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Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias” 

Novembro 08

 

TESTEMUNHO: «Deveis brilhar como astros no mundo mesmo que isto possa custar sangue».

Testemunhar Cristo ao jeito de D. Bosco. Testemunhar ou deixar que o carisma salesiano resplandeça através de todos os elementos do Movimento Juvenil.

OLHAMOS OS ASTROS MAIS LUMINOSOS: OS SANTOS- Histórias de santidade salesiana

 

Olhando o céu alguns astros brilham mais que outros… algumas figuras da história salesiana brilharam no mundo, de modo particular, deixando uma marca ainda hoje visível. São os santos, reflexos de Deus, homens e mulheres que fizeram da própria vida um dom, uma explosão de luz. O seu testemunho incentiva-nos a recomeçar em cada dia um caminho de santidade para sermos, também nós, sinais do amor de Deus no mundo.

 

Acção: conhecer os santos salesianos, aproximar as histórias de santidade ao quotidiano e estar atento aos santos de hoje, aprofundar a Espiritualidade Juvenil Salesiana…

Bons dias de Novembro

 

Algumas datas importantes

Dia 10 de Novembro: Dia Internacional da Ciência, da Paz e do Desenvolvimento.

Dia 11 de Novembro: Dia de S. Martinho

Dia 16 de Novembro: Dia Internacional para a Tolerância

Dia 17 de Novembro: Dia do Não Fumador; Dia Internacional do Estudante

Dia 21 de Novembro: Dia da Televisão

Dia 22 de Novembro: Santa Cecília Padroeira da Música

Dia 25 de Novembro: Dia para a eliminação da violência contra as mulheres

Dia 29 de Novembro: Dia Internacional da Solidariedade com o Povo Palestino

 

Salesianos…

Dia 15 de Novembro: Memória de Madre Madalena Morano, Filha de Maria Auxiliadora

Dia 25 de Novembro: Mãe Margarida: Venerável Mãe Margarida

 

Propomos…Recordar as biografias dos jovens salesianos que viveram a Espiritualidade Salesiana:

 

Paola Adamo

Paola Adamo (1963-1978). Filha de Cláudio e Lúcia, arquitectos. O pai foi o projectista da igreja de S. João Bosco de Tarento, onde vive a família Adamo, e é nesta obra salesiana que se desenrola a vida de Paula. O pai e a mãe são cooperadores salesianos e catequistas, e são eles que preparam a sua maravilhosa menina para o encontro com Jesus. Desde a mais tenra idade Paula demonstrou uma grande sensibilidade e inteligência. Aos 9 anos deu início a um diário íntimo em que escreveu uma frase que nos permite entrever o seu panorama interior: Se crês em Deus, tens o mundo na mão. Há quem ponha em dúvida que alguém possa ser santo nessa idade. Nós, pelo contrário, pensamos que as grandes decisões começam a tomar-se a sério no alvorecer da vida. Era também assim que pensava Dom Bosco e é precisamente aqui que se manifesta a eficácia do sistema preventivo. Os que conheceram Paula sentiam-se seduzidos pela sua espontaneidade, o seu amor à vida e às coisas belas. Estamos diante de uma jovem extraordinariamente normal com as suas alegrias e tristezas, com os seus sonhos e desilusões. É um modelo que fascina pela santidade vivida no quotidiano: casa, igreja, escola, amigos. Os ambientes em que passava o dia eram iluminados pela sua presença, tornando-se para ela lugares de crescimento humano e espiritual, onde se sentia amada e aprendeu a amar; onde fez opções corajosas, colocando Jesus no centro da sua existência, onde compreendeu que a vida é graça e deve ser vivida como graça. Era uma fonte de ternura para seus pais, adorava tocar viola e cantar para eles. Queria bem às suas amigas, mesmo àquelas que a tomavam de ponta. Morreu aos 15 anos, ceifada por uma hepatite viral. Não necessitou de muito tempo para compreender o que diz o salmista: Ensina-nos a contar os nossos dias e chegaremos à sabedoria do coração. No seu quarto havia uma biografia de Dom Bosco, de que lia algumas páginas à noite.

Mas quem é Paula, afinal? Uma jovem do nosso tempo, com a santidade do nosso tempo, feita de deveres para com Deus e o próximo, de doação serena mas consciente, de amor aos pais. Não fez milagres nem acções heróicas, mas cumpriu com o seu dever de forma exemplar.

 

Fernando Calò

Fernando Calò (1939-1956). Fernando nasceu em plena Guerra Mundial em 1941. Não chegou a conhecer o pai, nem o calor de um lar, nem o afecto de uma família. A mãe, uma jovem, trabalhava como doméstica numa casa particular e pouco tempo podia dedicar ao filho que passou por vários orfanatos. Aos oito anos Fernando entrou na escola salesiana do Estoril em Portugal. Ao cair da tarde voltava para casa, paupérrima, onde a mãe o esperava e com ela rezava antes de se deitar. A sua maior proeza nessa altura foi levar a mãe à missa dominical, pois havia muitos anos que ela não punha os pés na igreja. Terminada a instrução primária, passou a frequentar a escola profissional dos salesianos em Lisboa (Oficinas de S. José).

A maneira de ser de Fernando não tinha nada que se parecesse com um santinho: o seu temperamento vivo e rebelde fremia de raiva perante a menor repreensão; dificilmente se continha e as suas companhias eram geralmente pouco recomendáveis.

Felizmente o seu confessor muito chamou-lhe a atenção para os perigos que corria e pô-lo de sobreaviso.

Quando havia desordens era sempre dos primeiros a serem acusados. Mas conseguia dominar a revolta que o sacudia por dentro. O director manifestava-lhe compreensão e incutia-lhe confiança, até ao ponto de lhe fazer uma proposta inesperada: ser apóstolo entre os companheiros mais arredios e difíceis. Fernando aceitou o desafio, formando um pequeno grupo de quatro amigos meio destravados.

“Não são dos melhores”, confidenciou ao director, “se calhar até são capazes de se envolver em brigas; mas aqueles em quem o senhor talvez esteja a pensar são bons de mais para este tipo de actividade”.

Tinha duas grandes paixões: o futebol e o trompete. Em fins de 1954 começou a escrever um diário, testemunha do seu empenhamento em modificar a vida, tal como os companheiros que foram notando a sua lenta e decidida transformação.

Passados dois anos, durante os exercícios espirituais, traçou o seu programa de vida: Quero contrariar a curiosidade e mortificar a vista; quero ser apóstolo da Virgem Imaculada; quero ser sacerdote.

A 20 de Abril de 1956 durante uma animada partida de futebol, no pátio do colégio, bateu violentamente com a cabeça numa coluna do pórtico. Ficou alguns dias na enfermaria, regressando depois à vida normal e juntando-se aos companheiros, mas durante um recreio magoou novamente a cabeça. Dores fortíssimas daí resultantes aconselharam o seu internamento no hospital. Então, um companheiro lembrou-se de lhe perguntar:

“Ó Fernando, e se morresses agora?” “Estou preparado... É verdade  que se joga futebol no céu”.

A 26 de Julho Fernando deu entrada no paraíso.

 

Sean Devereux

Sean Devereux (1964-1993). Antigo aluno e cooperador salesiano inglês, voluntário na Libéria. De alma sensível, falava sempre das pessoas que sofriam da insensibilidade de que a rodeava ou a governava. “Enquanto o meu coração palpitar, devo fazer o que penso que posso fazer, quer dizer, ajudar todos quantos têm menos sorte do que eu”. Foi morto quando era voluntário em Kismayo, na Somália. Foi aluno no Colégio Salesian em Farnborough entre 1975 e 1982, enquanto viveu numa região perto de Camberley. Licenciou-se em Birmingham com distinção de honra em Geografia e Ciências do Desporto, em 1985.

Começou a carreira de professor numa escola salesiana em Chertsey, Surrey, em 1986. Muito entusiasta como cooperador salesiano e membro activo da Associação dos Antigos Alunos. Participou num grande número de acções com e para os jovens, quer em Inglaterra quer a nível Europeu. Num desses eventos conheceu o Papa João Paulo II em Roma.

Sean poderia ter um futuro promissor e um estilo de vida cómodo em Inglaterra. No entanto, em Fevereiro de 1989- partiu para a Libéria como voluntário, trabalhando na comunidade salesiana de São Francisco em Tappita. Quando a escola teve de encerrar devido à Guerra civil, Sean tomou a decisão de ficar na Libéria e colaborar com as Nações Unidas nas operações de salvamento dos refugiados.

Deixou a Libéria em 1992, altura em que começou a trabalhar com a UNICEF na Somália.

Em Janeiro de 1993, depois de cinco anos de entrega de vida aos jovens mais pobres de África, Sean foi assassinado na Somália.

A Somália foi um teste duro para o Sean e para o mundo inteiro. Aí, a UNICEF confiou-lhe a missão de organizar uma operação de salvamento das pessoas que morriam de fome, em especial as crianças. O seu ponto de intervenção foi Kismayu, onde morava o desespero e a destruição. Na noite de 2 de Janeiro, quando caminhava perto do campo da UNICEF em Kismayu, foi baleado na cabeça por um homem. Segundo testemunhos do pai, Dermot Devereux, é provável que a morte de Sean esteja ligada ao facto de ter denunciado numa entrevista os massacres existentes na Somália. 

Na missa do funeral em Inglaterra o Pe. Bryan referiu-se a uma das ideias de Dom Bosco que Sean sempre repetia: não é possível ficar indiferente a quem precisa da nossa ajuda, e de um modo especial os jovens mais pobres e indefesos.

Ele foi de verdade um soldado da paz. Profundamente tocado pelo espírito de Dom Bosco, Sean viveu o seu ideal de amor até ao fim da vida, com apenas 28 anos. Deixou uma marca de esperança e coragem a todos os rapazes e raparigas da Libéria e da Somália.

 

 

 

Salvo D'Acquisto (1920-1943). Napolitano, antigo aluno salesiano. Ingressou na Guarda e destacou-se pelas suas qualidade humanas e espirituais. Preciosas são as suas cartas à noiva. Os seus dotes de bondade e o sentido cristão da vida brilharam sobretudo quando, para salvar 22 vítimas inocentes da represália nazista, se ofereceu heroicamente para ser fuzilado no seu lugar. Medalha de ouro de valor militar.

 

Ninni di Leo e Xavier Ribas

Ninni di Leo (1957-1974). Frequentava o Oratório da vila Ranchibile, de Palermo, morreu de leucemia. Gostava de música, de dança, de canto e de basquetebol. Era um adepto do Inter. Altruísta por natureza, nunca pensava em si próprio, e ajudava todos os que tinham necessidade dele. Ao médico que, vendo os seus sofrimentos e não podendo fazer nada e lhe perguntou: “Mas tu que fizeste a Deus?”, respondeu-lhe: “ Porque  é que se tem de meter Deus aqui? Por acaso não sofreu o Senhor tanto por nós?”

 

Xavier Ribas (Barcelona 1958-1975). Animador do Oratório de MArtí-Codolar, de Barcelona. Morto num acidente de montanha, enquanto descia do cume do monte acabado de conquistar em companhia dos amigos. Costumava dizer que com a ajuda de Cristo não há impossível. Era um jovem alegre, sensível, cheio de sonhos. Tinha um grande desejo de chegar a ser professor primário, para poder fazer o bem. Preciosas são as suas “Reflexões de um jovem cristão”.

 

Michele Magone Michele Magone (1845-1859) e Francisco Besuco. O primeiro de uma incrível vivacidade, era um autêntico pequeno chefe de grupo, que só a perícia pedagógica de Dom Bosco conseguiu dominar, orientando-o para a santidade. Foi um outro Domingos Sávio. Desde criança foi um pequeno apóstolo entre os colegas, sempre disposto a manter a paz. Ajudava o pároco como catequista dos mais pequenos. Desde que entrou no Oratório, segui à letra todas as sugestões de Dom Bosco. Caiu doente em Valdocco e aí morreu. Tinha só 14 anos.
Roderick Flores

Roderick Flores (1969-1984). Roderick - (Erick para os amigos) tinha 15 anos mas, como Domingos Sávio, era uma pessoa espiritualmente adulta. Incarnava em pleno a ideia de Dom Bosco: "Dai-me um jovem que frequente re­gularmente a confissão e a comunhão e eu vos garanto um homem em quem se pode confiar. " Os escuteiros do Don Bosco Technical College de Mandaluyong (Filipinas) ti­nham organizado um acampamento de três dias. Nas primeiras horas da tarde de 18 de Agosto de 1984 os pioneiros, Roderick e Benedito dão-se conta de que os exploradores se encontram em perigo. Atiram-se à água imediatamente e alcançam-nos, mas uma onda violenta arrasta o grupo para longe da praia. Neste momento Erick consegue salvar dois companheiros mas é, engolido por uma onda violenta, desapareceu para sempre. O corpo é encontrado a 25 de  Agosto, uma semana depois do dia fatal. A sua morte, para além da dor que provocou, pôs em foco os aspectos mais relevantes da comunidade educativo-pastoral: todos compreenderam que o Don Bosco Technical College tinha produzido um herói!

Como foi possível que um rapaz "normal" se comportasse deste modo. Arriscar a própria vida para salvar a vida de outrem! Diz mons. Pánfílo, director, confessor e amigo de Erick: «Ele não é herói por ter generosamente arriscado a vida lançando-se ao mar para salvar quem estava em perigo. Este gesto foi o ponto culminante de uma sucessão de muitos outros gestos de altruísmo realizados durante toda a sua vida. É um herói porque se impôs a disciplina de servir, amar, ser generoso. Atrever-me-ia a dizer que o seu destino era morrer como herói. Desde 1977 até à morte, Erick vinha à missa aqui à nossa capela às 5:30 ou 6:30 da tarde. Confessava-se todos os domingos. Via neste sacramento não apenas um meio de purificação, mas também de crescimento espiritual, de amor a Deus e ao próximo».

Adorava o desporto, a dança e passei­os com os colegas. No colégio recebia muitos prémios de bom comportamento­. Um dos seus hábitos era fazer uma visita ao Santíssimo na nossa capela antes das aulas. Todos o recordam como um jovem inteligente e exemplar. Fazia parte da secção electrónica e de um grupo que se autodefinia "430 SLC', marca do automóvel Mercedes supero como para dizer: "Somos um grupo de rapazes que buscam a qualidade e a excelência".

 

Ceferino Namuncurá e Domenico Zamberletti

Ceferino Namuncurá (1886-1905). Filho do Cacique Manuel das tribos auraucanas. Estudou com os salesianos em Buenos Aires, em Itália no Colégio de Vila Sora, em Frascati. A tuberculose acabou com ele aos 19 anos de idade. Habituado às planícies da sua terra, adaptou-se à vida do Colégio sendo um modelo para todos os seus companheiros. Na Primeira Comunhão, aos 12 anos, fez um pacto de absoluta fidelidade com o seu amigo Jesus. Popularíssimo na Argentina, é invocado e venerado por todos.

 

Domenico Zamberletti (1936-1950). Um menino-prodígio, pertencente aos acólitos do Sacro Monte, de Varese, Itália. Aluno dos salesianos. Estava fascinado pela oração: “quando rezo não me dou conta do tempo que passa”. Filho do dono de um albergue, tinha dado ordem na cozinha de que preparassem sempre um prato a mais para o “Cristo faminto”. Morreu de leucemia entre dores e atrozes, dizendo: “Mamã, estou bem. Vou para o Paraíso”.

 

Tiago Maffei e Bartolomé Blanco

Tiago Maffei (1914-1935). Aluno durante três anos  do colégio Salesiano de Valsalice, de Turim, estudante de medicina, de comportamento irrepreensível. Morreu de septicemia. Escrevia aos seus pais: “Apostolado, sobretudo apostolado... O Senhor dispôs bem as coisas; encontro-me em condição de podê-lo fazer amplamente e com fruto”. O seu segredo foi a pureza do seu coração.

Bartolomé Blanco (1914-1936). Antigo aluno e cooperador salesiano, foi assassinado durante a guerra civil espanhola, no grupo dos mártires de Andaluzia. Era um jovem bom, recto e valente, comprometido no estudo da questão social e da doutrina social da Igreja. Activíssimo na Acção Católica. Por pertencer à Acção Católica foi preso e encarcerado e condenado à morte. Antes de receber o golpe mortal, exclamou: “Viva Cristo Rei!”

 

Willi De Koster e Marcela Morales

Willi De Koster (1974-1984). Mexicano, morreu de leucemia depois de uma doença que durou seis anos, durante os quais mostrou toda a sua maturidade e serenidade. Tinha sido aluno dos salesianos em Chapalita. A sua vida foi alegre e, ao mesmo tempo, dolorosa, e soube levá-la a bom porto como um pequeno santo.

 

Marcela Cruz Atempa Morales (1967-1983). Antiga aluna das FMA, mexicana, fascinada por Laura Vicunha. Morreu de leucemia mieloblástica. Escolheu, ela própria, os cantos para o seu funeral. Em 1981, depois do atentado contra o Papa, Marcela escreveu-lhe uma carta comovedora na qual, entre outras coisas, dizia: “Se o Senhor me chama a segui-lo, estou disposta, como a ovelha que segue o seu pastor”. Durante a doença no hospital, tocava com gosto, flauta para alegrar os outros pacientes.

 

Renato Scalandri e Sigmund Ocasion

Renato Scalandri (1919-1944). Antigo Aluno do Colégio clássico de Valsalice de Turim. Chamado para a guerra como sub-oficial dos alpinos e feito prisioneiro, morreu no campo de concentração de Hammerstein, ferido à traição por uma espada e sem motivo por um sentinela. Rezava o terço todos os dias, mas a sua oração fundamental era a sua vida, a sua lealdade, a sua delicadeza humana, radicada na visão do Evangelho. Foi dirigente da Acção Católica até assumir cargos nacionais.

 

Sigmund Ocasion (1976-2000). Antigo Aluno de Mandaluyong (Filipinas), escola à qual ficará unidíssimo, inclusivamente depois da sua transferência para Toronto. Modelo entre os  companheiros, morreu de um tumor. Dispunha de uma inteligência vivíssima e de uma bondade única. Quando se manifestou a sua doença no hospital, chamaram-no o “rapaz especial”. Escreveu acerca dele o padre Occhio: “Vi neste jovem o rosto sereno de Cristo do Santo Sudário”.

 

Pier Giorgio Frassati

A santidade é para todos… Pier Giorgio Frassati

Nasceu em Turim a 6 Abril de 1901, Sábado Santo. Filho de uma rica família burguesa, o pai Alfredo era proprietário do Diário  “La Stampa”e mais tarde senador do reino e Embaixador da Itália em Berlim.

A mãe, Adelaide, era uma mulher forte que educou Pier Giorgio e a irmã segundo os critérios educativos do tempo. Dela aprende os primeiros  conceitos religiosos. O pai declara-se não crente.

Pier Giorgio risponde como queria Jesus: na Igreja com a Igreja. Vive a sua espiritualidade fazendo parte de associações católicas mesmo sendo muito jovem. Lê muitos livros e entre  todos os primeiros são os Evangelhos e a vida dos Santos. As Cartas de S. Paulo são a palavra quotidiana que leva aos seus doentes, aos pobres e aos bêbados de Turim. Tudo isto depois da missa da manhã, onde tinha encontro marcado com a Eucaristia.  O resto do dia era um corre corre por Turim, a pé, porque o dinheiro para os transportes, dava-o como esmola; corria às farmácias para buscar os medicamentos dos doentes, e dava tudo para ajudar os outros. Há um fio que une a toda a existência de Pier Giorgio: a dedicação aos pobres. A quem lhe pergunta como faz para suportar os maus cheiros, a  sujidade, responde: “nunca esquecer que mesmo que a casa esteja uma lixeira tu aproximas-te de Cristo!” Pier Giorgio não ama os pobres mas cada pobre.

Dinâmico, cheio de vida, amava fazer escaladas. Também  bom esquiador, nadador, praticava muitos desportos: vela, canoagem, ciclismo, equitação. Uma lufada de vida. Sempre pronto a fazer algumas traquinices com os colegas.

Verdadeiro companheiro, funda entre os seus amigos “a companhia dos tipos perigosos na fé um grupo que gostava de passar os dias juntos, divertindo-se, mas com o objectivo de se ajudarem a viver como cristãos. Muitas vezes Pier Giorgio escreve a dizer que o que os une é rezar uns pelos outros.

Quantas saídas com os amigos até aos Alpes e quantas eucaristías preparadas e vividas. Um jovem, que compreendeu que a caridade significa dar-se porque a vida é um dom concedido por Deus e que de novo se entrega ao Senhor.

Pier Giorgio Frassati, um jovem como nós, que soube separar-se do “deixa andar” e dos condicionalismos da vida quotidiana rica de tantas ofertas, mas ofereceu a sua própria vida  procurando as coisas essenciais da vida, aquelas que te fazem sorrir pelo bem dos outros, aquelas que constroem a nossa santidade.

Empenhos no quotidiano...                                                                                   

  • Apostolado de Oração, Liga Eucarística, Associação dos jovens adoradores universitários, Congregação mariana, Terceira Ordem dominicana... Em 1919, grupo universitário "Cesare Balbo" da Juventude Católica Italiana.
     

  • Beatificado em 1990 pelo Papa João Paulo II, Pier Giorgio Frassati é o ícone do"voluntariado da caridade“ “… são múltiplos os caminhos da santidade e adaptados a cada vocação.”João Paulo II.

Frases de Pier Giorgio...

  • «O amor leva à santidade.»

  • «Amizade: um modo de viver a Igreja... lugar acolhedor onde cada um se sente amado e respeitado por aquilo que é.»

  • «Eu sou pobre como todos os pobres. E quero trabalhar para eles.»

  • «A paz esteja contigo: um outro dom que nos possua nesta vida, é vaidade.»

  • «A verdadeira felicidade, jovens, não consiste nos prazeres do mundo e das coisas terrenas, mas na paz da consciência, a qual se tem, se somos puros de coração.Vamos em direcção ao Alto.»


DIA 11 DE NOVEMBRO: DIA DE S. MARTINHO

Hoje, recordamos mais um santo, que sendo coerente com a escolha feita, foi sinal de estrela para todos aqueles que o encontraram pelos trilhos da vida.

Pois é… é o nosso famoso S. Martinho de Tours. Em Portugal festeja-se com castanhas e água-pé. E de facto quando falamos em S. Martinho, vêm-nos logo à mente as castanhas, os magustos, todo o convívio que nessas ocasiões se gera...

Sabemos que ele nasceu na actual Hungria, no séc. IV; apenas se tornou cristão na juventude e contra a vontade da família. Viveu boa parte da sua vida em França, onde morreu. Foi um valente militar, e como cristão, o seu testemunho foi de tal ordem que viria a ser escolhido para bispo da cidade francesa de Tours.


Conhecemos o seu famoso episódio:

«Num dia de rigoroso Inverno, Martinho entrava na cidade. Um pobre, mal vestido, estendeu-lhe a mão, pedindo esmola. Martinho não tinha nada para lhe dar; tirou, então, a sua capa militar, cortou-a ao meio com a espada, e entregou metade ao mendigo.»

 

Quanto às castanhas, parece que a única explicação é o facto de o dia de S.Martinho coincidir na época delas. E como é um santo muito popular, a tradição das castanhas e dos magustos ficou associada à sua festa.

 

Mas neste dia recordemos as suas atitudes: a partilha, a iniciativa de ir ao encontro de quem necessita, a bondade, a escuta e o respeito pela pessoa.

Para as pessoas que S. Martinho encontrou e ajudou, ele foi um sinal de esperança nas suas vidas, brilhou como um astro resplandecente; um astro que se deixava iluminar por Deus e pelo seu Amor.

 

Reflexão:

Estamos no mês dedicado à santidade e no ano Paulino. E é bonito recordar S. Paulo na Carta a Tito, que o convida a aconselhar os jovens a serem ponderados em tudo. E que Tito se deve apresentar diante deles como exemplo de boas obras (acções), na pureza de doutrina, de dignidade, linguagem sã. O testemunho é muito importante… S. Martinho é conhecido pelas boas acções e atitudes; S. Paulo exorta-nos também a isso; onde quer que nos encontremos (casa, escola, turma, cantina, paragem do autocarro, no Shopping…) sejamos exemplos de pureza, de dignidade, de esperança, de amor verdadeiro, de escuta, de ajuda e respeito… não sejamos motivo de escândalo para ninguém, mas comportemo-nos como «filhos da Luz».

 

Oração:

Senhor, Tu conheces o íntimo do meu ser; sabes quando me sento e quando me levanto… Tu conheces tudo de mim. Acolhe-me em teu coração e que eu aprenda a amar como Tu, para ser verdadeiro/a filho/a do Amor.

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. Bom dia para todos.


 

DIA 15 DE NOVEMBRO - MEMÓRIA DE MADRE MADALENA MORANO, FILHA DE MARIA AUXILIADORA

Um coração cheio de esperança…Madre Madalena Morano

É com alegria que alargamos o nosso coração com o de Madre Madalena Morano, Filha de Maria Auxiliadora, Salesiana de D. Bosco.

Natural da cidade de Chieri (Turim, Itália), nasceu em 15 de Novembro de 1847. Desde muito jovem começou, entre as crianças do lugar, um tirocínio pedagógico que caracterizou toda a sua vida, sobretudo depois de conseguir o diploma de professora. Rica de experiência didáctica e caquética, consegue aos 30 anos coroar um seu desejo de consagração a Deus que se iniciara na primeira comunhão. Em 1879 é Filha de Maria Auxiliadora e pede a Deus a graça de “continuar em vida até completar a medida da santidade”.
Em 1881, foi enviada para a Sicília, onde inicia uma fecunda obra educativa entre as meninas e as jovens das classes populares. Dirigindo constantemente “um olhar para a terra e dez para o Céu”, abre escolas, oratórios, internatos, cursos profissionalizantes em muitos lugares da ilha. Nomeada Provincial, assume também o trabalho formativo de novas e numerosas vocações, atraídas pelo zelo e pelo clima comunitário que se criava em seu redor. O multiforme apostolado é apreciado e animado pelos Bispos, que confiam à sua evangélica criatividade toda a Obra dos catecismos.
Minada por um tumor, a Ir. Morano termina em Catânia no dia 26 de Março de 1908 uma vida de total coerência, vivida sempre com o objectivo de “nunca ser obstáculo à acção da Graça com favorecimentos ao egoísmo pessoal”. Nessa mesma cidade, João Paulo II proclamou-a bem-aventurada no dia 5 de Novembro de 1994. A sua memória celebra-se no dia do seu aniversário – 15 de Novembro – e seus restos mortais veneram-se em Alì Marina, Catânia, Sicília. Foi beatificada a 5 de Novembro de 1994 por João Paulo II.

 

Reflexão:

Deus nunca se cansa de nos dar exemplos de santidade; é assim que se caminha: seguindo os rastos de luz deixados no mundo por estas pessoas que se deixaram guiar pela Estrela Polar, Cristo, e por Cristo chegaram a Deus.

Madre Morano dizia: “Nunca ser obstáculo à acção da Graça com favorecimentos ao egoísmo pessoal”. O egoísmo é no nosso tempo, uma grande praga, que corrói por dentro contaminando a nossa alma e a vida dos que nos rodeiam. Ao longo da nossa vida devemos sempre ser instrumentos da graça de Deus e nunca impedimentos para que ela avance e realize em nós e nos outros o Projecto de Deus, a felicidade e a vida eterna, para esta esperança somos chamados todos os dias.

Recordemos algumas frases de Madre Morano e façamos delas a nossa oração. Depois da escuta de cada uma delas, façamos um pouco de silêncio e meditemos um pouco:

«Para com os outros, faz todos os actos de delicadeza que gostarias de receber»

«A santidade não se conquista em poucos dias; basta querê-la, basta pedi-la continuamente a Deus, basta recomeçar, rapidamente».

«A alegria é o meio indispensável para a formação do carácter. A verdadeira alegria é fonte de bem.»

«Alarga o teu coração à esperança»

Mesmo nas dificuldades, custe o que custar… importa andar! Com esperança.


 

DIA 16 DE NOVEMBRO: DIA INTERNACIONAL PARA A TOLERÂNCIA

NO SUPERMERCADO…

«Estávamos a viver um dia muito agradável em casa dos meus pais e sabendo que eles deveriam ainda fazer as compras para a casa, oferecemo-nos, eu e o meu marido, para irmos ao supermercado. Eram já 19h00 e quando chegamos à caixa para pagar apercebemo-nos de algumas dificuldades com a família que estava à nossa frente.

Não funcionavam as ligações para o pagamento multibanco e não tinham o montante suficiente para cobrir toda a despesa que tinham feito. A tudo isto juntava-se o facto de que não podiam ir a uma caixa de multibanco porque estava de bicicleta e não faziam em tempo para chegar antes do encerramento do estabelecimento. Interveio então o director, já impaciente, que decidiu drasticamente não entregar a despesa senão havia outro modo de remediar a situação. Bastaram pouco segundos para olhar para o meu marido e compreendi que tínhamos o mesmo desejo e a mesma ideia. Propusemos pagar as despesas feitas por eles ou de os acompanhar à caixa mais próxima. Faltavam vinte minutos para que o supermercado fechasse mas de certeza que se tinha o tempo suficiente para ir e voltar. Eles aceitaram e o director ficou surpreendido e um pouco admirado com a nossa imediata disponibilidade. No carro, o meu marido recebeu, por parte da senhora que o acompanhava, frases de sincera gratidão: a senhora quase comovida exprimiu a confiança e a esperança; depois deste gesto para com eles e que «se pode ainda fazer e receber o bem neste mundo».

Ao mesmo tempo eu esperava no supermercado pelo regresso dos dois e notei que o director tinha mudado completamente de atitude no confronto com os clientes expressando maior gentileza e compreensão. Até mesmo quando faltavam poucos minutos para fechar, aproxima-se de uma caixa onde se encontrava um senhor na mesma situação da família e, tranquilamente, propôs-lhe de levar as coisas para casa e voltar no dia seguinte para pagar.»

 

Reflexão:

Os actos, as acções dizem muito mais que mil palavras. Os exemplos de bem, mexem sempre com as pessoas, mesmo aquelas mais impacientes, incompreensíveis, “duras de coração”. A coragem de ser diferente e “correr” contra a corrente em atitudes que dignificam as pessoas e as ajudam concretamente, é um risco que poucas pessoas correm; no fundo é ser cá na terra, Cristo, Estrela Polar, que brilha através das várias estrelas que somos nós, e de facto ainda «se pode ainda fazer e receber o bem neste mundo». Basta manter a calma, numa vivência saudável com os outros, onde reina o respeito, a verdade, a tolerância e a fidelidade.

 

Oração:

Entreguemo-nos a Maria, apresentemos-lhe as nossas acções de bem e aquelas que ainda vamos fazer, em prol do bem comum e do bem-estar de todos.

Ave-Maria, … Nossa Senhora Auxiliadora… Rogai por nós.
Em nome do Pai... Bom dia a todos


 

DIA 22 DE NOVEMBRO: SANTA CECÍLIA, PADROEIRA DA MÚSICA

Hoje, celebramos a Padroeira da Música, Santa Cecília. Virgem e Mártir, romana, do século V. O conto lendário do seu martírio é um poema que exalta a pureza cristã. No século XV é escolhida para padroeira dos músicos por causa de uma frase da sua paixão/morte: “Enquanto se ouvia o tocar dos instrumentos para as núpcias, Cecília cantava no seu coração para o Senhor.” Sintonizar a nossa vida com a do Senhor, por vezes é difícil, mas quando deixamos que seja Ele a afinar as cordas da nossa vida, não há que ter medo:

 

As cordas do violino

Uma vez, um famoso violinista e compositor espanhol, chamado Paulo Sarasate, tocou num teatro de Madrid. Mais uma vez o concerto foi um êxito, tal era a perfeição da sua técnica e a beleza das suas melodias tão celestiais. A sala há muitos dias que se encontrava esgotada e, durante o tempo que durou o espectáculo musical, a sua música envolveu de tal maneira as pessoas que o silêncio era total. No final, um prolongado aplauso. À saída do teatro, muitas pessoas esperaram por ele, a fim de o felicitarem pessoalmente ou pedirem autógrafos. Estava ali um mendigo, sentado no passeio da rua, com o seu violino, enquanto com um chapéu no chão ia recolhendo as esmolas que iam caindo.

As pessoas passavam mas pareciam não apreciar a sua música, pois não via cair as desejadas moedas. Sarasate, depois de saudar as pessoas, atravessou a rua, aproximou-se do mendigo e disse-lhe: Pode emprestar-me o seu violino? O mendigo entregou-lho. Sarasate pegou nele e tocou mesmo ali uma peça musical. As pessoas foram-se juntando e aplaudiram mais uma vez o famoso artista. Tocou, em seguida, mais uma peça. Depois, pegou no chapéu do mendigo e passou com ele junto de cada uma das pessoas. O chapéu ficou cheio de moedas e de notas, que ele entregou ao mendigo. Este, maravilhado com tudo o que estava a acontecer, chorou de emoção. O famoso violinista perguntou porque chorava. Ele respondeu: Estou emocionado porque o senhor extraiu do meu velho violino os sons mais belos que eu jamais ouvi em toda a minha vida. Como é possível que deste velho instrumento possam sair tão belas melodias?

 

Reflexão:

A melhor melodia que podemos tocar, e não importa qual o nosso instrumento, é a da nossa vida. E se deixarmos que seja o grande Mestre a tocar com toda a sua vivacidade e com todo o seu Espírito, quantas pessoas não beneficiarão da nossa melodia que lhes toca o coração. Sejamos capazes de colocarmo-nos ao serviço dos outros, de santificarmos o nosso dia com acções e comportamentos que agradam ao Senhor.

 

Oração:

Que ao longo do meu dia eu repita várias vezes: “Obrigado, Senhor pela maravilhosa melodia da minha vida”

Pai Nosso… Nossa Senhora Auxiliadora…rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. 


 

DIA 25 DE NOVEMBRO: MÃE MARGARIDA - VENERÁVEL MÃE MARGARIDA

Uma estrela no mundo salesiano…Quem não conhece a Mãe Margarida? Uma mulher extraordinária e de facto uma estrela que brilhou e iluminou o carisma salesiano. 25 de Novembro é a data do seu falecimento, mas a memória da sua vida permanece em nossos corações. Quem não se recorda do seu percurso de santidade?

*   Margarida Occhiena nasceu no dia 1 de Abril de 1788 em Capriglio, Província de Asti, Itália, sendo a sexta de dez filhos. Foi baptizada no mesmo dia na Igreja Paroquial. Seus pais eram agricultores dotados de sinceros sentimentos cristãos. Desde jovem Margarida era uma grande trabalhadora. Os tempos e o trabalho não lhe permitiram estudar, mas o seu amor pela oração foi enriquecido por aquela sabedoria que não se encontra nos livros.

*  Casa-se, em 1812, com Francisco Bosco, 27 anos, viúvo, com um filho de três anos, António, e a mãe doente aos seus cuidados. No ano seguinte nasce José e em 1815 João (o futuro Dom Bosco). Juntos transferem-se para os Becchi, distrito de Castelnuovo d'Asti.

*  Em 1817 Francisco morre atingido por uma pneumonia. Aos vinte e nove anos Margarida vê-se enfrentando sozinha a condução da família num momento de grande carestia, assistindo a mãe de Francisco, António e os pequenos José e João. Margarida era uma mulher de grande fé. Deus estava sempre acima de todos os seus pensamentos e sempre em seus lábios.

*  O amor do Senhor era tão intenso que formou nela um coração de mãe. Sábia educadora, soube conjugar na paternidade e maternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando os filhos com amor desinteressado, paciente e exigente. Atenta à vida deles, confia nos meios humanos e no auxílio divino. Acompanha o crescimento dos três garotos, de temperamento muito diferentes, com os mesmos critérios mas com métodos diversos. Ensina-lhes o catecismo e prepara-os para se aproximarem da primeira comunhão.

*  Tendo ouvido o sonho de Joãozinho aos nove anos, é a única que consegue lê-lo à luz do Senhor: "Quem sabe, tu devas ser sacerdote". Permite-lhe então que fique com outros garotos pouco recomendáveis, para que, com ele, se comportem melhor. A hostilidade de António em relação aos estudos de João obriga-a a afastar o filho menor para que possa estudar. Mas com todos os obstáculos acompanhá-lo-á até à ordenação sacerdotal. Naquele dia pronunciará algumas palavras que ficarão no coração de Dom Bosco por toda a vida. Quando, em 1848, Dom Bosco fica gravemente doente, Margarida vai assisti-lo descobrindo o bem que faz pelos jovens abandonados.

*  Ao pedido para acompanhá-lo, responde assim: "Se acreditas que essa é a vontade do Senhor, estou pronta a vir". A presença de Mãe Margarida transforma o oratório numa família. Por dez anos a sua vida se confunde com a do filho e com os inícios da Obra salesiana; é a primeira e principal cooperadora de Dom Bosco; torna-se o elemento materno do sistema preventivo; é, sem o saber, "co-fundadora" da Família Salesiana.

*  Morre em Turim, atingida pela pneumonia, no dia 25 de Novembro de 1856 aos 68 anos. Acompanham-na ao cemitério muitos jovens, que a choram como se chora por uma Mãe. Gerações de salesianos a chamaram e a chamarão de Mãe Margarida.

É sempre bonito recordar aspectos familiares de Mãe Margarida, mas fiquemos com este:

«A longa presença feminina e materna é um facto único na história dos fundadores e das congregações educativas’

Podemos dizer que ‘a Congregação salesiana foi embalada nos joelhos de mãe Margarida’

- Deus sabe quanto te amei, mas lá de cima será melhor ainda. Fiz tudo o que pude... Diga aos meninos que trabalhei para eles, como uma mãe. (Mãe Margarida)»

Mãe Margarida viveu pobre e pobre morreu: levada a um sepulcro comum, nunca teve seu nome escrito sobre um túmulo, mas o seu nome está escrito em cada um de nós!

(No diálogo que estabelecemos com a nossa juventude, realcemos as frases a negrito nos dados acima apresentados.)


 

A ESTRELA DA ESPERANÇA

"Era uma vez, milhões e milhões de estrelas no céu. Havia estrelas de todas as cores: brancas, lilases, prateadas, douradas, vermelhas e azuis. Um dia, inquietas, aproximaram-se de Deus e disseram-lhe:

- Senhor Deus, gostaríamos de viver na Terra, entre os homens...

Deus respondeu:

- Assim será feito. Podeis baixar lentamente à Terra.

Conta-se que, naquela noite houve, uma linda chuva de estrelas. Algumas aninharam-se nas torres das igrejas, outras foram brincar e correr com os pirilampos, outras misturaram-se nos brinquedos das crianças e a Terra ficou maravilhosamente iluminada.

 Porém, com o passar do tempo, as estrelas decidiram abandonar os homens e regressar ao céu, deixando a Terra outra vez escura e triste.

- Por que voltaram? - perguntou Deus à medida que iam chegando ao céu.

- Senhor, era-nos impossível permanecer na Terra; lá existe muita miséria e violência, muita fome e injustiça, muita maldade e doença.

E o Senhor disse-lhes:

- Claro! O vosso lugar é aqui no céu. A Terra é o lugar do transitório, daquilo que passa. Aí nada é perfeito. O céu, porém, é o lugar da perfeição, onde tudo é imutável e nada perece.

Depois de terem chegado todas as estrelas e de Deus as ter contado, Deus disse:

- Mas falta uma estrela... Perdeu-se pelo caminho?

Um anjo, que estava perto, respondeu:

- Não, Senhor, uma estrela resolveu ficar entre os homens. Ela descobriu que o seu lugar é precisamente onde existe imperfeição, onde há limites, onde as coisas não correm bem, onde há esforço e sofrimento.

- Mas que estrela é essa? - perguntou Deus de novo.

- É a estrela verde, Senhor. A estrela verde da esperança.

E quando olharam para a Terra, a estrela já não estava só. Tinha-se multiplicado: a Terra estava novamente iluminada, porque havia uma estrela verde no coração de cada pessoa.

 

Reflexão:

A esperança é contagiosa. É ela que nos permite ir mais além… a dar mais um passo no caminho da vida; a acreditar que é possível chegar à meta. A estrela verde ficou na terra, acendeu e multiplicou a sua função nos corações de todos e também no nosso. Acendeu a esperança de que este ano será um ano de bênçãos. Primeiro acreditemos e tenhamos esperança em nós mesmos para pudermos transmitir aos outros.

 

Oração:

Que o amor pelo próximo seja a nossa meta e nunca usemos o outro como meio para alcançar fins.

Que todos os dias do ano sejam preenchidos pela felicidade de sermos uns para os outros.

QUE A VIDA SEJA UM CAMINHO DE ESPERANÇA!!!

Avé-Maria… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. Bom dia para todos.


 

AQUELE CORAÇÃO...

Um dia, um jovem colocou-se no centro da aldeia e proclamou que tinha o coração mais belo de toda a região. Uma grande multidão congregou-se à sua volta e todos confirmaram que o seu coração não tinha qualquer mancha ou cicatrizes. Era mesmo perfeito. Mas eis que se aproximou um idoso e lhe disse:

- Porque dizes isso, se eu tenho um coração mais perfeito que o teu?

O Jovem e a multidão ficaram surpreendidos. Olharam para o coração do idoso e viram que o seu coração, embora batesse fortemente, estava coberto de cicatrizes e até havia zonas em que faltavam pedaços que tinham sido substituídos por outros que não encaixavam por vezes muito bem. E até havia lugares onde faltavam pedaços.

O jovem perguntou-lhe:

- Como se atreve a dizer-me que o seu coração é mais belo que o meu? Deve estar a brincar comigo. O seu coração é um conjunto de cicatrizes e dor.

O idoso respondeu:

- É verdade que o teu coração brilha na perfeição, mas quero dizer-te que cada cicatriz do meu coração representa uma pessoa a quem entreguei todo o meu amor.

O jovem sem entender perguntou:

- Explique-me melhor.

- Arranquei os pedaços do meu coração para os entregar a cada pessoa a quem amei. E muitos, por sua vez, me ofereceram pedaços do seu. Como os pedaços não eram iguais, ficaram os bordos dos quais me alegram, porque me recordam o amor que compartilhámos.

Houve momentos em que eu dei um pedaço do meu coração, mas não fui retribuído. Por isso, tem os buracos por preencher. São feridas que recordam, que apesar de tudo, devia continuar a amar essas pessoas. Talvez um dia regresse e voltem a preencher o vazio que deixaram no meu coração. Compreendes agora porque é que o meu coração é muito belo?

O jovem permaneceu em silêncio e as lágrimas corriam-lhe pelas faces. Aproximou-se do idoso, arrancou um pedaço do seu maravilhoso coração e ofereceu-lho. A peça amoldou-se no coração do idoso, embora não perfeitamente. E, ao contemplar o coração do idoso, notou que resplandecia com mais beleza. Percebeu então que a beleza do coração está na capacidade de amar.

 

Reflexão:

Como está o teu coração? Que beleza manifesta? A força do coração passa pela força do amor. Somos seres criados para amar; e as nossas atitudes quotidianas devem manifestar este amor: construir pontes, combater a tristeza e semear a alegria, dar confiança, tornar o outro feliz, saber guardar segredo, dar pão a quem tem fome, cumprir os deveres, praticar a justiça…

 

Oração:

Avé- Maria… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen. Bom dia para todos.


 

PEDRAS NO RIO...

«Esta noite tive um sonho… sonhei que caminhava numa planície e deveria ainda nascer o sol. De repente cheguei ao cimo de um rio. Na sua margem estava um saco cheio de pedras. Peguei no saco, e automaticamente tirei uma pedra do saco e atirei-a para a água. Depois tirei outra e mais outra e continuei a atirar pedras para a água como se tratasse de um jogo. O sol levantou-se e veio a luz. Olhei para o saco e já só tinha uma pedra. Apreciando o nascer do sol, tinha a pedra na palma da minha mão e por pouco não a atirei quando me apercebi que aquela pedra luzia com os raios de sol e que não era uma pedra qualquer, mas uma pedra preciosa. Na escuridão tinha deitado um saco inteiro de pedras preciosas para o rio. Tinha perdido uma fortuna. Espantado comigo mesmo refilei o mais que pude, mas depois apercebi-me de que ainda era um sortudo porque tinha ficado com uma pedra na mão. E em seguida acordei e reflecti: A vida é um grande tesouro, mas às vezes não se faz outra coisa senão «deitá-la fora». Fica só uma pedra… a minha vida, a nossa vida, pode-se salvar, e ainda é possível ter confiança para que isso aconteça, porque o saco da vida não contém apenas e somente “pedras”.»

Reflexão:
A vida é um dom demasiado valioso para ser tratado com tanta leviandade, é demasiado preciosa para que a deitemos fora, que nos esqueçamos dela. Todos nós temos qualidades, valores que precisam de ser retiradas do «saco da vida» com delicadeza e serem apreciadas. Mas em primeiro lugar temos de ser nós mesmos, a apreciar quem somos e o que temos. Agarremos a vida com alegria, com entusiasmo, e façamos dela o melhor tesouro de pedras preciosas que temos para oferecer ao rio do mundo, não na escuridão da noite mas à luz do dia.

Oração:

Confiemo-nos a Maria, para que saibamos imitá-la na valorização da vida e na entrega generosa da mesma ao serviço dos irmãos.

Avé Maria…Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai…


 

TRABALHAR NA RUA...

Hoje trago-vos um testemunho de uma Irmã salesiana francesa que trabalha com emigrantes e jovens marginalizados. São um grupo de pessoas merecedoras, também, de uma atenção particular apesar de nem sempre ser fácil trabalhar com eles…mas são também campo de missão…

«Nas periferias francesas as FMA (salesianas) estão presentes e em primeira linha da frente ao lado das crianças, adolescentes, jovens e famílias emigrantes. Ir. Virgínia Merel e a Ir. Valentina Delafon, são duas irmãs jovens francesas que em Lyon colaboram nas actividades da Associação Valdocco, fundada por um salesiano, Jean Marie Petitclerc, acerca de 10 anos, empenhando-se na educação dos jovens em situação de marginalização.

 

Trabalhar na rua

A Ir. Vírginia e a Ir. Valentina, encontram crianças, adolescentes e jovens, que pertencem sobretudo a outras culturas. As proveniências são diversificadas: Norte de África (Marrocos, Tunísia, Algéria), África Oeste (Gabão, Costa do Marfim, Senegal) Turquia, países da Europa de Leste (Rússia, Roménia). A Ir. Virgínia conta: «Apenas cheguei a Lyon comecei a colaborar com o salesiano no trabalho da rua, num bairro periférico do norte da cidade. A primeira etapa prevista da missão era fazer uma análise do bairro, observando as necessidades e os hábitos das crianças e adolescentes. Que escolas frequentavam? O que faziam nos tempos livres? Onde se reuniam? Qual a religião que professavam? Qual o nível social das famílias? Estas foram as questões que nos orientaram para a exploração do bairro. No passado mês de Novembro pela primeira vez podemos organizar uma tarde de jogos na rua onde eles se encontram. É muito importante fazermo-nos ver para dar segurança aos pais e vencer as desconfianças.

O trabalhar na rua é muito empenhativo, é um outro modo de encontrar as pessoas, ir ao seu encontro. Não são muitas as crianças, adolescentes e pais que vêm para um lugar, para uma estrutura definida para as actividades, isto é entrar num mundo que não é o deles, nem é o seu ambiente. A experiência destes meses demonstra que é um modo mais livre de encontrar as pessoas sobretudo as mães, que geralmente, não sabendo bem a língua, têm medo de se expor. Pouco a pouco, nestes 5 meses, conseguimos conquistar a confiança dos adultos, o quadro das necessidades educativas é muito mais completo. Cada dia é um desafio, não é fácil ir ao encontro da juventude de outra cultura e religião. Para mim a dificuldade maior é enfrentar a agressividade que têm dentro e que se manifesta muitas vezes com uma linguagem pesada e com gestos de desafio. Contudo estou a descobrir a potência da relação educativa cheia de Deus. Não falo de Jesus, mas Ele está presente naquilo que faço. Neste momento a prioridade é ser testemunho do Evangelho para eles, para que possam fazer uma experiência da recepção de uma Boa Noticia.»  (Revista DMA)

 

Reflexão:

Um campo de missão diversificado, mas a missão é acolher cada um na sua realidade e ali ajudar a encontrar respostas para as situações por vezes difíceis da vida. Estas Irmãs e pessoas que se dedicam a este tipo de causas, são exemplo para nós, são modelos que nos devem levar a reflectir. Mais do que criticar, desprezar… ajudar a encontrar respostas. E podemos começar por aqui, aceitando-nos uns aos outros e ajudando-nos a sermos bons.

 

Oração:

Avé Maria, … Nossa Senhora Auxiliadora… Rogai por nós.
Em nome do Pai... Bom dia a todos


 

INÊS

«A cidade chama-se Marcala, um nome tão bonito como os gladíolos que aqui nascem espontaneamente nos prados. Mas a casa onde me encontro sentada é cinzenta por fora e cinzenta por dentro porque é feita de adobe que não foi rebocado. Tem uma porta de tábuas e taipais de madeira. Quando se fecham, fica tudo completamente às escuras. Inclino a cabeça para trás e vejo brilhar o céu, através do telhado, em tiras azuis claras.

«Quando chover, vai pingar aqui dentro! — penso eu. — O chão de terra vai ficar enlameado e a cama e a mobília molhadas. Hoje o sol está a brilhar. Estamos em meados de Agosto, altura em que, nas Honduras, a estação das chuvas faz uma pausa. — É o Verão pequenino! — costumam dizer as pessoas.

Como há duas semanas que não chove, já torna a haver muito pó, mas também flores entre os tufos de erva. Juntamente com o céu azul e as galinhas brancas, formam um quadro muito bonito que vejo pela porta aberta. Só que a casa cinzenta deprime-me. Tenho a impressão de que olho para isto tudo com um olhar de repreensão. Porque sou rica e nem penso nisso.

Na Áustria tenho uma casa sem buracos no telhado, uma banheira, uma máquina de lavar roupa, comprimidos para a dor de cabeça no armário dos medicamentos, férias todos os anos…  À minha volta estão sentadas uma dezena de mulheres e de raparigas que não possuem nada disto. Têm preocupações com os filhos doentes, não têm dinheiro para medicamentos nem para roupas e sapatos. Muitas delas há muito que não recebem notícias dos maridos, que moram noutras cidades, porque em Marcala há pouco trabalho.

Nesta tarde, reuniram-se para falarem dos seus problemas e para lerem, em conjunto, a Sagrada Escritura. Tive autorização para vir também. Trouxe-me uma amiga que trabalha numa organização de ajuda ao desenvolvimento. O que as mulheres contam quase me parece impossível: acordar todos os dias às quatro da manhã, comer unicamente tortilhas de milho e moê-lo à mão; apanhar lenha para o fogão e cortá-la em pedaços pequenos; trabalhar arduamente no campo, ir buscar água para a família toda. À noite, remendar a roupa junto ao fogão de lenha, porque não há outra luz. Em seguida, cair morta de cansaço na cama — ou em cima de uma pele de vaca, pois nem todos têm cama.

— A minha filha tem doze anos e já trabalha numa plantação, se não, não podíamos viver.

Uma menina que parece ainda ir à escola, conta:

— Eu fico sentada das seis da manhã às seis da tarde diante da máquina de costura. Trabalho em casa. Faço oito vestidos por dia e tenho de os entregar pontualmente. Até como sentada à máquina.

À minha frente está sentada a filha da dona da casa. Deve ter uns oito anos.

— Inês! — diz a mãe, esticando o queixo na direcção das galinhas que andam  pelo quarto. Inês corre atrás das galinhas batendo palmas, e enxota-as para fora de casa. O irmãozinho, sempre agarrado ao seu vestido, deixou-o encostado ao banco, como um guarda-chuva. Parece ser um pouco parado. Enfiou a mão na boca e fica imóvel a chuchar nos dedos.

Inês senta-se novamente. Põe os braços à volta do irmão e, com o dedo grande do pé, espalma um monte de dejectos de galinha.

Sorrio-lhe. Inês retribui-me o sorriso. Levanta-se e vem sentar-se ao meu lado. O banquito é suficientemente largo para as duas.

Inês põe o irmão ao colo. Sinto-me lisonjeada, porque Inês é muito meiga. A sua cabeça fica à altura do meu ombro. Vejo os piolhos passearem-lhe na cabeça uns atrás uns dos outros. Deixei de sentir-me lisonjeada e começo a pensar como afastar-me de Inês.

A alguns metros de mim há uma cadeira vazia. Sento-me nela e fico contente por ninguém poder chegar-se agora à minha beira. Mas, ao mesmo tempo, envergonho-me. Então como é?! Falo de “amor ao próximo” e tenho medo de piolhos?

Talvez tenha magoado Inês. Ao lado dela, está agora sentado o irmão, ainda com a mão na boca.

Uma das mulheres lê em voz alta uma passagem da Bíblia, o Sermão da Montanha: Bem aventurados os que são pobres aos olhos de Deus... Reflecti muitas vezes nesta frase. Como compreendê-la para que também eu possa ser “bem-aventurada”? De cada vez que ouço o Sermão da Montanha, também tenho vontade de ser pobre, mas pobre de uma forma que não doa. Parece-me agora que Jesus, ao proferir esta frase, quis dizer exactamente o que ela diz: “… os que são pobres aos olhos de Deus.” Tal como estas mulheres são pobres, mas não se esquecem de Deus. Acreditam que o Seu reino há-de vir e que elas hão-de poder trabalhar nele.

E é disso que estão a falar.

— Mesmo quando estou cansada, levanto-me de noite, se alguém precisar de mim. Não queremos usar de violência, principalmente porque sabemos a dor que causa.

— Devemos lutar pelos nossos direitos com meios pacíficos, mesmo que seja perigoso.

— Não devo desviar os olhos quando alguém é tratado com injustiça. Apesar disso, eu faço que, ignoro porque tenho medo.

As mulheres lembram-se de muitos exemplos das suas vidas. Nas suas vozes não há fingimento.

Reflexão:

Penso que este relato da jovem que é rica nos faz pensar… conheceu a Inês e possivelmente outros em situação de miséria e reflectiu sobretudo na sua atitude perante a pobreza. E tu? És um/a bem- aventurado/a? És pobre aos olhos de Deus? Se olhares bem para os que estão ao teu lado, ao longo do dia, eles estão à espera que ponhas em prática o teu “ser pobre”, que é ir ao encontro do outro sem qualquer tipo de interesse, sem te importares da marca da roupa que veste, se tem muito dinheiro ou não, é dar-lhe esperança e acreditar com ele que o sol nasceu para todos … já agora, vale a pena pensar nisso!

 

Oração:

Entreguemo-nos nas mãos de Maria… Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós.

Em nome do Pai... Bom dia a todos.


 

UMA MANHÃ MOVIMENTADA!

«Era uma manhã muito movimentada, quando um senhor idoso de 80 anos, chegou ao Centro de saúde para tirar os pontos de uma ferida. Disse que tinha muita pressa porque tinha um encontro às 9h00.Tirei a pressão arterial e fi-lo sentar, sabendo que passaria pelo menos uma hora antes que alguém o atendesse. Olhava continuamente para o relógio e decidi, uma vez que não tinha empenho com outros pacientes, tratar eu mesmo da sua ferida.

Feito um primeiro exame a ferida parecia ter cicatrizado bem: fui buscar os instrumentos necessários para retirar os pontos e medicá-lo de novo. Enquanto cuidava dele, perguntei-lhe se tinha outra consulta médica uma vez que estava com tanta pressa. O senhor idoso respondeu-me que tinha de ir à casa de repouso para tomar o pequeno-almoço com a sua mulher.Informei-me da sua saúde e ele contou-me que a sua esposa sofria de Alzheimer. Perguntei-lhe por acaso se a mulher se preocupava se ele chegasse um pouco mais tarde. E ele respondeu que ela já não o reconhecia há 5 anos.Fiquei surpreendido e perguntei-lhe: «e ainda vai ter com ela todas as manhãs mesmo que ela não saiba quem é o senhor?

O homem sorriu e deu-me uma pancadinha nas costas dizendo: «Ela não sabe quem sou, mas eu ainda sei perfeitamente quem ela é!» Tive de conter as lágrimas… e pensei «Este é o tipo de amor que quero na minha vida.»

 

Reflexão:

Podemos correr o risco de pensar só em nós. Isso é importante, mas não é tudo; com trabalho e empenho de cada um, ajudemo-nos uns os outros, não deixemos de acompanhar e de estar perto de quem precisa de uma mão amiga. E deixar que o amor verdadeiro nos guie nas coisas que fazemos e nas relações que vivemos, porque assim trazemos ao de cima o melhor de nós mesmos. Porque cada um de nós combate qualquer tipo de batalha e a questão não é «tanto sobreviver a uma tempestade mas saber como dançar na chuva» …ou seja, aceitar a situação que se vive para encontrar a paz.

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós.


 

UMA ESTRANHA LUZ!

«Havia, no meio de um bosque, uma aldeia onde aconteceu algo de estranho que a todos maravilhou. Numa noite de intenso nevoeiro, em que não se via o chão que se pisava, chegou um caminhante a dizer que uma estranha luz tinha ido adiante dele, indicando-lhe o caminho para não se perder. Uma noite, voltou a acontecer o mesmo. Uma jovem tinha-se perdido enquanto andava à lenha no bosque e não encontrava o caminho de regresso. De repente viu uma pequena luz que se movia adiante dela. Seguia-a e, graças a ela, conseguiu regressar à aldeia. As pessoas não sabiam o que pensar de tudo isto. Uns diziam que tudo era fruto da imaginação. Outros diziam que era bruxaria. Alguns deslocaram-se ao bosque e procuraram, mas não encontraram nada. Mas, fosse o que fosse, não havia dúvida que aquela estranha luz não era perigosa.

Num frio de Inverno caiu de repente uma tempestade de neve tão grande que deixou a aldeia incomunicável. Uma criança, que era pastora, ficou bloqueada na montanha. Por mais esforços que fizessem para a ir buscar, foi impossível. A neve estava tão alta, que não se podia dar um passo sem se ficar enterrado até à cintura. Caiu a noite e todos temiam que a criança morresse de frio. Na manhã seguinte, quando a neve estava mais sólida, toda a aldeia foi à sua procura. Depois de muito buscar, encontraram-na enrolada e adormecida no buraco de uma velha árvore. Era um milagre o facto de não ter morrido congelada.

Quando a criança acordou, contou uma história incrível. Disse-lhes que uma misteriosa luz a tinha guiado até ao buraco da árvore, para que se refugiasse no interior. E ali descobriu que aquela luz não era senão um pequeno pirilampo. Ele ficou ali toda a noite, dando-lhe com a sua luz um calor tão agradável que adormeceu.Todos ficaram assombrados com o que ouviram. Então procuraram o pirilampo no buraco da árvore, mas infelizmente encontraram-no morto a um canto. Tinha gasto toda a sua maravilhosa energia para salvar a criança. Pegaram no pequeno pirilampo e levaram-no para a praça da aldeia, onde lhe ergueram um monumento. Actualmente, quem visita a aldeia pode encontrar ali uma luz sempre a brilhar e uma placa onde se pode ler: «a um pirilampo que utilizou a sua luz para fazer o bem entre nós».

 

Reflexão:

Um simples pirilampo, com o dom de iluminar porque faz parte da sua natureza, e que decidiu partilha-lo com todos. Não o guardou só para si, mas com a sua luz empenhou-se em fazer o bem aqueles que lhe apareciam pelo caminho e se sentiam perdidos. Decidiu ajudá-los na sua aflição. Decidiu fazer o bem e ser bondoso. E isso custou-lhe a vida… mas salvou outra. E com certeza que ficou feliz por sublime acto. Hoje, também somos convidados a fazer o bem ao próximo, a sermos sobretudo bondosos uns com os outros. E a bondade tem tantos gestos e atitudes que temos de ir cultivando. Quereis dizer algo

 

Oração:

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós.


 

A MÃO E A AREIA

Jorge, um rapaz de 13 anos, passeava na praia com a mãe. Depois de percorrido alguns metros, pergunta:

- Mãe, como se faz para conservar um amigo quando finalmente se conseguiu encontrar um?

A mãe meditou por alguns segundos, depois inclinou-se e pegou em dois punhados de areia. Tendo as palmas das mãos viradas para cima, apertou com muita força uma mão: a areia fugia-lhe por entre os dedos, e quanto mais apertava mais a areia lhe escapava. Por outro lado, manteve aberta a outra mão, e a areia ficou toda. Jorge observou admirado, e depois exclamou:

- Compreendo.

Mais tarde quando entraram numa pequena capela encontraram uma imagem de Maria, com a oração do acolhimento:

Senhor, ajuda-me a ser amigo para todos:

Que espera sem se cansar,

Que acolhe com bondade,

Que dá com coração,

Que escuta sem cansaços,

Que agradece com alegria.

Um amigo que se tem sempre a certeza de se encontrar,

Mesmo que não haja necessidade.

Ajuda-me a ser uma presença segura,

A quem se podem dirigir quando o desejem,

A oferecer uma amizade repousante,

A irradiar uma paz,

A Tua Paz, Senhor.

Faz que seja disponível e acolhedor,

Sobretudo para com os mais débeis e indefesos.

Assim, sem cumprir coisas extraordinárias

Poderei ajudar os outros a sentirem-se mais próximos,

Senhor da ternura.

Reflexão:

Todos somos convidados a viver a Espiritualidade Salesiana que se baseia na Vida do Espírito de Deus, no Espírito do Amor, que acolhe com ternura, infunde confiança, transmite Paz, comunica alegria... a alegria de Cristo Ressuscitado.


 

SEMELHANÇAS

«Uma Irmã missionária estava com muito cuidado a limpar as chagas de um leproso. Fazia o seu trabalho sorrindo e falava ao mesmo tempo com o doente, como se fosse a coisa mais natural do mundo. A um certo momento pergunta ao doente:

- Acreditas em Deus?

O pobre homem fixou-a durante algum tempo e depois respondeu:

- Sim, agora acredito em Deus!»

E ainda:

«Um missionário viajava num comboio rápido japonês e ocupava o tempo rezando com o seu livro de orações. Uma paragem brusca fez escorregar para o chão uma imagem de Nossa Senhora. Um rapazito que estava sentado em frente ao missionário baixou-se e apanhou a imagem. Curioso, como todas as crianças, antes de a devolver deu uma olhadela:

- Quem é esta bela senhora?- perguntou ao missionário.

- É… a minha mãe.- respondeu o missionário, depois de um momento de hesitação.

- a criança olhou-o, e em seguida olhou para a imagem:

- Não se parecem tanto! - disse.

O missionário sorriu e respondeu:

- Porém, asseguro-te que é em toda a minha vida que procuro parecer-me pelo menos um pouco mais com ela!...»

 

Reflexão:

E nós, a quem nos assemelhamos? Com quem nos parecemos? A quem saímos?

Tantas coisas boas, tantos exemplos, tantas pessoas e organizações que procuram levar a Paz e o Amor; a Paz e o Amor de Deus; a mesma Paz e Amor que sempre Deus sonhou e que Maria acolheu e deu ao mundo. Imitá-la é sermos também missionários da Boa Notícia do Evangelho, da Vida de Cristo e do Amor de Deus. Não tenhamos medo de ser sinais de amor. Não tenhamos medo de ser como Maria.

 

Oração:

A Maria, a “bela Senhora”, entreguemos todas as pessoas que precisam de um gesto de carinho, de ternura, de amor que deve partir de nós porque nos sentimos de Deus.

Avé Maria, … Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai... Bom dia a todos.


 

APRENDER A AMAR...

«Um homem, que tinha muito orgulho do seu jardim com um belo tapete verde, um dia descobre que o seu belo jardim está todo empestado com uma grande quantidade de dentes-de-leão. Procurou todos os meios para livrar-se deles, mas não conseguiu impedir que estes se tornassem uma verdadeira praga. Por fim, decidiu escrever ao Ministério da Agricultura, referindo todos os esforços que tinha feito, e conclui a carta perguntando «O que posso fazer?».

Passado poucos dias chegou a resposta: «Sugerimos que o senhor aprenda a amar os dentes-de-leão».

Reflexão:

Convido dois a ler a reflexão:

L1: Uma autêntica praga é uma pessoa não aceitar os acontecimentos, não amar tudo o que está no seu jardim. Se não se consegue vencer todos os dentes-de-leão que existiam no jardim, é preciso apreender uma nova técnica: a do amor.

L2: Aprender a amar não é nada fácil, porque temos de saber perder, investir muito tempo para escutar os outros…Viver em comunidade é como ser plantado num jardim. E ali encontramos todas as espécies de flores, plantas… algumas florescem mais depressa do que outras, algumas num determinado tempo, outras mais tarde. E também estão plantas, flores que nunca florescerão. Porém todas têm uma função, uma missão.

L1: Dos primeiros cristãos diz-se que «tinham um só coração e uma só alma, e nenhum ficava com algo para si, aliás tudo era de todos.» (Actos 4, 32). Distinguiam-se dos que não eram cristãos pelo facto de se terem comprometido a amar e a crescer no amor.

 

L2: Dos primeiros cristãos Diogneto afirmava:

«Amam todos e por todos são perseguidos. São pobres, mas enriquecem todos. São privados de tudo, mas são abundantes de tudo… comportam-se bem e são castigados como malfeitores, condenados à morte, mas alegram-se como se lhes fosse dada a vida.»

L1: Esta é a Lei do Amor: Amar e somente amar.

Oração:

Neste dia peçamos ao Senhor, por intercessão de Maria, a capacidade de amar como Ele amou, dando a vida; se amarmos ao seu jeito encontraremos a liberdade e a felicidade de sermos filhos de Deus.

Avé Maria… Nossa Senhora Auxiliadora… rogai por nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

 

 

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