2 DE
FEVEREIRO – DIA DO CONSAGRADO
Todos fomos chamados, por Deus, à vida. De todos Ele
espera uma resposta. Por ti Ele apostou o seu Reino de
paz, de justiça, de amor. E tu? O que és capaz de
apostar por Ele? De que maneira O dás a conhecer à tua
volta? De que forma O tornas visível na tua vida e nos
teus caminhos?
Este dia do consagrado celebra a vocação de todas as
pessoas consagrada. Falamos concretamente de tantas
irmãs e padres que conheces ou que vês no ambiente em
que vives. É uma oportunidade excepcional para deteres o
teu olhar sobre essas pessoas que entregam toda a sua
vida radicalmente a Deus, e colocares a pergunta a ti
mesma(o): porque é que estas pessoas escolheram um dia,
na força da sua juventude, dar um passo destes? A troco
de quê?
Porque é que não te atreves mesmo a perguntar a uma
delas: Porque é que decidiu ser irmã, ou padre ou monja?
Quando é que começou a perceber que esse “estranho”
caminho de vida era o seu modo de ser feliz?
E,
já agora, porque não rezar por quem talvez reze por ti
todos os dias e a todo o momento, através do silêncio ou
do serviço discreto e simples?
Entregamos nas mãos de Maria, a serva de Deus, todas as
pessoas consagradas que conhecemos e também aquelas de
quem nunca ouvimos falar por viverem uma vida muito mais
“escondida”. Que possam ser pessoas cheias de luz
interior, cheias de Deus, capazes de ajudar com a
oração, com o serviço e com a entrega da sua vida por
amor tantas pessoas que estejam a necessitar da força de
Deus no seu coração. Se quiserem digam baixinho o nome
de alguma pessoa consagrada que conheçam. Avé Maria…
11 DE
FEVEREIRO – DIA MUNDIAL DO DOENTE (DIA DE Nª. SRA. DE
LOURDES)
No
dia 11 de Fevereiro comemora-se o Dia Mundial do Doente.
É importante lembrar que as pessoas doentes têm direitos
que devem ser respeitados. O direito à protecção da
saúde está consagrado na Constituição da República
Portuguesa e baseia-se na dignidade humana, a equidade,
a ética e a solidariedade.
Porquê nesta data? Um dia, João Paulo II, apercebendo-se
que era cada vez maior o número de doentes que se
dirigiam a Lourdes, em França (já em 1958, o número de
peregrinos foi da ordem dos milhões e ia aumentando em
cada ano e de cada vez maior diversidade de doenças) em
peregrinações espontâneas, a partir de 11 de Fevereiro,
dia em que Nossa Senhora apareceu a uma pastorinha de
catorze anos de idade, de nome Bernardette de Soubirous,
decidiu estabelecer aquele como o Dia Mundial do Doente,
dedicando-o a todos os doentes do mundo inteiro, “de
todas as raças, povos e línguas”.
É
necessário dignificar os doentes, no pleno respeito pela
sua particular condição e humanização dos cuidados de
saúde. O Papa desejou que este dia fosse sinal de apelo
à necessidade de assegurar a melhor assistência possível
aos doentes», principalmente através do carinho, da
compreensão e do apoio a quantos se debatem com
problemas de saúde.
Num tempo em que os ginásios de manutenção da forma
física nascem como cogumelos e simultaneamente há uma
grande preocupação por existirem tantas pessoas doentes
que não têm quem cuide delas (mesmo tendo família), como
é possível deixar uma marca de diferença?
Temos pessoas da nossa família ou vizinhas que vivem
situações de dificuldade por motivos de saúde? Vamos
visitá-las? Tratamos as pessoas com carinho?
Vamos confiar hoje, dia 11 de Fevereiro, ao coração de
Nossa Senhora de Lourdes todas as pessoas que estão
doentes no corpo ou no espírito. Que a ajuda de Maria
seja visível em gestos de amor que se multipliquem ao
seu redor. Avé Maria….
20 DE
FEVEREIRO – PASTORINHOS DE FÁTIMA
Francisco
nasceu em 11 de Junho de 1908, em Aljustrel. Foi sempre
um rapaz muito sensível e contemplativo. A história
conta-nos que o pequeno Francisco passava longas horas a
“pensar em Deus”.
Segundo o que a Irmã Lúcia deixou escrito no seu
manuscrito, Francisco “escondia-se atrás das árvores
para rezar sozinho, outras vezes subia aos lugares mais
altos e solitários e aí se entregava à oração tão
intensamente que não ouvia as vozes dos que o chamavam”.
Morreu no 4 de Abril de 1919, na casa de seus pais. Os
seus restos mortais ficaram sepultados no cemitério
paroquial até o dia 13 de Março de 1952, data em que
foram trasladados para a Basílica da Cova da Iria.
Jacinta
era irmã de Francisco e nasceu em Aljustrel, em 11 de
Março de 1910. Em 1917, Jacinta tinha apenas sete anos
quando Nossa Senhora apareceu na Cova da Iria e ela era
a mais nova dos três pastorinhos de Fátima. Sofreu uma
longa e dolorosa doença tendo oferecido todos os seus
sofrimentos pela conversão dos pecadores, pela paz do
mundo e pelo Santo Padre.
A
pequena Jacinta morre no 20 de Fevereiro de 1920, no
hospital de Dona Estefânia, em Lisboa, portanto, com
apenas dez anos.
Desde tenra idade mostraram gosto pela oração,
preocupação pelas verdades da fé, prudência e um sereno
espírito de obediência. Vivaz, expansiva e alegre,
Jacinta gostava de brincar e dançar; cativava os outros
com a sua simpatia e converteu-se em modelo de
docilidade.
A
cura milagrosa usada na beatificação dos Pastorinhos
ocorreu em Março de 1987, quando Maria Emília Santos
rezava uma novena dedicada a Jacinta e começou a sentir
as suas pernas, depois de viver paralítica durante 22
anos.
Jacinta foi beatificada por João Paulo II no dia 13 de
Maio de 2000, em Fátima, no mesmo dia que Francisco.
Lúcia,
a protagonista das Aparições, nasceu a 22 de Março de
1907, em Aljustrel, paróquia de Fátima, e faleceu no dia
13 de Fevereiro de 2005.
Depois dos acontecimentos de 1917, Lúcia sentiu de modo
muito forte o chamamento a ser freira. Fez a profissão
religiosa de votos temporários como irmã Doroteia a 3 de
Outubro de 1928 e, em 3 de Outubro de 1934, a de votos
perpétuos. Mas a sua vida não ficaria por aí. Tornou-se
monja de clausura, carmelita, no dia 25 de Março de
1948, em Coimbra, no Carmelo de Santa Teresa. Nessa
altura tomou o nome de Irmã Maria Lúcia de Jesus e do
Coração Imaculado. A Irmã Lúcia faleceu no Convento de
Santa Teresa, em Coimbra, a 13 de Fevereiro de 2005. A
19 de Fevereiro de 2006 o seu corpo foi trasladado para
a Basílica do Santuário de Fátima, onde foi sepultado ao
lado da sua prima, a Beata Jacinta Marto.
Estes três pastorinhos pelo amor que demonstraram ter a
Deus jamais serão esquecidos. Fátima é um local onde a
oração e a renovação da vida interior são elementos
muito visíveis. Há como que um perfume de Deus que nos
toca o coração. Todos nós precisamos de uma luz interior
que nos ajude a ser melhores. Pedimos hoje aos
Pastorinhos que olhem de um modo especial para a nossa
juventude, para a malta nova que tantas vezes não
consegue fazer as melhores opções na sua vida. Que com a
sua ajuda todos nós nos empenhemos em deixar que Deus
toque o nosso coração e nos faça crescer no amor e na
alegria.
Avé Maria, …
25 DE
FEVEREIRO - QUARTA-FEIRA DE CINZAS
A
quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no
calendário cristão ocidental. A Quaresma Ela ocorre
quarenta dias antes da Páscoa sem contar os Domingos
(que não são incluídos na Quaresma pois o Domingo é
sempre o Dia do Senhor Ressuscitado). As cinzas que os
cristãos católicos recebem neste dia são um símbolo,
para reflectir sobre o dever da conversão e da mudança
de vida, mas recordam também que a nossa vida é
passageira, frágil, sujeita à morte.
Como símbolo pretender marcar uma diferença que faça
sentido para todos. Começar a Quaresma não significa
vivermos apagados. Antes pelo contrário, exige mais de
cada um de nós, do nosso desejo de viver a partir do que
é essencial e com atenção ao amor que somos chamados a
dar a quem está à nossa volta.
Que este tempo seja profundamente vivido por
todos…caminho de autêntica radicalidade, acolhendo o Bem
e o Amor que brotam de Jesus Cristo.
Pai Nosso…
Algumas HISTÓRIAS
PERDE 2
MINUTOS A LER... VALE A PENA!
Paulo, com o rosto triste e cansado, encontrou-se com a
sua amiga Carla num bar, para tomar um café. Deprimido,
desabafou com ela todas as suas preocupações... o
trabalho... o dinheiro... a relação com a sua
namorada... e a sua vocação. Parecia que tudo corria mal
na sua vida.
Carla meteu a mão na carteira e tirou uma nota de 50
EUROS e disse-lhe:"Queres esta nota?"
Paulo, ao início um pouco atrapalhado, respondeu-lhe:
"Com certeza, Carla... são 50 EUROS, quem não os quer?"
Então Carla pegou na nota numa das mãos, amarrotou-a, e
fez dela uma pequena bolinha. Depois, mostrando-a ao
Paulo, toda amachucada, perguntou-lhe de novo: "E agora,
ainda a queres?"
"Carla, não percebo aonde queres chegar com esta
brincadeira. Porém, a nota continua a ser de 50 EUROS.
Com certeza que a não vou deitar fora, se tu ma deres."
Carla alisou a nota, deitou-a ao chão, espezinhou-a e,
por fim, pegou nela suja e amarrotada. "E agora,
continuas a querê-la?" Perguntou.
"Escuta, Carla, ainda não consegui perceber onde queres
chegar, mas, embora ela esteja assim reduzida, continua
a ser de 50 EUROS e, até que não a rasgues, conserva o
seu valor..."
"Paulo, deves saber que, se por vezes alguma coisa não
sai como tu queres, ou a vida te prega uma partida,
continuas a ser tão importante, como antes... O que
deves perguntar-te é quanto vales, realmente ".
Paulo ficou como que paralisado, a olhar para ela, sem
dizer palavra, enquanto a mensagem entrava profundamente
na sua mente. Carla pousou a nota sobre a mesa, perto
dele e, com um sorriso cúmplice, disse: "Pega nela e
guarda-a, para que te lembres sempre deste momento,
quando te sentires mal... Porém, deves dar-me uma nota
nova de 50 EUROS para eu a poder usar com o próximo
amigo que precisar".
Reflexão/ oração
Quantas vezes duvidamos do nosso valor, do que realmente
merecemos e que somos capazes de alcançar se nos
comprometermos. É claro que não basta prometer...
Requer-se acção e, para isso, existem muitos caminhos a
seguir.
BOMBA
D'ÁGUA NO DESERTO
Um
homem estava perdido no deserto... consciente do grande
risco de morrer de sede. Chegou a uma cabana velha, a
desmoronar, sem janelas e sem tecto. Andou por ali e
encontrou uma pequena sombra onde se acomodou, fugindo
do calor do sol desértico.
Olhando ao redor, viu uma velha bomba de água, bem
enferrujada. Foi até lá, agarrou na manivela e começou a
bombear, a bombear, a bombear sem parar. Nada aconteceu.
Desapontado, caiu prostrado para trás.
De
repente notou que, ao lado da bomba, havia uma velha
garrafa. Olhou-a, limpou-a, removendo a sujeira e o pó,
e leu um recado que dizia:
"Amigo, você precisa primeiro de preparar a bomba com
toda a água desta garrafa. Depois faça o favor de encher
a garrafa outra vez antes de partir - A próxima pessoa
que passar por aqui precisará dela."
Tirou a rolha da garrafa e, de facto, a água estava lá.
De repente, viu-se num dilema. Se bebesse aquela água,
poderia sobreviver. Mas se despejasse toda aquela água
na velha bomba enferrujada, talvez obtivesse água
fresca, bem fria, lá do fundo do poço, toda a água que
quisesse… ou talvez não.
Que deveria fazer? Encher a velha bomba e esperar vir a
ter água fresca, ou beber a água velha da garrafa e
desprezar a mensagem? Deveria arriscar perder toda
aquela água, na esperança daquelas instruções pouco
fiáveis, escritas não se sabe quando?
Com relutância, o homem despejou toda a água na bomba.
De seguida, agarrou na manivela e começou a bombear... a
bomba pôs-se a ranger e a chiar sem fim. Nada aconteceu.
Mas ele não desistiu e a bomba foi rangendo e chiando.
Então, surgiu um fiozinho de água; depois, um pequeno
fluxo e, finalmente, a água jorrou com abundância. Para
alívio do homem a velha bomba fez jorrar água fresca,
cristalina.
Encheu a garrafa e bebeu ansiosamente. Encheu-a outra
vez e tornou a beber o seu conteúdo refrescante.
Por fim, voltou a encher a garrafa para o próximo
viajante. Encheu-a até o gargalo, arrolhou-a e
acrescentou uma pequena nota: "Creia-me, funciona!!!"
Reflexão / oração
Quantas vezes temos medo de iniciar um novo projecto por
este exigir tempo, recursos, preparação e conhecimento?
Quantos ficam parados e satisfazem-se com resultados
medíocres, quando poderiam conquistar significativas
vitórias???
Vamos pedir hoje a Jesus que nos incomode interiormente!
Sim! Que não nos deixe adormecidos no que é mais cómodo.
Ousemos sonhar e ir mais além! Pai Nosso…
EU
POSSO FAZER MAIS DO QUE ISSO...
Rita era uma jovem mãe, com apenas 26 anos. Passava mais
uma noite junta da cama do seu filhinho de 6 anos, a
morrer de leucemia. Embora o seu coração estivesse cheio
de tristeza e angústia, ela também tinha um forte
sentimento de determinação. Como qualquer outra mãe, a
Rita gostaria que o seu filho crescesse e realizasse os
seus sonhos. Agora, isso não seria possível dado a
doença em que se encontrava. Mas, mesmo assim, ela ainda
queria que o sonho do seu filho se tornasse realidade.
Segurou a mão dele e perguntou:
-
"Filipe, já alguma vez pensaste o que gostaria de ser
quando crescesses? Qual é o sonho da tua vida?"
- "Mãe, eu sempre quis ser um bombeiro quando
crescesse."
A
mãe sorriu e disse: -"Vamos ver se podemos transformar
esse sonho em realidade."
Mais tarde, naquele mesmo dia, a Rita foi ao corpo de
bombeiros local, na cidade de Phoenix, Arizona, onde
encontrou um bombeiro de coração magnânimo. O seu nome
era Luís. Ela explicou-lhe a situação do seu filho, o
seu último desejo e perguntou ao bombeiro se seria
possível a criança de seis anos dar uma volta no carro
dos bombeiros, nem que fosse à volta do quarteirão. O
bombeiro Luís, que escutara comovido a situação daquela
mãe, disse:
-
"Veja, NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Se você estiver
com o seu filho pronto às oito horas da manhã, na
próxima quarta-feira, nós o faremos um bombeiro
honorário durante todo o dia. Ele poderá vir para o
quartel, comer connosco, sair para atender as chamadas
de incêndio! E se você nos der as medidas do pequeno
Filipe, conseguiremos um uniforme verdadeiro para ele,
com chapéu, com o emblema do nosso batalhão, um casaco
igual ao que vestimos e botas também."
Três dias depois, o bombeiro foi ao hospital buscar o
Filipe, vestiu-o no seu uniforme de bombeiro e
escoltou-o do leito do hospital até ao camião dos
bombeiros. O Filipe ficou sentado na parte de trás do
camião e foi levado até ao quartel central. O garoto
sentia-se no céu. Ocorreram três chamadas naquele dia na
cidade e Filipe acompanhou o corpo de Bombeiros nos três
pedidos de auxílio. Em cada chamada foi em veículos
diferentes: no camião tanque, na carrinha dos
paramédicos e até no carro especial do comandante do
corpo de bombeiros. Além disso, Filipe foi filmado pelo
programa de televisão local. Tendo realizado o seu
sonho, todo o amor e atenção que lhe foram dispensados
acabaram por tocá-lo tão profundamente que ele viveu
três meses mais do que todos os médicos tinham previsto.
Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair
dramaticamente e a enfermeira-chefe, que acreditava no
conceito de que ninguém deveria morrer sozinho, começou
a chamar ao hospital toda a família. Ela lembrou-se do
dia que tinha passado como um bombeiro e ligou ao
comandante do quartel se seria possível enviar algum
bombeiro ao hospital naquele momento de passagem, para
ficar com o Filipe. O chefe dos bombeiros respondeu:
-
"NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Estaremos aí em cinco
minutos. E faça-me um favor: Quando ouvir as sirenes e
vir as luzes dos nossos carros, avise o sistema de som
que não se trata de um incêndio. É apenas o corpo de
bombeiros que veio visitar, mais uma vez, um dos seus
mais distintos membros. E, já agora, é possível abrir a
janela do quarto dele? Obrigado!”
Dez minutos depois, uma carrinha e um camião com escada
chegaram no hospital, estenderam a escada até ao andar
onde estava o garoto e 16 bombeiros subiram pela escada
até ao quarto do Filipe. Com a permissão da mãe e do
pai, eles abraçaram o pequeno bombeiro e disseram-lhe o
quanto gostavam dele. Com um suspiro final, Filipe olhou
para o comandante e perguntou: "Chefe, eu sou mesmo um
bombeiro?" "Filipe, tu és um dos melhores"- disse o
comandante.
Com estas palavras, o Filipe sorriu e fechou os seus
olhos pela última vez.
Reflexão
Esta história verídica, quase não nos deixa palavra para
dizer. Apenas um silêncio que fala mais alto no nosso
coração como que a perguntar: e eu, diante do pedido de
um amigo, de um familiar, de alguém que precisa e conta
com a minha ajuda, tenho respondido: "EU POSSO FAZER
MAIS QUE ISSO!"?
Reflictamos hoje se a nossa vida tem sido um serviço a
nós próprio(a)s e ao próximo também.
UMA
PROVA DE AMOR...
Há
muito tempo atrás, um casal de velhinhos, que não tinha
filhos, morava numa casinha humilde de madeira. Levavam
uma vida muito tranquila, alegre, e como se amavam
muito, eram felizes há quase 50 anos.
Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora. Ela
estava a trabalhar em sua casa quando começou um fogo na
cozinha e as chamas atingira todo o seu corpo. O marido
acordou assustado com os gritos e foi à sua procura,
quando a viu coberta pelas chamas. Imediatamente tenta
ajuda-la e o fogo também atingiu os seus braços mas
mesmo assim conseguiu apagar o fogo.
Quando os bombeiros chegaram já não havia fogo. Apenas
fumaça e parte da casa toda destruída.
Levaram rapidamente o casal para o hospital mais
próximo, onde foram internados em estado grave.
Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo
saiu da Unidade dos cuidados Intensivos e foi ao
encontro da sua mulher. Ainda na unidade hospitalar, a
senhora pensava que não ia viver mais, pois estava
bastante deformada. Quando viu o marido balbuciou com
muita dor:
-
Como estás meu amor?
-
Estou bem porque estou aqui contigo. Sinto pena apenas
porque o fogo atingiu os meus olhos e eu não posso mais
ver, mas fica tranquila, pois a tua beleza está gravada
no meu coração para sempre.
Então triste pelo esposo, disse-lhe:
-
Eu acho que Deus permitiu que isso acontecesse para que
não presenciasse esta deformidade em que fiquei.
Ele nada respondeu.
Passando algumas semanas tiveram alta e voltaram para
casa, onde ela fazia tudo para que nada faltasse ao seu
marido e ele todos os dias confessava-lhe o quanto a
amava.
E
assim viveram quase dez anos até que a mulher faleceu.
No dia de seu enterro, quando todos se despediam, veio
aquele senhor sem os seus óculos escuros e com a sua
bengala nas mãos, aproximou-se do caixão, beijou o rosto
da sua mulher e uma vez mais disse num tom apaixonante:
-
"És a mulher da minha vida. Amo-te muito".
Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo que estava ao lado
perguntou se o que tinha acontecido era um milagre. O
velhinho apenas disse:
-
"Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando a vi toda
queimada sabia que seria demasiado duro para ela. Estes
foram os melhores dez anos da minha vida”.
Reflexão
Quando falamos da importância de dizer sempre a verdade
não devemos deixar de nos perguntar se a nossa verdade
irá dar vida a alguém ou tirá-la. O gesto de amor que
aquele marido teve não foi uma mentira, mas o único meio
que ele encontrou para que a sua mulher se sentisse viva
e feliz por mais dez anos. Ele não se importou de
“perder a vida dele” para que a mulher ganhasse uma vida
melhor. Não é isto uma forma de concretizar a perene
mensagem de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele
que dá a vida pelos amigos”?
Oração
Por todas as pessoas que ao longo da sua vida não se
importaram de sacrificar o seu tempo, as suas energias,
os seus projectos, os seus interesses por amor a cada um
de nós, rezamos: Pai Nosso…
A
MACIEIRA ENCANTADA
Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de
uma grande montanha.
Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma
Macieira mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher
as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentando todas as
situações que aparecessem no caminho. Nunca alguém tinha
conseguido essa façanha, dizia uma lenda.
O
Rei do lugar resolveu oferecer um grande prémio àquele
que se dispusesse a fazer essa viagem e conseguisse
trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da
pobreza e das dificuldades que o povo enfrentava. Aquele
que ganhasse o prémio seria merecedor de casar com a
princesa e poderia escolher um prémio. Apareceram três
corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão
difícil.
Eles teriam de seguir separados, cada um por um certo
caminho:
1º
- rápido e fácil, onde não havia qualquer obstáculo ou
dificuldade;
2º
- rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia
algumas situações a serem enfrentadas;
3º
- longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.
Foi feito um sorteio para ver quem escolheria em
primeiro lugar um dos caminhos. O primeiro sorteado
escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo
sorteado escolheu o Segundo caminho. O terceiro
sorteado, sem outra opção, aceitou o Terceiro caminho.
Partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo
apenas uma mochila com alimentos, agasalhos e algumas
ferramentas.
O
Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente à
montanha e começou a subir, feliz por acreditar que
seria o vencedor. Quando se deparou com a Macieira
Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava,
porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegar às
maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia
como subir. O tronco era muito alto também. Ele não
possuía qualquer meio para chegar lá acima. Ficou à
espera do Segundo cavaleiro para resolverem juntos a
questão.
O
Segundo enfrentou corajosamente a primeira dificuldade
com que se deparou. Porém, logo de seguida, apareceu
outra, e depois mais uma e mais outra, sendo algumas
delas bastante difíceis de superar. Acabou por ficar
cansado e com um esforço maior caiu prostrado e voltou
para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.
O Terceiro teve o seu primeiro teste quando ficou sem
água. Chegou a um poço, mas quando puxou o balde, a
corda rebentou. Rapidamente, com as suas ferramentas e
alguns galhos, improvisou uma escada para descer ao poço
e retirar a água para saciar a sua sede. Resolveu levar
a escada consigo e a corda remendada. Percebeu que
estava a começar a gostar dessa aventura. Seguiu viagem
e precisou de atravessar um rio com uma corrente
fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com
uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar ao outro
lado do rio, protegendo assim a sua mochila, os seus
agasalhos e todo o material que levava consigo para o
momento que precisasse deles. Levou também a jangada.
Entretanto, o Primeiro cavaleiro já se tinha cansado de
esperar e pensou que os outros dois tinham desistido
pelo caminho. Regressou ao povoado convencido de que
fora o único a alcançar a árvore.
A
viagem do Terceiro homem foi longa, cheia de situações
diferentes, mas logo chegou o momento esperado, quando
ele se deparou com a Macieira Encantada. Estava
encantado com ela. Os raios de sol incidiam nos frutos
dourados e irradiavam uma luz imensa que o deixava
deslumbrado. Depois daquele primeiro impacto, pôs-se a
trabalhar e preparou cuidadosamente o seu material,
fazendo uso de todos os seus recursos. Transformou a
jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro,
subiu à árvore pela escada e usou um bambu, que tinha
cortado pelo caminho, para empurrar as maçãs mais
distantes. Tudo facilitava aquele trabalho que se tinha
transformado em prazer.
Depois de encher a cesta com as maçãs, ele agradeceu a
Deus por ter ali chegado e por ter conseguido concluir a
meta. Agradeceu principalmente pela coragem,
persistência, inteligência e criatividade na utilização
de todos os seus talentos e recursos.
O
resto da história, no regresso ao povoado, facilmente se
pode imaginar. Mas ainda há algo de importante a
salientar.
Enquanto este Terceiro cavaleiro fez o caminho de
regresso reconheceu que descobriu, entre outras coisas,
que:
-
tudo o que apareceu no seu caminho foi útil e
importante para o seu objectivo;
-
cada uma das situações que ele resolveu ganhou
competências, não só para aquele momento, mas para
outras
-
situações da sua vida futura;
-
quando se faz do trabalho um prazer, as
oportunidades de sucesso são muito maiores;
-
quando o objectivo a alcançar vale a pena, não há
nada que o faça desistir no caminho;
-
a vitória alcançada poderia beneficiar a vida de
muita gente e também servir de exemplo a outras
pessoas.
Reflexão
E
nós? Somos capazes de parar de vez em quando e darmo-nos
conta não só dos desafios que temos pela frente como
também do valor de tantas situações pelas quais
passamos? Como encaramos o trabalho (estudo) que
realizamos cada dia? Pomos em prática os talentos que
temos ou esbanjámo-los?
Oração
Hoje vamos agradecer a Deus alguns talentos que
possuímos e que talvez não esteja a ser valorizamos ao
máximo. Há tantos aspectos em que podemos melhorar para
darmos sempre o nosso melhor. E ousamos pedir a Deus a
coragem, a fé, a esperança para continuar a seguir pelo
caminho que hoje e aqui somos chamados a percorrer
juntos. Pai Nosso…
A
BORBOLETA AZUL
Havia um viúvo que morava com as suas duas filhas,
jovens muito curiosas e inteligentes.
As
suas filhas faziam-lhe sempre muitas perguntas. A
algumas ele sabia responder, mas outras não.
Um
dia, pediu que as suas filhas fossem passar um
fim-de-semana com um velho sábio que morava no alto de
uma colina. Era um mestre capaz de responder a todas as
perguntas sem hesitar. As jovens perceberam
imediatamente que o tal velho era realmente sábio, pelo
seu olhar penetrante e límpido. Resolveram, então,
inventar uma pergunta a que o sábio não saberia
responder.
Uma das meninas apareceu com uma linda borboleta azul e
exclamou à sua irmã:
-
Desta vez o sábio não vai saber a resposta!
-
O que vais fazer? - Perguntou a outra rapariga.
-
Tenho uma borboleta azul nas minhas mãos. Vou perguntar
ao sábio se a borboleta está viva ou morta.
-
Se ele disser que ela está morta, abro as minhas mãos e
deixo-a voar para o céu. Se ele disser que ela está
viva, vou apertá-la rapidamente, esmagá-la e assim
matá-la. Qualquer resposta que o velho nos der vai estar
errada.
As
duas jovens foram ter com o sábio, que se encontrava em
profunda meditação sob um eucalipto na montanha.
A
menina aproximou-se e disse:
-
Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me sábio, está ela
viva ou morta?
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
-
Depende de ti... ela está nas tuas mãos.
Reflexão
Perante a astúcia das raparigas, o sábio respondeu com a
sabedoria de quem percebe o que lhe estão a fazer. Esta
foi uma grande lição para elas. Mas provavelmente elas
também aprenderam que tal como tinham a borboleta na
mão, podiam ter outras coisas ou até a própria vida. É
interessante perceber isto: a vida está, em muitos
aspectos, nas nossas mãos. O que nós podemos fazer por
nós e pelos outros ninguém o fará. Talvez seja este o
momento de mudar alguma atitude que não condiz com o
aproveitar as oportunidades que temos para sermos mais
felizes e fazermos os outros mais felizes.
Ave-maria
MAIS
ALÉM
Havia no alto de uma montanha, uma pequena cidade
chamada Engano. Os habitantes tinham medo de descer de
lá, pois os seus antepassados diziam que aquele que se
atrevesse simplesmente a olhar para baixo, nas
extremidades do monte, desapareceria. O medo era geral.
Porém, sucediam factos estranhos e interessantes. Um
deles é que não havia grades nas celas da prisão, mas
apenas um grande cartaz, em frente de cada uma, onde
estava escrito: “Você está preso”. Os encarcerados
mantinham-se presos, não por serem obedientes e
educados, mas porque pensavam que realmente estavam
presos.
O
líder daquela povoação era o Sr. Não Pense Muito.
O seu lema era: “Não pense que eu penso por si”. Todos o
tratavam como um deus, pois ele tinha regressado vivo do
abismo da montanha. As pessoas falavam com ele e só
faziam o que ele ordenava. Era óbvio que ele as
manipulava.
Os
habitantes da cidade Engano não sabiam fazer nada por si
mesmos: eram tristes, mas estavam convencidos que eram
felizes. Eram verdadeiros autómatos. O Sr. Não Pense
Muito dizia-lhes tudo o que fazer. Todos com os seus
medos, não entendiam que na verdade não tinham deixado
de pensar, mas pensavam que o que lhes era dito era a
única verdade.
Certo dia, um homem já velho, triste com a sua vida,
resolveu, por si mesmo, ir até a extremidade da
montanha. Queria saber o que havia ali. Nada tinha a
perder. Aproximou-se e, com medo, fechou os olhos, mas
lentamente os abriu e, num instante contemplou um lindo
cenário, jamais visto: viu florestas, rios, casas e
pessoas. Afinal, o que era aquilo?
Seria um delírio da sua velhice? Deu um passo para trás
com um frágil sorriso e, sentado, começou a pensar em
tudo o lhe tinha sido dito. Naquele momento percebeu
algo que nunca tinha sentido e estava confuso. Pela
primeira vez em toda a sua vida pensou por si próprio.
Permaneceu naquele lugar por mais dois dias e nesse
tempo imaginou como seria bom se todos os demais
soubessem a verdade. Decorrido o tempo ali, pensava no
modo de transmitir aos demais a sua descoberta. Chega de
viverem oprimidos pelo poder de alguns.
Voltou à cidade e juntou várias crianças consigo.
Levou-as sorrateiramente até ao local e mostrou-lhes o
que vira. As crianças encheram-se de alegria. Quando
voltaram à cidade, o velho homem foi até a praça e
gritou com toda a força que tinha: “Existem outros
lugares além da cidade Engano. Para além da extremidade
da montanha existe algo melhor, é só vir e comprovar.
Não precisam de acreditar em mim, apenas venham e
vejam”.
Infelizmente, ninguém acreditou nele. O Sr.
Não Pense Muito mandou prendê-lo, mas ele não
permaneceu na cadeia sem grades porque estas não podem
prender ninguém, pelo menos alguém que pense não ficaria
lá. O ancião resolveu descer a montanha e viver naquele
lugar a que chamara Entendimento. Nunca mais foi visto
pelos habitantes da cidade Engano. Mas antes de partir
algo tinha acontecido que iria mudar tudo: as crianças
que tinham visto a verdade e cresceram com aquela
descoberta, no olhar e no coração, revolucionaram aos
poucos aquela cidade. Alguns anos mais tarde a cidade
passou a chamar-se Sabedoria. Tinham um novo líder, um
daqueles que vira o Entendimento. O seu nome era Mestre
e o seu lema era: “Aprenda comigo, pense por si, e
chegue a uma conclusão para o bem de todos”.
Reflexão
Querer não apenas o próprio bem mas o bem de todos é
algo de muito difícil. Quando experimentarmos a
necessidade de todos, mas mesmo todos, serem felizes,
então estaremos a aprender a amar.
NEM TÃO
IDIOTA ASSIM
Numa pequena cidade do interior, as pessoas tinham-se
acostumado a olhar para o Manel como um pobre coitado.
Desde que perdera a mulher muito jovem, quase tinha
enlouquecido. Em virtude disso, foi perdendo o gosto
pela vida e não arranjava emprego em lado algum.
Mantinha-se com as esmolas que recebia na rua por
estender um velho chapéu.
Quem o conheceu antes da morte da mulher ajudava-o como
podiam, mas a malta nova que por ele passava, na onda de
comportamentos de pouco dignos, faziam troça dele. Um
grupo de jovens divertia-se a fazer-lhe caretas, a
lançar tampinhas de garrafa cada vez que por ele
passavam, por julgá-lo um pobre coitado de pouca
inteligência.
Todos os dias, entre a ida e o regresso da Escola,
aquele grupo troçava com o Manel e faziam-lhe sempre a
mesma partida: Mostravam-lhe duas moedas e davam-lhe a
escolher: uma grande de prata e a outra menor, de ouro.
Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era
motivo de risos e zombaria por parte de todos.
Certo dia, aproximou-se do Manuel um rapaz daquela mesma
escola que sempre observara tudo mas nunca participava,
pois não achava correcto o que o grupo fazia. Aliás,
achava que era demasiada humilhação para um ser humano.
Meteu conversa com ele e perguntou-lhe com muita
simplicidade se ainda não tinha percebido que a moeda
maior valia menos. O Manel olhou para o jovem e com uma
voz delicada e segura respondeu:
- Eu sei que aquela vale muito menos.
O
jovem, olhando para aquele homem destroçado
perguntou-lhe
-
Mas, então porque é que escolhe a outra? Não percebe que
aqueles idiotas vão continuar a fazer troça de si?
-
És um rapaz com um coração muito bom e isso vê-se. Eles
fazem esta brincadeira todas as semanas e pensam que são
superiores porque eu escolho a moeda de prata. Mas
deixa-me dizer-te uma coisa: no dia que eu escolher a
outra moeda, a de ouro, a brincadeira acaba e não vou
deixar de ganhar a minha moeda de prata!
Reflexão
Afinal, quem era inteligente?
Quantos preconceitos invadem a nossa mentalidade e não
nos deixam olhar para as pessoas com olhos novos. Como é
que nós gostaríamos de ser tratados na pele de um
“pobre”? Ou julgamo-nos assim tão ricos porque temos
tantas coisas e somos reconhecidos a nível social? Que
tipo de pessoa nos estamos a deixar formar? Que adultos
seremos amanhã?
Oração
L1 - Acompanhai-nos, Senhor,
em cada dia.
Firmai nossos passos
no caminho do bem.
L2 - Derramai a paz e o amor
nos nossos corações
para que possamos construir
um mundo novo,
onde reine a paz,
a justiça e a fraternidade,
onde se luta
para acabar com a miséria,
para aliviar os sofrimentos alheios
L3 - Assim, a vossa presença
marcará cada vez mais o nosso mundo.
Fortalecei-nos, Senhor,
na luta e guiai-nos hoje e sempre. Ámen.
A
TENTAÇÃO DO REPOUSO
Num campo agrícola, existia uma grande quantidade de
vermes que desejava destruir um velho arado de madeira,
muito trabalhador, que lhes perturbava os planos pois
tinha um comportamento exemplar e deixava-se conduzir
pelas mãos do agricultor. Roídos de inveja, os vermes
reuniram-se ao redor dele e começaram a dizer:
-
Por que não cuidas de ti? Estás doente e cansado...
-
Afinal, todos nós precisamos de algum repouso...
-
Liberta-te do trabalho terrível do lavrador!
-
Pobre máquina! A quantos martírios te submetes!...
O
arado escutou, escutou e acabou por se deixar
influenciar por aqueles vermes. Ele, que era tão
corajoso, e nem sentia o mais leve incómodo nas duras
obrigações, começou a queixar-se do frio da chuva, do
calor do Sol, da aspereza das pedras e da humidade do
chão. Tanto reclamou a implorar descanso, que o antigo
companheiro concedeu-lhe alguns dias de folga, a um
canto do milheiral. Quando os vermes o viram parado
aproximaram-se em massa e atacaram-no sem compaixão. Em
poucos dias, apodreceram-no, crivando-o de manchas, de
feridas e de buracos.
O
arado suspirava pelo socorro do agricultor, sonhando com
o regresso às tarefas alegres e iluminadas do campo, mas
era tarde. Quando o velho amigo voltou para o utilizar
era simplesmente um traste inútil.
Reflexão
A
história do arado é um aviso para nós todos. A tentação
da preguiça talvez seja das mais perigosas, porque,
depois da ignorância, a preguiça é como a oportunidade
da nossa mente divagar e não se auto-motivar para o bem.
E, já agora, atenção a possíveis vermes que parecem não
nos incomodar muito.
Oração
Peçamos a Jesus que nos dê força para vencer as
tentações e a coragem para dizer não a propostas que
provavelmente não nos levam a bom porto. Pai Nosso…
O
ZELADOR DA FONTE
Conta uma lenda austríaca que num determinado povoado
havia um pacato habitante da floresta contratado pelo
conselho municipal para cuidar das fontes que guarneciam
a água da comunidade.
O
cavalheiro, com silenciosa regularidade, inspeccionava
as colinas, retirava folhas e galhos secos e limpava o
limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água
fresca. Ninguém parecia observar as longas horas de
caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a
retirada de entulhos.
Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes
graciosos passaram a nadar na água cristalina. Rodas
d´água de várias empresas da região começaram a girar
dia e noite. As plantações eram naturalmente irrigadas,
a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza
extraordinária.
Os anos foram passando. Certo dia, o conselho da cidade
reuniu-se, como fazia semestralmente. Um dos membros do
conselho resolveu inspeccionar o orçamento e estacou os
olhos diante do salário pago ao zelador da fonte. Achava
que era um desperdício pagar, fosse o que fosse, a
alguém para tratar de uma água que, de si mesma, já é
pura. De imediato, alertou aos demais e fez um longo
discurso a respeito de como aquele homem estava a ser
retribuído, há anos, pela cidade. “O que é que ele
fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva
florestal, sem utilidade alguma.”
O seu discurso convenceu a todos e o conselho municipal
dispensou o trabalho do zelador. Nas semanas seguintes,
nada de novo. Mas no Outono, as árvores começaram a
perder as folhas. Pequenos galhos caíam nas piscinas
formadas pelas nascentes. Certa tarde, alguém notou uma
cor amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava
escura. Mais uma semana e uma película de lodo cobria
toda a superfície ao longo das margens. O mau cheiro
começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras
bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente,
até que pararam. Os turistas abandonaram o local. E
algumas pessoas começaram a ter sintomas de infecções.
O conselho municipal voltou a reunir-se em sessão
extraordinária e reconheceu o erro cometido. Trataram
novamente de contratar o zelador da fonte e, algumas
semanas depois, as águas do autêntico rio da vida
começaram a clarear. Voltaram os cisnes e a vida foi
retomando seu curso.
Reflexão
Assim como o conselho municipal da pequena cidade,
também muitos de nós não consideram úteis ou valiosos
determinados serviços. Mas talvez ainda não nos tenhamos
apercebido que todos os dias quando nos levantamos já
centenas de pessoas estão a trabalhar para que o pão
chegue à nossa mesa; os corredores do hospital ou da
escola se mantenham limpos; Seja agradável andar pela
rua e não haja lixo pelo chão.
Quantos servidores anónimos dão cor ao planeta em que
vivemos! Quase sempre passamos por eles sem vê-los.
Mas, sem o seu trabalho, o nosso não poderia ser
realizado ou a vida seria inviável. O mundo é como uma
empresa gigantesca, onde cada um tem uma tarefa
específica mas indispensável. Dependemos uns dos outros.
Para viver, para trabalhar, para sermos felizes!
Oração
A
nossa oração de hoje será reconhecer o trabalho
escondido por onde passarmos. E, porque não, dizer um
olá simpático e reconhecido, próprio de quem sabe que
cada pessoa tem um valor inestimável.
O
EXECUTIVO E O PESCADOR
Um
executivo, de férias na praia, observava um pescador que
estava sobre uma rocha a pescar com equipamentos
bastante rudimentares: linha de mão, anzol simples,
chumbo e iscas naturais. Aproximou-se do pescador e
disse:
-
Bom dia, meu amigo, posso sentar-me e observar?
O
pescador franziu o sobro-lho enquanto mediu o homem com
o olhar dos pés à cabeça:
-
Tudo bem, doutor.
O
executivo:
-
Será que posso dar-lhe uma sugestão sobre a pesca?
-
Como assim?
-
Se você me permite, eu não sou pescador, mas sou um
executivo de uma multinacional e o meu trabalho é
melhorar a eficiência da fábrica, optimizando os
recursos, reduzindo os preços, enfim, melhorando a
qualidade dos nossos produtos. Sou um expert
nessa área e fiz vários cursos no exterior sobre isto -
disse o executivo, entusiasmado com a sua profissão.
-
Pois não, doutor, e o que o senhor quer sugerir? -
Perguntou calmamente o pescador.
-
Olha, estive a observar o que você faz. Você poderia
ganhar dinheiro com isso. Vamos pensar juntos. Se você
pudesse comprar uma cana de pescar com molinete, poderia
lançar a sua isca para mais longe e, assim, pescaria
peixes maiores, certo? Depois disso, você poderia
treinar o seu filho para fazer este trabalho. Quando ele
se sentisse preparado, você poderia comprar um barco
motorizado com uma boa rede para pescar uma quantidade
maior e vender para as docas.
Depois, você poderia ir para um grande centro para
distribuir melhor o seu produto para os grandes
supermercados e peixarias. Já pensou no dinheiro que
poderia ganhar? Aí você poderia vir para cá como eu vim,
descansar e gozar esta paz, este silêncio da praia, esta
brisa saborosa...
O
pescador olhou para ele e respondeu com toda a clareza:
-
Mas isso, doutor, eu já tenho hoje!
Reflexão
Por vezes temos a ideia que temos de preparar demasiado
o nosso futuro sem dar valor ou viver com alegria o
momento presente. Para o pescador era óbvio que ele
poderia apreciar a beleza do mar enquanto trabalhava,
porque vivia o trabalho com valor e alegria e não
simplesmente para ganhar dinheiro. Se é pena vermos
adultos que estão num emprego apenas com o objectivo do
salário, também é pena ver alguns jovens a não saber
aproveitar as oportunidades de conhecimento e
competências que todos os dias lhe vêm parar às mãos.
Oração
A
vida passa depressa, Senhor, o tempo corre veloz.
Os
dias sucedem-se ininterruptamente.
A
vida é cada vez mais agitada.
Não há tempo para mais nada.
É
preciso correr para acompanhar.
Mas hoje queremos parar um instante para falar contigo,
Senhor, para que nos abençoes neste dia que começa.
Hoje os nossos pensamentos são de gratidão: seria
difícil enumerar os benefícios recebidos até o dia de
hoje. Ajuda-nos a viver o presente com amor, alegria e
responsabilidade.
SEMEANDO
A
Fernanda era professora do primeiro ciclo. Residia em uma
pequena cidade e dava aulas numa vila próxima.
Não era considerada uma pessoa equilibrada em razão do seu
comportamento, que parecia um tanto estranho. Eles viam que
a professora, nas suas viagens de ida e volta da casa à
escola, fazia gestos e movimentos com as mãos, que não
conseguiam entender e, por esse motivo, pensavam que ela era
meio fora do juízo. Pela janela do comboio, a Fernanda
acenava como se estivesse a dizer adeus a alguém invisível
aos olhos de todos. As crianças faziam caretas,
criticavam-na, mas ela não se apercebia, pois os comentários
eram feitos às escondidas. Os anos foram passando e a
situação continuava a mesma, apesar da Fernanda ser uma
excelente professora. Várias gerações receberam, da bondosa
e dedicada professora, ensinamentos valiosos e Fernanda foi
envelhecendo no exercício do dever de preparar as crianças
para um futuro melhor.
Certo
dia viajava para a sua querida escola com diversas crianças
na mesma carruagem de comboio e movimentava,
como sempre, as mãos para fora da janela. Os alunos sentados
na parte de traz, sorriam maliciosamente
quando Alberto, um aluno de dez anos, se sentou ao seu lado
e, com ternura, lhe perguntou:
-
Professora, porque é que você insiste em continuar com essas
atitudes estranhas?
- O
que queres dizer com isso? Interrogou, com surpresa, a
bondosa senhora.
- Ora,
professora - continuou ele, - a senhora está a acenar para
quem?
A
mestra amiga compreendeu e sorriu. Sinceramente emocionada,
chamou a atenção do aluno, dizendo:
- Vê a minha bolsa - e apontou para a intimidade do objecto
de couro forrado. - Vês o que há aí dentro?
- Sim
- respondeu o Alberto. - Eu vejo que há algo aí, mas o que
é?
A
professora respondeu calmamente:
- É
pólen de flores. São pequenas sementes...
- Há
quase vinte anos eu passo por este caminho, na ida e
regresso da escola. A estrada, antes, era feia, árida e
desagradável. Então, tive a ideia de a embelezar, semeando
flores. Deste modo, de vez em quando, reúno sementes de
belas e delicadas flores do campo e atiro-as pela janela...
Sei que cairão em terra amiga e, acarinhadas pela primavera,
vão transformar-se em plantas e flores, dando cor e alegria
à paisagem.
Reflexão
Parece
incrível que durante 20 anos alguém estivesse a semear a
bondade e todos vissem uma coisa totalmente diferente!
Deixar um rasto de perfume, de cor e de vida. Conseguirás
tu? O que fazes para melhorar o mundo em que vives?
Oração (de Madre Teresa de Calcutá)
A vida é uma oportunidade, aproveita-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é beatificação, saboreia-a.
A vida é sonho, torna-o realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida-a.
A vida é riqueza, conserva-a.
A vida é amor, goza-a.
A vida é um mistério, desvela-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, supera-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é um combate, aceita-o.
A vida é tragédia, domina-a.
A vida é aventura, afronta-a.
A vida é felicidade, merece-a.
A vida é a VIDA, defende-a.
UM SOM POR
UM PERFUME
Um
pobre viajante parou ao meio-dia para descansar à sombra de
uma gigantesca árvore. Viera de muito longe e tinha apenas
um pedaço de pão para almoçar. Do outro lado da estrada,
havia um quiosque com tentadores pastéis e bolos; o viajante
deliciava a pensar no sabor daquele manjar enquanto comia o
seu pedacinho de pão.
Ao
levantar-se para seguir caminho, o padeiro saiu subitamente
a correndo, atravessou a estrada e agarrou-o pelo colarinho.
-
Espere aí! - gritou o padeiro. - Você tem que pagar pelos
bolos!
- O
quê? - protestou o viajante, espantado. - Eu nem toquei nos
seus bolos!
- Seu
ladrão! - berrava o padeiro. - É óbvio que você aproveitou
melhor o seu próprio pão só com o perfume dos deliciosos
bolos da minha padaria. Você não sai daqui enquanto não me
pagar pelo que levou. Eu não trabalho à toa não, camarada!
Uma
multidão juntou-se e, como não chegavam a um entendimento,
levaram o caso ao juiz local. O juiz ouviu os argumentos,
pensou bastante e depois ditou a sentença.
- Você
está certo - disse ao padeiro. - Este viajante saboreou os
frutos do seu trabalho. E julgo que o perfume dos seus bolos
vale três moedas de ouro.
- Isso
é um absurdo! Objectou o viajante. - Além disso, gastei o
meu dinheiro todo na viagem. Não tenho nem um centavo.
-
Ah... - disse o juiz. - Neste caso, vou ajudá-lo.
Tirou
três moedas de ouro do próprio bolso, e o padeiro logo
avançou para as receber.
-
Ainda não - disse o juiz. - Você diz que esse viajante
sentiu o cheiro dos seus bolos, não é?
- É
isso mesmo - respondeu o padeiro.
- Mas
ele não engoliu nem um pedacinho?
- Já
lhe disse que não.
- Nem
provou nem um pastel?
- Não!
- Nem
encostou um dedo às suas tortas?
- Não!
-
Então, já que ele consumiu apenas o perfume, você será pago
apenas com um som. Abra os ouvidos para receber o que você
merece.
O
sábio juiz lançou as moedas de uma mão para outra,
fazendo-as retinir bem perto das gananciosas orelhas do
padeiro.
- Se
ao menos você tivesse tido a bondade de ajudar este pobre
homem em viagem - disse o juiz -, você até ganharia
recompensas em ouro, no Céu.
Reflexão
Que
dizer da figura do padeiro? No mínimo, será um pouco
estranho, mas devemos sempre estar atentos aos movimentos do
nosso coração, à intenção com que ajudamos os outros e a não
mascarar gestos interesseiros como reflexos da nossa
generosidade. Um dia pode acontecer-nos cairmos num ridículo
destes.
Oração
Rezemos esta oração de São Francisco de Assis na confiança
de que aos olhos de Deus cada um de nós é sinal de esperança
para aqueles que nos rodeiam. Aos olhos de Deus merecemos
essa confiança
Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
UM
ABECEDÁRIO ORIGINAL PARA ATINGIR OS TEUS SONHOS
"A"bre
os olhos para ver as coisas como realmente são
"B"asta apenas acreditar em ti mesmo e esperar em
Deus
"C"onsidera as coisas por vários ângulos
"D"esistir e entregar-se, nunca
"E"ntende-te e aceita-te a ti mesmo para
compreenderes melhor os teus semelhantes
"F"amília e amigos são tesouros escondidos, procura
encontrá-los e desfrutar das suas riquezas
"G"anha mais quem faz e se dá, do que aquele que
muito planeia para o seu umbigo
"H"oje aproveita a vida. O ontem já passou e o amanhã
a Deus pertence
"I"gnora aqueles que desejam desencorajar-te
"J"á chegou a hora de agir.
"K"now-how (conhecimento prático) para continuar a
tentar, sem te importares de não teres resultados imediatos.
"L"ê e estuda a Palavra de Deus, aprende sobre tudo o
que te faz crescer como pessoa
"M"ais do que tudo, ama sem exigir o amor em troca
"N"ão mintas, nem sejas desonesto seja qual for a
circunstância
"O"btém mais paz e harmonia evitando pessoas,
lugares, coisas e hábitos negativos
"P"rioridade máxima: A paz e a vida que Deus quer
para ti
"Q"uem desiste nunca vence e os vencedores nunca
desistem
"R"edefine os teus objectivos e prossegue passo a
passo na sua direcção
"S"onha, mas não te esqueças de construir a realidade
"T"oma a sério que Jesus caminha contigo
"U"ma boa atitude: Sorri!
"V"isualiza o que queres e as coisas pelas quais vale
mesmo a pena lutar
"W"atts:
Dá mais energia à tua vida. Acelera os teus esforços e faz
acontecer
"X"is: o 'x' da questão é cada um de nós ser um ser
único da criação, que nada nem ninguém pode substituir
"Y"es!
És especial!
"Z"ela pela tua auto – estima. Sentirás mais alegria
em ajudar os outros.
Terás
mais alguma letra a acrescentar?
CARTA AOS
CRISTÃOS DE HOJE
Se eu
aprender inglês, francês e espanhol, alemão e chinês e
dezenas de outros idiomas,
mas
não souber comunicar como pessoa,
de
nada me valem os idiomas…
Se eu
viver distante dos problemas do mundo e não emprestar minha
voz aos fracos injustiçados,
de
nada valem todas as minhas palavras …
Se eu
tiver a melhor casa da minha rua e o melhor carro
mas
for indiferente a tanta gente que jamais terá um lar e vai
sempre andar a pé,
eu
nada sei …
Se eu
estudar na melhor escola da cidade
e me
esquecer dos jovens da minha idade que moram debaixo das
pontes,
que
não têm família ou condições mínimas de vida humana,
não
sou gente...
Se eu
possuir as roupas e os sapatos que estão no último grito da
moda,
mas
não me lembrar dos que andam descalços e apenas se cobrem
com a sujeira e farrapos,
sou
apenas uma sombra…
Se eu
passo o fim-de-semana em festas, farras e a desperdiçar o
tempo a ver programas de TV sem sentido,
sem
reconhecer que, ao meu lado, a fome, o analfabetismo, a
doença e o desemprego ainda afectam tantas pessoas, e nem me
recordo de rezar por elas
não
sirvo para nada…
O
cristão é lúcido,
não
foge, nem desespera,
insiste na procura da verdade,
não
tolera a injustiça,
defende a autêntica liberdade
e sabe
que a única coisa que realmente levamos connosco é o amor.
Por isso, o cristão é aquele que faz de tudo para aprender a
amar.
Reflexão
Este
texto é uma bela adaptação de uma das cartas mais
extraordinárias que a Bíblia nos oferece. É um excerto da 1ª
Carta de S. Paulo aos dirigida aos habitantes de Corinto,
chamado o “hino ao Amor”. Neste Hino, São Paulo recorda
àqueles habitantes, muitos deles ricos, instruídos,
inteligentes e cheios de qualidades, que se tiverem todas as
riquezas do mundo mas não souberem amar não são nada. Vamos
escutar com atenção este hino.
Oração (1 Cor 13)
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte
montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.
O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.
Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
UM DIA
SONHEI QUE TINHA MARCADO UMA ENTREVISTA COM DEUS
-
'Entre!' - disse DEUS: 'Então, gostarias de Me entrevistar?'.
- 'Se
Deus tiver um tempinho', disse eu.
DEUS
sorriu e continuou:
- 'O
meu tempo é eterno, suficiente para fazer todas as coisas.
Que perguntas tens em mente?'
-
'Quais as coisas que mais O surpreendem na humanidade?',
perguntei.
E DEUS
respondeu:
-'Que
se aborreçam de ser crianças e queiram logo crescer e que já
adultos, desejem e se comportem como crianças.
Que
desperdicem a saúde para ganhar rios de dinheiro e depois
percam dinheiro para restaurar a saúde.
Que
pensem ansiosamente sobre o futuro, esqueçam o presente e,
dessa forma, não vivam nem o presente, nem o futuro. Que
vivam como se nunca fossem morrer e que morram como se nunca
tivessem vivido'.
De
seguida, Deus pegou na minha mão e ficou em silêncio. Então
eu perguntei:
-'Como
PAI, que lições de vida gostaria que os SEUS filhos
aprendessem?'
Com um
sorriso, DEUS respondeu:
-'Que
aprendam que não podem fazer com que alguém os ame, mas que
podem deixar-se amar.
Que
aprendam que o mais valioso não é o que têm na vida, mas
quem têm na vida.
Que
aprendam que não é bom compararem-se ou competir uns com os
outros. Todos são importantes pelos dons que colocam ao
serviço dos outros e do mundo.
Que
aprendam que bastam poucos segundos para abrir feridas
profundas nas pessoas que se ama e que, na maioria das
vezes, são necessários muitos anos para curá-las.
Que
aprendam a perdoar e que saibam acolher o perdão.
Que
aprendam que há pessoas que os amam muito, mas que
simplesmente não sabem como demonstrar os seus sentimentos.
Que
aprendam que o dinheiro pode comprar tudo, excepto a
felicidade.
Que
aprendam que duas pessoas podem olhar para a mesma coisa e
vê-la de um modo totalmente diferente.
Que
aprendam que não é suficiente que eles sejam perdoados, mas
que se perdoem a si mesmos'.
Por um tempo, permaneci sentado, a desfrutar aquele momento
de eternidade. Como me sentia bem comigo mesmo e em paz com
o mundo! Agradeci a Deus pelo Seu tempo e por todas as
coisas que ELE tem feito por mim e pela minha família. ELE
respondeu:
- “Não
tem de quê. Estou sempre aqui, 24 horas por dia. Tudo o que
tens a fazer é chamar por mim e EU irei. Bem podes esquecer
o que eu disse ou o que eu fiz, mas jamais te esquecerás
como eu te fiz sentir com estas palavras ou a atenção que te
dei. Porque sabes que te amo, descobriste que é no diálogo
comigo que aprendes a levar a paz e a felicidade aos
outros...”
Quando
acordei os primeiros raios de sol teimavam passar pelas
portadas. Não hesitei em levantar-me. Percebi que tinha
acontecido algo de extraordinário na minha vida. A doçura e
a atenção que senti da parte de Deus naquele sonho vão estar
presentes em mim no meu encontro com os outros.
Reflexão / Oração
Este
homem, no seu modo simples de contar um sonho, diz-nos uma
coisa fundamental: todo o bem e o amor que nós concretizamos
momento a momento é porque Deus habita em nós. Percebemos
que em situações muito concretas, quando por impulso até
seríamos levados a desprezar, a odiar, a não perdoar, a
afastar os outros, podemos agir de outra forma, podemos amar
as pessoas que nos são agradáveis e as outras com que temos
alguma dificuldade de relação. E porquê? Porque nos
reconhecemos amados por Deus de um modo único e pessoal. Não
deixemos escapar as oportunidades de perceber o quanto Deus
nos ama pois esse é o segredo para sermos nós a amar os
outros de forma gratuita. Pai Nosso…
ESTRELAS DE
DEUS
Uma
criança estava sentada a ver as estrelas e perguntou a Deus:
-
Porque o céu tem estrelas?
Deus
respondeu:
- Para
iluminar a noite!
A
criança, ainda não satisfeita com aquela resposta, exclamou:
- Mas
se é apenas para iluminar a noite, porque não usa o sol?
Deus
respondeu:
- Se
usasse o sol para iluminar a noite não existiria noite.
Depois
dessa resposta, a criança parou para observar apenas uma
estrela. Percebeu que existiam biliões de estrelas, e que
umas brilhavam mais do que as outras, mas nem por isso
qualquer uma delas deixava de brilhar. A criança viu a lua,
e ficou curiosa e voltou novamente a perguntar:
- E a
lua… para que serve?
Deus
respondeu:
- Para
iluminar mais ainda a noite.
A
criança começou a sorrir e disse:
- Por
acaso Deus Pai tem medo do escuro?
Deus
respondeu:
- Não,
meu filho! Apenas ilumino a noite para que ela não seja
totalmente escura. Mas, mesmo assim, existem pessoas que não
percebem que a noite é iluminada. É um pouco como a tua
vida; por mais que ela esteja te possa parecer difícil, ela
nunca perderá o seu brilho e, se pararmos para a observar,
ela nunca está sozinha. Estará sempre acompanhada, iluminada
por outra ou, então, iluminando outras vidas.
Reflexão
A luz
de Cristo ilumina o coração do homem e a sua existência, na
sua caminhada procura da verdadeira felicidade. Mas a
experiência dessa luz é discreta e humilde, é a luz que
tenta dissipar as noites da nossa fragilidade pecadora. A
luz de Cristo está presente, em nós, sobretudo na “luz da
fé”.
Mas a
fé não é uma simples escolha ou decisão da vontade humana.
Se fosse assim era como decidir ser matemático ou adepto de
um clube. A fé é, antes de mais, deixar que uma Pessoa,
Jesus Cristo, com o testemunho da sua vida e da sua
mensagem, nos cative e ajude a crescer na descoberta de Deus
que é amor sem fim. Por isso, a fé está sempre à mão de quem
tem um coração humilde e pobre… Eis algo que não depende só
de nós mas para o qual contamos com a graça de Deus que
entra em diálogo connosco.
A
nossa oração de hoje é um tempo de silêncio e de
escuta:
O que
será que Jesus está a querer dizer-me hoje?
Como é
que eu estou a dar-Lhe espaço na minha vida?
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