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Algumas datas importantes
1 Outubro – Teresa do Menino Jesus
Santa Teresinha do Menino Jesus é uma das santas mais
conhecidas e amadas no mundo. Aquela que o Papa Pio X
proclamou “a maior santa dos tempos modernos”, é também a
protectora dos missionários. Marie Françoise Thérèse Martin
nasceu no dia 2 de janeiro de 1873, em Alençon-França.
Perdeu a mãe quando apenas tinha 4 anos. Quase a completar
14 anos, Teresa decidiu entrar para o Carmelo (Ordem das
Carmelitas), mas a sua pouca idade impediu-a, e foi levada
por familiares, em Novembro de 1887, a uma audiência com o
Papa Leão XIII, em Roma, para pedir uma excepção. Em Abril
do ano seguinte foi aceite no mosteiro.
É
interessante ver como Teresinha de Jesus, sendo uma monja de
clausura, é padroeira das missões. Que sentido tem isso para
alguém que levou a vida apagada de um mosteiro de clausura?
Sem dúvida, pelo inestimável valor da oração. Mas que tipo
de oração? Não apenas aquela que a pessoa faz, mas a oração
que a pessoa é, ou seja, a vida de alguém que se solidariza
e identifica com a humanidade pecadora. Teresinha dizia que
não rezava pelos pecadores, mas com os grandes pecadores,
ateus e incrédulos, aqueles que ela reconhecia como tendo
motivos reais para não crer. Invocava a misericórdia de Deus
em nome de todos eles, porque passava por sérias tentações
de incredulidade, admirando-se não por haver pessoas sem fé,
mas sim por haver pessoas com fé, apesar de todas as
dificuldades da vida. O seu lema era:
“Amar a Jesus e fazer com que Ele seja amado por todos”.
Reflexão/Oração
A
vida dos grandes santos não foi uma vida fácil ou sem
dúvidas. Tal nos demonstra a desta pequena Teresa. Mas,
também como ela, nós podemos viver a verdade do evangelho:
“se vos tornardes como crianças, entrareis no reino dos
céus”. Isto não significa que nos devemos infantilizar, mas
aprender a viver com simplicidade e alegria o nosso
quotidiano de escola, de família, as nossas
responsabilidades e momentos de distensão.
Que
ela interceda por nós a Deus. A simplicidade é também um dom
a pedir.
Ave
Maria,… Maria, Auxílio dos Cristãos,…
2 Outubro – Anjo da Guarda
A
ponte de madeira
Dois
irmãos que moravam em quintas vizinhas, separadas apenas por
um pequeno rio, entraram em conflito. Foi a primeira grande
desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas
agora tudo tinha mudado. O que começou com um pequeno mal
entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras
ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa
manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.
-
Estou à procura de trabalho, disse um jovem. Talvez você
tenha algum serviço para mim.
- Sim,
- disse o irmão mais velho. - Claro! Vê aquela quinta ali,
depois do riacho? É do meu vizinho. Na realidade é do meu
irmão mais novo. Nós tivemos uma zanga e eu não posso mais
suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois
use-a para construir uma cerca bem alta.
- Acho
que entendo a situação, disse o carpinteiro. Mostre-me onde
estão a pá e os pregos.
O
irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O
homem ficou ali a trabalhar durante todo o dia. Quando o
proprietário chegou, não acreditou no que viu: em vez de uma
cerca, o jovem carpinteiro tinha construído uma ponte que
ligava as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas
o irmão mais velho ficou enfurecido:
- Você
foi muito atrevido ao construir essa ponte depois de tudo
que lhe contei.
Mas as
surpresas não ficaram por ali. Ao olhar novamente para a
ponte viu o seu irmão aproximar-se de braços abertos. Por um
instante permaneceu imóvel do seu lado do rio. O irmão mais
novo então dirigiu-lhe a palavra:
-
Foste extraordinário. Provaste-me ser um homem grandioso,
pois construíste esta ponte mesmo depois de tanta idiotice
que eu te disse.
De
repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na
direcção do outro e num forte abraço as lágrimas de
arrependimento e perdão engrossaram o caudal do rio.
Entretanto, o carpinteiro preparava-se para partir.
-
Espere! - disse o irmão mais velho - Fique connosco! Tenho
outros trabalhos para si.
E o
carpinteiro respondeu:
- Eu
adoraria, mas tenho outras pontes a construir...
(Desconhecido)
Reflexão
Hoje celebramos a festa do Anjo da Guarda. O que terá esta
história a ver com esta festa? Um Anjo é um enviado de Deus,
um amigo que nos protege e orienta. Quantas pessoas passam
por nós e com a sua palavra amiga, com o seu conselho ou com
a sua ajuda sendo verdadeiros anjos da guarda da nossa vida?
Oração
Hoje vamos invocar a ajuda do nosso anjo. E vamos pedir-lhe
que, assim como ele é o enviado de Deus para cada um de nós,
também nós possamos ser anjos da guarda de tantos colegas,
irmãos, amigos, adultos com quem convivemos no dia a dia.
Rezemos, Anjo da Guarda, minha companhia, guardai minha alma
de noite e de dia. Glória ao Pai, ….
4 Outubro – Francisco de Assis
Francisco de Assis nasceu na cidade de Assis, na Itália, em
1181. Filho de um rico comerciante de tecidos, Francisco
Bernardone, nome de baptismo, tirou todos os proveitos da
sua condição social vivendo entre os amigos boémios.
Tentou, como o pai, seguir a carreira de comerciante, mas a
tentativa foi em vão.
Sonhou
então com as honras militares. Aos vinte anos, alistou-se no
exército de Gualtieri que combatia pelo Papa, mas em Spoleto
teve um sonho revelador. Nesse sonho, Francisco foi
convidado a trabalhar para "o Patrão e não para o servo". Em
Assis, o santo dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um
dia de Outono de 1205, enquanto rezava na igreja de São
Damião, ouviu a imagem de Cristo dizer-lhe: "Francisco,
restaura a minha casa decadente". O chamamento, ainda pouco
claro para Francisco, foi tomado no sentido literal, e o
Santo vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a
igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com
o ocorrido, deserdou-o.
Com a
renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco
deu início à sua vida religiosa, "unindo-se à Irmã Pobreza".
Fundou a Ordem dos Frades Menores, que em poucos anos se
transformou numa das maiores da Cristandade. Fundou, com
Clara de Assis, o ramo feminino da mesma Ordem. Para as
pessoas que se sentiam identificadas com o seu modo de viver
o cristianismo, mas que não se sentiam chamadas à vida
religiosa, fundou a Ordem Terceira franciscana.
A
devoção a Deus não se resumiria em sacrifícios, mas também
em dores e chagas. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos
Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas
de Cristo, no fenómeno denominado "estigmatização".
O amor
de Francisco tem um sentido profundamente universalista.
Ninguém como ele SE irmanou tanto com todo o universo: foi
irmão do sol, da água, das estrelas, das aves e dos animais.
O "Cântico ao Sol", em que proclama o seu amor a tudo que
existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã.
Oração de São Francisco de Assis
Senhor,
Fazei de mim um instrumento da vossa paz!
Onde
houver ódio, que eu leve o amor,
Onde
houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde
houver discórdia, que eu leve a união.
Onde
houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde
houver erro, que eu leve a verdade.
Onde
houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde
houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde
houver trevas, que eu leve a luz!
Ó
Mestre, fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado,
compreender, que ser compreendido.
Amar,
que ser amado.
Pois é
dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é
morrendo, que se vive para a vida eterna!
São
Francisco de Assis, rogai por nós.
6 Outubro – Em preparação para a Festa de Nossa Senhora do
Rosário no dia 7
Amanhã
celebramos a festa de Nossa Senhora do Rosário que para a
nossa escola tem um sentido especial. Ela é a nossa
padroeira.
A
devoção a Nossa Senhora do Rosário é muito antiga, mas a sua
propagação tomou impulso com São Domingos de Gusmão, no séc.
XII. Aliás, a Igreja lhe conferiu a este santo o título de
“Apóstolo do Santo Rosário” . Durante muito tempo as pessoas
não tiveram a oportunidade de ter uma Bíblia nas suas mãos,
nem de escutar com frequência textos da sagrada Escritura.
Uma
vez que a recitação do Rosário passa em meditação momentos
importantes da vida de Jesus e de Nossa Senhora, esta
oração, inicialmente constituída por 3 terços (mistérios
gozosos, dolorosos e os gloriosos), era chamada de “Bíblia
do Povo”.
Em
2002, o Papa João Paulo II acrescentou ao Rosário os
Mistérios Luminosos, que retratam a vida pública de
Jesus, desde o seu baptismo no Jordão, o primeiro milagre
nas Bodas de Caná, a proclamação do reino, a transfiguração
e a instituição da Eucaristia. Estes mistérios formando um
perfeito complemento de meditação da Bíblia.
Sabemos também que nas aparições em Fátima, Nossa Senhora
apresentou-se aos Pastorinhos como a Senhora do Rosário,
pedindo que rezássemos esta oração todos os dias em favor da
conversão de vida de todos.
Entreguemos a Nossa Senhora o nosso caminho deste ano. Seja
Ela também a converter o nosso coração à bondade e à verdade
do coração de Jesus. E meditemos com alegria no grande sinal
de amor que Jesus nos oferece em cada vez que nos reunimos:
a Eucaristia, que amanhã iremos celebrar. Ave Maria,…
15 de Outubro – Teresa de Ávila
Com grande alegria lembramo-nos hoje da vida de santidade
daquela que mereceu ser proclamada, em 1970, pelo Papa Paulo
VI, Doutora da Igreja, como Mestra de espiritualidade:
"Santa Teresa D'Avila".
Teresa nasceu em Àvila, Espanha em 1515 e foi educada de
modo sólido e cristão, tanto assim, que quando era criança,
se encantou tanto com a leitura da vida dos santos mártires,
que combinou fugir com o irmão para uma região onde muitos
cristãos eram martirizados.
Aos vinte anos, entrou para o convento (Carmelo de Ávila),
onde nada lhe faltava e passava muito tempo em contacto com
as pessoas que a iam visitar.
Um dia foi tocada pelo olhar da imagem de Jesus Cristo
sofredor e, a partir desta experiência, em 1562, Teresa deu
início a uma nova forma de viver como religiosa de clausura.
Implementou a reforma carmelita e fundou em 1567 o mosteiro
de São José em Ávila onde ela foi seguida por outras irmãs
que desejavam uma vida mais rígida.
Além dos 32 mosteiros que fundou em toda a Espanha, escreveu
obras de literatura espiritual, como o caminho da perfeição,
as moradas e a sua autobiografia.
Morreu em 1582 dizendo: "Senhor, sou filha de vossa Igreja.
Como filha da Igreja Católica quero morrer".
18 de Outubro – S. Lucas
São
Lucas, evangelista, é considerado o padroeiro dos pintores e
médicos. A tradição da Igreja considera-o o autor do
terceiro livro dos evangelhos, que tem o seu nome, e dos
Actos dos Apóstolos.
Médico
de profissão, Lucas é tido como sendo um grego da Antioquia
(actual Turquia).
Um
convertido à fé cristã por volta do ano 50 d.C., Lucas não
deve ter conhecido Jesus e o que escreve sobre a vida do
Messias é fruto do testemunho recebido dos discípulos que O
conheceram pessoalmente. Por ser o evangelista que escreve
sobre a infância de Jesus, pensa-se que conheceu
pessoalmente Nossa Senhora, tanto que lhe é atribuída a
autoria de vários quadros pintados da Virgem Maria, em
especial o lindo quadro conhecido como o de Nossa Senhora do
Perpétuo Socorro.
Todos
os evangelistas retratam aspectos distintos no seu
evangelho. Por exemplo, São Lucas descreve um Jesus que se
preocupa com o cuidado e a salvação de todos, é mesmo
chamado o evangelista da misericórdia. Lucas acompanhou S.
Paulo nas suas viagens missionárias e durante o martírio de
Paulo, nunca saiu do seu lado.
Que a
sua vida nos inspire a desejar conhecer mais profundamente a
Jesus e ao amor que Deus nos quer conceder para nos salvar.
Glória ao Pai,…
19 de Outubro – Dia mundial das missões
Cada ano, a Igreja convida-nos ao compromisso de anunciar a
boa nova do Evangelho, missão a que todo o cristão é
convocado como baptizado, segundo as palavras do próprio
Jesus: "Ide, de todas as nações, fazei meus discípulos...
ensinando-os a guardar tudo o que vos ordenei. Quanto a mim,
eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos
séculos". (Mt 28, 19-20).
Hoje, a Igreja Católica, para nos indicar um caminho de
apostolado missionário, propõe-nos como padroeiros das
Missões, dois modelos totalmente diferentes na sua acção
missionária. Um é São Francisco Xavier e outro é Santa
Teresinha do Menino Jesus.
São Francisco Xavier nasceu em 1506, em Espanha. Em 1535 foi
para Paris onde se licenciou em Letras na Universidade
parisiense. Ali encontrou-se com Inácio de Loyola e
tornou-se um dos primeiros missionários jesuítas da época
dos descobrimentos.
A humilde ir. Teresa do Menino Jesus é uma das santas mais
populares. Aos 15 anos, vencendo a grande resistência das
autoridades eclesiásticas, por causa da sua idade, entrou no
Carmelo de Lisieux (em França) com autorização expressa do
Papa Leão XIII. Veio a falecer 9 anos depois de tuberculose
pulmonar. Viveu sempre rezando pelos missionários e dizia,
ao morrer, que passaria o céu derramando rosas sobre a
Terra. É esta a imagem mais comum de Sta. Teresinha nas
igrejas e fotografias que dela nos chegaram.
A sua festa é celebrada no dia 1 de Outubro.
Este
ano, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus, Louis e
Zélie Martin, são beatificados em Lisieux, precisamente
hoje, 19 de Outubro de 2008, Dia Mundial das Missões.
Bento
XVI assinou, a 3 de Julho, o decreto de reconhecimento de um
milagre atribuído à intercessão dos pais de Santa Teresinha
de Lisieux. Santa Teresinha do Menino Jesus, co-padroeira
mundial das missões, também foi proclamada doutora da Igreja
por João Paulo II numa Jornada Mundial das Missões, a 19 de
Outubro de 1997.
Que Maria nos ensine a ser missionários entusiastas e
corajosos de Jesus, a exemplo desses dois grandes
padroeiros. Ave Maria,…
Histórias para reflexão e oração
1. O lápis
O
Tiago observava a avó enquanto esta escrevia uma carta. A
certa altura, perguntou-lhe:
- A
avó está a escrever uma história que aconteceu connosco? E
por acaso, é uma história sobre mim?
A avó
parou de escrever, sorriu, e comentou:
-
Estou a escrever sobre ti, é verdade. Mas, sabes, mais
importante que as palavras, é o lápis que estou a usar.
Gostaria que fosses como ele, quando crescesses. O Tiago
olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas
é igual a todos os lápis que tenho visto!
-Tudo
depende do modo como olhas para as coisas. Há cinco
qualidades nele que, se conseguires mantê-las, serás sempre
uma pessoa em paz com o mundo:
"Primeira qualidade:
Recorda-te que podes fazer grandes coisas, mas nunca deves
esquecer que existe a mão de Alguém que guia os teus passos.
A esta mão nós chamamos Deus. É Ele quem melhor nos conhece
e sabe quanto podemos crescer para sermos felizes. É
importante deixares que Deus guie os teus passos.
"Segunda qualidade:De
vez em quando eu preciso afiar o lápis para que ele escreva
melhor. Uso o afia. Esta operação até pode levar o lápis a
sofrer um pouco, mas é para que ele esteja em condições para
continuar a escrever. Por isso é bom saber superar alguns
desafios e sofrimentos, porque eles farão de ti uma pessoa
mais forte e melhor."
"Terceira qualidade: O lápis permite sempre que usemos uma
borracha para apagar aquilo que estava errado. Há que
aprender esta característica de humildade, para irmos
corrigindo os nossos erros e para nos mantermos no caminho
da verdade e da justiça".
"Quarta qualidade: O que realmente importa no lápis não é a
madeira ou sua forma exterior, mas a grafite que está
dentro. As aparências não são o essencial. Trata sempre de
cuidar o que acontece dentro de ti."
"Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa
uma marca. Da mesma maneira, recorda-te que tudo quanto
fizeres na vida, deixará traços, e procure ser consciente de
cada acção”.
Reflexão:
Que
as marcas que deixarmos sejam traços de vida e de esperança
e todos se recordem de nós com alegria e amor. Ao longo do
ano não esqueçamos estas qualidades que a simplicidades de
um lápis nos transmite.
Oração:
Agradeçamos ao Senhor a sua presença na nossa vida, o modo
como nos criou interiormente livres para nos sentirmos
protagonistas da nossa vida e infinitamente amados por Deus.
Confiemos n’Ele como nosso Pai, que a todos conhece e só
quer o nosso bem e a nossa felicidade.
Pai
Nosso…
2.
QUERO SER UM TELEVISOR
A professora Ana Maria pediu aos alunos que fizessem uma
redacção e nela escrevessem o que gostavam que Deus fizesse
por eles. À noite, ao corrigir as redacções, ela deparou-se
com uma que a deixou muito emocionada.
O marido, ao entrar em casa viu-a a chorar e pergunta: "O
que aconteceu?"
Ela
respondeu: "Vem cá Pedro! Lê isto.".
Era a
redacção de uma menina.
"Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num
televisor.
Quero
ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa. Ter
um lugar especial para mim, e reunir minha família ao meu
redor... Ser levado a sério quando falo...
Quero
ser o centro das atenções e ser ouvido sem interrupções e
sem perguntas. Quero receber o mesmo cuidado especial que a
TV recebe quando não funciona. Ter a companhia do meu pai
quando chega a casa, mesmo que esteja cansado. E que minha
mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez
de me ignorar. E ainda que os meus irmãos "concorram" para
estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de
lado, de vez em quando, para passar alguns momentos comigo.
E, por fim, faz com que eu possa divertir todos.
Senhor, não te peço muito... Só quero viver o que vive
qualquer televisor!"
Naquele momento, o marido da Ana Maria disse: "Meu Deus,
coitada desta criança. E que descuido dos pais".
E ela
responde-lhe: "Pedro, esta redacção é da nossa filha".
Reflexão:
O
que é essencial quando estamos reunidos em família?
Será que a TV tem mesmo um papel “central” em nossa casa? O
que poderemos fazer para que a nossa relação em família não
sofra os ruídos de um aparelho exterior?
Oração:
Confiemos a Jesus a nossa família, a dedicação de todos os
que passam horas e horas a pensar em proporcionar-nos o
melhor. E peçamos a Deus que cada um de nós possa ser um
elemento de união e de coragem em todos os momentos
familiares, seja nos tempos de alegria, seja na superação
das dificuldades de cada dia. Pai Nosso…
3. Lição do fogo
Um
jovem que integrava um grupo de voluntariado de assistência
a idosos e doentes, sem motivo algum e sem avisar, deixou de
participar nas suas actividades. Após algumas semanas, o
líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito
fria. O líder encontrou o jovem em casa, sozinho, sentado
diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.
Adivinhando a razão da visita, o jovem deu-lhe as
boas-vindas, apontou-lhe uma cadeira junto ao calor para se
sentar e ficou quieto, à espera das palavras do visitante. O
líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas
não disse nada.
Formou-se um ambiente sério, no meio do qual os dois
contemplavam a dança das chamas em torno das achas de lenha,
que ardiam. Alguns minutos depois, o líder reparou nas
brasas que se formaram e cuidadosamente seleccionou uma
delas, a mais incandescente de todas, e empurrou-a para o
lado.
Voltou
a sentar-se e, com um sorriso tranquilo, permaneceu
silencioso e imóvel.
O
jovem prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Verificou
que, a pouco e pouco, a chama da brasa solitária diminuía,
até que o seu fogo se apagou de vez. Em pouco tempo, o que
antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um
negro, frio e morto pedaço de carvão.
Nenhuma palavra tinha sido dita desde o cumprimento inicial
entre os dois amigos. E o líder preparava-se para sair.
Antes, porém, empurrou de novo o carvão frio e inútil e
colocou-o no meio do fogo.
Quase
que imediatamente ele voltou a incandescer-se, alimentado
pela luz e calor dos carvões ardentes à volta dele. Quando o
líder chegou à porta para partir, o jovem pediu-lhe para
esperar um pouco e disse-lhe:
-
Obrigado pela tua visita e pelo belíssimo sermão que me
deste. Amanhã estarei de volta ao serviço. Deus te abençoe!
Reflexão:
Todos nos inserimos em grupos no mundo em que vivemos. A
família, a escola, a turma, o grupo de catequese, de
escuteiros, de desporto, um clube de leitura, etc… Cada um
dos membros do grupo faz parte da chama da unidade. Longe do
grupo cada um perde todo o brilho. Que saibamos valorizar a
força da unidade da nossa família, a nossa turma, os nossos
amigos. É nos gestos concretos e no serviço que alimentamos
um espírito fraterno e humano.
Oração: De Jesus diz-se essencialmente que “passou
fazendo o bem”. Não é indiferente a ninguém o modo cristão
de viver em sociedade, mesmo nos pequenos gestos de
solidariedade e serviço, por muito despercebidos que
pareçam. O importante é o amor que neles colocamos.
Deixemo-nos guiar por Maria, uma mulher que desde muito
jovem colocou a sua vida à disposição de Deus e das pessoas
concretas do seu país, sempre com simplicidade e alegria.
Ave Maria,… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
4. Depende de nós...
Certa
vez, um jovem chegou à beira de um oásis, junto a um povoado
e, aproximando-se de um idoso, perguntou-lhe:
- Que
tipo de pessoas vive neste lugar?
- Que
tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem? Perguntou
por sua vez o ancião.
- Oh!
Um grupo de egoístas e malvados - replicou-lhe o rapaz -
estou satisfeito de haver saído de lá.
A isso
o velho replicou:
- Por
aqui encontrará a mesma coisa.
No
mesmo dia, um outro jovem aproximou-se do oásis para beber
água e vendo o ancião perguntou-lhe:
- Que
tipo de pessoas vive por aqui?
O
velho respondeu com a mesma pergunta:
- Que
tipo de pessoas vive no lugar de onde você vem?
O
rapaz respondeu:
- Um
magnífico grupo de pessoas, amigas, honestas, hospitaleiras.
Fiquei muito triste por ter de deixá-las.
- O
mesmo encontrará por aqui, respondeu o ancião.
Um
amigo do ancião que tinha escutado as duas conversas
perguntou-lhe:
- Como
é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
Ao que
o velho respondeu:
- Cada
um carrega no seu coração não só o meio ambiente em que vive
como também o modo como vê o mundo. Aquele que nada
encontrou de bom nos lugares por onde passou, não poderá
encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos
ali, também os encontrará aqui. Ou seja, cada um encontra na
vida aquilo que traz dentro de si mesmo. Há tanta coisa que
só depende de nós mesmos!
Reflexão: Seria tão bom que tomássemos consciência desta
breve história. Se aprendermos a não criticar tudo o que
vemos à nossa volta e até ajudarmos a melhorar as coisas que
não estão tão bem, vamos percebendo que existe tanta gente
boa e com o mesmo desejo de melhorar o mundo…
Oração:
Agradeçamos a Deus o tempo e a história em que vivemos. É
neste presente e neste cantinho do mundo que somos chamados
a ser bons cristãos e honestos cidadãos. Há que erguer o
olhar e dar valor a todas as pessoas que vivem com optimismo
e confiança. Por elas e com elas ousamos dizer Pai Nosso…
5. VivE como as flores
No
regresso de um dia de aulas na faculdade, a Luísa perguntou
um dia ao pai:
- Pai,
como é que faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam
demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes.
Sinto ódio pelas que são mentirosas e ainda sofro com as que
teimam espalhar mentiras por todo o lado.
- Pois
bem, procura viver como as flores.
- E
como é viver como as flores?
-
Repara nas flores que a tua mãe cuida no nosso jardim -
continuou o pai, apontando os maravilhosos lírios que
cresciam no jardim. - Elas nascem na terra suja, que precisa
de fertilizantes às vezes nada bem cheirosos e, no entanto,
são puras e perfumadas. Nem o melhor designer fará vestidos
tão fascinantes. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes
é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra
manche o frescor das suas pétalas. Luísa, até é
compreensível ficares triste com os teus erros ou coma
dificuldade em superar os teus limites, mas não é sábio
permitir que os vícios dos outros te tirem a beleza de
viver. Podes alertar as pessoas para as ajudar, mas é
importante não ir para além disso.
Reflexão:
Quantas vezes temos um olhar e um pensamento crítico para
aquilo que os outros fazem de errado e não paramos para
pensar duas vezes no que devemos fazer?
Serão poucas as situações em que nos deixamos influenciar
por aquilo que os outros dizem ou fazem apenas pela pressão
de grupo? É este género de liberdade que desejamos?
Oração:
Que
a luz de Deus nos ajude a rejeitar todo o mal que vem de
fora, mas também a viver de acordo com o bem que a nossa
consciência nos ajuda a ver. Pai Nosso…
6. A Gotinha de Orvalho
A
gotinha de orvalho era linda e brilhava como se fosse uma
estrela do céu.
E a
flor branca, chamada Açucena, perfumara-se para recebê-la e
protegia-a com cuidado para que não fugisse.
“Quando a primavera chegar”-pensava a Açucena, “quando todas
as flores se abrirem, vou enfeitar-me com esta linda gotinha
de orvalho, e o próprio sol virá admirá-la. Ela brilhará
como um grande diamante!”
Todos
os insectos da floresta vinham admirar a pequenina gota de
orvalho.
-Tão
Bonita!... – diziam uns.
-Maravilhosa!... – afirmavam outros.
Até um
velho sapo, que não falava com ninguém e vivia a coaxar à
beira da lagoa, chegou alvoroçado e perguntou em altos
brados:
-Onde
está a linda gotinha de orvalho? Onde está?
A
açucena já se dispunha a esconder a gotinha de orvalho para
que ninguém mais a aborrecesse, quando ouviu um grande
falatório. Espiou, curiosa, e viu uma porção de bichinhos a
tentar reanimar uma formiga.
- Que
foi? Que foi?...
- A
Formiguinha desmaiou! – explicou o Grilo.
Açucena inclinou-se para ver melhor.
-
Coitadinha, é capaz de morrer... – afirmou o Gafanhoto.
-
Porque é que vocês não fazem alguma coisa? – perguntou.
-Já
chamamos o Doutor Cascudo – disse a Joaninha. – Ele deve
chegar a qualquer instante.
- Que
falta a d. Formiga deve estar a fazer!... Os filhos ficam à
sua espera todos os dias!... – exclamou a cigarra, enquanto
a formiguinha continuava estendida no chão, sem dar sinal de
vida.
- É
mesmo!... – suspirou uma borboleta que por ali passava. –
Vou ver como estão eles...
Foi
nesse instante que chegou o Doutor Cascudo.
-
Hum!... – disse ele, quando examinou a formiga. – Não está
nada bem...
Depois
ordenou:
-
Depressa... Arranjem um pouco d’água!...
Todos
se olharam. Onde arranjar água?... Há três dias não
chovia...
-
Depressa! – repetiu o Doutor Cascudo. – Sem água, ela não se
salvará.
A
açucena estremeceu... lembrando-se da gota de orvalho
procurou esconder-se na folhagem. Não, não poderia ficar sem
aquela gotinha que brilhava como um diamante e que iria
enfeitá-la, quando surgisse a primavera. Mas, pensou em
seguida:
-
“Coitada!... Se ela morrer, os seus filhinhos ficarão sem
mãe!...”
A
açucena não se escondeu mais. Acariciou, pela última vez, a
gota de orvalho e, inclinando-se, deixou-a deslizar nas
pétalas perfumadas, para depois cair sobre a formiga que
continuava prostrada.
Então
– que maravilha! – viu a formiguinha reanimar-se e voltar o
mais depressa possível para os filhinhos distantes.
E foi
assim que a flor branquinha chamada Açucena ficou sem a
linda gotinha de orvalho que brilhava como se fosse uma
estrela do céu. Mas o importante foi que ela nunca se
arrependeu do que havia feito.
Reflexão:
Podemos ter muitos dons valiosos que podem servir para
focarmos mais poderosos, ou mais ricos, ou mais importantes,
mas que de pouco irão melhorar a vida daqueles que estão ao
nosso lado. Tudo o que pudermos colocar ao serviço de outras
pessoas, pode tornar a sua vida muito mais feliz. O segredo
está em perceber o que é amar de verdade, para não nos
fecharmos no nosso egoísmo e sermos pessoas que aprender a
dar a vida por outros.
Oração:
Um
amor que não passe pela experiência de dar-se ou de dar a
vida corre o risco de ser muito superficial. Que Jesus nos
ensine a amar desinteressadamente os nossos irmãos e até
mesmo aqueles que não nos são muito simpáticos. E já sabemos
o Seu grande mandamento: “Amai-vos uns aos outros como Eu
vos amei.”
Em
silêncio, vamos pensar em alguém a quem podemos levar uma
gota de amor no dia de hoje, mesmo que seja uma pessoa com
quem não simpatizo muito.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo,…
7. SENTIMENTOS
Conta-se que uma vez se reuniram todos os sentimentos e
qualidades dos homens num lugar da terra.
Quando o ABORRECIMENTO já estava a reclamar pela
terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca,
propôs-lhe: Vamos brincar às escondidas?
A INTRIGA
levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE sem
poder conter-se perguntou: Às escondidas? Como é isso?
- É um jogo, explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e
começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se
escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro
de vós que eu avistar vai ocupar o meu lugar e o jogo
continua.
O ENTUSIASMO dançou de contente, seguido pela
EUFORIA. A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou
por convencer a DUVIDA a entrar no jogo e até mesmo a
APATIA, que nunca se interessava por nada. Mas nem
todos quiseram participar: A VERDADE preferiu não se
esconder. Para que havia de esconder-se se, no final do
jogo, todos a encontrariam? A
prepotência
escarneceu, dizendo que o jogo era muito tonto (no fundo o
que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela) e a
COBARDIA preferiu não arriscar.
Um, dois, três, quatro - Começou a LOUCURA a contar. A
primeira a esconder-se foi a PRESSA que, como sempre,
caiu na primeira pedra do caminho.
A FÉ
subiu ao céu e a INVEJA escondeu-se atrás da sombra
do TRIUNFO que, com o seu próprio esforço, tinha
conseguido subir à árvore mais alta. A GENEROSIDADE
quase não conseguiu esconder-se, pois cada local que
encontrava, parecia-lhe maravilhoso para algum dos seus
amigos:
Se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA. Se
era a copa de uma árvore, perfeito para a TIMIDEZ. Se
era o voo de uma borboleta, o melhor para a
Fragilidade.
Se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE.
E assim acabou por se esconder num raio de sol. O EGOISMO,
ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início:
ventilado, cómodo, mas apenas para ele. A MENTIRA
escondeu-se no fundo do oceano (bem, na realidade,
escondeu-se atrás do arco-íris) e a PAIXÃO no centro
dos vulcões. O ESQUECIMENTO, não me recordo onde se
escondeu, mas isso não é o mais importante. Quando a LOUCURA
estava lá pelo 999.999, o AMOR ainda não tinha
encontrado um local, pois todos já estavam ocupados, até que
encontrou uma rosa e, carinhosamente, decidiu esconder-se
entre as suas flores. Um milhão, contou a LOUCURA e começou
a busca. A primeira a aparecer foi a PRESSA apenas a
três passos de uma pedra. Depois, encontrou a FÉ, que
discutia com Deus, no céu, sobre zoologia. Sentiu vibrar a
PAIXAO nos vulcões. Num descuido, encontrou a
INVEJA e claro, pode deduzir onde estava o TRIUNFO.
O EGOISMO, nem teve de o procurar. Ele sozinho saiu
disparado do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de
vespas. De tanto caminhar, a
loucura sentiu
sede e ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA.
A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois estava sentada
perto de uma cerca sem decidir de que lado esconder-se. E
assim foi encontrando a todos. O TALENTO entre a erva
fresca, a ANGUSTIA numa cova escura, a MENTIRA
atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e
até o ESQUECIMENTO, que até já se tinha esquecido que
estava a brincar às escondidas.
Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local. A
LOUCURA procurou atrás de cada árvore, em baixo de cada
rocha do planeta e por cima das montanhas. Quando estava a
ponta a dar-se por vencida, encontrou um roseiral. Na tarefa
árdua de afastar os ramos de espinhos, ouviu um grito. Um
gesto mais brusco fez com que os espinhos ferissem o AMOR
nos olhos. A LOUCURA não sabia o que fazer para
se desculpar. Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até
prometeu ser o seu guia para sempre. É desde então que se
diz que o AMOR é cego e a LOUCURA sempre o acompanha.
Reflexão:
À
medida que vamos crescendo percebemos que alguns sentimentos
e características pessoais são preciosas para nos tornarmos
pessoas com um coração grande e generoso.
Oração:
Jesus disse que o maior mandamento é amar os outros como a
nós mesmos. Isto é muito importante.
Percebemos também com humildade que nem tudo o que
conhecemos de nós mesmos nos faz sentir bem connosco e com
os outros. O mais importante é não ficarmos demasiadamente
orgulhosos ou arrogantes com as lindas qualidades que
possuímos. E também reconhecer que estamos sempre a tempo de
corrigir alguma coisa que ainda não está bem na nossa vida.
Que cada dia saibamos experimentar o dom da vida que Deus
nos concede por amor.
Pai
Nosso,…
8. Talvez sim, talvez não...
Existiu uma aldeia que contava, entre os seus habitantes,
com um homem velho muito sábio. Os aldeões contavam com a
sabedoria desse homem para dar respostas às suas perguntas e
preocupações.
Um dia um camponês da aldeia foi ter com o homem sábio e
disse, num tom frenético:
- Homem sábio, ajude-me. Aconteceu uma coisa horrível! - O
meu boi morreu e eu não tenho outro animal para me ajudar a
arar o campo. Esta não é a pior coisa que poderia me
acontecer?
O homem sábio respondeu:
- Talvez sim, talvez não.
O homem correu de volta à aldeia e contou aos vizinhos que o
homem sábio tinha ficado maluco. Estava claro que esta era a
pior coisa que poderia ter lhe sucedido. Porque será que ele
não via isso?
No dia seguinte, no entanto, um cavalo jovem e forte foi
visto nas proximidades da fazenda do homem.
Como ele não tinha nenhum boi para ajudá-lo, teve a ideia de
aproveitar o cavalo e colocou-o a fazer o trabalho que o boi
fazia. Como estava feliz agora! Nunca tinha sido tão fácil
arar um campo... Então, voltou ao homem sábio para se
desculpar da sua atitude.
- Você estava certo, homem sábio. Perder o meu boi não foi a
pior coisa que me poderia acontecer. Foi uma bênção
disfarçada!!! Eu nunca poderia ter capturado meu novo cavalo
se isso não tivesse me acontecido. Você há-de concordar que
esta é a melhor coisa que me poderia ter acontecido.
O homem sábio voltou a dizer:
- Talvez sim, talvez não.
- Outra vez essa resposta! - Pensou o camponês. – Mas agora
não há dúvidas que o homem sábio não está bem.
Mais uma vez, no entanto, o camponês não sabia o que o
aguardava. Alguns dias mais tarde o seu filho estava a andar
a cavalo e caiu. Partiu a perna e não o podia ajudar mais na
colheita.
- Oh não !!! Pensou o fazendeiro. Agora o meu filho vai
estar tanto tempo sem me poder ajudar! !
O camponês foi de novo ao homem sábio. Desta vez
perguntou-lhe:
- Como é que você sabia que capturar o cavalo não foi uma
coisa boa? Estava certo novamente. O meu filho magoou-se e
agora não pode ajudar-me na colheita. Estou certo que esta
foi a pior coisa que poderia ter me acontecido. Desta vez
você será obrigado a concordar.
Mas, do mesmo modo, o homem sábio olhou calmamente para o
camponês num tom compassivo e repetiu:
- Talvez sim, talvez não.
Sem paciência, o camponês voltou para a aldeia. No dia
seguinte chegou um grupo de soldados àquela aldeia para
recrutar todos os homens jovens e saudáveis para a guerra
que tinha subitamente começado. O filho do camponês foi o
único jovem da aldeia que não teve que ir.
Reflexão:
Se, por um lado, é verdade que não sabemos o que irá nos
acontecer em cada momento, por outro perdemos a calma por
coisas pequenas e relativas ou encaramos as dificuldades com
pouca tranquilidade. Por detrás de certas situações à
primeira vista negativas surgem oportunidades na nossa vida
que nunca sonhávamos esperar.
Oração:
Peçamos a Nossa Senhora que eduque o nosso olhar e o
transforme num olhar de esperança e de confiança em Deus,
que nos ajuda a viver cada dia as alegrias e desafios da
vida com serenidade e coragem. Ave-maria, … Nossa Senhora
Auxiliadora, rogai por nós!
9 –
NO PAÍS DA VONTADE
Era
uma vez um menino de face morena e de aspecto franzino. À
partida nada o distinguia das outras crianças, a não ser uma
certa indolência pouco habitual em miúdos de 10 anos. De
facto, parecia andar distante de todas as vibrações. Pegou
num livro e abandonou-o sem o abrir. Colheu uma flor e
deixou-a. Quis passear e arrependeu-se. Até se lembrou de
ajudar a mãe mas logo a seguir sentiu-se cansado. Quando os
amigos o convidaram para estudar em grupo ou para uma festa,
dizia que não estava bem disposto…
- “Não
tenho nada que fazer, nem me apetece fazer nada”, disse por
fim, a olhar para o céu.
Nisto,
uma figura apareceu perto dele e disse:
-
“Acabo de ouvir uma coisa extraordinária, disse-lhe o pai:
um rapaz a dizer que não lhe apetece fazer nada, nem tem
nada que fazer!”
-
“Pois, é verdade, não deves surpreender-te com isso. Eu sou
assim e ainda ninguém me provou que posso ser de outra
maneira…”
- “Não
devo surpreender-me? E se eu te pedir que venhas comigo até
ao país da vontade?”
-
“Irei, se for aqui perto.”
Pai e
filho dirigiram-se então ao pomar, se bem que o rapaz
continuasse a não achar graça nenhuma àquela iniciativa do
pai. Pelo contrário, até ia com cara de poucos amigos. No
entanto, o pai lá o convenceu a prosseguir e, a certa
altura, disse-lhe:
-
“Chegámos. É este o país da vontade”.
O
rapaz, de olhos arregalados, não estava a compreender e
chegou a pensar que o seu pai lhe estava a pregar alguma
partida ou, então, que endoidecera. Ultrapassada esta
situação, o pai prosseguiu:
-
“Repara, meu filho, neste botão de laranjeira. Este botão
quer ser flor; depois a flor quer ser fruto. O mesmo
acontece com todas as árvores que vês à tua volta e não
poderia ser de outra maneira. Neste país tudo tem uma
vontade; tudo, neste silêncio do dia, tem o firme propósito
de ser mais, de ir mais além! Como a tarde quer ser noite de
estrelas, e a noite madrugada gloriosa a chamar a vida do
homem para a luta, assim tudo aspira a progredir: nascer,
subir, crescer!”
A
partir daquele dia o menino ficou a perceber que: querer é
poder. Quem porfia sempre alcança. Crescer é a lei universal
da natureza e de qualquer ser humano.
(António Botto – adaptação)
Reflexão:
Por
vezes, escondemo-nos numa falsa ideia de humildade quando
nos desculpamos “Não tenho jeito para isto o para aquilo”,
ou quando afirmamos que podemos estudar bem uma disciplina
mas noutras nem sequer tentamos crescer. No país da vontade
todas as pessoas reconhecem que
ser mais é viver!
O contrário é disfarçar a preguiça, o comodismo, a falta de
ideais. Ninguém nos pede para sermos brilhantes em tudo, mas
qualquer pessoa que nos ame de verdade dir-nos-á: “Em tudo,
dá o teu melhor!”
Isso também é ser humilde.
Oração:
A
nossa oração de hoje poderia ser a de pensar em silêncio nos
imensos dons e qualidades que Deus nos concede. O que
fazemos deles? Como nos dispomos a ser mais: na nossa vida
familiar, no nosso estudo, na nossa escola, com os nossos
amigos?
Que
Jesus ilumine a nossa vontade e nos ajude a fazer da nossa
vida um sinal mais!
10- SUSSURRO DE DEUS
Conta-se que um antropólogo, de regresso de uma pesquisa na
selva Amazónia, levou um índio a passear no centro de uma
grande cidade. Os seus olhos não conseguiam acreditar na
altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo
frenético das pessoas que iam e vinham. Espantava-se com o
barulho ensurdecedor das sirenes, dos automóveis e das
pessoas que gritavam pelas ruas. De repente, o índio disse:
"ouço um grilo..."
O amigo espantado disse: "Impossível ouvir um insecto tão
pequeno nesta confusão urbana!"
O índio insistiu que ouvia o som de um grilo. Tomou o seu
amigo pelo braço e levou-o até perto de canteiro de plantas.
Afastando as folhas, apontou para o pequeno insecto.
- Como? Perguntou o rapaz, ainda sem crer.
O índio pediu-lhe algumas moedas e lançou-as na calçada.
Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita
gente se voltou. Então o índio disse: "eu ouvi o grilo
porque os meus ouvidos estão acostumados aos sons da
natureza. As pessoas aqui ouvem o dinheiro a cair no chão
porque estão condicionadas a reagir a esse tipo de
estímulo."
E depois rematou: "É uma pena que pessoas tão avançadas na
civilização estejam só acostumadas a ouvir metal."
Reflexão:
Vivemos mergulhados numa infinidade de ruídos, de barulhos
estranhos, num mundo em que grande parte das pessoas só
responde ao estímulo de um tilintar de moedas. Poderíamos
dizer que, se tivéssemos ouvidos bem treinados até
poderíamos ouvir os sussurros de Deus.
É preciso treinar a audição e desenvolver outras
sensibilidades que, por vezes, parecem adormecidas. Deixar
que o nosso coração se enterneça diante do apelo silencioso
de uma criança sem lar... Do soluço abafado de alguém que
deambula sem esperança... De um pedido de socorro que não
chega a vibrar nas cordas vocais... Do gemido quase mudo que
vem de alguém doente, lá em casa ou na casa vizinha… Enfim,
é preciso preparar todos os sentidos para que possamos ter
olhos de ver e ouvidos de ouvir. Mas, acima de tudo, um
coração para sentir...
Oração:
Coloquemo-nos hoje despertos a tudo o que Deus nos possa
querer mostrar. Não é preciso estarmos noutro sítio senão
onde estamos. É no nosso dia a dia que Deus se manifesta.
Basta ter a coragem e deixar que a nossa inteligência e o
coração se sensibilizem.
(sugestão: Colocar uma música de fundo para a oração)
11 - A grandeza do mar
Sabem
porque o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso?
É
porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros
abaixo de todos os rios. Sabendo receber tornou-se grande.
Se quisesse ser o mais importante, o primeiro, colocar-se-ia
alguns centímetros acima de todos os rios, e já não seria
mar. Toda a sua água iria para os outros e ficaria isolado.
Todos
os dias falamos com outras pessoas e vamos precisando uns
dos outros. É impossível vivermos sempre como vencedores.
Faz parte da vida aprender a perder, a cair e aceitar que
erramos. Alias, é impossível ganhar sem saber perder; é
impossível andar sem saber cair; é impossível acertar sem
saber que se erra.
Reflexão:
Em
que situações também nós aprendemos a ser mar? Feliz daquele
que consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a
perda, o correcto e o erro, o triunfo e a queda. E que
saibamos, como Maria, aprender a aceitar o que não
compreendemos completamente.
12 - A História de Mark
O Mark
estava no liceu quando leccionei na escola Saint Mary's, em
Morris, Minn. Os 30 alunos daquela turma eram importantes
para mim, mas Mark Eklund era um num milhão. Muito bonito na
aparência, e com aquela atitude constante de quem te desafia
com o olhar e diz que “é bom estar vivo”.
Mark
falava incessantemente. Eu tinha de lembrá-lo a toda hora
que não era permitido conversar sem pedir licença. O que me
impressionava muito, porém, era sua resposta sincera todas
as vezes em que eu precisava de o chamar à atenção e
corrigi-lo:
"Obrigado por me corrigir, Irmã!"
Eu não
sabia o que fazer disto, e acostumei-me a ouvir esta frase
muitas vezes ao longo da semana. Uma manhã eu já estava a
perder a paciência quando o Mark falava repetitivamente.
Cometi um erro de professor principiante. Olhei para o Mark
e disse: Se disseres mais uma palavra, taparei a tua boca
com fita adesiva!"
Passaram-se dez segundos quando o colega do lado deixou
escapar - "O Mark está a conversar outra vez." Eu não tinha
pedido a nenhum dos alunos para me ajudar a tomar conta do
assunto, mas como dei o aviso da correcção à frente de toda
a turma, tive de tomar uma atitude. Dificilmente esquecerei
a cena. Eu dirigi-me à minha secretária, abri a minha
gaveta, e peguei num rolo de fita adesiva. Sem dizer uma
palavra, fui
até à mesa do Mark, destaquei dois pedaços de fita e fiz um
X na boca dele. Voltei, então, para a frente da sala de
aula. Assim que olhei para o Mark para ver o que estava a
fazer, ele piscou-me o olho. Isto foi o suficiente!
Comecei a rir. Dirigi-me a ele e removi a fita, percebendo o
alívio na turma inteira. As suas primeiras palavras foram:
"Obrigado por corrigir-me, Irmã."
Dois
anos depois recebi uma proposta para assumir uma turma de
12º ano de matemática. Mark estava na minha turma novamente.
Tinha crescido, estava mais bonito e nunca e tão bem
educado. Agora encontrava-o bem mais atento, mês sempre a
surpreender-me. No final de cada aula, principalmente quando
o trabalho era mais duro, antes de eu sair da sala, ele
olhava-me e dizia-me com a mesma sinceridade: “Obrigado,
Irmã, por me ensinar!”
Reflexão:
Educar e acompanhar o crescimento de alguém é uma missão
exigente, “um assunto do coração” (como dizia D. Bosco, e
uma tarefa de grande humildade. Devemos todos estar atentos
para nos olharmos todos os dias de um modo novo e positivo.
É isso que esperamos dos outros e é isso o melhor que também
nós temos para dar, na nossa relação com os alunos, com os
professores, com os colegas e outras pessoas que encontramos
cada dia.
Oração:
Peçamos em silêncio a Deus que nos torne capazes de olhar os
outros com benevolência e bondade. Ninguém cresce sozinho.
Crescemos sempre juntos.
13 - A Violeta que se tornou uma Rosa
Existia, num bosque isolado, uma bonita violeta que vivia
satisfeita entre as suas companheiras.
Certa manhã, levantou a cabeça e viu uma rosa que se
balançava acima dela, radiante e orgulhosa. A violenta
resmungou:"Pouca sorte tenho eu entre as flores! Humilde é o
meu destino! Vivo pegada à terra e não posso levantar a face
para o sol como fazem as rosas."
A
Natureza ouviu este queixume e disse à violeta:"Que te
aconteceu, minha filha?
-Suplico-te, o Mãe Natureza, disse a violeta, transforma-me
numa rosa, por um dia só que seja.
-Tu não sabes o que estás a pedindo, respondeu a Natureza. -
Ignoras o que se esconde de infortúnios atrás das aparentes
grandezas.
-Transforma-me numa rosa esbelta e alta, insistiu a violeta.
E tudo o que me acontecer será consequência dos meus
próprios desejos e aspirações.
A
Natureza estendeu a sua mão mágica, e a violeta tornou-se
uma rosa sumptuosa.
Naquela tarde, o céu escureceu-se e os ventos e a chuva
devastaram o bosque. As árvores e as rosas foram abatidas.
Somente as humildes violetas escaparam ao massacre. E uma
delas, olhando à sua volta gritou para as suas
companheiras:"Hei! Vejam o que a tempestade fez das grandes
plantas."
Disse
a outra:"Nos estamos quase afundadas na terra, mas escapamos
à fúria dos furacões."
Disse
uma terceira:"Somos pequenas e humildes, mas as tempestades
nada podem contra nós."
Então,
a rainha das violetas viu a rosa que tinha sido violeta,
estendida no chão, e disse:
-Vejam e meditem minhas filhas, sobre a sorte da violeta
iludida pelas aparências. Que isto nos sirva de exemplo.
Ouvindo essas palavras, a rosa agonizante estremeceu e,
apelando para todas as suas forças, disse com voz a
desfalecer:
"Vede
bem o que dizeis, ignorantes e covardes. Ontem, eu era como
vós, humilde e segura. Mas a satisfação que me protegia
também me limitava. Podia continuar a viver como vós, pegada
à terra, até que o Inverno me envolvesse na sua neve e me
levasse para o silêncio eterno sem que conhecesse os
segredos e glórias da vida que estão além das gerações de
violetas. A meta da vida é atingir o que há além da vida.
Pedi então à Natureza para me transformar numa rosa. E a
Natureza acedeu ao meu desejo. Vivi uma hora como rosa. Vivi
uma hora como rainha. Vi o mundo pelos olhos das rosas. Ouvi
a melodia do éter com o ouvido das rosas. Acariciei a luz
com as pétalas das rosas. Pode alguma de vós reclamar essa
honra? Morro agora, mas levo na alma o que nenhuma alma de
violeta jamais experimentou.
Morro,
sabendo o que há atrás dos horizontes estreitos onde
nascera. É essa a meta da vida".
Kalil
Gibran
Reflexão/ Oração:
Mais do que nos perguntarmos “Com quem nos identificamos?”,
é importante ter presente se existe em cada um de nós esta
capacidade de fazer silêncio e de descobrir qual é a meta da
nossa vida, o que no move a ir mais além.
Podemos ser rosas apenas para nos embelezarmos, mas também
podemos ser violetas escondidas na preguiça e no comodismo.
O fundamental é que independentemente de quem formos, nunca
deixemos de dar asas à verdadeira grandeza que possuímos no
nosso interior.
Ave-maria,…
14 - A enchente
Num
certo dia uma forte chuvada arrasou toda uma cidade. O nível
da água subiu tanto que os moradores começaram a abandonar
as suas casas, utilizando botes e canoas para isso. Um
homem, que dizia acreditar muito em Deus, subiu ao telhado
da sua casa e ficou lá à espera que a enchente acabasse.
Enquanto esperava, passaram uns vizinhos, numa canoa,
gritaram-lhe:
- Vem,
depressa, vem connosco, se não vais morrer!
E ele
respondeu:
- Não!
Deus há-de salvar-me!
Entretanto, o nível da água subiu mais um pouco, alcançou a
altura do telhado em que estava esse homem.
Eis
que passou outra embarcação em que muitas pessoas gritavam:
-
Venha rápido! Você vai morrer!
E ele
novamente respondeu:
- Não!
Deus há-de salvar-me!
A água
já estava já a cobrir o telhado, quando passou um
helicóptero que tentava resgatar as vítimas. O helicóptero
parou sobre a casa desse homem e depois lançou uma corda
para o resgatar. Alguém do helicóptero gritou:
-
Rápido! Segure a corda para que possamos salvá-lo!
Mas
novamente o homem respondeu:
- Não!
Deus há-de salvar-me!
Por
fim, o homem morreu afogado, levado pelas águas da enchente.
E foi para o Céu. Ao chegar ao Céu, ele encontrou-se com
Deus e disse-Lhe:
- Oh!
Deus, eu acreditava tanto em Ti! Por que não me salvaste?
Deus
respondeu:
- O
quê? Tu nem imaginas como foi difícil arranjar duas canoas e
um helicóptero para te tentar salvar... e tu não
aproveitaste as oportunidades que te dei!
Reflexão:
Tal
como na história, há inúmeras "canoas" que passam por nós, e
nos oferecem oportunidades de colocar a nossa vida a salvo.
Ou porque não as percebemos, ou porque esperamos que a
solução dos nossos problemas venha por outros caminhos,
acabamos, muitas vezes, por perdê-las... A nossa confiança
em Deus deve também passar pela confiança em tantas pessoas
que nos amam e querem o nosso bem. Agradeçamos a Deus a
presença dessas pessoas na nossa vida e peçamos-lhe que nos
ajude a decidir pelo que é o melhor para nós e para os que
estão connosco, pois também nós podemos ser “uma canoa” de
salvação para alguém.
Pai
Nosso,… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
15 - Sementes
Na
quinta do Engenheiro Feliz, duas sementes descansavam lado a
lado no solo fértil da Primavera.
A
primeira semente disse:
- Eu
quero crescer! Quero enviar as minhas raízes às profundezas
do solo e fazer com que os meus rebentos rasguem a
superfície da terra... Quero abrir os meus botões como
bandeiras e anunciar a chegada da Primavera... Quero sentir
o calor do sol no meu rosto e a bênção do orvalho da manhã
nas minhas pétalas!
E
assim ela cresceu… A segunda semente disse:
-
Tenho medo! Se eu enviar as minhas raízes às profundezas,
não sei o que encontrarei na escuridão. Se rasgar a
superfície dura, posso danificar os meus rebentos... E se eu
deixar que os meus botões se abram e vier um caracol a
tentar comê-los? E se abrir as minhas flores e uma criança
me arrancar do chão? Não é muito melhor esperar até que eu
me sinta segura?
E,
assim, ela esperou…
O engº
Feliz tinha decidido, naquela manhã, soltar todas as aves da
capoeira pelo campo. Uma das galinhas, esgravatava e bicava
o solo fértil à procura de comida. Rapidamente encontrou e
comeu a frágil semente que continuava à espera de segurança…
Reflexão:
De
que nos fala a história?
O
risco faz parte do nosso dia a dia e do nosso crescimento.
Nas decisões que tomamos, que nos ajudam a crescer, ele está
presente. Não nos referimos aos riscos que colocam em perigo
a nossa vida e que normalmente somos nós a fabricá-los, mas
ao medo de descobrir o melhor de nós: as nossas capacidades,
o nosso testemunho de fé, a nossa alegria em sermos bons,
etc. São riscos de corremos todos os dias.
Que
Deus nos vá dando a coragem para viver como a semente que
deu vida.
Pai
Nosso,… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
16 - Solidariedade
O nome
dele era Fleming e era um pobre camponês da Escócia. Um dia,
enquanto trabalhava para ganhar a vida e sustentar a sua
família, ouviu um pedido desesperado de socorro vindo de um
pântano nas proximidades. Largou as suas ferramentas e
correu para lá.
Chegando ao local, enlameado até à cintura, encontrou um
menino a gritar e a tentar salvar-se da morte. Fleming
salvou o rapaz de uma morte lenta e terrível. No dia
seguinte, uma carruagem riquíssima chegou à humilde casa do
escocês. Um nobre elegantemente vestido saiu e apresentou-se
como o pai do menino que Fleming tinha salvo.
- " Eu
quero recompensá-lo", disse o nobre. - " Você salvou a vida
do meu filho".
- "
Não, eu não posso aceitar pagamento algum pelo que fiz",
responde o pobre camponês, recusando a oferta. Naquele
momento, o filho do camponês veio à porta do casebre.
- " É
o seu filho? " perguntou o nobre.
- "
Sim", respondeu o camponês escocês com muito orgulho.
- "
Então faço-lhe uma proposta. Deixe-me ajudá-lo a dar-lhe uma
boa educação. Se o rapaz for como o pai, ele crescerá e será
um homem de que você terá muito orgulho".
E
assim foi. Tempos depois, o filho do camponês Fleming
formou-se no St. Mary's Hospital Medical School de Londres e
ficou conhecido no mundo como o notável Sr. Alexander
Fleming, que descobriu a Penicilina.
Anos
depois, o filho do nobre estava doente com pneumonia. O que
o salvou? Penicilina.
Qual
era o nome do nobre? Senhor Randolph Churchill.
E o
nome do filho dele? Senhor Winston Churchill.
Reflexão:
Alguém disse uma vez que colhemos o que semeamos. Que esta
história verídica nos ajude a trabalhar cada dia e a ajudar
o próximo sem interesses secundários, a ame os outros sem
esperar a gratificação ou uma relação egoísta. Isto fará de
nós pessoas humildes e que deixam uma marca importantíssima
na história, pois damos o nosso contributo para “humanizar o
nosso planeta”.
Pai
Nosso,… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
17 - Um jogo de palavras: É melhor um sermão ou SER – MÃO?
Um
dia, alguém me disse que o maior sermão que podemos pregar é
...
SER-MÃO que levanta quem caiu,
SER-MÃO que sinaliza a esperança para quem se sente sozinho,
SER-MÃO de solidariedade para quem se encontra cercado e
encurralado por toda as formas de conflito,
SER-MÃO de perdão para quem teve a infelicidade de nos
trair,
SER-MÃO de misericórdia para quem sente estar fundo do poço,
SER-MÃO de bênção para quem não tem nada e um nada se sente,
SER-MÃO que aponta o céu, mesmo que a única realidade
presente seja o inferno,
SER-MÃO que fala sem palavra alguma, onde só se ouça o gesto
da mão.
Reflexão / partilha:
Qual destes “ser - mão” já sentimos e nos ajudou a crescer?
Partilha sobre o “ser – mão” que mais me cativa.
18- Conta certa lenda,
Conta certa lenda, que estavam duas crianças a patinar num
lago congelado. Era uma tarde nublada e fria e as crianças
brincavam despreocupadas. De repente, o gelo quebrou-se e
uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou. A
outra, vendo o seu amiguinho preso e desesperado, tirou um
dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas
forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido,
perguntaram ao menino:
Como é que conseguiste fazer isso? É impossível que tenhas
conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com umas mãos
tão frágeis!
Nesse instante, um homem de idade que passava pelo local,
comentou ao bombeiro:
Eu sei como é que ele conseguiu.
Todos esperavam a justificação.
- É simples - respondeu o velho. - Não havia ninguém por
perto para lhe dizer que não seria capaz.
Reflexão:
Será que isto também se passa na nossa vida? Como é que nos
encorajamos reciprocamente a superar as dificuldades e
desafios de cada dia?
O que responderíamos a alguém que nos dissesse que fazer ou
não fazer algo só depende da nossa vontade e perseverança?
Oração:
Hoje podíamos pedir a Jesus por todas as pessoas que estão
neste preciso momento a passar momentos difíceis na sua vida
e não encontram ninguém que os encoraje ou dê confiança.
Pai
Nosso,… Maria, Auxílio dos Cristãos, rogai por nós.
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