6 DE
NOVEMBRO – S. NUNO DE SANTA MARIA
Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu
em Santarém a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino
de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo-se a si
mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do
Carmelo. Tinha uma admirável confiança em Nossa Senhora e na
sua protecção.
Foi um guerreiro, não por
vocação bélica, mas por defesa de valores que ele
considerava primordiais: por um lado, o amor à Pátria e a
lealdade ao rei escolhido pelo povo, D. João I, por outro
lado, o espírito da cruzada, face à posição de Castela, que
optara pela obediência ao papa de Avinhão (durante o Grande
Cisma do Ocidente), enquanto Portugal se manteve leal a
Roma. Por conseguinte, os feitos heróicos do Condestável
tiveram em vista, de forma especial, a unidade da Igreja na
obediência romana.
As virtudes militares não o
levaram a esquecer outras virtudes, sobretudo a caridade.
São muitos os testemunhos sobre a caridade que praticava com
os adversários, não os considerando inimigos, mas apenas
opositores. No final de várias batalhas, ele mesmo ordenava
aos seus militares que tratassem dos mortos e, sobretudo,
dos adversários feridos em combate, aos quais protegia da
espontânea revolta popular. Isto é: fez a guerra em nome da
paz. Ainda guerreiro, era conhecido por ser um homem de fé e
de oração, raramente iniciando uma batalha sem antes se
recolher em oração.
Em reconhecimento dos serviços
prestados ao País e ao Reino, foi largamente premiado pelo
Rei D. João I com a oferta de muitos bens, sobretudo terras
e povoações, com direito a foros e outras benesses,
tornando-se o homem mais rico de Portugal a seguir ao Rei.
D. Nuno, porém, doou estes bem à igreja e convento de Lisboa
da Ordem do Carmo, na altura em que se quis tornar
religioso, após a morte da sua mulher. Desprendido dos bens
materiais, desejou realizar três intenções: mendigar o
sustento pelas ruas da cidade, não consentir outro título
que não fosse Nuno, e sair de Portugal para viver onde fosse
desconhecido. Não foi preciso sair, e mesmo com D. João e D.
Duarte a estabelecerem-lhe uma pensão para o seu sustento,
ele distribuía-a pelos pobres e necessitados que à porta do
convento se aglomeravam, ganhando, entre o povo, o título de
Pai dos Pobres.
Reflexão/oração:
Acolhamos o exemplo do Santo Nuno Álvares Pereira,
procurando cuidar da nossa atenção aos outros e na nossa
capacidade de dar sempre valor ao que é essencial para uma
vida autêntica. Peçamos a ajuda de Maria Santíssima que, tal
como a D. Nuno escutou as preces, nos ajude a procurar os
caminhos que nos conduzam à santidade. Avé-Maria… Maria,
Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
11 DE
NOVEMBRO – S. MARTINHO
No calendário litúrgico, o dia de S. Martinho celebra-se a
11 de Novembro, data em que este Santo, falecido dois ou
três dias antes em Candes, no ano de 397, foi a enterrar em
Tours, França. S. Martinho foi, durante toda a Idade
Média e até uma época recente, o santo mais popular de
França. O seu túmulo, abrigado desde o séc. V por uma
Basílica (sucessivamente destruída e reconstruída) em Tours,
era o maior centro de peregrinação de toda a Europa
Ocidental. A sua generosidade e humildade, aliadas a uma
enorme fama de milagreiro fizeram dele um dos santos mais
queridos da população. E ainda hoje o seu espírito de
partilha é fonte de inspiração..
O facto do seu dia coincidir
com a época do ano em que se celebra o culto dos
antepassados e com a altura do calendário rural em que
terminam os trabalhos agrícolas e se começa a usufruir das
colheitas (do vinho, dos frutos, dos animais) leva a que a
festa deste Santo tenha toda uma componente de exuberância
que actualmente tende a prevalecer.
Assim, em Portugal, o
dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias
religiosas dos locais de culto, e o seu espírito de
solidariedade lembrado, quanto mais não seja, através do
relato do episódio em que partilhou a sua capa com um
pobre; mas de resto, e por todo o lado, as pessoas andam
ocupadas nas actividades mencionadas nos provérbios sobre
este dia: assam-se castanhas, prova-se o vinho...
Reflexão/oração:
De S. Martinho podemos seguir o exemplo de partilha e de
coragem – a célebre lenda da capa rasgada a metade. Saibamos
também nós, ser “solidários” nas circunstâncias mais normais
do dia-a-dia. Que Maria, a Mãe de Jesus nos ensine o segredo
de um coração que vive a alegria autêntica no dar-se por
amor. Avé-Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
DOMINGO, 22 DE NOVEMBRO – FESTA DE CRISTO REI
Cristo, REI DO UNIVERSO. Os reinos estão, hoje, muito
desacreditados. No entanto, na Bíblia, o tema é muito usado,
no Antigo e no Novo Testamento. A Palavra de Deus deixa
claro, que o Reino de Deus é uma realeza diferente, que se
exerce no amor, no serviço, no dom da vida.
Jesus Cristo não aparece sentado num trono de ouro. Jesus é
o "rei", que preside, da cruz, a um "Reino" de serviço, de
amor, de entrega, de dom da vida. Ele não esteve rodeado de
súbditos fiéis, que o louvaram, mas dos chefes dos judeus
que o insultaram e dos soldados que o escarneceram. Nada o
identificou com poder, com autoridade, com realeza terrena.
A Missão de Jesus Cristo entre nós foi precisamente
inaugurar o Reino de Deus... Jesus convida-nos a
fazer parte desse Reino e a empenhar-se para que esse Reino
chegue ao coração de todos. É o que ele nos convida a rezar
no Pai-nosso: "Venha a nós o vosso Reino!"
Reflexão:
Celebrar a festa de Cristo Rei:
- Não é celebrar um Deus forte, dominador, que se impõe aos
homens do alto do seu trono e que os assusta com gestos
espectaculares;
- é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos
corações com a força desarmada do amor. A CRUZ é o
trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar
no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
A festa de Cristo Rei convida-nos a repensar a nossa
existência e os nossos valores.
- Diante deste "rei" despojado de tudo e pregado numa cruz,
não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões
de honras, de importâncias, de títulos, de aplausos, de
reconhecimento?
- Diante deste "rei" que dá a vida por amor, não nos parecem
completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as
lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas,
as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos?
- Diante deste "rei" que se dá sem guardar nada para si, não
nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?
Certamente nos sentimos felizes em sermos cidadãos desse
Reino. Alegremo-nos dessa dignidade e façamos com que ele
tenha um lugar sempre maior dentro de nosso coração. Pai
Nosso…
HISTÓRIAS PARA
REFLEXÃO E ORAÇÃO
PRECISAMOS DE SANTOS
Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças de ganga e sapatilhas.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.
Precisamos de Santos que colocam Deus em
primeiro lugar, mas que também se ‘esforcem’ na
faculdade.
Precisamos de Santos que tenham tempo para rezar
e que saibam namorar na pureza
e castidade, ou que se consagrem na sua castidade.
Precisamos de Santos modernos, Santos do
século
XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.
Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e
as necessárias mudanças sociais.
Precisamos de Santos que vivam no mundo,
se santifiquem
no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.
Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam
hot-dogs,
que usem jeans, que sejam internautas, que usem phones.
Precisamos de Santos que gostem de
cinema, de teatro,
de música, de dança, de desporto.
Precisamos de Santos que amem
apaixonadamente a Eucaristia
e que não tenham vergonha de tomar um
‘copo’
ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais,
amigos,
alegres e companheiros.
Precisamos de Santos que estejam no
mundo;
e saibam saborear as coisas puras e boas
do mundo,
mas que não sejam mundanos."
João Paulo II
Reflexão/Oração:
Esta mensagem do falecido Papa João Paulo II
reflecte bem a ousadia e a actualidade da proposta de
santidade. É uma alegria que nos vai preenchendo o coração
pois reconhecendo que só Cristo é caminho, Verdade e Vida!
Ousemos ser Santos de jeans.
Pai-Nosso…
1.
São João Bosco legou ao mundo uma forma de
santidade original, feita de simplicidade e simpatia. Ela
não exige de nós um heroísmo impossível. Ao contrário, está
ao alcance de todos, pois não é fruto de nosso esforço, mas
sim uma participação gratuita na santidade de Deus. Vamos
conhecer melhor dois exemplos de frutos da espiritualidade
juvenil salesiana, de dois jovens que já se encontram junto
de Deus para a eternidade: Paula Adamo e Fernando Caló.
2
a) Paula Adamo
(1963-1978).
Filha de
Cláudio e Lúcia, arquitectos. O pai foi o projectista da
igreja de S. João Bosco de Tarento (Itália), onde vive a
família Adamo, e é nesta obra salesiana que se desenrola
a vida de Paula.
O pai e
a mãe são cooperadores salesianos e catequistas, e são
eles que preparam a sua maravilhosa menina para o
encontro com Jesus. Desde a mais tenra idade Paula
demonstrou uma grande sensibilidade e inteligência. Aos
9 anos deu início a um diário íntimo em que escreveu uma
frase que nos permite entrever o seu panorama interior:
Se crês em Deus, tens o mundo na mão.
Há quem ponha em dúvida que alguém possa ser santo nessa
idade. Nós, pelo contrário, pensamos que as grandes
decisões começam a tomar-se a sério no alvorecer da
vida. Era também assim que pensava Dom Bosco e é
precisamente aqui que se manifesta a eficácia do sistema
preventivo. Os que conheceram Paula sentiam-se seduzidos
pela sua espontaneidade, o seu amor à vida e às coisas
belas. Estamos diante de uma jovem extraordinariamente
normal com as suas alegrias e tristezas, com os seus
sonhos e desilusões. É um modelo que fascina pela
santidade vivida no quotidiano: casa, igreja, escola,
amigos. Os ambientes em que passava o dia eram
iluminados pela sua presença, tornando-se para ela
lugares de crescimento humano e espiritual, onde se
sentia amada e aprendeu a amar; onde fez opções
corajosas, colocando Jesus no centro da sua existência,
onde compreendeu que a vida é graça e deve ser vivida
como graça. Era uma fonte de ternura para seus pais,
adorava tocar viola e cantar para eles. Queria bem às
suas amigas, mesmo àquelas que a tomavam de ponta.
Morreu aos 15 anos, ceifada por uma hepatite viral. Não
necessitou de muito tempo para compreender o que diz o
salmista: Ensina-nos a contar os nossos dias e
chegaremos à sabedoria do coração. No seu quarto havia
uma biografia de Dom Bosco, de que lia algumas páginas à
noite.
Mas quem
é Paula, afinal? Uma jovem do nosso tempo, com a
santidade do nosso tempo, feita de deveres para com Deus
e o próximo, de doação serena mas consciente, de amor
aos pais. Não fez milagres nem acções heróicas, mas
cumpriu com o seu dever de forma exemplar. É este
essencial invisível aos olhos que devemos pedir a Jesus
que nos ajude a viver cada dia. Pai Nosso…
2
b) Fernando Caló
(1939-1956).
Fernando nasceu em
1941. Não chegou a conhecer o pai, nem o calor de um
lar, nem o afecto de uma família. A mãe, uma jovem,
trabalhava como doméstica numa casa particular e pouco
tempo podia dedicar ao filho que passou por vários
orfanatos. Aos oito anos Fernando entrou na escola
salesiana do Estoril em Portugal. Ao cair da tarde
voltava para casa, paupérrimo, onde a mãe o esperava e
com ela rezava antes de se deitar. A sua maior proeza
nessa altura foi levar a mãe à missa dominical, pois
havia muitos anos que ela não punha os pés na igreja.
Terminada a instrução primária, passou a frequentar a
escola profissional dos salesianos em Lisboa (Oficinas
de S. José).
A maneira de ser de Fernando não tinha
nada que se parecesse com um santinho: o seu
temperamento vivo e rebelde fervia de raiva perante a
menor repreensão; dificilmente se continha e as suas
companhias eram geralmente pouco recomendáveis.
Felizmente o seu confessor chamou-lhe a
atenção para os perigos que corria e pô-lo de
sobreaviso. Quando havia desordens era sempre dos
primeiros a serem acusados. Mas conseguia dominar a
revolta que o sacudia por dentro. O director
manifestava-lhe compreensão e incutia-lhe confiança, até
ao ponto de lhe fazer uma proposta inesperada: ser
apóstolo entre os companheiros mais arredios e difíceis.
Fernando aceitou o desafio, formando um pequeno grupo de
quatro amigos meio destravados.
“Não são dos melhores”, confidenciou ao
director, “se calhar até são capazes de se envolver em
brigas; mas aqueles em quem o Senhor talvez esteja a
pensar são bons de mais para este tipo de actividade”.
Tinha duas grandes paixões: o futebol e a
trompete. Em fins de 1954 começou a escrever um diário,
testemunha do seu empenhamento em modificar a vida, tal
como os companheiros que foram notando a sua lenta e
decidida transformação.
Passados dois anos, durante os exercícios
espirituais, traçou o seu programa de vida: Quero
contrariar a curiosidade e mortificar a vista; quero ser
apóstolo da Virgem Imaculada; quero ser sacerdote.
A 20 de Abril de 1956 durante uma animada
partida de futebol, no pátio do colégio, bateu
violentamente com a cabeça numa coluna do pórtico. Ficou
alguns dias na enfermaria, regressando depois à vida
normal e juntando-se aos companheiros, mas durante um
recreio magoou novamente a cabeça. Dores fortíssimas daí
resultantes aconselharam o seu internamento no hospital.
Então, um companheiro lembrou-se de lhe perguntar:
“Ó Fernando, e se morresses agora?” E ele
respondeu prontamente “Estou preparado... É verdade que
se joga futebol no céu”.
A 26 de Julho Fernando deu entrada no
paraíso.
Não é a morte que determina um santo, mas
uma vida “escrita” cada dia mais com Jesus a nosso lado.
Foi isso que o Fernando realizou e que cada um de nós
pode fazer também. Pai-Nosso…
3. UM ROSTO
Leonardo
Da Vinci levou 7 anos a completar a sua famosa obra
intitulada "A Última Ceia". As figuras que representam os 12
apóstolos e Jesus foram pintadas a partir de pessoas reais
que serviram de modelo para o pintor. O modelo para ser
Cristo foi o primeiro seleccionado, acorrendo centenas de
jovens de toda a região a candidatar-se para servir de
modelo.
Da Vinci
procurava um rosto que mostrasse uma personalidade inocente,
pacífica e bela. Queria um rosto sem cicatrizes nem traços
de dureza pois, no seu entender, esses comunicavam a vida
intranquila do pecado. Finalmente, depois de alguns meses
seleccionou um jovem de 19 anos de como modelo para pintar a
figura de Jesus Cristo. Durante seis meses trabalhou para
lograr pintar o personagem principal dessa obra.
Durante os
seis anos seguintes, Da Vinci continuou a sua obra buscando
as pessoas que representariam os 11 apóstolos, e deixou para
o final aquele que representaria Judas. Procurou durante
semanas um homem com uma expressão dura e fria. Um rosto que
fosse marcado por cicatrizes de avareza, decepção, traição,
hipocrisia e crime.
Depois de
muitas frustrações, chegou aos ouvidos de Leonardo Da Vinci
que existia um homem com estas características na prisão de
Roma. Estava sentenciado à morte por ter levado uma vida de
múltiplos roubos e assassinatos. Da Vinci viu diante dele um
homem cuja cabeleira espessa caía sobre o rosto, escondendo
uns olhos cheios de rancor, ódio e ruína. Finalmente
encontrara o modelo para plasmar a Judas na sua obra. Graças
a uma permissão do rei, este prisioneiro foi transferido
para Milão ao estúdio do mestre. Durante vários meses este
homem sentou-se silenciosamente à frente de Da Vinci,
enquanto o artista continuava na sua árdua tarefa de plasmar
na sua obra o personagem que tinha traído Jesus. Quando
Leonardo deu a última pincelada chamou os guardas e deu-lhes
ordem para levarem o prisioneiro. Este, quando estava a
sair, voltou-se para Leonardo Da Vinci e disse-lhe:
- "Da Vinci!!! Olhe para mim com
atenção!! Não me reconheces mesmo?".
O
artista observou-o cuidadosamente e respondeu:
- "Nunca te tinha visto até àquela tarde
no calabouço de Roma".
O
prisioneiro levantou os olhos disse com o olhar mais
triste que Da Vinci já vira:
- “Olha bem para mim. Eu sou aquele jovem
cujo rosto escolheste para representar Cristo há sete
anos atrás...!".
Reflexão/oração:
De “Jesus”
a “Judas”. A vida é um dom que devemos fazer “render” o
melhor capital. Por vezes até temos uma boa educação
escolar, um excelente ambiente familiar e o caos sucede
quando somos nós, já crescidos, a tomar as opções erradas.
Todos erramos mas temos também a oportunidade de nos
emendar, de recomeçar, de reconstruir… o arriscado é quando
“embarcamos” por outras vias desistindo de ser melhores.
Pedimos a
Nossa Senhora que nos vá tomando pela mão e nos dê coragem
para recomeçar sempre que for preciso… a esperança é Jesus
que habita em nós. Avé-Maria…
Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
4. ZERO
O Zero
sentia-se vazio. Olhava para si mesmo e não gostava do que
via: era aquela enorme barriga; era a incapacidade de
sobressair; era a falta de um carácter vincado... Achava
mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio
como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer
conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se
assemelhar ao 6 ou ao 9.
Era
realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o
aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros
também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem
era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para
dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca
tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha
as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas
no mundo. Não passava de um zero.
Mas,
então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos,
aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas
gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme
tendência para o infinito...
Ora, isto
- pensava ele - não tinha lógica nenhuma. Era até
contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números
tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam
certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido
diferente. Sendo assim, paciência...
Mas o Zero
estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa
lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas
filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como
justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa
que levava.
E, no fim
de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos
homens. Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir
à sua natureza, à incapacidade com que nascera. Sentindo-se
incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por
ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não
existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder
entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas
para subir.
No
entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se
amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não
sabia identificar com exactidão. Ora, aquilo doía-lhe. Era
como se tomasse veneno.
O Zero
sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar
nisso. Também lhe doía... O Zero sabia que o verdadeiro
problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A
questão importante era o orgulho.
Sucedia
que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar
quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma
coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais
forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo
bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma
vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no
primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam
não valia quase nada.
O Zero
pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo
seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto,
aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se
abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre
trouxera consigo. Mas teria - assim pensava - de se curvar
perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma
impossibilidade...
Não vou
acabar de contar a história do Zero. Não vou dizer como
chegou a entender que para um zero o melhor lugar é o
último. Nem como acabou por pedir desculpa aos outros. Nem
como conseguiu depois - não sempre, mas muitas vezes - a
glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto.
É que
estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas.
Sou amigo do Zero - conheço-o muito bem - e não está certo
que revele em público a sua intimidade.
Autor:
Paulo Geraldo
Reflexão/Oração:
A
humildade é uma característica fundamental e belíssima, ao
contrário do orgulho. Pensemos na quantidade de vezes que o
ser humilde nos fez sair de situações sem qualquer
sentimento de culpa, ou raiva, ou desejo de vingança.
Peçamos a Maria, a jovem humilde que ganhou a confiança de
Deus, o dom de nos ajudar a crescer na humildade. Avé-Maria…
Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
5. A PARÁBOLA DOS
REGRESSOS
O pai da
parábola tinha dois filhos. O filho mais velho era um
estandarte de procissão, o mais novo um estandarte de
taberna.
Com os
dinheiros do pai, o mais novo saiu por aí. Acabou a comer
alfarrobas. As alfarrobas mal digeridas adoçaram-lhe o
coração. Voltou a casa com o débil arrependimento dos
fracos. O pai esperava-o e viu-o chegar ao longe. Para a
festa do regresso mataram um novilho gordo. O filho mais
velho murmurava entre os dentes, mas sentou-se à mesa. O
novilho gordo sabia a perdão.
Na manhã
seguinte os dois moços foram trabalhar, sem falarem muito um
com o outro. Por cada sulco que o mais novo abria, o outro
fazia três. Ao fim do dia, o mais velho ainda se dedicou a
limpar os animais no estábulo, enquanto o mais novo não
tinha já mais forças para nada. Assim foram passando os
dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O mais novo
estava inquieto. Saía ao entardecer e voltava a cheirar a
vinho. Um dia desapareceu. Tinha voltado às andanças. Ao fim
de certo tempo, regressou vencido. O pai esperava-o e viu-o
chegar ao longe. Para a festa do regresso mataram um
cordeiro. O avinagrado rosto do mais velho entristecia a
mesa. Mas o cordeiro tinha melhor sabor que o novilho gordo,
sabia mais a perdão.
Na manhã
seguinte os dois moços saíram para trabalhar sem se falarem.
O mais novo notava como o irmão mais velho se adiantara
sempre ao abrir dos sulcos. Ao fim do dia, já em casa, o
mais velho dedicou-se ainda a preparar as alfaias, enquanto
o mais novo não tinha já forças para nada.
Passaram
os dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O mais novo
chegava tarde a cheirar a vinho. Um dia desapareceu. Tinha
voltado às andanças. Certo tempo depois, regressou abatido,
pálido. O Pai esperava-o e viu-o chegar ao longe. Para a
festa do regresso mataram um frango. O mais velho estava
muito irritado, comia calado sem tirar os olhos do prato.
Mas o frango tinha melhor sabor que o novilho gordo e que o
cordeiro, sabia mais a perdão.
Na manhã
seguinte os dois moços foram para o campo separados um do
outro. O mais novo trabalhava por rotina. Ao meio-dia já não
podia mais. O mais velho encontrou-o estafado em casa.
Passaram os dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O
mais novo tinha o olhar perdido. Um dia desapareceu. Outras
vezes as andanças. Quando regressou com a cara destroçada
pela tristeza, já nem homem parecia. O pai esperava-o e
viu-o chegar ao longe.
Para a
festa do regresso, na mesa só havia um prato. O mais velho
estava mais irritado que nunca. O filho soube que em cada
dia na mesa tinha havido um prato para ele. Esperando-o. E
aquele prato sem comida tinha um sabor muito melhor que
todos os manjares. Era o gosto de um perdão infinito.
Passaram
os dias. O filho mais velho cada vez mais perfeito. O pai
continuava infinitamente terno. O filho mais novo saía e
voltava, saía e voltava. Saiu e voltou 'setenta vezes sete'.
O pai esperava-o e via-o chegar ao longe. O filho encontrava
sempre o prato na mesa.Ainda que o mais velho fosse incapaz
de o entender, o pai, sim, sabia-o. Sabia que o filho mais
novo algum dia totalmente vencido, sem forças, se sentaria à
mesa para não sair nunca mais.
Reflexão/oração:
Bendito
esses 'setenta e sete regressos'. Por eles, o filho mais
novo soube a classe de pai que tinha. Como sabemos todos nós
que nos confessamos 'setenta vezes sete' e fomos sempre
acolhidos com amor. Pai Nosso…
6. A ESPONJA E O SEIXO…
Nós que
temos a felicidade de pensar, de falar, de transmitir o
nosso pensamento, também conseguimos dar linguagem aos
animais e até aos seres inorgânicos. Apreciemos este diálogo
entre uma esponja e um seixo duro.
Alguém
mergulhou num balde de água uma esponja humilde. Ela bebeu,
bebeu, até não poder mais, até ficar ensopada e cheia.
Entretanto, uma pedra dura e roliça – um seixo – repousava
passivamente no fundo do balde onde se aninhara comodamente.
A esponja
quebrou o silêncio e disse: “Gosto de estar embebida em água
fresca. Conservo esta frescura durante muito tempo. E posso
refrescar as mãos ou o corpo daqueles que me utilizam, e até
derramar um pouco de vigor e esperança sobre a raiz de uma
planta moribunda.”
O seixo,
duro e egoísta, respondeu: - “Ninguém, nem mesmo a água
consegue devassar o meu interior e a minha privacidade. Se
me abrirem, encontrar-me-ão totalmente seco.”
A esponja
respondeu: “E não sentes tristeza e frustração por não
conseguires refrescar pelo menos uma flor?”
E o seixo
quedou-se silencioso, fechado na sua carapaça de egoísmo…
Se
observarmos bem o mundo que nos rodeia – desde o mundo
familiar ao exterior – verificamos que estamos num mundo de
corações duros e frios como seixos. Corações indiferentes à
tristeza dos outros, às dificuldades dos outros, às
carências morais e físicas dos outros. Um mundo de
insensibilidade cruel.
Felizmente, aqui e acolá, surgem algumas almas generosas e
altruístas, capazes de sacrificar-se pelos outros.
Mas
sentimos falta de corações-esponjas…
Mário
Salgueiro (2000). Rezar com a vida. Porto:Telos.
Reflexão/oração:
O quanto é
bom ser esponja, não para sugar a frescura mas para
descobrir que com essas características posso dar vida a
outros. Que estejamos disponíveis para o fazer com alegria.
Pai Nosso…
7. COMETAS E ESTRELAS
" Há pessoas estrelas e pessoas cometas.
Os cometas passam...
Apenas são lembrados pelas datas em que
passam e retornam.
Os cometas desaparecem...
Há muita gente cometa!! Passa pela nossa
vida apenas por uns instantes...
Gente que não cativa ninguém e que a
ninguém se prende. Gente sem presença...Assim são as
pessoas que vivem numa mesma família e passam uns pelos
outros sem serem presentes.
O importante é ser
estrela...Permanecer... estar presente... Marcar
presença...
Estar junto...Ser Luz.. Ser calor... Ser
vida.
O AMIGO é estrela. Podem passar anos,
podem surgir distâncias, mas fica a marca no coração.
E muitos são os cometas... Passam, a
gente bate palmas e desaparecem.
Ser cometa não é ser amigo...
É ser companheiro apenas por instantes...
É explorar os sentimentos humanos...
A solidão de muitas pessoas é
consequência de não poderem contar com alguém.
A solidão é o resultado de uma vida
cometa!
Ninguém fica, todos passam...
E a gente também passa pelos outros...
Não sentem a necessidade de se criar um
mundo de estrelas?
Todos os dias sentir a sua luz e calor...
Assim são os amigos-estrela da nossa
vida.
Pode-se contar com eles. Eles são
presença.
São coragem nos momentos difíceis.
São Luz nos momentos escuros.
São segurança nos momentos de desânimo...
Ser estrela neste mundo passageiro, neste
mundo de pessoas cometas é um desafio,
mas, acima de tudo, uma RECOMPENSA!"
Reflexão/oração:
Espalhemos
hoje atitudes de “estrelas”. Sejam essas a nossa melhor
oração ao Senhor.
8. ESPONJA DO MAR
“Certo
dia, perguntou um homem a um sábio mestre:
- Mestre,
que pensas de Jesus Cristo?
Depois de
um breve silêncio, respondeu:
- Creio
que foi a pessoa mais humana que já existiu sobre a terra. E
também creio que tão humano assim só o próprio Deus poderia
sê-lo.
- E em que
consiste isso de ser mais humano?, perguntou, intrigado,
aquele homem.
- Consiste
em ser capaz de amar gratuitamente, respondeu o mestre.
- Então,
se pensas assim, porque não te fazes cristão?, voltou a
perguntar o homem.
- Calma,
meu amigo!, exclamou o mestre. Disse-te que gostava de Jesus
Cristo, não te disse que gostava dos cristãos. A maioria
deles são como as pedras que há no fundo do mar. Se as tiras
fora e as partes ao meio, por muito tempo que tenham estado
submergidas, estão totalmente secas por dentro; não conhecem
a água. Não conhecem o amor; não estão embebidas dele.
- Então,
em tua opinião, como deveriam ser os cristãos?
E o mestre
respondeu:
- Mais
humanos. Tão humanos, que deixassem de ser como pedras e
fossem como esponjas do mar.
(José
Real Navarro. El poder de las palavras)
Reflexão/Oração:
Possamos
ser sempre mais humanos porque sempre mais parecidos com
Jesus. Que Jesus ilumine o nosso viver:
Viver não se escreve com palavras,
mas sim com projectos.
Viver é um verbo
que só se conjuga com actos.
É esse vestígio
que deixamos
mas, ao invés
dos despojos dos fósseis,
viver é o sinal do porvir.
É um erro pensar
que é preciso nascer para viver,
é exactamente o contrário.
É preciso viver para nascer,
porque viver
é dar e dar-se a luz a si mesmo.
Viver é querer viver,
é escolher, é desprender os lábios
dos ferrolhos,
desfazer as suas próprias notas
saltar os seus muros,
levantar as âncoras da sua sombra
e, enfim, sair do beco
onde nos escondíamos
prisioneiros voluntários
de nós mesmos.
9. O PROFESSOR CRIATIVO
Olhem o
que um professor é capaz de fazer. O fato narrado abaixo é
real e aconteceu num curso de Engenharia, tornando-se logo
uma das "lendas" do contexto universitário...
Na véspera
de uma prova, 4 alunos foram passar o fim-de-semana fora,
faltaram à prova e quando chegaram resolveram dar um
"jeitinho". Voltaram à Faculdade na terça, tendo a prova
ocorrido na segunda. Então dirigiram-se ao professor e
disseram com ar muito pesaroso:
- Professor, tivemos de viajar com urgência,
por um motivo familiar: o funeral de um familiar do Rui. Só
que no regresso, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo,
tivemos mil problemas, e por causa disso tudo atrasamo-nos,
mas, gostaríamos de fazer a prova.
O
professor, sempre compreensivo respondeu:
- Claro, vocês podem fazer a prova hoje a
tarde, depois do almoço.
E assim
foi feito. Os rapazes correram para casa e mataram-se de
tanto estudar, na medida do possível, a pensar no gozo que
tinha dado enganar o professor. Na hora da prova, o
professor colocou cada aluno em uma sala diferente e
entregou a prova:
Primeira
pergunta, valendo 1 ponto: Explicar algo sobre a Lei de Ohm.
Os quatro
ficaram contentes pois tinham visto algo sobre o assunto.
Pensaram que a prova seria muito fácil e que tinham
conseguido "dar-se bem".
Segunda
pergunta, valendo 9 pontos: "Qual foi o pneu que furou?"
Reflexão/Oração:
De que
vale uma mentira, um projecto para enganar os outros? Estes
jovens, mesmo que o professor não tivesse descoberto o que
fizeram, estariam sim a enganar-se a eles mesmos. Só a
verdade liberta! E hoje ainda mais, num contexto em que
parece que as aparências contam mais. Sejamos radicais na
verdade e na honestidade, só ela nos faz crescer. Pai Nosso
10 - O SIGNIFICADO DA PAZ
PROFUNDA
Havia um
Rei que ofereceu um grande prémio ao artista que fosse capaz
de captar numa pintura a Paz Profunda. Muitos artistas
apresentaram suas telas.
Centenas
de pessoas concorreram. O Rei observou e admirou todas as
pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou
e teve de escolher entre ambas.
A primeira
era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho
perfeito onde se reflectiam plácidas montanhas que o
rodeavam. Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com
ténues nuvens brancas.
Todos os
que olharam para esta pintura pensaram que ela reflectia a
Paz Profunda.
A segunda
pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e
estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um Paraíso
tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com
relâmpagos e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma
espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada
pacífico.
Mas,
quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da
cascata havia um arbusto a crescer pela fenda de uma rocha.
Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído
da violenta turbulência da água, estava um passarinho
placidamente sentado no seu ninho... Em Profunda Paz!
O Rei escolheu a segunda tela
e explicou: —
PAZ
PROFUNDA
não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem
trabalho árduo para realizar ou livre dos sofrimentos mais
comuns da vida. A
PAZ PROFUNDA
significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso,
permanecemos calmos e confiantes no
SANTUÁRIO SAGRADO do
NOSSO CORAÇÃO.
Lá encontraremos a Verdadeira
PAZ
PROFUNDA. Em SILENCIOSA MEDITAÇÃO.
Ajuda-nos Senhor, a viver cada momento do dia
ao ritmo da Tua presença. Pai Nosso…
11. A SABEDORIA DOS
GANSOS
Quando os
gansos selvagens voam em formação "V", eles fazem-no a uma
velocidade 70% maior do que se estivessem sozinhos. Como
tal, eles trabalham em equipa.
Quando o
ganso que estiver no ápice do "V" se cansa, ele passa para
trás da formação e há outro que se adianta para assumir a
ponta. Eles partilham a Liderança.
Quando
algum ganso diminui a velocidade os que vão atrás grasnam
encorajando os que estão à frente. Eles são Amigos.
Quando um
deles, por doença ou fraqueza, sai do conjunto, há outro, no
mínimo, que se junta a ele, passando a ajudá-lo e
protegê-lo. Eles são Solidários.
Em equipa
nós podemos produzir muito mais e mais rapidamente. A
colaboração e a partilha multiplicam as potencialidades de
cada um. A qualquer instante também podemos ser indicados
para liderar o grupo. Palavras de encorajamento e apoio
inspiram e dão energia àqueles que estão na linha de frente,
ajudando-os a manterem-se no comando mesmo com as pressões e
o cansaço do dia-a-dia. E, finalmente mostrar compaixão e
carinho afectivo pelos nossos semelhantes é uma virtude que
devemos cultivar.
Reflexão/Oração:
Da próxima
vez, ao veres uma formação de gansos a voar, lembra-te: é
uma recompensa, um desafio, um privilégio ser membro da
maior e mais importante equipa do Universo: a HUMANIDADE. O
que requer de facto «ser humano»? A capacidade de ser livre,
de optar pelo bem, de pensar, de acreditar… saibamos viver,
com a ajuda de Deus, esta presença diante de nós mesmos e o
desejo de construir fraternidade. Pai Nosso...
12. O QUE É VIRTUAL?
Entrei
apressado e com muita fome no restaurante e escolhi uma mesa
bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos
minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e
consertar alguns bugs de programação de um sistema que
estava a desenvolver.
Pedi
filetes de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada
mista e um sumo de laranja. Enquanto abria o meu notebook
apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
— Tio,
dê-me algum troco.
— Não
tenho, menino.
— Só uma
moedinha para comprar um pão.
— Está
bem, compro um para ti.
Para
variar, a minha caixa de entrada estava lotada de e-mails.
Fiquei distraído a ler poesias, as formatações lindas, a
soltar risadas com as piadas malucas.
— Tio,
pode pedir para colocar no pão margarina e queijo também?
Dei-me
conta que o menino tinha ficado ali.
— OK, mas
depois deixa-me trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?
Chega a
minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o
pedido do menino, e o garçon pergunta se quero que mande o
rapaz sair. Os meus resquícios de consciência impedem-me de
o fazer e digo que está tudo bem.
— Deixe-o
ficar. Traga o pão e uma refeição decente para ele.
Então o
menino sentou-se à minha frente e perguntou:
— Tio, o
que está a fazer?
— Estou a
ler uns e-mails.
— O que
são e-mails?
— São
mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet.
Sabia que
ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de
maiores questionários disse:
— É como
se fosse uma carta, só que via Internet.
— Tio,
você tem Internet?
— Tenho
sim, é essencial no mundo de hoje.
— O que é
Internet, tio?
— É um
local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas,
notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar,
trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.
— E o que
é virtual, tio?
Resolvo
dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que
ele pouco vai entender e vai-me libertar para comer a minha
refeição, sem culpas.
— Virtual
é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar. É lá
que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer.
Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo no que
queríamos que ele fosse.
— Ah!!
— Mas tu
entendeste o que é virtual?
— Sim,
tio, eu também vivo neste mundo virtual.
— Tens
computador?
— Não, mas
o meu mundo também é assim... Virtual. A minha mãe fica todo
o dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico
a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu
dou-lhe água para ele pensar que é sopa. O meu pai está na
cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino a nossa família
toda junta em casa, com muita comida e muitos brinquedos de
Natal…ah! E eu a ir ao colégio para estudar e ser médico um
dia. Isto não é virtual, tio?
Fechei o
meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o
teclado. Esperei que o garoto terminasse de literalmente
'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco ao
rapaz, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros
sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio,
você é porreiro!'.
Ali,
naquele instante, tive a maior prova do virtualismo
insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade
cruel existe de verdade, e fazemos de conta que não
percebemos!
Reflexão/Oração:
Seria tão
bom agradecer a Deus o tanto que temos no dia a dia… de um
modo especial o amor que os outros nos transmitem, que nos
faz sentir pessoas reais!
Peçamos
hoje por todas as crianças que não têm lar, família ou a
oportunidade de estudar. Que possam ir encontrando pessoas
ao seu lado que as ajudem a ter uma vida mais digna. Avé
Maria… Maria,
Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
13. OS NOSSOS LIMITES
Certa vez um cão estava quase morto de
sede, parado junto à água.
Toda as vezes que ele via o seu
reflexo na água, ficava assustado e
recuava, porque pensava ser outro cão.
Finalmente, era tamanha a sua sede, que
abandonou o medo e atirou-se para dentro da água. Com isto,
o reflexo desapareceu. O cão descobriu que o obstáculo -
que era ele próprio - a barreira entre ele e o que
buscava, tinha desaparecido.
Nós podemos também estar parados no meio do
nosso próprio caminho. E,
a
menos que compreendamos isso, nada será
possível em direcção
ao
nosso crescimento. Se a barreira fosse
alguma outra pessoa, poderíamos desviar-nos, mas quantas
vezes somos nós a barreira: o medo, a falta de confiança,
a falta de coragem, a intimidação pelo que os outros pensam,
os nossos complexos...
Reflexão/Oração:
Podemos estar junto à água, quase mortos de
sede de mudar de vida, de atitude, mas há
alguma coisa nos impede.
Se não há ninguém a impedir-nos, a
criar qualquer obstáculo, não continuemos a deitar a
responsabilidade para os outros.
Não estaremos a ser o melhor que podemos ser.
Fiquemos atentos. Abramos os olhos. Vejamos o
que está a acontecer com nossa vida.
"Escolhamos o
que é certo e decidamos dar o salto. "
Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
14. FABRIQUE PÉROLAS
TAMBÉM!
Uma ostra
que não foi ferida não produz pérolas. As pérolas são
produtos da dor, resultado da entrada de uma substância
estranha ou indesejável no interior da concha, como um
parasita ou um grão de areia.
Na parte
interna da concha encontra-se uma substância lustrosa
chamada nácar. Quando o grão de areia penetra nas células do
nácar, estas começam a trabalhar e a cobrir o grão com
camadas, de modo a proteger o corpo indefeso da ostra. Como
resultado, forma-se uma belíssima pérola no interior da
concha.
Uma ostra
que não foi ferida nunca produzirá pérolas, já que a pérola
é uma ferida cicatrizada.
Já se
sentiu ferido(a) pelas palavras rudes de alguém?
Já foi
acusado(a) de ter dito coisas que não disse?
Já
rejeitaram ou interpretaram mal as suas palavras?
Já sentiu
duros golpes de preconceito?
Já recebeu
indiferença como troco da sua dedicação?
Então,
produziu uma pérola.
Cubra as
suas mágoas com várias camadas de amor. Infelizmente, são
poucas as pessoas que se interessam por este tipo de
sentimento. A maioria aprende apenas a cultivar
ressentimentos, deixando algumas feridas abertas,
alimentando-as com sentimentos mesquinhos, não permitindo
que cicatrizem.
Assim, na
prática, o que vemos são muitas “ostras vazias”, não porque
não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar,
compreender e transformar a dor em AMOR. Fabrique pérolas!
Reflexão/Oração:
Vamos ter
presente ao longo do dia esta atitude orante: sermos pérolas
e não ostras vazias. Que Maria Auxiliadora nos mantenha
nesta atitude de dar amor. Maria, Auxílio dos Cristãos,
rogai por nós.
15. UMA GOTA
Havia uma
gota numa nascente do rio. Era uma simples gota, nada mais
que isso. Mas na sua insignificância tinha uma utopia, um
sonho. Sonhava em um dia, após vencer a correnteza e chegar
ao encontro das águas, tornar-se mar. Ora, quanta pretensão!
Uma gota, uma simples gota, a querer ser mar... Era difícil,
sabia ela, porém, não impossível. E agarrando-se nesse fio
de esperança seguiu o seu curso natural de rio, sempre a
pensar no dia em que certamente encontraria o oceano.
Desafios foram surgindo: pedras, evaporação, galhos, entre
outros obstáculos, mas ela não desistia.
Outras
gotas que partiram com ela não chegaram ao fim, ficaram pelo
caminho. Esta porém, talvez pela sua persistência, pela fé
que tinha, de uma forma ou de outra sabia que um dia
chegaria lá; e de facto, chegou. Venceu todos os obstáculos,
chegou ao encontro das águas e finalmente realizou seu
grande sonho. Hoje aquela gota, aquela ínfima gota, é mar.
Graças à sua persistência conseguiu o que era considerado
uma utopia, uma pretensão incomensurável. Hoje aquela gota é
mar.
Reflexão/Oração:
Cada um de
nós também pode ser mar, muito depende de si próprio.
Podemos ser como aquelas gotas que ficaram pelo caminho, ou
como a gota que protagonizou esta história. Só depende de
ti!
Peçamos ao
Senhor Jesus que nos dê a sua luz, a fim de seguir o seu
caminho em cada dia. Que a nossa vontade, os nossos sonhos
possam coincidir com o sonho de Deus para nós. Pai nosso…
16. O AMOR: A ÚNICA FORÇA
CRIATIVA
Um
professor universitário levou os seus alunos de sociologia
às favelas de Baltimore para estudar as histórias de
duzentos jovens marginalizados. Pediu-lhes que redigissem
uma avaliação sobre o futuro de cada menino. Em todos os
casos, os estudantes escreveram: "Ele não tem chance
alguma." Vinte e cinco anos mais tarde, outro professor de
sociologia deparou-se com o estudo anterior. Pediu aos seus
alunos que acompanhassem o projecto, a fim de ver o que
tinha acontecido com aqueles garotos. Com excepção de vinte
deles, que tinham mudado ou morrido, os estudantes
descobriram que 176 dos 180 restantes tinham alcançado uma
posição mais bem-sucedida do que a comum como advogados,
médicos e homens de negócios.
O
professor ficou estupefacto e resolveu continuar o estudo.
Felizmente, todos os homens continuavam na mesma área
geográfica e ele pôde entrevistar cada um. A pergunta que
lhes dirigiu com bastante cuidado e interesse: "A que é que
você atribui o seu sucesso?" Em todos os casos, a resposta
veio com emoção e reconhecimento: "A uma professora".
A
professora ainda estava viva, pelo que logo a foi procurar.
Era uma senhora idosa, ainda bastante activa. Sorriu-lhe e
com delicadeza perguntou-lhe que fórmula mágica tinha usado
para resgatar aqueles garotos das favelas para um mundo das
conquistas bem sucedidas.
Os olhos
da professora faiscaram e os seus lábios abriram-se num
delicado sorriso.
- É
realmente muito simples – disse ela. – Eu amava aqueles
garotos.
Reflexão/Oração:
Poucas
coisas motivam mais as pessoas que elogios e encorajamentos
dados com amor. As pessoas respondem na justa medida da
nossa expectativa a respeito delas. Dizer que elas fizeram
um bom trabalho faz com que se esforcem ainda mais para
continuar fazendo um bom trabalho.
Nunca deixes de sonhar
Todo
ser humano possui sonhos.
Sonhos
grandes, sonhos pequenos, sonhos.
Sonhos
nascem a cada dia, a cada hora, a cada minuto.
Sem
percebemos, um sonho nasce dentro do nosso coração.
Sonhos
nos motivam a viver, a continuarmos caminhando.
Vivemos, na verdade, na busca da realização dos nossos
sonhos.
Às
vezes, pessoas que estão ao nosso redor
Tentam
matá-los com palavras de pessimismo.
Acham
que, se não podem realizar seus sonhos,
As
outras pessoas também não merecem realizar os seus
Puro
egoísmo.

Muitas
vezes, achamos que não conseguiremos realizá-los,
Que
eles estão muito distante de nós.
Ou
achamos que não merecemos, porque não somos ninguém.
Se não
acreditarmos neles, os perderemos.

Temos
que tirar do baú os sonhos, caso contrário, eles
envelhecem
E
assim não conseguiremos mais realizá-los,
A
realização vem pela luta, esforço e persistência.
Caminhar ao lado de pessoas que nos motivem a sonhar
E a
persistir nos mesmos é muito importante.

É um
passo para a realização deles.
Mesmo
que tudo o leve a pensar que parece impossível,
Não
desista do seu sonho.
Busque
forças dentro de você.
Peça
ajuda a Deus.
Nenhuma oração volta sem resposta.
Acredite que tudo pode acontecer
Quando
desejamos do fundo do coração.
Acredita na beleza dos seus sonhos
E na
capacidade de realizá-los.
Nunca
deixes de sonhar
E
serás sempre um vencedor.
Amen
17. PANQUECAS
O pequeno
Filipe, no auge de seus seis anos de idade, levantou-se mais
cedo numa manhã de sábado disposto a preparar uma boa
surpresa aos seus pais. Queria fazer panquecas para o café
da manhã. Pegou numa tigela e numa colher, puxou uma
cadeira, abriu o armário, e pegou a pesada lata de farinha.
Acabou por deixar toda a farinha pelo chão luzente. Com as
mãozinhas, recolheu um pouco da farinha e deitou na tigela,
misturando uma xícara de leite. Acrescentou um pouco de
açúcar, enquanto deixava no chão um rastro de todos os seus
passos. Bem, o Filipe estava coberto de farinha e frustrado.
Ele queria preparar uma boa surpresa para a sua mãe e para o
seu pai, mas estava a estragar tudo. Já não sabia o que
fazer de seguida, se colocava tudo no forno ou no fogão. Ele
nem sabia como é que o fogão funcionava!
De
repente, o Filipe viu o gatinho a lamber a parte de fora da
tigela com a mistura que ele fizera e, de imediato, expulsou
o felino da cozinha… só que no trajecto deitou uma caixa de
ovos ao chão. Freneticamente tentou limpar aquele monumental
caos mas escorregou nos ovos, deixando o seu pijaminha todo
lambuzado.
Foi então
que ele viu o seu pai parado à porta da cozinha, com o ar
mais estupefacto que jamais observara. Assustado, o Filipe
arregalou os olhos. Tudo que ele tinha querido fazer era
preparar uma boa surpresa, mas o que ele conseguiu mesmo foi
uma terrível desordem. Estava certo de levar uma tremenda
reprimenda, mas o seu pai apenas olhava, a tentar
compreender o que ali se tinha passado.
Depois do
balbuciar do Filipe, e já quase com os olhos marejados, o
pai atravessou cuidadosamente aquela bagunça, agarrou no
filho, abraçou-o e acariciou-o, sujando o seu próprio
pijama.
E é assim
que somos tratados por Deus. Algumas vezes tentamos fazer
algo de bom mas erramos em algum ponto e provocamos uma
tremenda bagunça. Quando tratamos mal alguém, ou não
realizamos o nosso trabalho conforme deveríamos, ou não
cuidamos correctamente da nossa saúde… e damos espaço
interior para tentar perceber a desordem que causamos, é aí
que nos vêm as lágrimas por tudo o que de errado fizemos. É
quando Deus nos toma no colo e sem nos condenar, lança-nos o
seu olhar de perdão e de amor.
É certo
que não devemos meter-nos em confusão! Contudo, que isso não
signifique deixar de tentar fazer panquecas para Deus e para
os outros.
18. A BONECA E A ROSA
Aquela
senhora estava com muita pressa. Entrou num shopping para
comprar alguns presentes de última hora para o Natal. Havia
muita gente ao redor e ela ficou incomodada com a situação.
Pensou consigo mesma: "ficarei aqui uma eternidade, e tenho
tantas coisas a fazer".
Um tanto
deprimida, ela pensava em como o Natal estava se estava a
transformar num grande comércio. Andou rapidamente por entre
as pessoas e entrou numa loja de brinquedos. Mais uma vez se
surpreendeu e reclamou pelos preços. Perguntava a si mesma
se os seus netos realmente brincariam com aquilo.
Foi para a
secção de bonecas. Num dos corredores encontrou um menino,
de aproximadamente cinco anos, a segurar uma boneca bem
cara. Estava a tocar-lhe nos seus cabelos e segurava-a com
muito carinho. A senhora não se pôde conter e ficou a olhar
a cena fixamente, perguntando-se para quem seria aquela
boneca. Em seguida, aproximou-se do menino uma mulher a quem
ele perguntou:
- Não
tenho dinheiro suficiente, tia?
E a mulher
disse-lhe impaciente:
- Já sabes
que não tens o dinheiro suficiente para comprá-la.
Depois
disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela ia
buscar outras coisas que lhe faltavam. E o menino continuou
ali, a segurar a boneca com muito carinho.
Após algum
tempo, a senhora aproximou-se e perguntou-lhe para quem era
a boneca e ele respondeu:
- Esta é a boneca que a minha irmãzinha queria ter no Natal.
Ela estava certa de que a ganharia neste Natal - disse o
garoto com certa tristeza.
A senhora
compadeceu-se e disse ao menino que no Natal levaria a
boneca para a sua irmãzinha, mas ele disse:
- Não, a
senhora não pode ir onde a minha irmãzinha está. Eu tenho
que entregá-la à minha mãe para que ela leve à minha
irmãzinha.
- E onde
está sua irmã?
O menino,
com um olhar de tristeza, disse:
- Ela foi
ter com Jesus. O meu pai disse-me que a mãe irá encontrar-se
com ela, em breve. A mulher sentiu um grande aperto no
coração. E o menino continuou:
- Pedi ao
papai para falar com a mãe para que ela não se vá ainda.
Disse-lhe para lhe pedir que espere até que eu volte do
shopping. Em seguida o garoto tirou do bolso algumas
fotografias que tinham sido tiradas em frente ao shopping:
- Vou
pedir ao pai que leve estas fotos para a minha mãe, para que
ela nunca se esqueça de mim.
Gosto
muito da minha mãe, não queria que ela partisse. Mas o pai
disse que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha.
Enquanto o
pequeno olhava a foto, a senhora tirou da carteira algumas
notas e pediu a ele que contasse o dinheiro novamente. Ele
contou outra vez, e disse satisfeito:
- Estou
certo de que será suficiente. Agora posso comprar a boneca.
- e disse - Eu acabei de pedir a Jesus para que me desse
dinheiro suficiente para comprar esta boneca para a mãe
levar até a minha irmãzinha e Ele ouviu a minha oração. Eu
pedi, ainda, para que o dinheiro fosse suficiente para
comprar também uma rosa branca para a minha mãe, e Ele acaba
de me dar o bastante para a boneca e para a rosa. Sabe, a
minha mãe gosta muito de rosas brancas...
Em alguns
minutos a tia do garoto voltou e a senhora foi-se. Enquanto
terminava as suas compras, agora com uma disposição bem
diferente, ela não conseguia deixar de pensar naquele
menino. Lembrou-se de uma história que tinha lido num
jornal, dias antes, a respeito de um acidente causado por um
condutor alcoolizado, no qual uma menina falecera e a mãe
ficara em estado grave. Deu-se conta que aquele menino
pertencia àquela família. Dois dias depois, ela leu no
jornal a notícia de que a mulher acidentada havia morrido.
Não conseguia tirar o menino da mente...
Comprou um bouquet de rosas brancas e levou-as ao funeral...
Lá estava o corpo de uma mulher... Com uma rosa branca numa
das mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho
em frente ao shopping.
Grossas lágrimas rolaram do rosto daquela
senhora ao perceber a grandeza do amor daquele menino pela
mãe e pela irmã...
Um amor que a morte não conseguiu apagar...
Um amor que vai muito além da existência
física... O verdadeiro amor, que é Jesus.
Aprendamos de Maria, nossa Mãe e Mãe de Jesus
a amar de verdade o nosso próximo. Avé Maria… Maria, Auxílio
dos Cristãos, rogai por nós.
19. APRENDER A AMAR
Diz a
lenda que o Senhor Deus, depois de criar o homem, pegou num
punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais
como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio,
paciência e ansiedade, alegria e tristeza e, assim, fez a
mulher e entregou-a ao homem como sua companheira. Uma
semana mais tarde o homem voltou e disse:
- Senhor,
a criatura que me destes faz a minha vida infeliz. Ela fala
sem cessar e atormenta-me de tal maneira que nem tenho tempo
para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia
inteiro... e assim as minhas horas são desperdiçadas. Chora
por qualquer motivo. Facilmente fica amuada e, às vezes,
fica muito tempo a fazer coisas superficiais. Vim devolvê-la
porque não posso viver com ela.
Depois de
uma semana o homem voltou ao Criador e disse:
- Senhor,
a minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura
de volta! Estou sempre a pensar nela: em como ela dançava e
cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava
comigo e me transmitia ternura. Eu gostava de ouvi-la rir.
Por favor, dê-ma de volta.
- Está
bem, disse o Criador. E novamente entregou a mulher ao
homem.
Mas, três
dias depois, o homem voltou e disse:
- Senhor,
eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta
minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que
ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe para
tomá-la de novo! Não consigo viver com ela!
O Criador
respondeu:
- Mas
também não pode viver sem ela. - E continuou o seu trabalho.
O homem
desesperado disse:
- Mas como
é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo
viver sem ela.
E o
Criador rematou aquele diálogo:
- Achei
que, com as tentativas, tu já tivesses descoberto: O Amor é
um sentimento a ser aprendido. Gera tensão e satisfação. É
desejo e hostilidade. É alegria e dor. Um não existe sem o
outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.
Isto é o que deve ser aprendido: o sofrimento
também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A
sua própria beleza e o seu próprio fardo. Assim como se vive
a satisfação e a alegria, em todo o esforço que se realiza
para aprender o que é o amor, também é preciso estar
disposto a dar-se e a fazer algum sacrifício. A pessoa terá
sempre que abdicar de alguma coisa para possuir ou ganhar
uma outra coisa ainda mais valiosa. Terá que desembolsar
algo para obter um bem maior e melhor para a sua felicidade.
É como plantar uma árvore à frente de uma janela. Ganha-se
sombra, mas perde-se uma parte da paisagem. É preciso ter em
conta tudo isto quando nos dispomos a aprender a amar.
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