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Nossa Senhora Auxiliadora

Comunicar

 

Comunicar o que vivemos…

reforça o que somos

Reflexão do mês de:

Comunicar o que vivemos...reforça o que somos!

Reflexão do mês de Maio

No Seminário CIEP – CI com o tema: “ A necessidade de convocar. Opções fundamentais na animação vocacional” dizia-se que muitas comunidades têm de trabalhar seriamente o tema da comunicação assertiva, para chegarem a ser “peritas em comunicação”, esforçando-se por:

  • Dizer o que pensam

  • Dizer o que sentem

  • À pessoa certa

  • Com clareza

  • Sem magoar ninguém

  • No momento próprio…

A comunicação assertiva define-se como um comportamento que permite a afirmação dos próprios direitos, sem violar os direitos dos outros, através da expressão de opiniões e sentimentos de uma forma livre e apropriada. A não – assertividade baseia-se na ideia de que as necessidades e os direitos dos outros são mais importantes que os meus, esta ideia, leva a pessoa a assumir uma atitude de passividade. E a atitude passiva traduz-se na falta de habilidades pessoais para recuperar os próprios direitos, a mudar o próprio sistema de valores só para seguir o exemplo de outrem. Desta forma, a pessoa procura evitar o conflito para agradar aos outros. Esta atitude ou comportamento a longo prazo, pode ter consequências muito prejudiciais, como por exemplo, a baixa auto – estima, o desenvolvimento de uma atitude de hostilidade, de tensão e de ansiedade que limitam a relação interpessoal.

Também não é assertivo o comportamento baseado na agressividade, onde se ignoram ou violam os direitos dos outros. A pessoa quer vencer a todo o custo e procura anular o seu interlocutor: é a lógica do eu ganho e tu perdes. Com esta atitude não se consegue reconhecer o valor do diálogo autêntico, nem se consegue gerir uma situação de conflito.

A comunicação assertiva baseia-se no princípio do eu ganho e tu ganhas, isto é, todos obtemos vantagens com esta forma de comportamento e de relacionamento. Para além destas razões, existem outras que justificam o agir de forma assertiva: obtemos maior respeito dos outros, aumentamos a viabilidade de satisfazer as próprias necessidades, alimentamos a capacidade de controlo das situações e do controlo pessoal, aumentamos a confiança e a possibilidade de relações interpessoais mais íntimas, mais saudáveis e mais satisfatórias.


 

Reflexão do mês de Abril

Comunicação representativa

Na comunicação não se pode não comunicar sobre nós próprios. A comunicação, vista na perspectiva da apresentação pessoal, chama-se representativa. Deste modo, em todo o acto comunicativo a pessoa auto-apresenta-se, quer através de palavras, quer por gestos e atitudes.  Exemplificando: quando alguém fala com uma voz a tremer, mostra indirectamente que está nervoso. Comunica-se de um modo pessoal, não tanto quando se expõe ideias ou opiniões, mas sobretudo quando se revela a experiência emocional evidenciando sentimentos como o desejo, o medo, a alegria.

A característica principal destas formas  directas de auto-apresentação é o facto de a pessoa comunicar as suas experiências pessoais e as suas percepções subjectivas. A manifestação das experiências pessoais exige, por isso, um estilo aberto de comunicação, no qual a pessoa é ela mesma e não se esconde por detrás de máscaras, papeis ou defesas.

As relações humanas tornam-se mais pessoais e significativas quando quem comunica se apresenta como pessoa autêntica. Porém, ninguém se deve sentir constrangido a manifestar as suas próprias experiências, na comunicação interpessoal, prevalece sempre o principio da liberdade, que deve ser usado de modo responsável.

A formulação da auto-apresentação, para ser representativa das experiências pessoais num momento preciso, deve ter em conta dois princípios:

- o eu como portador de experiências, ou seja, quando a pessoa se auto-apresenta fá-lo de tal modo que diz ser aquela a maneira como vive uma dada situação ou se coloca perante um determinado problema; para isso a afirmação é feita na primeira pessoa: eu temo, eu quero;

- a explicitação do índice referencial, isto é, as experiências pessoais são transmitidas dizendo exactamente o conteúdo, a situação e as circunstâncias que provocam aquele modo de sentir.


 

Reflexão do mês de Março

A reflexão deste mês remete-nos para o apelo e desafio do nosso Instituto (geral), no âmbito do lançamento do canal FMA no YouTube (canal na Internet de partilha de vídeos):

Há alguns dias, no site do Instituto, encontra-se o ícone FMA TUBE, link que faz conexão com o nosso canal no YouTube. Não é para acompanhar uma nova moda, mas para entrar no espaço dos social network, e tentar dialogar com um mundo sempre mais diversificado e cheio de opções. É também um modo para sermos encontradas por quem habitualmente frequenta este lugar da rede.  As novas tecnologias, como disse o Papa na mensagem para a próxima Jornada Mundial das Comunicações, “respondem ao desejo fundamental das pessoas de entrar em relação umas com as outras”. É também este o nosso desejo.
Neste canal é possível encontrar os vídeos que já estão presentes na área In-video do nosso site. Mas, especialmente, queremos inserir vídeos feitos pelas Inspectorias ou pelas Irmãs individualmente. Vídeos que tenham como tema o nosso carisma educativo, o nosso amor e a nossa predilecção pelos jovens. Esperamos confiantes a colaboração de vocês, também aquilo que é feito pelos jovens nas escolas ou nos oratórios. É um modo para enriquecer a secção e torná-la sempre mais espaço e voz do nosso grande mundo salesiano.”

Os nossos jovens, tal como referiu o Papa na sua mensagem para o dia Mundial das Comunicações Sociais, fazem parte da chamada geração digital, que passa uma grande parte do seu tempo na Internet. Se não, vejamos estes dados estatísticos: a nível mundial, 200.000 blogs nascem todos os dias, aproximadamente 1 milhão de vídeos por dia são vistos no YouTube e mais de 25 milhões de pessoas ouvem rádio pela Internet; a nível nacional e local no contexto da página da nossa Província, num espaço de um mês, tivemos 5,979 visitas. São números (por trás dos números estão sempre pessoas) que nos devem fazer reflectir e (re)agir, se queremos acompanhar, apoiar e estimular a educação dos nossos jovens, bem como responder às necessidades de toda a comunidade educativa.

 

Comunicar Março 09

Poderemos achar exagerada a resposta da menina da banda desenhada que acompanha este artigo, mas será assim tão exagerada e fora de contexto? Curiosamente a reflexão que a acompanhava, constatava que a maior parte das pessoas adultas, tal como no caso da Internet, inicialmente se afasta das novas tecnologias e inovações, achando-as difíceis de as entender e interagir. A questão é que os seus filhos [os nossos jovens] desde logo se interessaram e encontraram, na Internet, um novo mundo para eles próprios e fizeram-no há muito tempo, enquanto, nós, adultos ainda olhávamos para esta ferramenta com muitas interrogações, indiferença e menosprezo. Tal como referiu o Papa  Bento XVI, “… as novas tecnologias digitais estão a provocar mudanças fundamentais nos modelos de comunicação e nas relações humanas. Estas mudanças são particularmente evidentes entre os jovens que cresceram em estreito contacto com estas novas técnicas de comunicação e, consequentemente, sentem-se à vontade num mundo digital que entretanto, para nós, adultos que tivemos de aprender a compreender e apreciar as oportunidades por ele oferecidas à comunicação, muitas vezes parece estranho. […] …é gratificante ver a aparição de novas redes digitais que procuram promover a solidariedade humana, a paz e a justiça, os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem da criação”.

Comunicar o que vivemos reforça o que somos!!!  

 


 

Reflexão do mês de Fevereiro

A comunicação interpessoal desempenha um papel fundamental no crescimento das pessoas, tanto ao nível pessoal como colectivo. As interacções sociais, ao nível das relações face a face, estão sujeitas à influência de mecanismos pouco facilitadores dos processos comunicacionais.

Uma das atitudes individuais facilitadoras da comunicação é a capacidade de escutar. É curioso reparar que a maior parte do tempo de trabalho da nossa infância foi dispendido a aprender a ler e a escrever; outra grande parte da nossa adolescência foi aplicada a aperfeiçoar a linguagem, a verdade é que nos ensinaram muito pouco a ouvir.

Escutar é uma atitude de disponibilidade para receber mensagens dos outros e tentar compreendê-las. Sem escuta, não haverá descodificação nem interpretação. A escuta, ao contrário do que poderá parecer, implica um papel activo, por oposição à atitude de passividade do receptor que apenas “ouve.”

Uma escuta activa implica uma entrega ao outro, dedicando-lhe ouvidos e olhos. Tudo o que nos permitir captar a mensagem do outro deve estar mobilizado para que o processo de comunicação tenha máxima produtividade.

Há um conjunto de regras a respeitar para a escuta activa:

  • Saber deixar falar: não podemos ouvir e falar ao mesmo tempo, é indispensável suspender o discurso para que o outro diga o que tem a dizer, e perceber que está a ser escutado. 

  • Colocar-se em empatia com o outro: para compreender o que o outro diz, o receptor deve esforçar-se por se colocar no lugar do emissor, ou seja, assumir (ainda que provisoriamente) o seu quadro referencial, uma vez que, cada pessoa dá um “seu sentido” ao que diz ou escreve.

  • Centrar-se no que é dito: toda a atenção do receptor deve estar concentrada no que o emissor diz – as suas palavras, as suas expressões, os seus silêncios, as suas hesitações.

  • Eliminar qualquer juízo imediato: um juízo demasiado rápido pode provocar reacções de defesa por parte do emissor e interromper o processo de comunicação.

  • Não deixar transparecer as emoções pessoais: o receptor deve manter-se atento e interessado, controlando as exteriorizações de surpresa, acordo ou desacordo, agrado ou desagrado. Essas expressões podem condicionar o emissor, que desenvolverá o processo de comunicação guiado pelo outro, deturpando conscientemente ou inconscientemente a mensagem.

  • Resistir ao efeito de halo: o receptor deve concentrar-se no que é dito, independentemente daquilo que pensa do emissor. Há a tendência para considerar que as pessoas de quem não gostamos só dizem coisas desinteressantes, e que, pelo contrário, as pessoas de quem gostamos dizem sempre coisas interessantes (o que obviamente não é verdade).

  • A reformulação: sempre que a mensagem se torna ambígua, o receptor deve recapitular o que foi transmitido, para se certificar de que a mensagem recebida é a mesma que foi emitida.

 


 

Reflexão do mês de Janeiro

Comunicar no estilo salesiano

Olhando para os nossos fundadores apercebemo-nos do estilo inconfundível de comunicação que se vivia em Valdocco e em Mornese. Dom Bosco sabia comunicar e educava à comunicação. O método preventivo é um incomparável exemplo de pedagogia da comunicação educativa que parte das necessidades vitais dos jovens e os orienta para os verdadeiros valores, para a maturidade segundo o projecto de Deus em Jesus Cristo, valorizando os modos comunicativos e relacionais.

Dom Bosco não fazia propostas de santidade inacessíveis, mas comunicava um ideal de santidade como meta a todos acessível que se constrói na experiência da vida quotidiana. Ao jovem Severino Rostagno escreve: “Sê firme na fé, cresce cada dia no santo temor de Deus; defende-te das más companhias, frequenta o sacramento da confissão e da Comunhão; sê devoto de Nossa Senhora e serás, certamente, feliz” (Carta 463, 1860).

Dom Bosco procurava as vias comunicativas mais eficazes para educar os seus jovens. O Oratório, não é só a primeira obra educativa fundada por ele, é uma Instituição paradigmática para todos os outros ambientes educativos. Neste espaço educativo os jovens habilitam-se a ser: “bons cristãos e honestos cidadãos”. O modo de comunicar experiências de felicidade, de alegria, de amizade e de partilha serena da vida no Oratório era o ambiente de família, a familiaridade com os educadores, a pedagogia do pátio, as festas, a música e o teatro… Dom Bosco não só proporcionou aos jovens experiências de felicidade, mas educou-os a viver habitualmente numa atitude de alegria.

A comunicação é uma atitude interior que precisa ser continuamente potenciada. O espírito de família, a missão educativa desafiam-nos a crescer na arte de comunicar. Como educadoras salesianas actuamos a nossa missão na medida em que formos comunidade animada pelo espírito de família (const. 50) … As palavras de Dom Bosco ressoam particularmente actuais: “ o facto de sermos muitos a viver juntos aumenta a alegria e serve de encorajamento para aguentar canseiras…e também nos estimula a apreciar o aproveitamento dos outros; cada um comunica ao outro os próprios conhecimentos, as próprias ideias e assim, cada um aprende com todos. O facto de sermos muitos a fazer o bem, anima-nos sem nos darmos conta disso” (Projecto Formativo, 30).

No Sistema Preventivo a comunicação, além da compreensão e aceitação do nosso ser, exige acolhimento e valorização das diferenças. A comunicação supõe ainda a capacidade de silêncio que dispõe à escuta de Deus e do outro: a comunicação autêntica nasce da profundidade da pessoa, da sua riqueza interior que não pode emergir se não existir o silêncio interior e o trabalho contínuo de aperfeiçoamento das competências de comunicação.


 

Reflexão do mês de Dezembro

A comunicação tem muito a ver com a maneira de dizer as coisas. A arte de comunicar traduz-se num modo concreto de se dizer o que se tem a dizer de uma forma oportuna.

Todo o comportamento é expressivo, ou seja, é comunicante, nunca é inteiramente opaco e objectivo: sempre contém uma mensagem em que um outro ou outros estão implicados para além do próprio. Um comportamento expressivo com mensagens implícitas tem que ser partilhado pelo outro membro da relação.

 

A arte de comunicar pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se é projectada para a face de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta; mas, se é oferecida com ternura, certamente será aceite como sinal de reconhecimento. O amor, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem se dirige, são a base da gramática da comunicação. Além disso, é sábio quem, antes de dizer aos outros uma verdade, a diz a si mesmo diante do espelho. E, conforme a sua reacção, pode seguir em frente ou deixar de lado a sua intenção. As relações humanas tornam-se mais pessoais e significativas quando quem comunica se apresenta como pessoa autêntica.

 

Decálogo da comunicação interpessoal

 

  1. Comunicarás com sinceridade para que os outros descubram os teus valores, talentos e possibilidades de amizade contigo. Quem não comunica enferruja fechado em si mesmo.

 

  1. Comunicarás com os outros para cresceres na sociabilidade e na realização pessoal com e pelos outros. Quem não dialoga é anti – social.

 

  1. Comunicarás com os teus pais, irmãos, amigos e educadores, para romperes a tua clausura e assim contribuirás para uma convivência agradável. Quem não convive permanece isolado numa ilha.

 

  1. Não mentirás, para que os outros possam confiar em ti. Não se revelam segredos a quem não se pode confiar.

 

  1. Manifestar-te-ás tal como és, sem te inferiorizares nem te supervalorizares. Quem não se conhece a si mesmo vagueará eternamente atrás de quimeras.

 

  1. Verás que a verdadeira comunicação facilita o humor, o convívio e o serviço aos outros. Quem não vive para servir, não serve para viver.

 

  1. Evitarás bloquear a comunicação com egoísmo, incompreensões, hipocrisias e falta de sinceridade. Quem impede o diálogo profundo vive sempre na superficialidade.

 

  1. Investirás tempo a conversar com os outros para que não apareçam em ti sinais de agressividade, intolerância, ira, frustração ou ansiedade. Quem não tem calma a conversar, nunca chega a conhecer-se, nem a conhecer os outros.

 

  1. Quando tiveres preocupações, problemas ou te sentires deprimido, dialogarás com quem te possa ajudar, para que o veneno do retraimento não intoxique a tua vida. Quem não se abre aos outros vive continuamente enredado nos seus problemas interiores.

 

  1. Dirás a verdade, mesmo que isso te traga conflitos, inimizades ou sofrimentos. Quem não diz a verdade faz da sua vida uma mentira.

 


 

Reflexão do mês de Novembro

A comunicação é o primeiro aspecto a ser focado quando se estudam as interacções humanas. Existe uma forte relação entre interacção, percepção e comunicação. Aquilo que duas pessoas comunicam é determinado pela percepção de si mesmas e do outro na situação, e por factores motivacionais (objectivos, ideias, necessidades, defesas…). A ideia comunicada está intimamente relacionada com as percepções e motivações tanto do emissor como do receptor, dentro de determinado contexto situacional.

A percepção social é o meio pelo qual a pessoa forma impressões de uma outra tentando compreendê-la. Na percepção existem três factores que devem ser considerados:

• O que percepciona – pessoa que está a observar e a tentar compreender.

• O que é percepcionado – pessoa que está a ser observada.

• A situação – conjunto de forças sociais dentro das quais ocorre o acto da percepção social.

A tarefa de perceber os outros não é simples. Porém, a percepção social pode ser melhorada se tivermos em atenção que:

• Conhecendo-se a si mesmo, torna-se mais fácil perceber os outros.

• As características do observador, influenciam as características que ele vê nos outros.

• A pessoa que se aceita é mais propensa a ver favoravelmente o outro.

Todos temos formas mais ou menos estáveis de comunicar. Os vários estilos de comunicação representam diferentes formas de abordar a situação interpessoal. A comunicação entre pessoas nem sempre é funcional. Para que esta se torne mais eficaz é necessário saber quais as consequências de cada uma das atitudes inerentes ao processo de comunicação. Os nossos mecanismos de auto-censura impedem-nos de dizer o que sentimos ou pensamos. Existem múltiplos factores que nos limitam a liberdade e a autonomia. Precisamos crescer na assertividade. A assertividade procura que cada pessoa se consciencialize de que tem o poder de construir o seu próprio espaço de liberdade e de autonomia. Para que tudo isto aconteça precisamos de perder medos…

No tempo de Advento que estamos a iniciar recordamos que Deus vem ao encontro do Homem. Que Deus se revela a si próprio para que cada um de nós possa encontrá-Lo. Neste tempo de expectativa e de conversão, somos convidados a preparar o coração para acolher Aquele que nos está prometido desde toda a eternidade. Somos convidados a parar, a vigiar, a preparar o caminho do Senhor…

A história do peixe e do mar pode ajudar-nos a reflectir sobre o nosso modo de comunicar.

O Peixe e o Mar

Uma vez pediram a um peixe para falar do mar.

- Fala-nos do mar: disseram-lhe.

- Dizem que é muito grande o mar, respondeu o peixe. Dizem que sem ele morreríamos. Não sou o peixe mais indicado para vos falar do mar. Eu, do mar, o que conheço bem só estes dez metros à superfície. É só deles que vos posso falar. É aqui que passo o meu tempo, quase sempre distraído. Ando de um lado para o outro, à procura de comida ou simplesmente às voltas com o meu cardume. No meu cardume não se fala do mar. Fala-se das algas, das rochas, das marés, dos peixes grandes e perigosos, dos peixes pequenos e saborosos e de que temperatura fará amanhã. O meu cardume é assim: eles vão e eu vou atrás deles.

- Mas tu, que és peixe nunca sentiste o mar?

- Creio que o sinto, às vezes, ao passar-me nas guelras. Umas vezes sinto-o, outras não. Às vezes sinto-o, quando não me distraio com outras coisas. Fecho os olhos e fico a sentir o mar. Isto tudo de noite, claro, para que os outros não vejam. Diriam que são louco por dar tempo ao mar.

- Conheces o mar, portanto. Podes falar-nos do mar?

- Sei que é grande e profundo, mas não vos quero enganar. Sei de peixes que já desceram ao fundo do mar. Quando os ouvi falar percebi que não conheço o mar. Perguntem–lhes a eles, que vos saberão falar do mar. Eu nunca desci muito fundo. Bem, talvez uma ou duas vezes… um dia as ondas eram tão fortes que eu tive de me deixar levar muito fundo, para não morrer. Nunca lá tinha estado e nunca esquecerei que lá estive. Apenas vos sei falar bem da superfície do mar…

- Foi mau, quando desceste? Porque voltaste à superfície?

- Não foi mau. Foi muito bom. Havia muita paz, muito silencio. Era como se fosse lá a minha casa, como se ali eu estivesse inteiro.

- Porque não voltaste lá ao fundo? Por preguiça?

- Ás vezes acho que é preguiça, outras vezes acho que é medo.

- Medo? Mas tu disseste que era bom? Medo de quê?

- Medo do desconhecido, medo de me perder. Aqui à superfície já estou habituado. Adquiri um certo estatuto para mim mesmo. Controlo as coisas, ou pelo menos, tenho a sensação de as controlar. Lá em baixo não sei bem o que me pode acontecer. Estou todo nas mãos do mar.

- Tiveste medo, quando chegaste ao fundo do mar?

- Não tive medo algum. Era tudo muito simples… e no entanto agora tenho medo… mas eu não cheguei ao fundo do mar! Apenas estive menos à superfície.

- E que dizem os outros, os que lá estiveram?

- Dizem coisas que eu não entendo. Dizem que é preciso ir para perceber. E dizem que nada há de mais importante na vida de um peixe.

- E explicam como se vai?

- Aí é que está. Explicam que não se chega lá por esforços, que só podemos fazer esforço em deixar-nos ir. Que é só o mar que nos leva ao mar. Então veio uma corrente mais forte que o fazia descer. O peixe tentou lutar contra ela com quanta força tinha, à medida que via distanciarem-se as coisas da superfície. Talvez para sempre… mas depois fechou os olhos, confiou e já sem medo deixou-se ir.

in Nuno Tovar de Lemos, S.J. in O Príncipe e a Lavadeira

Reflexão

Quando paramos… quando paramos de verdade, acontecem maravilhas diante dos nossos olhos. Quem pára, vê. E ver é descobrir, ver é saborear, encontrar e ser encontrado. Ver para ser. Sim, é isto que é importante. Parar para ver. Ver para ser. Ver com o coração, claro, que os olhos têm sempre horizontes curtos. É preciso parar mais vezes. Parece que passamos dias e semanas inteiras a deixar a vida passar-nos ao lado. Se calhar, são mais os dias que nos vivem do que os dias que nós vivemos. Se aprendêssemos a parar, se aprendêssemos a virar as costas ao mundo de vez em quando, sentir-nos – íamos maravilhados. E que tal, se parássemos agora? Viremos as costas ao mundo por momentos. Porque o amamos - sim, porque o amamos é que lhe viramos as costas para o conhecermos de verdade. Para pararmos, para vermos, para sermos. Para que quando voltemos a olhar o mundo de frente, o nosso olhar esteja renovado e renovador, o nosso rosto esteja recriado e recriador. Para que quando voltemos a olhar o mundo de frente, o nosso olhar o possa tornar diferente.

 


 

Reflexão do mês de Outubro

No Jornal Sintonia do passado mês de Setembro, referimos que Paul Watzlawick, um grande estudioso dos paradigmas da comunicação afirmou que é impossível não se comunicar. Se é verdade que é impossível não comunicar, também é verdade que é possível desenvolver a capacidade de comunicar.

Nas relações interpessoais, a competência comunicativa precisa continuamente ser melhorada. Este exercício implica tomar consciência das barreiras que impedem as relações interpessoais autênticas e admitir que se é responsável pelos distúrbios da própria comunicação. Facilmente atribuímos a responsabilidade de uma comunicação deficiente a factores externos à nossa pessoa. Para que seja superada a dificuldade em assumir a ineficácia comunicativa, é preciso conhecer as causas das barreiras relacionais e tomar consciência dos limites pessoais nesta área. De facto, quando tomamos consciência dos nossos limites na comunicação, progressivamente conseguimos evitá-los e superá-los com maior facilidade. Quando fazemos este esforço, tornamo-nos pessoas mais compreensivas, tolerantes e flexíveis perante o modo dos outros interagirem.

A comunicação autêntica não é unidireccional, se assim fosse, seria uma comunicação pobre e incompleta. A comunicação que transforma e fomenta a comunhão é a que acolhe a própria realidade e a do outro. O acolhimento do outro leva-nos a crescer na intimidade com Deus. O acolhimento pressupõe o diálogo e este é um factor importante no desenvolvimento das potencialidades comunicativas tanto a nível pessoal, como social e cultural. Sendo imagem e semelhança de Deus, a pessoa descobre-se como ser dialogante como o é o próprio Deus. O diálogo é um acto de mútua aprendizagem, uma oportunidade para a proximidade do outro, um exercício de respeito mútuo mesmo quando as opiniões divergentes são mantidas.

Um dos grandes meios que temos para comunicar, para encontrar a pessoa, é a palavra. É com a palavra que comunicamos, mas também é com a palavra que podemos ferir o outro. Uma palavra pode agradar ou ferir, convencer ou estimular, louvar ou criticar… na relação entre pessoas, a qualidade da linguagem é expressão de uma comunicação autêntica em que a pessoa partilha as suas experiências interiores e os valores em que acredita. Se na relação com o outro a linguagem é tão importante, então devemos dispensar-lhe todos os cuidados para que as nossas palavras, pelo tom, oportunidade e adequação sejam uma verdadeira comunicação humana.

A pessoa humana é essencialmente comunicação. Nenhum dos seus comportamentos foge a este princípio: “agir ou não agir, palavra ou silêncio têm sempre um carácter comunicativo” (Paul Watzlawick). Apesar de estarmos na era da palavra falada, do diálogo e da comunicação, às vezes, não somos bons ouvintes.

Precisamos cultivar a espiritualidade do diálogo:

  • Na relação connosco próprios, através do amor à verdade, do desejo de conversão interior, da capacidade de perdoar, do despojamento…

  • Na relação interpessoal, através da sinceridade, da fraternidade, da ternura, da superação de preconceitos…

  • Na relação com Deus, através da oração, da abertura ao Espírito Santo, da esperança, da confiança, do compromisso com o Reino…

A comunicação autêntica entre as pessoas, que se exprime na relação, apesar de não ser fácil, é possível. Constrói-se através de um caminho gradual feito de sucessos e insucessos. Este caminho é enriquecedor para a pessoa, especialmente se o caminho conduz a uma meta. Neste percurso, o insucesso pode tornar-se uma experiência evolutiva para quem se empenha sinceramente e com generosidade na procura de relações interpessoais autenticas.

Termino com a referência ao conto O Mendigo de Tagore que explicita um dos princípios da comunicação: no uso das técnicas de comunicação, não é suficiente a competência, mas são necessárias, acima de tudo, as qualidades humanas da generosidade, do amor e da simplicidade.  Todas as competências serão inúteis se a pessoa que quer aprender a arte de comunicar não for capaz de, após ter treinado muito, colocar na comunicação o melhor de si mesmo naquilo que expõe e apresenta aos seus ouvintes.

O mendigo

Ia eu mendigando de porta em porta pela rua da povoação. Num lugar davam-me uma maçã, no outro um pedaço de pão, no outro uma espiga de trigo. Inesperadamente, lá ao longe apareceu a tua carruagem de ouro, parecida a um sonho maravilhoso.

Perguntei:

- Quem será esse Rei dos reis?

As minhas esperanças cresceram e pensei que os dias tristes da minha vida estavam para terminar. Esperei que me fosse dada a esmola sem ter de a pedir, e que as tuas abundantes riquezas fossem espalhadas no pó do caminho. A carruagem parou ao meu lado. O teu olhar caiu sobre mim e tu desceste com um sorriso. Pressenti que os meus dias de mendigo tinham chegado ao fim e fiquei a esperar tesouros imensos. Tinha chegado o momento supremo da minha vida.

Mas tu, descendo lentamente da carruagem, ficaste quieto diante de mim e estendeste-me a mão direita dizendo:

- Que tens para me dar?

Que gosto verdadeiramente rico de um rei foi esse de me estenderes a tua mão para pedir esmola a um pobre! Titubeante e confundido, tirei lentamente do meu saco de pedinte um grão de trigo e dei-to. Com um gesto simples, sorriste e continuaste o teu caminho. Mas qual não foi a minha surpresa quando, ao fim do dia, encontrei na minha mochila, um grãozinho de ouro…. Chorei amargamente por não ter tido a generosidade suficiente para entregar-te tudo quanto possuía… (Tagore)

Para reflectir:

É difícil definir de uma forma abstracta o que é a generosidade. É muito mais fácil descrever situações concretas em que pessoas foram generosas. E no contacto diário que temos com as pessoas, podemos facilmente distinguir o que é generosidade no dar, no partilhar, no comunicar verdadeiramente e o que é egoísmo. Comunicar é acima de tudo “dar” e predispor-se a receber do outro. E nós, na arte de comunicar:

O que damos?

O que não damos?

O que retemos para nós?


 

Reflexão do mês de Setembro

É o desafio que nos faz o cartaz que chegou a cada uma das nossas comunidades no início do ano pastoral! O que se tem é para ser partilhado com os outros! De facto a palavra comunicação tem origem no latim – comunicare – que quer dizer tornar comum, partilhar, repartir, trocar opiniões. Este vocábulo está intimamente relacionado com os conceitos de participação, de interacção, de troca de mensagens, de emissão e recepção de novas informações!

Paul Watzlawick, um grande estudioso dos paradigmas da comunicação afirmou que é impossível não se comunicar. Se é verdade que é impossível não comunicar, também é verdade que é possível desenvolver a capacidade de comunicar. Todos precisamos de ouvir dos outros e de dizer aos outros o que é a vida, de narrar as experiências fundamentais da vida humana: a partilha das alegrias, preocupações, sonhos e projectos. Olhando para os nossos Fundadores apercebemo-nos do estilo inconfundível de comunicação que se vivia em Valdocco e em Mornese. D. Bosco sabia comunicar e educava à comunicação. Comunicava um ideal de santidade como meta a todos acessível que se constrói na experiência da vida quotidiana.

Um idêntico estilo de relação educativa foi posto em prática por Maria Domingas Mazzarello. O ambiente na Casa de Mornese era caracterizado por uma atmosfera onde reinava o espírito de família, a sinceridade, espontaneidade e alegria evangélica. Maria Mazzarello era uma pessoa que rezava e contemplava, que vivia unida a Deus. Mulher aberta ao Espírito Santo, por isso, uma pessoa com uma profunda e rica vida interior, hábil na arte de comunicar.

Nós FMA, que vivemos numa sociedade em que a necessidade de comunicação se faz cada vez mais intensa, especialmente nos jovens, somos convidadas a ser “sinal e expressão do amor preveniente de Deus”, a ser pessoas capazes de comunicar, capazes de verdadeiro diálogo educativo; capazes de crescer na alegria e no optimismo, de comunicar a nossa vida como partilha e como proposta.

Para começar… basta apenas um clique para:

  • Partilhar a vida das nossas comunidades educativas;

  • A história da nossa vocação;

Comunica e partilha!

 

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