninas mais pobres.

Morreu a 31 de Janeiro de 1888, deixando a sua presença e acção em todo o mundo.

Com base na mansidão, bondade e alegria, deixamos alguns episódios conhecidos da vida de D. Bosco, que de certo modo, reflectem o que D. Bosco já na sua juventude vivia, mas que soube amadurecer. E o seu exemplo ainda é válido para os dias de hoje:

 

Sociedade da Alegria

«Piedoso e bom, sem ostentação alguma, não tardou em cativar a benevolência, a estima e o afecto de todos os companheiros. A princípio aproximavam-se dele para brincar, para ouvir da sua boca factos e anedotas que, contadas com espontaneidade e graça, despertavam a hilaridade, fomentavam a alegria e deixavam sempre, como lembrança de um bom pensamento, um bom conselho, um incentivo a praticar a virtude. Depois, procuravam-no para fazerem juntos os trabalhos escolares e prepararem lições; e, finalmente, acorriam a ele, mesmo sem nenhum motivo especial, como que atraídos e fascinados pela sua palavra e pelas suas maneiras correctas e afáveis.

Foi assim que nasceu a «Sociedade da Alegria», nome muito apropriado a tais reuniões, pois cada um se comprometia a procurar livros, amenizar conversas e inventar jogos que pudessem contribuir para despertar a alegria; ao passo que era rigorosamente proibido tudo aquilo que originasse tristeza e melancolia, ou fosse contrário à santa lei de Deus. por conseguinte, quem blasfemasse ou falasse de coisas inconvenientes era imediatamente afastado desta sociedade, como indigno de pertencer a ela.

À frente deste grupo de rapazes briosos estava João Bosco; e a base da união que existia ente eles eram estes dois artigos:

1º- Todo o membro da Sociedade da Alegria deve evitar as más conversas e as más acções indignas de um cristão;

2º- Deve ser exacto no cumprimento dos deveres escolares e religiosos.

Reuniam-se, durante a semana, na casa de um dos sócios e nos dias festivos, depois da reunião iam para a Igreja de S. António, onde os padres jesuítas tinham bem organizada a catequese.

D. Bosco não se contentava com dar bom exemplo, no meio da Sociedade, procurava atrair a ela os rapazes que encontrava, com uma palavrinha, com entretenimento e jogos de prestidigitação, em que era muito hábil.

Reflexão

Palavras para quê? O episódio da vida de D. Bosco, fala-nos e é válido para os nossos dias. Aqui, estão as suas raízes e origem, de todo o seu carisma e espiritualidade. Uma juventude assim, vivida em prol da felicidade dos outros, deita abaixo as barreiras do individualismo, do egoísmo e egocentrismo que se foram construindo no mundo juvenil. Vale a pena confrontar a vida com D. Bosco.

Defende um companheiro… cria-se e fortalece-se uma amizade.

«Quando D. Bosco frequentava o quinto ano liceal, ouviu dizer, logo na abertura das aulas, que ia ter por companheiro um rapaz santo. Sorriu ao ouvir tal coisa e tomou-a em ar de brincadeira. No entanto, esta notícia tinha-se espalhado entre os seus colegas, e D. Bosco desejava ardentemente conhecer o tal rapaz, mas não sabia como se chamava.

Espírito observador como era, não tardou muito em notar, entre todos os colegas, um, dos seus quinze anos, que pela modéstia, pela afabilidade e cortesia com que falava, parecia ser o indicado. Mais se confirmou João neste seu juízo, quando, observando-o, o via exactíssimo no cumprimento dos seus deveres e na pontualidade às aulas. Era Luís Comollo.

Um dia, enquanto o professor não chegava, alguns dos mais irrequietos e indisciplinados queriam, por força, obrigar Luís a tomar parte nuns jogos e saltos perigosos. Desculpava-se ele com boas maneiras, dizendo que não estava habituado a tais jogos e que não era capaz. Um dos alunos, mais atrevido e mal-educado, disse:

- Se não vens a bem, virás a pontapés e a bofetadas.

- Podes bater-me, se quiseres, mas eu não sei, não posso e não quero…

E aquele mau colega, vendo que Luís não cedia, tomou-o por um braço, empurrou-o e deu-lhe duas bofetadas que ecoaram pela sala.

Diante de tão indigno procedimento, João Bosco estremeceu, sentiu ferver o sangue nas veias e esperava que Luís se lançasse contra o colega, para lhe pagar com a mesma moeda, tanto mais que ele era superior em força ao agressor. Qual não foi, porém, a admiração, ao ver Luís envolvê-lo num olhar de piedade e perdão e dizer, no meio do silêncio de toda a classe:

- Se já estás satisfeito, vai em paz, que eu fico contente e já te perdoei…!

Desde aquele dia, João e Luís, ficaram amigos. João colocou nele toda a confiança e Luís nele. Ambos precisavam de auxílio: João, de auxílio espiritual e Luís de amparo físico, pois era tímido por natureza, e nem sequer ousava defender-se dos insultos que, por ser bom, lhe dirigiam; ao passo que João era temido por todos pela sua força e coragem.

Uma vez queriam bater no Luís e num outro colega; procurou dissuadi-los com boas maneiras e, como não conseguia, disse-lhes:

- Ai de vós, se algum se atreve a maltratar estes dois!

Um bom número dos maiores e mais fortes tomaram atitude comum de defesa e de ameaça contra João Bosco, enquanto duas bofetadas sonoras caíram sobre o Luís. Naquele momento, João perdeu a cabeça e, com uma força bruta, não encontrando nem cadeira nem pau, agarrou pelas costas o primeiro que se aproximou e dele usou como se fosse um bastão para descarregar golpes sobre os adversários, prontos a continuarem a maltratar os seus amigos. Quatro caíram por terra e os outros deram à sola.

Naquele momento chegou o professor e, ouvindo tamanha algazarra, pôs-se a gritar também ele, dando palmadas à direita e à esquerda. Quando estava tudo mais calmo, tudo foi esclarecido e ninguém teve castigo…

Como remate, e quando os dois amigos se encontraram juntos, Luís comentava:

- Caro João, a tua força mete-me medo; mas lembra-te que Deus não ta deu para maltratares os teus companheiros. Ele quer que nós amemos, que perdoemos e que façamos bem a quem nos faz mal.

« Ser amigo, é ajudar-se a todos os níveis. É ajudar-se mutuamente para se crescer maduro na fé e em humanidade. Laços de amizade assentes nos verdadeiros valores, humanos e cristãos, fazem mover o mundo.  

 


Sementes de Paz

Era uma vez uma mulher que queria a paz no mundo e no seu coração, mas encontrava-se muito frustrada. Parecia-lhe uma empresa impossível. Lia os jornais e cada vez ficava mais deprimida. Um dia, foi fazer compras e escolheu uma loja à sorte. Entrou e ficou surpreendida ao ver que dentro estava um famoso Sábio ao balcão. Ficou admirada e perguntou-lhe:

- É mesmo o grande Mestre da sabedoria?

- Sim, sou.

- Trabalha aqui?

- Não. Sou apenas o dono da loja.

- E o que vende?

- De tudo um pouco.

De tudo?

- Sim, o que quiser. Que deseja?

- Não sei.

- Bem, tem liberdade para percorrer todas as estantes e fazer uma lista, ver o que realmente quer. Depois volta e veremos o que podemos fazer por si.

A senhora percorreu todas as secções. Havia produtos como «Paz na Terra», «Não mais guerras», «Fim à fome», «Fim à pobreza», «Harmonia no mudo», «Não à poluição», etc…

Perante tanta variedade de produtos, a mulher fez uma grande lista de produtos. Regressou depois ao balcão. O Sábio pegou na lista, olhou-a com atenção. Em seguida, olhou para a mulher e disse-lhe:

- Não há problema.

Inclinou-se e começou a tirar coisas e mais coisas, todas as que estavam na lista. Atendeu-lhe a encomenda. A mulher, ao receber a encomenda, perguntou:

- Que é tudo isto?

- Pacotes de sementes. São as amostras do estabelecimento. – respondeu o Sábio.

- Isto que dizer que não posso levar as coisas terminadas? – perguntou a mulher.

 

O Sábio respondeu:

 

- Não. Este é um lugar onde se vendem os sonhos, projectos, utopias. Vem aqui e vê como gostaria que fossem as coisas. Eu dou-lhe as sementes dos seus desejos. Depois deverá semeá-las e cuidar delas até que cresçam e dêem frutos.

 

A mulher desiludida, exclamou:

 

- Era o que faltava!

E foi-se embora do estabelecimento sem comprar nada.

 

Reflexão

Pois é, se na realidade o mundo está minado com muitas minas anti-pessoais, depende de nós que os nossos ambientes sejam ambientes de paz. Uma pessoa pacífica a mais no mundo é uma pessoa violenta a menos.

 

Oração: Se…

1-Se acreditas que um sorriso é mais forte que uma arma e que o perdão é preferível à vingança…

2- Se acreditas no gesto de uma mão amiga que se estende e que é mais o que nos une que aquilo que nos separa…

3-Se acreditas que sermos diferentes é para nós um dom e que a paz é possível em todos os ambientes…

Todos: … então virá a paz!

 


O Horizonte

Era uma vez um homem que gostava das montanhas e das terras altas. Sempre tivera a tentação de subir os altos montes para ver o que estava para lá deles. Mas descia sempre a montanha um pouco desiludido. Para lá da aquela montanha havia outras montanhas e outras distâncias. Assim, nunca podia desvendar o segredo do que estava para além. Os livros diziam que para além das distâncias ficava o horizonte. Mas o horizonte era como o arco-íris: ninguém conseguia agarrá-lo. Mas para que servia então o horizonte? O arco-íris ainda tinha alguma utilidade: servia para anunciar a chuva, mas do horizonte não se conhecia qualquer préstimo. Depois de muito matutar, resolveu bater à porta do Céu e perguntar ao pai Eterno para que é que Ele criara o horizonte, que não passava de uma miragem para enganar as pessoas.

 

São Pedro acolheu-o com a amabilidade que todos lhe conhecemos e ficou um pouco surpreendido pela curiosidade daquele peregrino. E uma vez que ele estava tão interessado em saber o segredo das distâncias levou-o ao Pai Eterno. Depois das saudações iniciais o homem foi directo ao assunto. Começou a louvar a beleza das montanhas e a sabedoria do Criador que as fez tão belas. E não se poupou a elogios. Mas havia um senão… no seu pobre entender havia uma coisa que não estava certa. E o Pai Eterno quis saber, como quem não sabia já as reticências do nosso amigo:

- O que eu penso que não está certo é o horizonte. Para que serve o horizonte senão para enganar as pessoas? Quando avançamos em direcção ao horizonte, ele afasta-se e volta a aparecer para lá da última montanha. E, se eu subo a esta última montanha, lá vai ele colocar-se atrás da montanha seguinte. E assim sucessivamente. Posso caminhar quilómetros na sua direcção que ele afasta-se sempre sem nunca s deixar atingir. É uma coisa que não faz sentido. No meu fraco entender o horizonte não serve para nada.

O Pai Eterno sorriu e respondeu ao peregrino:

- É precisamente para isso que serve o horizonte: para fazer as pessoas caminhar.

 

Reflexão

É preciso partir e ir sempre ao encontro de projectos de vida que nos valorizem. Temos um vasto horizonte pela frente e nunca podemos baixar a fasquia quando se trata da nossa felicidade. É importante caminhar sempre em sempre, mesmo que leve tempo a alcançar os nossos sonhos, projectos, ambições de bem. Nunca nos devemos resignar ao menos, mas quer sempre ao mais pelo nosso bem e pelo bem dos outros.

 

Oração

Senhor, quero caminhar com o olhar fixo no Teu horizonte, um horizonte de Amor, de Esperança e de Paz. Que eu nunca desanime e tudo o que me acontece seja um motivo para andar com mais força para a frente; Contigo o caminho é mais fácil…

Pai Nosso…

Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


As mãos que vêem

Era uma vez uma jovem que vendia flores, numa das praças de maior afluência da cidade. Cega como era, vendia as flores, falando sempre da beleza das suas cores. Conhecia as flores como se as visse: os cravos, as camélias, as rosas, as tulipas. Todos se comoviam com a ternura com que a jovem falava das suas flores e lá levavam um ramo de rosas, precisassem ou não. Mais que as flores era a imagem daquela jovem, cega, mas luminosa, que eles levavam consigo. Um dia soube-se, pela comunicação social, que o seu caso tinha cura. Mas precisava de uma intervenção cirúrgica, para a qual a jovem não tinha dinheiro, por mais flores que vendesse. Era uma esperança sem futuro. Até que um belo dia, disseram-lhe que havia um senhor disposto a pagar-lhe a operação. Era um desconhecido que não queria dar-se a conhecer. O anónimo enviou-lhe o dinheiro, a jovem foi operada e recuperou a vista. Logo que ficou capaz, voltou para a praça a vender flores, que era isso que sabia fazer e lhe dava grande alegria. Mas a verdade é que ela, a partir daí, passou as tardes da praça a sonhar com o desconhecido. Imaginava-o jovem, elegante, rico e, sem dúvida, apaixonado por ela. A jovem só espera encontrá-lo um dia, e quem sabe para casar com ele. E ela já estava apaixonada por ele.

 

Um dia, um senhor mal vestido, a barba por fazer, com ar de sem-abrigo e de quem não dormiu aquela noite, passou pela praça. Ao vê-la, parou e contemplou, como quem a vê pela primeira vez. Também ela ficou surpreendida ao ver aquele pobre de Cristo, sem eira nem beira, a olhar para ela. Fixou-o curiosa e logo viu que ele não era homem de comprar as suas flores. Como era florista, pegou numa rosa e ofereceu-lha, com aquele sorriso iluminado de quem só tem alegria para dar. Mas, ao oferecer-lhe a rosa, tocou na sua mão. E de repente o seu olhar iluminou-se. Quase ficou sem fala.

- Ah, é o senhor?

E caiu-lhe nos braços. Enquanto o pobre homem apanhado de improviso, não sabia o que fazer, como se lhe tivesse de pedir desculpa por alguma falta cometida. Era ele, era esmo ele, o homem que salvara os olhos da jovem cega!

 

Reflexão

O excerto é uma cena de um filme dos anos 30, de Charles Chaplin “As Luzes da Cidade”. Algo muito simples, para dizer que não são só os olhos que vêem; as mãos também vêem para além do que é visível. Um simples toque, faz chegar a mensagem ao coração, porque se reconhece o bem que outros lhe fazem. No fundo, o coração reconhece e agradece às pessoas que nos estendem as mãos, sem qualquer tipo de interesse. Que bom quando essas pequenas estrelas brilham na nossa vida quando somos “cegos”; que bom quando somos essas estrelas somos nós na vida dos outros.

 

Oração

Senhor, que eu esteja sempre pronto a estender as minhas mãos para ajudar os que mais precisam. 

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


A coruja e o falcão

Ben Said era sapateiro de profissão. A sua vida era dura, forjada entre o sol e as sedas do deserto. Sempre o mesmo horizonte fechado pelo sol e pelo vento, sem um amanhã diferente, o seu dia- a- dia não passava de um mínimo para sobreviver. Como rotina, diáriamente, ia à mesquita para rezar a Alá. Era um muçulmano praticante, quanto baste. Certo dia, antes de começar  a sua oração, notou a presença de uma coruja, numa reentrância da parede da mesquita. Como não se movia,o sapateiro ficou curioso. Ainda tossiu alto, a ver se a coruja dava pela sua presença e ia à sua vida, pois a casa de Alá, não era poiso para animais. Mas a coruja fez de cnta que não ouviu e o nosso amigo que se conformasse.

 

No dia seguinte, a cruja lá estava, no mesmo lugar, a olhar para ele. No terceiro dia, Ben Said achou que o desaforo já passava dos limites e aproximou-se para expulsar a coruja da Casa de Deus. Mas qual não foi o seu espanto ao verificar que a coruja era cega. Estava ele a pensar nesta coisa e a ver como poderia ajudar, qundo chegou um falcão, trazendo no bico uma pequena serpente que começou a despedaçar e a colocar na boca da coruja, como uma mãe dá a papinha aos seus filhotes. Ora louvado seja Alá e o seu profeta! Ben Said ao ver aquele cenário interpretou que seria um sinal do Céu para a sua vida. E pensou: «Se Alá cuida assim de uma simples coruja, quanto mais não se ocuparia de mim, Ben Said? Afinal tanto trabalho para receber um salério de miséria?». Se assim pensou, assim o fez. No dia seguinte, despediu-se da sua oficina e seus acessórios e resolveu mudar de vida. Fecchou o “quiosque” e em vez de começar a trabalhar, dirigiu-se para a porta da mesquita e lá se sentou, fazendo companhia à coruja e esperando que Alá providenciasse o seu sustento. Esmolas não faltariam, que a boa gente que frequenta a mesquita tem bom coração.  Ali estava, quando um velho amigo por ali passou e o reconheceu. Admirado, perguntou-lhe o que tinha acontecido. E Ben Said contou a históeria da coruja e do falcão, e da sua reflexão. O bom amigo, mais habituado a estas andanças de Alá, retomou a reflexão e disse:

-Meu bom amigo, não poderias considerar a possibilidade de que Alá não te estivesse a convidar a ser como a coruja, mas a ser como o falcão? Será que não quer que te preocupas em ajudar aqueles que precisam e que não têm possibiliddes de acudir à sua própria sobrevivência?

(Parábola marroquina)

 

Reflexão

É o convite a não nos acomodarmos. Se temos uma boa ou razoavél situação, porquê querer ser como a coruja? Simples interesses económicos? Poder? Riqueza sem esforço? Viver à custa dos outros?

Sejamos como o falcão que voa sempre nas alturas, procura soluções para ajudar os outros, dando-lhes uma qualidade de vida, a recuperar a sua dignidade e os seus direitos. A escola é um bom espaço para se puder ajudar neste caminho de partilha e solidariedade para com aqueles que mais necessitam. Acomodar-se é muito fácil,  mas é perigoso para o bem da humanidade.

 

Oração

Pai Nosso...Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


O Magnífico diamante

Um príncipe possuía um magnífico diamante, que conservava com muito orgulho. Um dia, por causa de um acidente, a pedra preciosa sofreu um tremendo aranhão. Ficou desfigurada e já não era a mesma. Este facto entristeceu o príncipe, que decidiu pôr todo o seu empenho em conseguir que o diamante voltasse a ser o que tinha sido anteriormente. Para isso, convocou os mais habilidosos especialistas, e disse-lhes:

-Chamei-vos aqui para vos pedir uma coisa muito importante.

Os especialistas em diamantes responderam:

- Dizei, príncipe, que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.

Ele explicou:

-Olhai para este meu diamante. É a minha jóia mais preciosa e sofreu este tremendo arranhão e preciso que volte ao estado original. Fazei tudo o que puderdes e souberdes, que vos pagarei generosamente.

Os especialistas, um de cada vez, pegaram na jóia e esmeraram-se para que ela voltasse a ter a beleza original. Mas em vão. Nenhum deles conseguiu apagar ou sequer dissimular o arranhão.

O príncipe ficou muito triste mas não desistiu dos seus esforços. Soube que, numa cidade vizinha, havia um genial lapidário de diamantes. Mandou chamá-lo e pediu-lhe:

- Já muitos artistas tentaram restaurar este meu diamante precioso. Coloco-o nas suas mãos para que consiga fazer o que outros não fizeram: dar uma nova beleza à minha pedra de estimação.

O genial lapidário, com arte e paciência, gravou no diamante uma magnífica rosa e foi suficientemente habilidoso para fazer do arranhão o próprio caule da rosa.

 

Desta maneira, a pedra preciosa ficou, para felicidade do príncipe, muito mais bela do que antes.

 

Reflexão

O lapidário, vendo que o aranhão já não podia ser apagado, serviu-se dele para desenhar uma rosa, ficando este a fazer de caule. Com imaginação e criatividade, resolveu o problema. Imaginação, arte e paciência, que é preciso ter perante situações que nos parecem difíceis. Perante situações difíceis, D. Bosco, bem que era criativo para dar soluções a cada uma delas; o importante é não desistir, não desanimar, mas com a criatividade procurar soluções que promovam a felicidade. Nunca cruzar os braços, mas com um pouco de imaginação tudo se resolve. Basta acreditar.

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


O Barqueiro

«Um famoso professor da Universidade, candidato ao prémio Nobel, chegou à margem de um lago. Pediu a um barqueiro que o transportasse para o outro lado. Quando estavam longe da margem, o professor começou a fazer perguntas ao barqueiro:

- Sabe hstória?

- Não, Senhor.

- Sabe astronomia?

- Também não.

- Sabe filosofia?

- Não, Senhor.

Então do alto da sua sabedoria, o professor respondeu:

- Não sabe nada disso? Então perdeu metade da sua vida!

De repente veio uma violenta tempestade. O barco começou a meter água e o barqueiro perguntou-lhe:

- Sabe nadar?

O professor assustado respondeu que não. Foi então que o barqueiro lhe disse:

-Então perdeu toda a sua vida!

 

Reflexão

Na vida, não basta ter muitos conhecimentos científicos e muita sabedoria. Existem outras coisas essenciais para a nossa salvação e felicidade. Por vezes corremos demasiado atrás de muitas boas notas, não vivemos momentos serenos por causa de se querer alcançar bons resultados, perdendo a calma, a paz; e talvez ter um canudo na mão, não seja o mais importante... no meio também dos estudos, é preciso dar tempo a outras coisas essenciais, não superficiais e de mero prazer pesssoal, mas a momentos, pessoas que nos ajudarão a construir a nossa felicidade...

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


O Viajante…

Um homem, tendo que fazer uma longa viagem, preparou-se como melhor lhe convinha. Teria um longo caminho pela frente, e enfrentaria muito sol, muita chuva, muito frio, enfim, inúmeros obstáculos. Achava que nada poderia detê-lo. Para a sua caminhada, levou calçados, roupas, chapéu, enfim, tudo o que achava necessário. E tudo era novo. Pensou no seu destino e em tudo de valor que achava possuir. Abriu a mochila, e nela colocou tudo: calçado, roupa, chapéu, achando que se não os usasse no seu dia-a-dia, ao final, teria tudo ao seu dispor, quando quisesse. E novo. Colocou tudo às costas, e partiu. Ao longo da sua vida, após várias trilhas, viu-se cansado e não pode mais continuar. Estava exausto. O peso que tinha às costas, com o seu tesouro, já lhe era insuportável.

Os pés, a sangrar, o corpo surrado, machucado e frágil, a cabeça ferida e o pensamento confuso, sem direcção.
Olhou para os seus pés e para seu calçado. O sapato continuava novo e os seus pés, acabados.
Tomou na roupa nova e tocou no seu corpo velho e dolorido. Levantou o chapéu novo e tentou colocá-lo na cabeça inchada. Faltava muito para chegar, e tudo que possuía, novo, tal como preservou, de nada lhe servia agora. Pensou em abandonar tudo. Em silêncio, e pela primeira vez, concluiu que se tivesse utilizado o calçado, ele estaria velho, mas os seus pés, apenas doloridos. Se tivesse vestido a roupa, esta estaria rota, mas, o seu corpo não estaria machucado,  cansado e sujo. Se tivesse usado o chapéu, ele estaria com as abas caídas, mas a cabeça não estaria por estourar de dor. Reflectiu, e reconheceu que ali estavam os seus verdadeiros amigos. Para servi-lo, a todo instante, porém tentando somente preservá-los, não permitiu que eles participassem da sua vida.

 

Reflexão

Lembremo-nos de uma coisa: os amigos são como as peças de roupa: eles não querem estar numa mochila, como o calçado, a roupa, o chapéu, como um fardo. Querem estar contigo, no teu dia- a- dia, mesmo que cheguem desgastados, sujos, cansados… mas estariam certos de que, de algum modo, aliviaram a tua dor, o teu sacrifício e participaram de tua alegria, e juntos chegariam à meta.

Mas só é possível se forem todos juntos, respeitando-se uns aos outros e fazendo com que cada um se sinta bem, assim como é. Ser amigo é reconhecer-se um dom e ser dom para o outro; está longe dos interesseiros que só pensam em si! Agora escolhe quem levas na tua viagem…

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


A virtude esquecida…

Conta-se que, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria casar-se. Sabendo disso, resolveu fazer uma disputa entre as jovens da corte ou quem quer que se achasse digna da sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu tristeza, pois sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar a casa e relatar o facto à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração e indagou, incrédula:

- Minha filha, o que vais fazer lá? Estarão presentes as mais belas e ricas jovens da corte.

A filha respondeu:

- Querida mãe, eu sei que jamais serei escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar pelos menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me fará feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam as mais belas jovens, com as mais belas roupas, jóias e com as mais determinadas intenções. Então, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vós uma semente. Aquela que dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor, será a escolhida para a minha esposa, futura imperatriz da China.

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade na arte da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisaria de se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. Dia após dia, ela sentia cada vez mais profundo o seu amor. Os seis meses passaram-se e nada tinha brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a jovem comunicou à sua mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinada, nem que fosse só para ver o príncipe. Na hora marcada, estava lá com o seu vaso vazio, assim como todas as outras pretendentes, mas estas com as mais belas flores, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca tinha presenciado tão bela cena.

Finalmente, chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Depois de ter passado por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado e indicou a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque é que ele tinha escolhido justamente aquela que não tinha flor. Então, calmamente, o príncipe esclareceu:

- Esta jovem foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de ser imperatriz, a flor da honestidade, pois, todas as sementes que entreguei eram estéreis.

Reflexão

A flor da honestidade. Possivelmente nos dias de hoje, a virtude da honestidade, não é muito cultivada. Ligada a esta está o valor da verdade… ser honesto e verdadeiro significa dar a cara por aquilo que se é e pelas coisas que se fazem. Falsificar, enganar, aparentar ser, acaba por tornar as pessoas incoerentes consigo mesmas e com os outros, a querem ser o que não são, a viver por interesse. E descobrem, no final, que por ali não é o caminho… e poderá ser tarde demais. Embora em algumas situações possa ser difícil, apostemos na verdade e na honestidade; não enganemos ninguém, de pouco nos adiantará e depois como ficará a nossa consciência?

 

Oração

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Ámen!


Deus existe…?

Um zapping pelo Evangelho

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da Universidade de Berlim, perguntou aos seus alunos:

- Deus criou tudo o que existe?

Um aluno respondeu que sim.

Então o professor disse:

-  SE Deus criou tudo o que existe, então Deus fez o mal, já que o mal existe! E se dizemos que as nossas obras/ acções são reflexos de nós mesmos, então Deus é mau!

O jovem calou-se perante a resposta do mestre, que feliz, se regozijava de ter provado, uma vez mais que a fé é um mito.

Mas um aluno pediu a palavra:

- Posso fazer-lhe uma pergunta?

- Claro, avança.

 O jovem levantou-se e perguntou:

- A escuridão existe?

- Existe. – respondeu o professor.

- A escuridão não existe. A escuridão, na realidade, é ausência de luz. A luz, podemo-la estudar, a escuridão não! Através do prisma de Nichols, pode-se decompor a luz branca nas suas várias cores, com as suas diferentes longitudes de onda. A escuridão não. Como se pode saber que um determinado espaço estão tão escuro? Com base na quantidade de luz presente nesse espaço.

- A escuridão é uma definição utilizada pelo homem para descrever o que ocorre quando há ausência de luz. – disse o professor.

O aluno voltou a perguntar ao professor:

- O mal existe?

- Como afirmei no início, vemos constantemente golpes, crimes, violência em todo o mundo. Essas coisas são o mal.

O estudante respondeu:

- O mal não existe, senhor professor, ou pelo menos por si mesmo; existe enquanto ausência de bem. Como referiu anteriormente, o mal é uma definição que o homem utiliza para descrever a ausência de Deus. Deus não criou o mal. O mal é o resultado da ausência de Deus no coração dos seres humanos. É igual ao que acontece com a escuridão por ausência de luz.

 

O jovem foi aplaudido de pé, e o professor, mexendo a cabeça permaneceu em silêncio…

 

Reflexão

Nós mesmo podemos fazer estas perguntas: como negar a existência de Deus vendo todas as coisas boas que temos em cada dia? Como podemos negar a existência de Deus vendo o número de pessoas que dedicam a sua vida e o seu tempo aos outros? Deus existe e oferece-nos a beleza de cada dia para o enfrentarmos com alegria e amor. Ele não nos abandona, por mais que existam pessoas que nos digam que sim.

 

Oração

Rezemos a Deus nosso Pai com toda a confiança: Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora


A única estrada…

«O Anjo da Morte, um dia bateu à porta de um homem.

 

- Entra e senta-te. – disse o homem. – Estava à tua espera.

- Mas eu não vim para dar dois dedos de conversa. – disse o Anjo- mas para levar-te a vida.

- E que outra coisa quererias tu levar?

- Não sei. Mas todos aqueles que me vêem a aproximar gostariam de oferecer-me sempre outras coisas; tudo menos a vida. E se soubesses que ofertas me fazem!!!!

- Mas eu não. Não tenho nada para te dar. As alegrias que me foram dadas, gozei-as; diverti-me imenso, mas não fiz da diversão o projecto da minha vida. As canseiras, confie-as ao vento; os problemas, as dúvidas, as inquietações confiei-as à providência. Utilizei os bens terrenos e materiais enquanto me foram necessários e renunciei ao supérfluo; o sorriso, ofereci-o a todos os que me pediam; o meu coração a quantos amei e me amaram; a minha alma confiei-a a Deus. Por isso, toma a minha vida, porque não tenho outra coisa para oferecer-te.

O Anjo da Morte elevou o homem nos seus braços e encontrou leve como uma pena. Quando chegaram ao Paraíso, o Senhor escancarou a porta porque estava para entrar um santo.»

 

Reflexão

Mesmo que ainda sejas adolescente ou jovem, acredita que não há outra estrada… a única estrada para uma vida plena, realizada e feliz é a da santidade. E tudo vivido no hoje, no presente que o Senhor nos dá como dom todos os dias. Cabe a ti decidir por onde queres caminhar… e como desejas brilhar!

 

Oração

Senhor, nas tuas mãos a minha vida;

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

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