Filhas de Maria Auxiliadora
Fundadores | Carisma
FMA Mundo
FMA Portugal
Família Salesiana
Pastoral Juvenil
Recursos | Partilha
Publicações
Ligações Úteis
Sugestões | Contactos

Nossa Senhora Auxiliadora

Bons Dias

[Arquivo]

 

Orientações gerais para os “Bons dias”

Novembro 09

 

És Luz para os nossos passos

Histórias de santidade

O caminho que percorremos é feito de estradas planas mas também de curvas sinuosas, de subidas e descidas por vezes abruptas… É o belo percurso da vida, com trajectos fáceis e outros que são um autêntico desafio no dia-a-dia. Ao longo do caminho apercebemo-nos de pessoas que deixaram um trilho de luz pelo modo como viveram o seu quotidiano e enfrentaram os desafios da sua vida. Na normalidade ou na obscuridade do caminho, os santos são focos de Luz para os nossos passos, inspiram-nos a desejar a medida alta da santidade, a deixar que Jesus nos guie e conduza, para sermos também nós luz para os demais.

 

Recordamos…

 

* 6 de Novembro: S. Nuno de Santa Maria

* 11 de Novembro: S. Martinho

* Domingo, 22 de Novembro: Festa de Cristo Rei

 

Bons dias de Novembro 09 - ÉS LUZ PARA OS NOSSOS PASSOS

 

 


6 DE NOVEMBRO – S. NUNO DE SANTA MARIA
Nuno Álvares Pereira, fundador da Casa de Bragança, nasceu em Santarém a 24 de Junho de 1360. Como Condestável do reino de Portugal, foi militar invencível; mas, vencendo-se a si mesmo, pediu a admissão, como irmão leigo, na Ordem do Carmelo. Tinha uma admirável confiança em Nossa Senhora e na sua protecção.
 

Foi um guerreiro, não por vocação bélica, mas por defesa de valores que ele considerava primordiais: por um lado, o amor à Pátria e a lealdade ao rei escolhido pelo povo, D. João I, por outro lado, o espírito da cruzada, face à posição de Castela, que optara pela obediência ao papa de Avinhão (durante o Grande Cisma do Ocidente), enquanto Portugal se manteve leal a Roma. Por conseguinte, os feitos heróicos do Condestável tiveram em vista, de forma especial, a unidade da Igreja na obediência romana.
 

As virtudes militares não o levaram a esquecer outras virtudes, sobretudo a caridade. São muitos os testemunhos sobre a caridade que praticava com os adversários, não os considerando inimigos, mas apenas opositores. No final de várias batalhas, ele mesmo ordenava aos seus militares que tratassem dos mortos e, sobretudo, dos adversários feridos em combate, aos quais protegia da espontânea revolta popular. Isto é: fez a guerra em nome da paz. Ainda guerreiro, era conhecido por ser um homem de fé e de oração, raramente iniciando uma batalha sem antes se recolher em oração.
 

Em reconhecimento dos serviços prestados ao País e ao Reino, foi largamente premiado pelo Rei D. João I com a oferta de muitos bens, sobretudo terras e povoações, com direito a foros e outras benesses, tornando-se o homem mais rico de Portugal a seguir ao Rei. D. Nuno, porém, doou estes bem à igreja e convento de Lisboa da Ordem do Carmo, na altura em que se quis tornar religioso, após a morte da sua mulher. Desprendido dos bens materiais, desejou realizar três intenções: mendigar o sustento pelas ruas da cidade, não consentir outro título que não fosse Nuno, e sair de Portugal para viver onde fosse desconhecido. Não foi preciso sair, e mesmo com D. João e D. Duarte a estabelecerem-lhe uma pensão para o seu sustento, ele distribuía-a pelos pobres e necessitados que à porta do convento se aglomeravam, ganhando, entre o povo, o título de Pai dos Pobres.

Reflexão/oração:
Acolhamos o exemplo do Santo Nuno Álvares Pereira, procurando cuidar da nossa atenção aos outros e na nossa capacidade de dar sempre valor ao que é essencial para uma vida autêntica. Peçamos a ajuda de Maria Santíssima que, tal como a D. Nuno escutou as preces, nos ajude a procurar os caminhos que nos conduzam à santidade. Avé-Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.


11 DE NOVEMBRO – S. MARTINHO
No calendário litúrgico, o dia de S. Martinho celebra-se a 11 de Novembro, data em que este Santo, falecido dois ou três dias antes em Candes, no ano de 397, foi a enterrar em Tours, França. S. Martinho foi, durante toda a Idade Média e até uma época recente, o santo mais popular de França. O seu túmulo, abrigado desde o séc. V por uma Basílica (sucessivamente destruída e reconstruída) em Tours, era o maior centro de peregrinação de toda a Europa Ocidental. A sua generosidade e humildade, aliadas a uma enorme fama de milagreiro fizeram dele um dos santos mais queridos da população. E ainda hoje o seu espírito de partilha é fonte de inspiração..
 

O facto do seu dia coincidir com a época do ano em que se celebra o culto dos antepassados e com a altura do calendário rural em que terminam os trabalhos agrícolas e se começa a usufruir das colheitas (do vinho, dos frutos, dos animais) leva a que a festa deste Santo tenha toda uma componente de exuberância que actualmente tende a prevalecer.
 

Assim, em Portugal, o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas dos locais de culto, e o seu espírito de solidariedade lembrado, quanto mais não seja, através do relato do episódio em que partilhou a sua capa com um pobre; mas de resto, e por todo o lado, as pessoas andam ocupadas nas actividades mencionadas nos provérbios sobre este dia: assam-se castanhas, prova-se o vinho...

Reflexão/oração:
De S. Martinho podemos seguir o exemplo de partilha e de coragem – a célebre lenda da capa rasgada a metade. Saibamos também nós, ser “solidários” nas circunstâncias mais normais do dia-a-dia. Que Maria, a Mãe de Jesus nos ensine o segredo de um coração que vive a alegria autêntica no dar-se por amor. Avé-Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.


DOMINGO, 22 DE NOVEMBRO – FESTA DE CRISTO REI
Cristo, REI DO UNIVERSO. Os reinos estão, hoje, muito desacreditados. No entanto, na Bíblia, o tema é muito usado, no Antigo e no Novo Testamento. A Palavra de Deus deixa claro, que o Reino de Deus é uma realeza diferente, que se exerce no amor, no serviço, no dom da vida.
Jesus Cristo não aparece sentado num trono de ouro. Jesus é o "rei", que preside, da cruz, a um "Reino" de serviço, de amor, de entrega, de dom da vida. Ele não esteve rodeado de súbditos fiéis, que o louvaram, mas dos chefes dos judeus que o insultaram e dos soldados que o escarneceram. Nada o identificou com poder, com autoridade, com realeza terrena.
A Missão de Jesus Cristo entre nós foi precisamente inaugurar o Reino de Deus... Jesus convida-nos a fazer parte desse Reino e a empenhar-se para que esse Reino chegue ao coração de todos. É o que ele nos convida a rezar no Pai-nosso: "Venha a nós o vosso Reino!"

Reflexão:
Celebrar a festa de Cristo Rei:
- Não é celebrar um Deus forte, dominador, que se impõe aos homens do alto do seu trono e que os assusta com gestos espectaculares;
- é celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A CRUZ é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do amor e do dom da vida.
A festa de Cristo Rei convida-nos a repensar a nossa existência e os nossos valores.
- Diante deste "rei" despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de importâncias, de títulos, de aplausos, de reconhecimento?
- Diante deste "rei" que dá a vida por amor, não nos parecem completamente sem sentido as nossas manias de grandeza, as lutas para conseguirmos mais poder, as invejas mesquinhas, as rivalidades que nos magoam e separam dos irmãos?
- Diante deste "rei" que se dá sem guardar nada para si, não nos sentimos convidados a fazer da vida um dom?

Certamente nos sentimos felizes em sermos cidadãos desse Reino. Alegremo-nos dessa dignidade e façamos com que ele tenha um lugar sempre maior dentro de nosso coração. Pai Nosso…
 


HISTÓRIAS PARA REFLEXÃO E ORAÇÃO

 

PRECISAMOS DE SANTOS

Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças de ganga e sapatilhas.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de Santos que colocam Deus em
primeiro lugar, mas que também se ‘esforcem’ na faculdade.


Precisamos de Santos que tenham tempo para rezar

e que saibam namorar na pureza
e castidade, ou que se consagrem na sua castidade.
 

Precisamos de Santos modernos, Santos do século
XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.


Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e
as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo, se santifiquem
no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.


Precisamos de Santos que bebam coca-cola e comam hot-dogs,
que usem jeans, que sejam internautas, que usem phones.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro,
de música, de dança, de desporto.

Precisamos de Santos que amem apaixonadamente a Eucaristia

 e que não tenham vergonha de tomar um ‘copo’
ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.
Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos,
alegres e companheiros.

 

Precisamos de Santos que estejam no mundo;

e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo,

mas que não sejam mundanos."

João Paulo II

Reflexão/Oração:

Esta mensagem do falecido Papa João Paulo II reflecte bem a ousadia e a actualidade da proposta de santidade. É uma alegria que nos vai preenchendo o coração pois reconhecendo que só Cristo é caminho, Verdade e Vida! Ousemos ser Santos de jeans.

Pai-Nosso…

 

1. São João Bosco legou ao mundo uma forma de santidade original, feita de simplicidade e simpatia. Ela não exige de nós um heroísmo impossível. Ao contrário, está ao alcance de todos, pois não é fruto de nosso esforço, mas sim uma participação gratuita na santidade de Deus. Vamos conhecer melhor dois exemplos de frutos da espiritualidade juvenil salesiana, de dois jovens que já se encontram junto de Deus para a eternidade: Paula Adamo e Fernando Caló.

2 a) Paula Adamo (1963-1978).

Filha de Cláudio e Lúcia, arquitectos. O pai foi o projectista da igreja de S. João Bosco de Tarento (Itália), onde vive a família Adamo, e é nesta obra salesiana que se desenrola a vida de Paula.

O pai e a mãe são cooperadores salesianos e catequistas, e são eles que preparam a sua maravilhosa menina para o encontro com Jesus. Desde a mais tenra idade Paula demonstrou uma grande sensibilidade e inteligência. Aos 9 anos deu início a um diário íntimo em que escreveu uma frase que nos permite entrever o seu panorama interior: Se crês em Deus, tens o mundo na mão. Há quem ponha em dúvida que alguém possa ser santo nessa idade. Nós, pelo contrário, pensamos que as grandes decisões começam a tomar-se a sério no alvorecer da vida. Era também assim que pensava Dom Bosco e é precisamente aqui que se manifesta a eficácia do sistema preventivo. Os que conheceram Paula sentiam-se seduzidos pela sua espontaneidade, o seu amor à vida e às coisas belas. Estamos diante de uma jovem extraordinariamente normal com as suas alegrias e tristezas, com os seus sonhos e desilusões. É um modelo que fascina pela santidade vivida no quotidiano: casa, igreja, escola, amigos. Os ambientes em que passava o dia eram iluminados pela sua presença, tornando-se para ela lugares de crescimento humano e espiritual, onde se sentia amada e aprendeu a amar; onde fez opções corajosas, colocando Jesus no centro da sua existência, onde compreendeu que a vida é graça e deve ser vivida como graça. Era uma fonte de ternura para seus pais, adorava tocar viola e cantar para eles. Queria bem às suas amigas, mesmo àquelas que a tomavam de ponta. Morreu aos 15 anos, ceifada por uma hepatite viral. Não necessitou de muito tempo para compreender o que diz o salmista: Ensina-nos a contar os nossos dias e chegaremos à sabedoria do coração. No seu quarto havia uma biografia de Dom Bosco, de que lia algumas páginas à noite.

 

Mas quem é Paula, afinal? Uma jovem do nosso tempo, com a santidade do nosso tempo, feita de deveres para com Deus e o próximo, de doação serena mas consciente, de amor aos pais. Não fez milagres nem acções heróicas, mas cumpriu com o seu dever de forma exemplar. É este essencial invisível aos olhos que devemos pedir a Jesus que nos ajude a viver cada dia. Pai Nosso…

2 b) Fernando Caló (1939-1956).

Fernando nasceu em 1941. Não chegou a conhecer o pai, nem o calor de um lar, nem o afecto de uma família. A mãe, uma jovem, trabalhava como doméstica numa casa particular e pouco tempo podia dedicar ao filho que passou por vários orfanatos. Aos oito anos Fernando entrou na escola salesiana do Estoril em Portugal. Ao cair da tarde voltava para casa, paupérrimo, onde a mãe o esperava e com ela rezava antes de se deitar. A sua maior proeza nessa altura foi levar a mãe à missa dominical, pois havia muitos anos que ela não punha os pés na igreja. Terminada a instrução primária, passou a frequentar a escola profissional dos salesianos em Lisboa (Oficinas de S. José).

A maneira de ser de Fernando não tinha nada que se parecesse com um santinho: o seu temperamento vivo e rebelde fervia de raiva perante a menor repreensão; dificilmente se continha e as suas companhias eram geralmente pouco recomendáveis.

Felizmente o seu confessor chamou-lhe a atenção para os perigos que corria e pô-lo de sobreaviso. Quando havia desordens era sempre dos primeiros a serem acusados. Mas conseguia dominar a revolta que o sacudia por dentro. O director manifestava-lhe compreensão e incutia-lhe confiança, até ao ponto de lhe fazer uma proposta inesperada: ser apóstolo entre os companheiros mais arredios e difíceis. Fernando aceitou o desafio, formando um pequeno grupo de quatro amigos meio destravados.

“Não são dos melhores”, confidenciou ao director, “se calhar até são capazes de se envolver em brigas; mas aqueles em quem o Senhor talvez esteja a pensar são bons de mais para este tipo de actividade”.

Tinha duas grandes paixões: o futebol e a trompete. Em fins de 1954 começou a escrever um diário, testemunha do seu empenhamento em modificar a vida, tal como os companheiros que foram notando a sua lenta e decidida transformação.

Passados dois anos, durante os exercícios espirituais, traçou o seu programa de vida: Quero contrariar a curiosidade e mortificar a vista; quero ser apóstolo da Virgem Imaculada; quero ser sacerdote.

A 20 de Abril de 1956 durante uma animada partida de futebol, no pátio do colégio, bateu violentamente com a cabeça numa coluna do pórtico. Ficou alguns dias na enfermaria, regressando depois à vida normal e juntando-se aos companheiros, mas durante um recreio magoou novamente a cabeça. Dores fortíssimas daí resultantes aconselharam o seu internamento no hospital. Então, um companheiro lembrou-se de lhe perguntar:

“Ó Fernando, e se morresses agora?” E ele respondeu prontamente “Estou preparado... É verdade  que se joga futebol no céu”.

A 26 de Julho Fernando deu entrada no paraíso.

Não é a morte que determina um santo, mas uma vida “escrita” cada dia mais com Jesus a nosso lado. Foi isso que o Fernando realizou e que cada um de nós pode fazer também. Pai-Nosso…


3. UM ROSTO

Leonardo Da Vinci levou 7 anos a completar a sua famosa obra intitulada "A Última Ceia". As figuras que representam os 12 apóstolos e Jesus foram pintadas a partir de pessoas reais que serviram de modelo para o pintor. O modelo para ser Cristo foi o primeiro seleccionado, acorrendo centenas de jovens de toda a região a candidatar-se para servir de modelo.

 

Da Vinci procurava um rosto que mostrasse uma personalidade inocente, pacífica e bela. Queria um rosto sem cicatrizes nem traços de dureza pois, no seu entender, esses comunicavam a vida intranquila do pecado. Finalmente, depois de alguns meses seleccionou um jovem de 19 anos de como modelo para pintar a figura de Jesus Cristo. Durante seis meses trabalhou para lograr pintar o personagem principal dessa obra.

 

Durante os seis anos seguintes, Da Vinci continuou a sua obra buscando as pessoas que representariam os 11 apóstolos, e deixou para o final aquele que representaria Judas. Procurou durante semanas um homem com uma expressão dura e fria. Um rosto que fosse marcado por cicatrizes de avareza, decepção, traição, hipocrisia e crime.

 

Depois de muitas frustrações, chegou aos ouvidos de Leonardo Da Vinci que existia um homem com estas características na prisão de Roma. Estava sentenciado à morte por ter levado uma vida de múltiplos roubos e assassinatos. Da Vinci viu diante dele um homem cuja cabeleira espessa caía sobre o rosto, escondendo uns olhos cheios de rancor, ódio e ruína. Finalmente encontrara o modelo para plasmar a Judas na sua obra. Graças a uma permissão do rei, este prisioneiro foi transferido para Milão ao estúdio do mestre. Durante vários meses este homem sentou-se silenciosamente à frente de Da Vinci, enquanto o artista continuava na sua árdua tarefa de plasmar na sua obra o personagem que tinha traído Jesus. Quando Leonardo deu a última pincelada chamou os guardas e deu-lhes ordem para levarem o prisioneiro. Este, quando estava a sair, voltou-se para Leonardo Da Vinci e disse-lhe:

- "Da Vinci!!! Olhe para mim com atenção!! Não me reconheces mesmo?".

O artista observou-o cuidadosamente e respondeu:

- "Nunca te tinha visto até àquela tarde no calabouço de Roma".

O prisioneiro levantou os olhos disse com o olhar mais triste que Da Vinci já vira:

- “Olha bem para mim. Eu sou aquele jovem cujo rosto escolheste para representar Cristo há sete anos atrás...!".

Reflexão/oração:

De “Jesus” a “Judas”. A vida é um dom que devemos fazer “render” o melhor capital. Por vezes até temos uma boa educação escolar, um excelente ambiente familiar e o caos sucede quando somos nós, já crescidos, a tomar as opções erradas. Todos erramos mas temos também a oportunidade de nos emendar, de recomeçar, de reconstruir… o arriscado é quando “embarcamos” por outras vias desistindo de ser melhores.

Pedimos a Nossa Senhora que nos vá tomando pela mão e nos dê coragem para recomeçar sempre que for preciso… a esperança é Jesus que habita em nós. Avé-Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


4. ZERO

O Zero sentia-se vazio. Olhava para si mesmo e não gostava do que via: era aquela enorme barriga; era a incapacidade de sobressair; era a falta de um carácter vincado... Achava mesmo que não valia nada. Já muitas vezes tentara ser esguio como o 1, elegante como o 4 ou belo como o 7, mas nem sequer conseguia a pequena proeza de esticar uma haste para se assemelhar ao 6 ou ao 9.

 

Era realmente uma nulidade. Mas o pior de tudo nem sequer era o aspecto, pois já se tinha habituado a isso e os outros também nunca o tinham visto de outra forma. Não, o pior nem era olhar-se ao espelho: o pior era quando olhava para dentro de si mesmo. Não valia nada, pronto! Era isso. Nunca tinha feito nada de que se pudesse realmente orgulhar; tinha as mãos vazias; nunca deixaria o nome na história ou marcas no mundo. Não passava de um zero.

 

Mas, então, por que razão tinha consigo todos aqueles sonhos, aquele desejo de grandeza, a vontade de se lançar a tarefas gigantescas? Era um zero e sentia dentro de si uma enorme tendência para o infinito...

 

Ora, isto - pensava ele - não tinha lógica nenhuma. Era até contraditório. E filosofava: Via-se logo que os números tinham sido uma invenção dos homens. Por isso não batiam certo. Se tivessem sido obra de Deus, tudo teria sido diferente. Sendo assim, paciência...

 

Mas o Zero estava de longe de se resignar com a situação. Alguma coisa lá por dentro se recusava a aceitar pacificamente estas filosofias, ainda que elas servissem perfeitamente como justificação para a sua nulidade e para a vida preguiçosa que levava.

 

E, no fim de contas, talvez os algarismos não fossem uma invenção dos homens. Muitas vezes dizia para si mesmo que não podia fugir à sua natureza, à incapacidade com que nascera. Sentindo-se incapaz do esforço de alcançar o infinito, que chamava por ele, repetia cinquenta vezes por dia que o infinito não existia. Para se convencer a si próprio. Para se poder entregar tranquilamente à doçura de uma vida sem montanhas para subir.

 

No entanto, aquela doçura acabava por o maçar. Tornava-se amarga: não na boca, mas num lugar qualquer que ele não sabia identificar com exactidão. Ora, aquilo doía-lhe. Era como se tomasse veneno.

 

O Zero sabia a solução, a resposta, a verdade, mas fugia de pensar nisso. Também lhe doía... O Zero sabia que o verdadeiro problema não era a preguiça nem a falta de capacidade. A questão importante era o orgulho.

 

Sucedia que o orgulho o levava a procurar sempre o primeiro lugar quando se juntava aos outros algarismos para fazerem alguma coisa em conjunto. Conseguia esse lugar porque era o mais forte de todos, mas os outros algarismos não achavam aquilo bem. E quando isso sucedia formava-se uma barreira, uma vírgula, entre ele e os outros. E, assim, com o Zero no primeiro lugar e a vírgula logo a seguir, aquilo que faziam não valia quase nada.

 

O Zero pressentia que, se aceitasse um dos últimos lugares, tudo seria diferente. Talvez então pudessem, em conjunto, aproximar-se do infinito e até tocar-lhe. Talvez assim se abrissem as portas a todos os sonhos que desde sempre trouxera consigo. Mas teria - assim pensava - de se curvar perante os outros, e baixar a cabeça era para ele uma impossibilidade...

 

Não vou acabar de contar a história do Zero. Não vou dizer como chegou a entender que para um zero o melhor lugar é o último. Nem como acabou por pedir desculpa aos outros. Nem como conseguiu depois - não sempre, mas muitas vezes - a glória de baixar a cabeça e se colocar no último posto.

 

É que estas transformações são sempre muito íntimas e dolorosas. Sou amigo do Zero - conheço-o muito bem - e não está certo que revele em público a sua intimidade.

 

Autor: Paulo Geraldo

 

Reflexão/Oração:

A humildade é uma característica fundamental e belíssima, ao contrário do orgulho. Pensemos na quantidade de vezes que o ser humilde nos fez sair de situações sem qualquer sentimento de culpa, ou raiva, ou desejo de vingança. Peçamos a Maria, a jovem humilde que ganhou a confiança de Deus, o dom de nos ajudar a crescer na humildade. Avé-Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


5. A PARÁBOLA DOS REGRESSOS

O pai da parábola tinha dois filhos. O filho mais velho era um estandarte de procissão, o mais novo um estandarte de taberna.

 

Com os dinheiros do pai, o mais novo saiu por aí. Acabou a comer alfarrobas. As alfarrobas mal digeridas adoçaram-lhe o coração. Voltou a casa com o débil arrependimento dos fracos. O pai esperava-o e viu-o chegar ao longe. Para a festa do regresso mataram um novilho gordo. O filho mais velho murmurava entre os dentes, mas sentou-se à mesa. O novilho gordo sabia a perdão.

 

Na manhã seguinte os dois moços foram trabalhar, sem falarem muito um com o outro. Por cada sulco que o mais novo abria, o outro fazia três. Ao fim do dia, o mais velho ainda se dedicou a limpar os animais no estábulo, enquanto o mais novo não tinha já mais forças para nada. Assim foram passando os dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O mais novo estava inquieto. Saía ao entardecer e voltava a cheirar a vinho. Um dia desapareceu. Tinha voltado às andanças. Ao fim de certo tempo, regressou vencido. O pai esperava-o e viu-o chegar ao longe. Para a festa do regresso mataram um cordeiro. O avinagrado rosto do mais velho entristecia a mesa. Mas o cordeiro tinha melhor sabor que o novilho gordo, sabia mais a perdão.

 

Na manhã seguinte os dois moços saíram para trabalhar sem se falarem. O mais novo notava como o irmão mais velho se adiantara sempre ao abrir dos sulcos. Ao fim do dia, já em casa, o mais velho dedicou-se ainda a preparar as alfaias, enquanto o mais novo não tinha já forças para nada.

 

Passaram os dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O mais novo chegava tarde a cheirar a vinho. Um dia desapareceu. Tinha voltado às andanças. Certo tempo depois, regressou abatido, pálido. O Pai esperava-o e viu-o chegar ao longe. Para a festa do regresso mataram um frango. O mais velho estava muito irritado, comia calado sem tirar os olhos do prato. Mas o frango tinha melhor sabor que o novilho gordo e que o cordeiro, sabia mais a perdão.

 

Na manhã seguinte os dois moços foram para o campo separados um do outro. O mais novo trabalhava por rotina. Ao meio-dia já não podia mais. O mais velho encontrou-o estafado em casa. Passaram os dias. O mais velho fazia o mesmo de sempre. O mais novo tinha o olhar perdido. Um dia desapareceu. Outras vezes as andanças. Quando regressou com a cara destroçada pela tristeza, já nem homem parecia. O pai esperava-o e viu-o chegar ao longe.

 

Para a festa do regresso, na mesa só havia um prato. O mais velho estava mais irritado que nunca. O filho soube que em cada dia na mesa tinha havido um prato para ele. Esperando-o. E aquele prato sem comida tinha um sabor muito melhor que todos os manjares. Era o gosto de um perdão infinito.

 

Passaram os dias. O filho mais velho cada vez mais perfeito. O pai continuava infinitamente terno. O filho mais novo saía e voltava, saía e voltava. Saiu e voltou 'setenta vezes sete'. O pai esperava-o e via-o chegar ao longe. O filho encontrava sempre o prato na mesa.Ainda que o mais velho fosse incapaz de o entender, o pai, sim, sabia-o. Sabia que o filho mais novo algum dia totalmente vencido, sem forças, se sentaria à mesa para não sair nunca mais.

 

Reflexão/oração:

Bendito esses 'setenta e sete regressos'. Por eles, o filho mais novo soube a classe de pai que tinha. Como sabemos todos nós que nos confessamos 'setenta vezes sete' e fomos sempre acolhidos com amor. Pai Nosso…

 


6. A ESPONJA E O SEIXO…

Nós que temos a felicidade de pensar, de falar, de transmitir o nosso pensamento, também conseguimos dar linguagem aos animais e até aos seres inorgânicos. Apreciemos este diálogo entre uma esponja e um seixo duro.

 

Alguém mergulhou num balde de água uma esponja humilde. Ela bebeu, bebeu, até não poder mais, até ficar ensopada e cheia.

 

Entretanto, uma pedra dura e roliça – um seixo – repousava passivamente no fundo do balde onde se aninhara comodamente.

 

A esponja quebrou o silêncio e disse: “Gosto de estar embebida em água fresca. Conservo esta frescura durante muito tempo. E posso refrescar as mãos ou o corpo daqueles que me utilizam, e até derramar um pouco de vigor e esperança sobre a raiz de uma planta moribunda.”

 

O seixo, duro e egoísta, respondeu: - “Ninguém, nem mesmo a água consegue devassar o meu interior e a minha privacidade. Se me abrirem, encontrar-me-ão totalmente seco.”

 

A esponja respondeu: “E não sentes tristeza e frustração por não conseguires refrescar pelo menos uma flor?”

 

E o seixo quedou-se silencioso, fechado na sua carapaça de egoísmo…

 

Se observarmos bem o mundo que nos rodeia – desde o mundo familiar ao exterior – verificamos que estamos num mundo de corações duros e frios como seixos. Corações indiferentes à tristeza dos outros, às dificuldades dos outros, às carências morais e físicas dos outros. Um mundo de insensibilidade cruel.

 

Felizmente, aqui e acolá, surgem algumas almas generosas e altruístas, capazes de sacrificar-se pelos outros.

 

Mas sentimos falta de corações-esponjas…

 

Mário Salgueiro (2000). Rezar com a vida. Porto:Telos.

 

Reflexão/oração:

O quanto é bom ser esponja, não para sugar a frescura mas para descobrir que com essas características posso dar vida a outros. Que estejamos disponíveis para o fazer com alegria. Pai Nosso…

 


7. COMETAS E ESTRELAS

" Há pessoas estrelas e pessoas cometas.

Os cometas passam...

Apenas são lembrados pelas datas em que passam e retornam.

Os cometas desaparecem...

Há muita gente cometa!! Passa pela nossa vida apenas por uns instantes...

Gente que não cativa ninguém e que a ninguém se prende. Gente sem presença...Assim são as pessoas que vivem numa mesma família e passam uns pelos outros sem serem presentes.

O importante é ser estrela...Permanecer... estar presente... Marcar presença...

Estar junto...Ser Luz.. Ser calor... Ser vida.

O AMIGO é estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas fica a marca no coração.

E muitos são os cometas... Passam, a gente bate palmas e desaparecem.

Ser cometa não é ser amigo...

É ser companheiro apenas por instantes... É explorar os sentimentos humanos...

A solidão de muitas pessoas é consequência de não poderem contar com alguém.

A solidão é o resultado de uma vida cometa!

Ninguém fica, todos passam...

E a gente também passa pelos outros...

Não sentem a necessidade de se criar um mundo de estrelas?

Todos os dias sentir a sua luz e calor...

Assim são os amigos-estrela da nossa vida.

Pode-se contar com eles. Eles são presença.

São coragem nos momentos difíceis.

São Luz nos momentos escuros.

São segurança nos momentos de desânimo...

Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo de pessoas cometas é um desafio,

mas, acima de tudo, uma RECOMPENSA!"

Reflexão/oração:

Espalhemos hoje atitudes de “estrelas”. Sejam essas a nossa melhor oração ao Senhor.

 


8. ESPONJA DO MAR

“Certo dia, perguntou um homem a um sábio mestre:

- Mestre, que pensas de Jesus Cristo?

Depois de um breve silêncio, respondeu:

- Creio que foi a pessoa mais humana que já existiu sobre a terra. E também creio que tão humano assim só o próprio Deus poderia sê-lo.

- E em que consiste isso de ser mais humano?, perguntou, intrigado, aquele homem.

- Consiste em ser capaz de amar gratuitamente, respondeu o mestre.

- Então, se pensas assim, porque não te fazes cristão?, voltou a perguntar o homem.

- Calma, meu amigo!, exclamou o mestre. Disse-te que gostava de Jesus Cristo, não te disse que gostava dos cristãos. A maioria deles são como as pedras que há no fundo do mar. Se as tiras fora e as partes ao meio, por muito tempo que tenham estado submergidas, estão totalmente secas por dentro; não conhecem a água. Não conhecem o amor; não estão embebidas dele.

- Então, em tua opinião, como deveriam ser os cristãos?

E o mestre respondeu:

- Mais humanos. Tão humanos, que deixassem de ser como pedras e fossem como esponjas do mar.      

(José Real Navarro. El poder de las palavras)

 

Reflexão/Oração:

Possamos ser sempre mais humanos porque sempre mais parecidos com Jesus. Que Jesus ilumine o nosso viver:

Viver não se escreve com palavras,

mas sim com projectos.

Viver é um verbo

que só se conjuga com actos.

 

É esse vestígio

que deixamos

mas, ao invés

dos despojos dos fósseis,

viver é o sinal do porvir.

 

É um erro pensar

que é preciso nascer para viver,

é exactamente o contrário.

É preciso viver para nascer,

porque viver

é dar e dar-se a luz a si mesmo.

 

Viver é querer viver,

é escolher, é desprender os lábios

dos ferrolhos,

desfazer as suas próprias notas

saltar os seus muros,

levantar as âncoras da sua sombra

e, enfim, sair do beco

onde nos escondíamos

prisioneiros voluntários

de nós mesmos.


9. O PROFESSOR CRIATIVO

Olhem o que um professor é capaz de fazer. O fato narrado abaixo é real e aconteceu num curso de Engenharia, tornando-se logo uma das "lendas" do contexto universitário...

 

Na véspera de uma prova, 4 alunos foram passar o fim-de-semana fora, faltaram à prova e quando chegaram resolveram dar um "jeitinho". Voltaram à Faculdade na terça, tendo a prova ocorrido na segunda. Então dirigiram-se ao professor e disseram com ar muito pesaroso:

 

- Professor, tivemos de viajar com urgência, por um motivo familiar: o funeral de um familiar do Rui. Só que no regresso, o pneu furou, não conseguimos consertá-lo, tivemos mil problemas, e por causa disso tudo atrasamo-nos, mas, gostaríamos de fazer a prova.

 

O professor, sempre compreensivo respondeu:

 

- Claro, vocês podem fazer a prova hoje a tarde, depois do almoço.

 

E assim foi feito. Os rapazes correram para casa e mataram-se de tanto estudar, na medida do possível, a pensar no gozo que tinha dado enganar o professor. Na hora da prova, o professor colocou cada aluno em uma sala diferente e entregou a prova:

 

Primeira pergunta, valendo 1 ponto: Explicar algo sobre a Lei de Ohm.

 

Os quatro ficaram contentes pois tinham visto algo sobre o assunto. Pensaram que a prova seria muito fácil e que tinham conseguido "dar-se bem".

 

Segunda pergunta, valendo 9 pontos: "Qual foi o pneu que furou?"

 

Reflexão/Oração:

De que vale uma mentira, um projecto para enganar os outros? Estes jovens, mesmo que o professor não tivesse descoberto o que fizeram, estariam sim a enganar-se a eles mesmos. Só a verdade liberta! E hoje ainda mais, num contexto em que parece que as aparências contam mais. Sejamos radicais na verdade e na honestidade, só ela nos faz crescer. Pai Nosso

 


10 - O SIGNIFICADO DA PAZ PROFUNDA

Havia um Rei que ofereceu um grande prémio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a Paz Profunda. Muitos artistas apresentaram suas telas.

 

Centenas de pessoas concorreram. O Rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve de escolher entre ambas.

 

A primeira era um lago muito tranquilo. Este lago era um espelho perfeito onde se reflectiam plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com ténues nuvens brancas.

 

Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela reflectia a Paz Profunda.

 

A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um Paraíso tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com relâmpagos e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.

 

Mas, quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto a crescer pela fenda de uma rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta turbulência da água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho... Em Profunda Paz!

 

O Rei escolheu a segunda tela e explicou: — PAZ PROFUNDA não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo para realizar ou livre dos sofrimentos mais comuns da vida. A PAZ PROFUNDA significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos e confiantes no SANTUÁRIO SAGRADO do NOSSO CORAÇÃO. Lá encontraremos a Verdadeira PAZ PROFUNDA. Em SILENCIOSA MEDITAÇÃO.

 

Ajuda-nos Senhor, a viver cada momento do dia ao ritmo da Tua presença. Pai Nosso…

 


11. A SABEDORIA DOS GANSOS

Quando os gansos selvagens voam em formação "V", eles fazem-no a uma velocidade 70% maior do que se estivessem sozinhos. Como tal, eles trabalham em equipa.

Quando o ganso que estiver no ápice do "V" se cansa, ele passa para trás da formação e há outro que se adianta para assumir a ponta. Eles partilham a Liderança.

Quando algum ganso diminui a velocidade os que vão atrás grasnam encorajando os que estão à frente. Eles são Amigos.

Quando um deles, por doença ou fraqueza, sai do conjunto, há outro, no mínimo, que se junta a ele, passando a ajudá-lo e protegê-lo. Eles são Solidários.

Em equipa nós podemos produzir muito mais e mais rapidamente. A colaboração e a partilha multiplicam as potencialidades de cada um. A qualquer instante também podemos ser indicados para liderar o grupo. Palavras de encorajamento e apoio inspiram e dão energia àqueles que estão na linha de frente, ajudando-os a manterem-se no comando mesmo com as pressões e o cansaço do dia-a-dia. E, finalmente mostrar compaixão e carinho afectivo pelos nossos semelhantes é uma virtude que devemos cultivar.

 

Reflexão/Oração:

Da próxima vez, ao veres uma formação de gansos a voar, lembra-te: é uma recompensa, um desafio, um privilégio ser membro da maior e mais importante equipa do Universo: a HUMANIDADE. O que requer de facto «ser humano»? A capacidade de ser livre, de optar pelo bem, de pensar, de acreditar… saibamos viver, com a ajuda de Deus, esta presença diante de nós mesmos e o desejo de construir fraternidade. Pai Nosso...

 


12. O QUE É VIRTUAL?

Entrei apressado e com muita fome no restaurante e escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava a desenvolver.

Pedi filetes de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada mista e um sumo de laranja. Enquanto abria o meu notebook apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:

— Tio, dê-me algum troco.

— Não tenho, menino.

— Só uma moedinha para comprar um pão.

— Está bem, compro um para ti.

Para variar, a minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fiquei distraído a ler poesias, as formatações lindas, a soltar risadas com as piadas malucas.

— Tio, pode pedir para colocar no pão margarina e queijo também?

Dei-me conta que o menino tinha ficado ali.

— OK, mas depois deixa-me trabalhar, pois estou muito ocupado, tá?

Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçon pergunta se quero que mande o rapaz sair. Os meus resquícios de consciência impedem-me de o fazer e digo que está tudo bem.

— Deixe-o ficar. Traga o pão e uma refeição decente para ele.

Então o menino sentou-se à minha frente e perguntou:

— Tio, o que está a fazer?

— Estou a ler uns e-mails.

— O que são e-mails?

— São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet.

Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse:

— É como se fosse uma carta, só que via Internet.

— Tio, você tem Internet?

— Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

— O que é Internet, tio?

— É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual.

— E o que é virtual, tio?

Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai-me libertar para comer a minha refeição, sem culpas.

— Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo no que queríamos que ele fosse.

— Ah!!

— Mas tu entendeste o que é virtual?

— Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual.

— Tens computador?

— Não, mas o meu mundo também é assim... Virtual. A minha mãe fica todo o dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa. O meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino a nossa família toda junta em casa, com muita comida e muitos brinquedos de Natal…ah! E eu a ir ao colégio para estudar e ser médico um dia. Isto não é virtual, tio?

Fechei o meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. Esperei que o garoto terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco ao rapaz, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é porreiro!'.

Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel existe de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!

 

Reflexão/Oração:

Seria tão bom agradecer a Deus o tanto que temos no dia a dia… de um modo especial o amor que os outros nos transmitem, que nos faz sentir pessoas reais!

Peçamos hoje por todas as crianças que não têm lar, família ou a oportunidade de estudar. Que possam ir encontrando pessoas ao seu lado que as ajudem a ter uma vida mais digna. Avé Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


13. OS NOSSOS LIMITES

Certa  vez  um  cão  estava  quase morto  de  sede,  parado  junto à água. Toda as vezes  que   ele  via   o   seu   reflexo  na  água,   ficava assustado e recuava, porque pensava ser outro cão.  

Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e atirou-se para dentro da água. Com isto, o reflexo desapareceu. O cão descobriu que  o obstáculo - que era ele  próprio -  a  barreira entre ele e o que buscava, tinha desaparecido.

 

Nós podemos também estar parados no meio do nosso próprio caminho.  E, a menos que compreendamos isso, nada será possível em direcção ao nosso crescimento. Se a barreira  fosse alguma outra pessoa, poderíamos desviar-nos, mas quantas vezes somos  nós a  barreira: o medo, a falta de confiança, a falta de coragem, a intimidação pelo que os outros pensam, os nossos complexos...  

 

Reflexão/Oração:

Podemos estar junto à água, quase mortos  de  sede de mudar de vida, de atitude, mas há alguma  coisa  nos  impede. Se não   há  ninguém   a impedir-nos, a criar  qualquer   obstáculo, não  continuemos  a  deitar  a responsabilidade para os outros. Não estaremos a ser o melhor que podemos ser. Fiquemos atentos.    Abramos   os   olhos. Vejamos   o que está a acontecer  com  nossa  vida.   "Escolhamos o que é certo e decidamos dar o salto. " Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


14. FABRIQUE PÉROLAS TAMBÉM!

Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. As pérolas são produtos da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da concha, como um parasita ou um grão de areia.

 

Na parte interna da concha encontra-se uma substância lustrosa chamada nácar. Quando o grão de areia penetra nas células do nácar, estas começam a trabalhar e a cobrir o grão com camadas, de modo a proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, forma-se uma belíssima pérola no interior da concha.

Uma ostra que não foi ferida nunca produzirá pérolas, já que a pérola é uma ferida cicatrizada.

Já se sentiu ferido(a) pelas palavras rudes de alguém?

Já foi acusado(a) de ter dito coisas que não disse?

Já rejeitaram ou interpretaram mal as suas palavras?

Já sentiu duros golpes de preconceito?

Já recebeu indiferença como troco da sua dedicação?

Então, produziu uma pérola.

 

Cubra as suas mágoas com várias camadas de amor. Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam por este tipo de sentimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando algumas feridas abertas, alimentando-as com sentimentos mesquinhos, não permitindo que cicatrizem.

Assim, na prática, o que vemos são muitas “ostras vazias”, não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em AMOR. Fabrique pérolas!

 

Reflexão/Oração:

Vamos ter presente ao longo do dia esta atitude orante: sermos pérolas e não ostras vazias. Que Maria Auxiliadora nos mantenha nesta atitude de dar amor. Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


15. UMA GOTA

Havia uma gota numa nascente do rio. Era uma simples gota, nada mais que isso. Mas na sua insignificância tinha uma utopia, um sonho. Sonhava em um dia, após vencer a correnteza e chegar ao encontro das águas, tornar-se mar. Ora, quanta pretensão! Uma gota, uma simples gota, a querer ser mar... Era difícil, sabia ela, porém, não impossível. E agarrando-se nesse fio de esperança seguiu o seu curso natural de rio, sempre a pensar no dia em que certamente encontraria o oceano. Desafios foram surgindo: pedras, evaporação, galhos, entre outros obstáculos, mas ela não desistia.

 

Outras gotas que partiram com ela não chegaram ao fim, ficaram pelo caminho. Esta porém, talvez pela sua persistência, pela fé que tinha, de uma forma ou de outra sabia que um dia chegaria lá; e de facto, chegou. Venceu todos os obstáculos, chegou ao encontro das águas e finalmente realizou seu grande sonho. Hoje aquela gota, aquela ínfima gota, é mar.
Graças à sua persistência conseguiu o que era considerado uma utopia, uma pretensão incomensurável. Hoje aquela gota é mar.

 

Reflexão/Oração:

Cada um de nós também pode ser mar, muito depende de si próprio. Podemos ser como aquelas gotas que ficaram pelo caminho, ou como a gota que protagonizou esta história. Só depende de ti!

Peçamos ao Senhor Jesus que nos dê a sua luz, a fim de seguir o seu caminho em cada dia. Que a nossa vontade, os nossos sonhos possam coincidir com o sonho de Deus para nós. Pai nosso…

 


16. O AMOR: A ÚNICA FORÇA CRIATIVA

Um professor universitário levou os seus alunos de sociologia às favelas de Baltimore para estudar as histórias de duzentos jovens marginalizados. Pediu-lhes que redigissem uma avaliação sobre o futuro de cada menino. Em todos os casos, os estudantes escreveram: "Ele não tem chance alguma." Vinte e cinco anos mais tarde, outro professor de sociologia deparou-se com o estudo anterior. Pediu aos seus alunos que acompanhassem o projecto, a fim de ver o que tinha acontecido com aqueles garotos. Com excepção de vinte deles, que tinham mudado ou morrido, os estudantes descobriram que 176 dos 180 restantes tinham alcançado uma posição mais bem-sucedida do que a comum como advogados, médicos e homens de negócios.

O professor ficou estupefacto e resolveu continuar o estudo. Felizmente, todos os homens continuavam na mesma área geográfica e ele pôde entrevistar cada um. A pergunta que lhes dirigiu com bastante cuidado e interesse: "A que é que você atribui o seu sucesso?" Em todos os casos, a resposta veio com emoção e reconhecimento: "A uma professora".

A professora ainda estava viva, pelo que logo a foi procurar. Era uma senhora idosa, ainda bastante activa. Sorriu-lhe e com delicadeza perguntou-lhe que fórmula mágica tinha usado para resgatar aqueles garotos das favelas para um mundo das conquistas bem sucedidas.

Os olhos da professora faiscaram e os seus lábios abriram-se num delicado sorriso.

- É realmente muito simples – disse ela. – Eu amava aqueles garotos.

 

Reflexão/Oração:

Poucas coisas motivam mais as pessoas que elogios e encorajamentos dados com amor. As pessoas respondem na justa medida da nossa expectativa a respeito delas. Dizer que elas fizeram um bom trabalho faz com que se esforcem ainda mais para continuar fazendo um bom trabalho.

Nunca deixes de sonhar

 

Todo ser humano possui sonhos.

Sonhos grandes, sonhos pequenos, sonhos.

Sonhos nascem a cada dia, a cada hora, a cada minuto.

Sem percebemos, um sonho nasce dentro do nosso coração.

Sonhos nos motivam a viver, a continuarmos caminhando.

Vivemos, na verdade, na busca da realização dos nossos sonhos.

Às vezes, pessoas que estão ao nosso redor

Tentam matá-los com palavras de pessimismo.

Acham que, se não podem realizar seus sonhos,

As outras pessoas também não merecem realizar os seus

Puro egoísmo.

Muitas vezes, achamos que não conseguiremos realizá-los,

Que eles estão muito distante de nós.

Ou achamos que não merecemos, porque não somos ninguém.

Se não acreditarmos neles, os perderemos.

Temos que tirar do baú os sonhos, caso contrário, eles envelhecem

E assim não conseguiremos mais realizá-los,

A realização vem pela luta, esforço e persistência.

Caminhar ao lado de pessoas que nos motivem a sonhar

E a persistir nos mesmos é muito importante.

É um passo para a realização deles.

Mesmo que tudo o leve a pensar que parece impossível,

Não desista do seu sonho.

Busque forças dentro de você.

Peça ajuda a Deus.

Nenhuma oração volta sem resposta.

Acredite que tudo pode acontecer

Quando desejamos do fundo do coração.

Acredita na beleza dos seus sonhos

E na capacidade de realizá-los.

Nunca deixes de sonhar

E serás sempre um vencedor.

Amen


17. PANQUECAS

O pequeno Filipe, no auge de seus seis anos de idade, levantou-se mais cedo numa manhã de sábado disposto a preparar uma boa surpresa aos seus pais. Queria fazer panquecas para o café da manhã. Pegou numa tigela e numa colher, puxou uma cadeira, abriu o armário, e pegou a pesada lata de farinha. Acabou por deixar toda a farinha pelo chão luzente. Com as mãozinhas, recolheu um pouco da farinha e deitou na tigela, misturando uma xícara de leite. Acrescentou um pouco de açúcar, enquanto deixava no chão um rastro de todos os seus passos. Bem, o Filipe estava coberto de farinha e frustrado. Ele queria preparar uma boa surpresa para a sua mãe e para o seu pai, mas estava a estragar tudo. Já não sabia o que fazer de seguida, se colocava tudo no forno ou no fogão. Ele nem sabia como é que o fogão funcionava!  

De repente, o Filipe viu o gatinho a lamber a parte de fora da tigela com a mistura que ele fizera e, de imediato, expulsou o felino da cozinha… só que no trajecto deitou uma caixa de ovos ao chão. Freneticamente tentou limpar aquele monumental caos mas escorregou nos ovos, deixando o seu pijaminha todo lambuzado.

Foi então que ele viu o seu pai parado à porta da cozinha, com o ar mais estupefacto que jamais observara. Assustado, o Filipe arregalou os olhos. Tudo que ele tinha querido fazer era preparar uma boa surpresa, mas o que ele conseguiu mesmo foi uma terrível desordem. Estava certo de levar uma tremenda reprimenda, mas o seu pai apenas olhava, a tentar compreender o que ali se tinha passado.

Depois do balbuciar do Filipe, e já quase com os olhos marejados, o pai atravessou cuidadosamente aquela bagunça, agarrou no filho, abraçou-o e acariciou-o, sujando o seu próprio pijama.

E é assim que somos tratados por Deus. Algumas vezes tentamos fazer algo de bom mas erramos em algum ponto e provocamos uma tremenda bagunça. Quando tratamos mal alguém, ou não realizamos o nosso trabalho conforme deveríamos, ou não cuidamos correctamente da nossa saúde… e damos espaço interior para tentar perceber a desordem que causamos, é aí que nos vêm as lágrimas por tudo o que de errado fizemos. É quando Deus nos toma no colo e sem nos condenar, lança-nos o seu olhar de perdão e de amor.

É certo que não devemos meter-nos em confusão! Contudo, que isso não signifique deixar de tentar fazer panquecas para Deus e para os outros.

 


18. A BONECA E A ROSA

Aquela senhora estava com muita pressa. Entrou num shopping para comprar alguns presentes de última hora para o Natal. Havia muita gente ao redor e ela ficou incomodada com a situação. Pensou consigo mesma: "ficarei aqui uma eternidade, e tenho tantas coisas a fazer".

Um tanto deprimida, ela pensava em como o Natal estava se estava a transformar num grande comércio. Andou rapidamente por entre as pessoas e entrou numa loja de brinquedos. Mais uma vez se surpreendeu e reclamou pelos preços. Perguntava a si mesma se os seus netos realmente brincariam com aquilo.

Foi para a secção de bonecas. Num dos corredores encontrou um menino, de aproximadamente cinco anos, a segurar uma boneca bem cara. Estava a tocar-lhe nos seus cabelos e segurava-a com muito carinho. A senhora não se pôde conter e ficou a olhar a cena fixamente, perguntando-se para quem seria aquela boneca. Em seguida, aproximou-se do menino uma mulher a quem ele perguntou:

- Não tenho dinheiro suficiente, tia?

E a mulher disse-lhe impaciente:

- Já sabes que não tens o dinheiro suficiente para comprá-la.

Depois disse ao menino que permanecesse onde estava enquanto ela ia buscar outras coisas que lhe faltavam. E o menino continuou ali, a segurar a boneca com muito carinho.

Após algum tempo, a senhora aproximou-se e perguntou-lhe para quem era a boneca e ele respondeu:
- Esta é a boneca que a minha irmãzinha queria ter no Natal. Ela estava certa de que a ganharia neste Natal - disse o garoto com certa tristeza.

A senhora compadeceu-se e disse ao menino que no Natal levaria a boneca para a sua irmãzinha, mas ele disse:

- Não, a senhora não pode ir onde a minha irmãzinha está. Eu tenho que entregá-la à minha mãe para que ela leve à minha irmãzinha.

- E onde está sua irmã?

O menino, com um olhar de tristeza, disse:

- Ela foi ter com Jesus. O meu pai disse-me que a mãe irá encontrar-se com ela, em breve. A mulher sentiu um grande aperto no coração. E o menino continuou:

- Pedi ao papai para falar com a mãe para que ela não se vá ainda. Disse-lhe para lhe pedir que espere até que eu volte do shopping. Em seguida o garoto tirou do bolso algumas fotografias que tinham sido tiradas em frente ao shopping:

- Vou pedir ao pai que leve estas fotos para a minha mãe, para que ela nunca se esqueça de mim.

Gosto muito da minha mãe, não queria que ela partisse. Mas o pai disse que ela tem que ir encontrar a minha irmãzinha.

Enquanto o pequeno olhava a foto, a senhora tirou da carteira algumas notas e pediu a ele que contasse o dinheiro novamente. Ele contou outra vez, e disse satisfeito:

- Estou certo de que será suficiente. Agora posso comprar a boneca. - e disse - Eu acabei de pedir a Jesus para que me desse dinheiro suficiente para comprar esta boneca para a mãe levar até a minha irmãzinha e Ele ouviu a minha oração. Eu pedi, ainda, para que o dinheiro fosse suficiente para comprar também uma rosa branca para a minha mãe, e Ele acaba de me dar o bastante para a boneca e para a rosa. Sabe, a minha mãe gosta muito de rosas brancas...

Em alguns minutos a tia do garoto voltou e a senhora foi-se. Enquanto terminava as suas compras, agora com uma disposição bem diferente, ela não conseguia deixar de pensar naquele menino. Lembrou-se de uma história que tinha lido num jornal, dias antes, a respeito de um acidente causado por um condutor alcoolizado, no qual uma menina falecera e a mãe ficara em estado grave. Deu-se conta que aquele menino pertencia àquela família. Dois dias depois, ela leu no jornal a notícia de que a mulher acidentada havia morrido.

Não conseguia tirar o menino da mente... Comprou um bouquet de rosas brancas e levou-as ao funeral... Lá estava o corpo de uma mulher... Com uma rosa branca numa das mãos, uma linda boneca na outra, e a foto de seu filho em frente ao shopping.

Grossas lágrimas rolaram do rosto daquela senhora ao perceber a grandeza do amor daquele menino pela mãe e pela irmã...

Um amor que a morte não conseguiu apagar...

Um amor que vai muito além da existência física... O verdadeiro amor, que é Jesus.

Aprendamos de Maria, nossa Mãe e Mãe de Jesus a amar de verdade o nosso próximo. Avé Maria… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.

 


19. APRENDER A AMAR

Diz a lenda que o Senhor Deus, depois de criar o homem, pegou num punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e, assim, fez a mulher e entregou-a ao homem como sua companheira. Uma semana mais tarde o homem voltou e disse:

- Senhor, a criatura que me destes faz a minha vida infeliz. Ela fala sem cessar e atormenta-me de tal maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim as minhas horas são desperdiçadas. Chora por qualquer motivo. Facilmente fica amuada e, às vezes, fica muito tempo a fazer coisas superficiais. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela.

Depois de uma semana o homem voltou ao Criador e disse:

- Senhor, a minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Estou sempre a pensar nela: em como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava comigo e me transmitia ternura. Eu gostava de ouvi-la rir. Por favor, dê-ma de volta.

- Está bem, disse o Criador. E novamente entregou a mulher ao homem.

Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:

- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de toda esta minha experiência com esta criatura, cheguei à conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Peço-lhe para tomá-la de novo! Não consigo viver com ela!

O Criador respondeu:

- Mas também não pode viver sem ela. - E continuou o seu trabalho.

O homem desesperado disse:

- Mas como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.

E o Criador rematou aquele diálogo:

- Achei que, com as tentativas, tu já tivesses descoberto: O Amor é um sentimento a ser aprendido. Gera tensão e satisfação. É desejo e hostilidade. É alegria e dor. Um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.

Isto é o que deve ser aprendido: o sofrimento também pertence ao amor. Este é o grande mistério do amor. A sua própria beleza e o seu próprio fardo. Assim como se vive a satisfação e a alegria, em todo o esforço que se realiza para aprender o que é o amor, também é preciso estar disposto a dar-se e a fazer algum sacrifício. A pessoa terá sempre que abdicar de alguma coisa para possuir ou ganhar uma outra coisa ainda mais valiosa. Terá que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para a sua felicidade. É como plantar uma árvore à frente de uma janela. Ganha-se sombra, mas perde-se uma parte da paisagem. É preciso ter em conta tudo isto quando nos dispomos a aprender a amar.
 

© 2007-2009 | Instituto Filhas de Maria Auxiliadora