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Reflexão do
mês de Maio
No Seminário CIEP – CI com o
tema: “ A necessidade de convocar. Opções fundamentais na
animação vocacional” dizia-se que muitas
comunidades têm de trabalhar seriamente o tema da
comunicação assertiva, para chegarem a ser “peritas
em comunicação”, esforçando-se por:
-
Dizer o
que pensam
-
Dizer o
que sentem
-
À pessoa
certa
-
Com
clareza
-
Sem magoar
ninguém
-
No momento
próprio…
A comunicação assertiva
define-se como um comportamento que permite a afirmação dos
próprios direitos, sem violar os direitos dos outros,
através da expressão de opiniões e sentimentos de uma forma
livre e apropriada. A não – assertividade baseia-se na ideia
de que as necessidades e os direitos dos outros são mais
importantes que os meus, esta ideia, leva a pessoa a
assumir uma atitude de passividade. E a atitude passiva
traduz-se na falta de habilidades pessoais para recuperar os
próprios direitos, a mudar o próprio sistema de valores só
para seguir o exemplo de outrem. Desta forma, a pessoa
procura evitar o conflito para agradar aos outros. Esta
atitude ou comportamento a longo prazo, pode ter
consequências muito prejudiciais, como por exemplo, a baixa
auto – estima, o desenvolvimento de uma atitude de
hostilidade, de tensão e de ansiedade que limitam a relação
interpessoal.
Também não é assertivo o
comportamento baseado na agressividade, onde se ignoram ou
violam os direitos dos outros. A pessoa quer vencer a todo o
custo e procura anular o seu interlocutor: é a lógica do
eu ganho e tu perdes. Com esta atitude não se consegue
reconhecer o valor do diálogo autêntico, nem se consegue
gerir uma situação de conflito.
A comunicação assertiva
baseia-se no princípio do eu ganho e tu ganhas, isto
é, todos obtemos vantagens com esta forma de comportamento e
de relacionamento. Para além destas razões, existem outras
que justificam o agir de forma assertiva: obtemos maior
respeito dos outros, aumentamos a viabilidade de satisfazer
as próprias necessidades, alimentamos a capacidade de
controlo das situações e do controlo pessoal, aumentamos a
confiança e a possibilidade de relações interpessoais mais
íntimas, mais saudáveis e mais satisfatórias.
Reflexão do
mês de Abril
Comunicação representativa
Na
comunicação não se pode não comunicar sobre nós
próprios. A comunicação, vista na perspectiva da
apresentação pessoal, chama-se representativa. Deste
modo, em todo o acto comunicativo a pessoa
auto-apresenta-se, quer através de palavras, quer por
gestos e atitudes. Exemplificando: quando alguém
fala com uma voz a tremer, mostra indirectamente que
está nervoso. Comunica-se de um modo pessoal, não tanto
quando se expõe ideias ou opiniões, mas sobretudo quando se
revela a experiência emocional evidenciando sentimentos como
o desejo, o medo, a alegria.
A
característica principal destas formas directas de
auto-apresentação é o facto de a pessoa comunicar as suas
experiências pessoais e as suas percepções subjectivas. A
manifestação das experiências pessoais exige, por isso, um
estilo aberto de comunicação, no qual a pessoa é ela mesma e
não se esconde por detrás de máscaras, papeis ou defesas.
As relações
humanas tornam-se mais pessoais e significativas quando quem
comunica se apresenta como pessoa autêntica. Porém, ninguém
se deve sentir constrangido a manifestar as suas próprias
experiências, na comunicação interpessoal, prevalece sempre
o principio da liberdade, que deve ser usado de modo
responsável.
A
formulação da auto-apresentação, para ser representativa das
experiências pessoais num momento preciso, deve ter em conta
dois princípios:
- o eu
como portador de experiências, ou seja, quando a pessoa
se auto-apresenta fá-lo de tal modo que diz ser aquela a
maneira como vive uma dada situação ou se coloca perante um
determinado problema; para isso a afirmação é feita na
primeira pessoa: eu temo, eu quero;
- a
explicitação do índice referencial,
isto é, as experiências pessoais
são transmitidas dizendo exactamente o conteúdo, a situação
e as circunstâncias que provocam aquele modo de sentir.
Reflexão do
mês de
Março
A reflexão deste mês
remete-nos para o apelo e desafio do nosso Instituto
(geral), no âmbito do lançamento do canal FMA no YouTube
(canal na Internet de
partilha de vídeos):
“Há alguns
dias, no site do Instituto, encontra-se o ícone
FMA TUBE, link que faz conexão com o nosso
canal no YouTube. Não é para acompanhar uma nova moda, mas
para entrar no espaço dos social network, e tentar dialogar
com um mundo sempre mais diversificado e cheio de opções. É
também um modo para sermos encontradas por quem
habitualmente frequenta este lugar da rede. As novas
tecnologias, como disse o Papa na mensagem para a próxima
Jornada Mundial das Comunicações, “respondem ao desejo
fundamental das pessoas de entrar em relação umas com as
outras”. É também este o nosso desejo.
Neste canal é possível encontrar os vídeos que já estão
presentes na área In-video do nosso site. Mas,
especialmente, queremos inserir vídeos feitos pelas
Inspectorias ou pelas Irmãs individualmente. Vídeos que
tenham como tema o nosso carisma educativo, o nosso amor e a
nossa predilecção pelos jovens. Esperamos confiantes
a colaboração de vocês, também aquilo que é feito pelos
jovens nas escolas ou nos oratórios. É um modo para
enriquecer a secção e torná-la sempre mais espaço e voz do
nosso grande mundo salesiano.”
Os nossos jovens, tal como
referiu o Papa na sua mensagem para o dia Mundial das
Comunicações Sociais, fazem parte da chamada geração
digital, que passa uma grande parte do seu tempo na
Internet. Se não, vejamos estes dados estatísticos: a nível
mundial, 200.000 blogs nascem todos os dias,
aproximadamente 1 milhão de vídeos por dia são vistos
no YouTube e mais de 25 milhões de pessoas ouvem
rádio pela Internet; a nível nacional e local no contexto da
página da nossa Província, num espaço de um mês, tivemos
5,979 visitas. São números (por trás dos números estão
sempre pessoas) que nos devem fazer reflectir e (re)agir, se
queremos acompanhar, apoiar e estimular a educação dos
nossos jovens, bem como responder às necessidades de toda a
comunidade educativa.
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Poderemos achar
exagerada a resposta da menina da banda desenhada
que acompanha este artigo, mas será assim tão
exagerada e fora de contexto? Curiosamente a
reflexão que a acompanhava, constatava que a maior
parte das pessoas adultas, tal como no caso da
Internet, inicialmente se afasta das novas
tecnologias e inovações, achando-as difíceis de as
entender e interagir. A questão é que os seus filhos
[os nossos jovens] desde logo se interessaram e
encontraram, na Internet, um novo mundo para eles
próprios e fizeram-no há muito tempo, enquanto, nós,
adultos ainda olhávamos para esta ferramenta com
muitas interrogações, indiferença e menosprezo. Tal
como referiu o Papa Bento XVI, “… as novas
tecnologias digitais estão a provocar mudanças
fundamentais nos modelos de comunicação e nas
relações humanas. Estas mudanças são particularmente
evidentes entre os jovens que cresceram em estreito
contacto com estas novas técnicas de comunicação e,
consequentemente, sentem-se à vontade num mundo
digital que entretanto, para nós, adultos que
tivemos de aprender a compreender e apreciar as
oportunidades por ele oferecidas à comunicação,
muitas vezes parece estranho. […] …é gratificante
ver a aparição de novas redes digitais que procuram
promover a solidariedade humana, a paz e a justiça,
os direitos humanos e o respeito pela vida e o bem
da criação”.
Comunicar o que
vivemos reforça o que somos!!!
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Reflexão do
mês de Fevereiro
A comunicação interpessoal
desempenha um papel fundamental no crescimento das pessoas,
tanto ao nível pessoal como colectivo. As interacções
sociais, ao nível das relações face a face, estão sujeitas à
influência de mecanismos pouco facilitadores dos processos
comunicacionais.
Uma das atitudes individuais
facilitadoras da comunicação é a capacidade de escutar.
É curioso reparar que a maior parte do tempo de trabalho da
nossa infância foi dispendido a aprender a ler e a escrever;
outra grande parte da nossa adolescência foi aplicada a
aperfeiçoar a linguagem, a verdade é que nos ensinaram muito
pouco a ouvir.
Escutar é uma atitude de
disponibilidade para receber mensagens dos outros e tentar
compreendê-las. Sem escuta, não haverá descodificação
nem interpretação. A escuta, ao contrário do que poderá
parecer, implica um papel activo, por oposição à
atitude de passividade do receptor que apenas “ouve.”
Uma escuta activa
implica uma entrega ao outro, dedicando-lhe ouvidos e olhos.
Tudo o que nos permitir captar a mensagem do outro deve
estar mobilizado para que o processo de comunicação tenha
máxima produtividade.
Há um conjunto de regras a
respeitar para a escuta activa:
-
Saber
deixar falar: não podemos ouvir e falar ao mesmo
tempo, é indispensável suspender o discurso para que o
outro diga o que tem a dizer, e perceber que está a ser
escutado.
-
Colocar-se em empatia com o outro: para compreender
o que o outro diz, o receptor deve esforçar-se por se
colocar no lugar do emissor, ou seja, assumir (ainda que
provisoriamente) o seu quadro referencial, uma vez que,
cada pessoa dá um “seu sentido” ao que diz ou escreve.
-
Centrar-se no que é dito: toda a atenção do receptor
deve estar concentrada no que o emissor diz – as suas
palavras, as suas expressões, os seus silêncios, as suas
hesitações.
-
Eliminar qualquer juízo imediato: um juízo demasiado
rápido pode provocar reacções de defesa por parte do
emissor e interromper o processo de comunicação.
-
Não
deixar transparecer as emoções pessoais: o receptor
deve manter-se atento e interessado, controlando as
exteriorizações de surpresa, acordo ou desacordo, agrado
ou desagrado. Essas expressões podem condicionar o
emissor, que desenvolverá o processo de comunicação
guiado pelo outro, deturpando conscientemente ou
inconscientemente a mensagem.
-
Resistir ao efeito de halo: o receptor deve
concentrar-se no que é dito, independentemente daquilo
que pensa do emissor. Há a tendência para considerar que
as pessoas de quem não gostamos só dizem coisas
desinteressantes, e que, pelo contrário, as pessoas de
quem gostamos dizem sempre coisas interessantes (o que
obviamente não é verdade).
-
A reformulação:
sempre que a mensagem se torna ambígua, o receptor deve
recapitular o que foi transmitido, para se certificar de
que a mensagem recebida é a mesma que foi emitida.
Reflexão do
mês de Janeiro
Comunicar no estilo
salesiano
Olhando para os nossos
fundadores apercebemo-nos do estilo inconfundível de
comunicação que se vivia em Valdocco e em Mornese. Dom Bosco
sabia comunicar e educava à comunicação. O método preventivo
é um incomparável exemplo de pedagogia da comunicação
educativa que parte das necessidades vitais dos jovens e os
orienta para os verdadeiros valores, para a maturidade
segundo o projecto de Deus em Jesus Cristo, valorizando os
modos comunicativos e relacionais.
Dom Bosco não fazia propostas
de santidade inacessíveis, mas comunicava um ideal de
santidade como meta a todos acessível que se constrói na
experiência da vida quotidiana. Ao jovem Severino Rostagno
escreve: “Sê firme na fé, cresce cada dia no santo temor
de Deus; defende-te das más companhias, frequenta o
sacramento da confissão e da Comunhão; sê devoto de Nossa
Senhora e serás, certamente, feliz” (Carta 463, 1860).
Dom Bosco procurava as vias
comunicativas mais eficazes para educar os seus jovens. O
Oratório, não é só a primeira obra educativa fundada por
ele, é uma Instituição paradigmática para todos os outros
ambientes educativos. Neste espaço educativo os jovens
habilitam-se a ser: “bons cristãos e honestos cidadãos”.
O modo de comunicar experiências de felicidade, de alegria,
de amizade e de partilha serena da vida no Oratório era o
ambiente de família, a familiaridade com os educadores, a
pedagogia do pátio, as festas, a música e o teatro… Dom
Bosco não só proporcionou aos jovens experiências de
felicidade, mas educou-os a viver habitualmente numa atitude
de alegria.
A comunicação é uma atitude
interior que precisa ser continuamente potenciada. O
espírito de família, a missão educativa desafiam-nos a
crescer na arte de comunicar. Como educadoras salesianas
actuamos a nossa missão na medida em que formos
comunidade animada pelo espírito de família (const. 50)
… As palavras de Dom Bosco ressoam particularmente actuais:
“ o facto de sermos muitos a viver juntos aumenta a alegria
e serve de encorajamento para aguentar canseiras…e também
nos estimula a apreciar o aproveitamento dos outros; cada um
comunica ao outro os próprios conhecimentos, as próprias
ideias e assim, cada um aprende com todos. O facto de sermos
muitos a fazer o bem, anima-nos sem nos darmos conta disso”
(Projecto Formativo, 30).
No Sistema Preventivo a
comunicação, além da compreensão e aceitação do nosso ser,
exige acolhimento e valorização das diferenças. A
comunicação supõe ainda a capacidade de silêncio que dispõe
à escuta de Deus e do outro: a comunicação autêntica nasce
da profundidade da pessoa, da sua riqueza interior que não
pode emergir se não existir o silêncio interior e o trabalho
contínuo de aperfeiçoamento das competências de comunicação.
Reflexão do
mês de Dezembro
A comunicação tem muito a ver
com a maneira de dizer as coisas. A arte de comunicar
traduz-se num modo concreto de se dizer o que se tem a dizer
de uma forma oportuna.
Todo o comportamento é
expressivo, ou seja, é comunicante, nunca é inteiramente
opaco e objectivo: sempre contém uma mensagem em que um
outro ou outros estão implicados para além do próprio. Um
comportamento expressivo com mensagens implícitas tem que
ser partilhado pelo outro membro da relação.
A arte de comunicar pode ser
comparada a uma pedra preciosa. Se é projectada para a face
de alguém, pode ferir, provocando dor e revolta; mas, se é
oferecida com ternura, certamente será aceite como sinal de
reconhecimento. O amor, o carinho, a compreensão e, acima de
tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem se dirige,
são a base da gramática da comunicação. Além disso, é sábio
quem, antes de dizer aos outros uma verdade, a diz a si
mesmo diante do espelho. E, conforme a sua reacção, pode
seguir em frente ou deixar de lado a sua intenção. As
relações humanas tornam-se mais pessoais e significativas
quando quem comunica se apresenta como pessoa autêntica.
Decálogo da comunicação
interpessoal
-
Comunicarás com
sinceridade para que os outros descubram os teus
valores, talentos e possibilidades de amizade contigo.
Quem não comunica enferruja fechado em si mesmo.
-
Comunicarás com os outros
para cresceres na sociabilidade e na realização pessoal
com e pelos outros. Quem não dialoga é anti – social.
-
Comunicarás com os teus
pais, irmãos, amigos e educadores, para romperes a tua
clausura e assim contribuirás para uma convivência
agradável. Quem não convive permanece isolado numa ilha.
-
Não mentirás, para que os
outros possam confiar em ti. Não se revelam segredos a
quem não se pode confiar.
-
Manifestar-te-ás tal como
és, sem te inferiorizares nem te supervalorizares. Quem
não se conhece a si mesmo vagueará eternamente atrás de
quimeras.
-
Verás que a verdadeira
comunicação facilita o humor, o convívio e o serviço aos
outros. Quem não vive para servir, não serve para viver.
-
Evitarás bloquear a
comunicação com egoísmo, incompreensões, hipocrisias e
falta de sinceridade. Quem impede o diálogo profundo
vive sempre na superficialidade.
-
Investirás tempo a
conversar com os outros para que não apareçam em ti
sinais de agressividade, intolerância, ira, frustração
ou ansiedade. Quem não tem calma a conversar, nunca
chega a conhecer-se, nem a conhecer os outros.
-
Quando tiveres
preocupações, problemas ou te sentires deprimido,
dialogarás com quem te possa ajudar, para que o veneno
do retraimento não intoxique a tua vida. Quem não se
abre aos outros vive continuamente enredado nos seus
problemas interiores.
-
Dirás a verdade, mesmo que
isso te traga conflitos, inimizades ou sofrimentos. Quem
não diz a verdade faz da sua vida uma mentira.
Reflexão do
mês de Novembro
A comunicação é o primeiro
aspecto a ser focado quando se estudam as interacções
humanas. Existe uma forte relação entre interacção,
percepção e comunicação. Aquilo que duas pessoas comunicam é
determinado pela percepção de si mesmas e do outro na
situação, e por factores motivacionais (objectivos, ideias,
necessidades, defesas…). A ideia comunicada está intimamente
relacionada com as percepções e motivações tanto do emissor
como do receptor, dentro de determinado contexto
situacional.
A percepção social é o meio
pelo qual a pessoa forma impressões de uma outra tentando
compreendê-la. Na percepção existem três factores que devem
ser considerados:
• O que percepciona –
pessoa que está a observar e a tentar compreender.
• O que é percepcionado –
pessoa que está a ser observada.
• A situação – conjunto de
forças sociais dentro das quais ocorre o acto da
percepção social.
A tarefa de perceber os outros
não é simples. Porém, a percepção social pode ser melhorada
se tivermos em atenção que:
• Conhecendo-se a si
mesmo, torna-se mais fácil perceber os outros.
• As características do
observador, influenciam as características que ele vê
nos outros.
• A pessoa que se aceita é
mais propensa a ver favoravelmente o outro.
Todos temos formas mais ou
menos estáveis de comunicar. Os vários estilos de
comunicação representam diferentes formas de abordar a
situação interpessoal. A comunicação entre pessoas nem
sempre é funcional. Para que esta se torne mais eficaz é
necessário saber quais as consequências de cada uma das
atitudes inerentes ao processo de comunicação. Os nossos
mecanismos de auto-censura impedem-nos de dizer o que
sentimos ou pensamos. Existem múltiplos factores que nos
limitam a liberdade e a autonomia. Precisamos crescer na
assertividade. A assertividade procura que cada pessoa se
consciencialize de que tem o poder de construir o seu
próprio espaço de liberdade e de autonomia. Para que tudo
isto aconteça precisamos de perder medos…
No tempo de Advento que
estamos a iniciar recordamos que Deus vem ao encontro do
Homem. Que Deus se revela a si próprio para que cada um de
nós possa encontrá-Lo. Neste tempo de expectativa e de
conversão, somos convidados a preparar o coração para
acolher Aquele que nos está prometido desde toda a
eternidade. Somos convidados a parar, a vigiar, a preparar o
caminho do Senhor…
A história do peixe e do mar
pode ajudar-nos a reflectir sobre o nosso modo de comunicar.
O Peixe e o Mar
Uma vez pediram a um peixe
para falar do mar.
- Fala-nos do mar:
disseram-lhe.
- Dizem que é muito grande o
mar, respondeu o peixe. Dizem que sem ele morreríamos. Não
sou o peixe mais indicado para vos falar do mar. Eu, do mar,
o que conheço bem só estes dez metros à superfície. É só
deles que vos posso falar. É aqui que passo o meu tempo,
quase sempre distraído. Ando de um lado para o outro, à
procura de comida ou simplesmente às voltas com o meu
cardume. No meu cardume não se fala do mar. Fala-se das
algas, das rochas, das marés, dos peixes grandes e
perigosos, dos peixes pequenos e saborosos e de que
temperatura fará amanhã. O meu cardume é assim: eles vão e
eu vou atrás deles.
- Mas tu, que és peixe nunca
sentiste o mar?
- Creio que o sinto, às vezes,
ao passar-me nas guelras. Umas vezes sinto-o, outras não. Às
vezes sinto-o, quando não me distraio com outras coisas.
Fecho os olhos e fico a sentir o mar. Isto tudo de noite,
claro, para que os outros não vejam. Diriam que são louco
por dar tempo ao mar.
- Conheces o mar, portanto.
Podes falar-nos do mar?
- Sei que é grande e profundo,
mas não vos quero enganar. Sei de peixes que já desceram ao
fundo do mar. Quando os ouvi falar percebi que não conheço o
mar. Perguntem–lhes a eles, que vos saberão falar do mar. Eu
nunca desci muito fundo. Bem, talvez uma ou duas vezes… um
dia as ondas eram tão fortes que eu tive de me deixar levar
muito fundo, para não morrer. Nunca lá tinha estado e nunca
esquecerei que lá estive. Apenas vos sei falar bem da
superfície do mar…
- Foi mau, quando desceste?
Porque voltaste à superfície?
- Não foi mau. Foi muito bom.
Havia muita paz, muito silencio. Era como se fosse lá a
minha casa, como se ali eu estivesse inteiro.
- Porque não voltaste lá ao
fundo? Por preguiça?
- Ás vezes acho que é
preguiça, outras vezes acho que é medo.
- Medo? Mas tu disseste que
era bom? Medo de quê?
- Medo do desconhecido, medo
de me perder. Aqui à superfície já estou habituado. Adquiri
um certo estatuto para mim mesmo. Controlo as coisas, ou
pelo menos, tenho a sensação de as controlar. Lá em baixo
não sei bem o que me pode acontecer. Estou todo nas mãos do
mar.
- Tiveste medo, quando
chegaste ao fundo do mar?
- Não tive medo algum. Era
tudo muito simples… e no entanto agora tenho medo… mas eu
não cheguei ao fundo do mar! Apenas estive menos à
superfície.
- E que dizem os outros, os
que lá estiveram?
- Dizem coisas que eu não
entendo. Dizem que é preciso ir para perceber. E dizem que
nada há de mais importante na vida de um peixe.
- E explicam como se vai?
- Aí é que está. Explicam que
não se chega lá por esforços, que só podemos fazer esforço
em deixar-nos ir. Que é só o mar que nos leva ao mar. Então
veio uma corrente mais forte que o fazia descer. O peixe
tentou lutar contra ela com quanta força tinha, à medida que
via distanciarem-se as coisas da superfície. Talvez para
sempre… mas depois fechou os olhos, confiou e já sem medo
deixou-se ir.
in Nuno Tovar de Lemos, S.J.
in O Príncipe e a Lavadeira
Reflexão
Quando paramos… quando paramos
de verdade, acontecem maravilhas diante dos nossos olhos.
Quem pára, vê. E ver é descobrir, ver é saborear, encontrar
e ser encontrado. Ver para ser. Sim, é isto que é
importante. Parar para ver. Ver para ser. Ver com o coração,
claro, que os olhos têm sempre horizontes curtos. É preciso
parar mais vezes. Parece que passamos dias e semanas
inteiras a deixar a vida passar-nos ao lado. Se calhar, são
mais os dias que nos vivem do que os dias que nós vivemos.
Se aprendêssemos a parar, se aprendêssemos a virar as costas
ao mundo de vez em quando, sentir-nos – íamos maravilhados.
E que tal, se parássemos agora? Viremos as costas ao mundo
por momentos. Porque o amamos - sim, porque o amamos é que
lhe viramos as costas para o conhecermos de verdade. Para
pararmos, para vermos, para sermos. Para que quando voltemos
a olhar o mundo de frente, o nosso olhar esteja renovado e
renovador, o nosso rosto esteja recriado e recriador. Para
que quando voltemos a olhar o mundo de frente, o nosso olhar
o possa tornar diferente.
Reflexão do
mês de Outubro
No Jornal Sintonia do passado
mês de Setembro, referimos que Paul Watzlawick, um grande
estudioso dos paradigmas da comunicação afirmou que é
impossível não se comunicar. Se é verdade que
é impossível não comunicar, também é verdade que é
possível desenvolver a capacidade de comunicar.
Nas relações interpessoais, a
competência comunicativa precisa continuamente ser
melhorada. Este exercício implica tomar consciência das
barreiras que impedem as relações interpessoais autênticas e
admitir que se é responsável pelos distúrbios da própria
comunicação. Facilmente atribuímos a responsabilidade de uma
comunicação deficiente a factores externos à nossa pessoa.
Para que seja superada a dificuldade em assumir a ineficácia
comunicativa, é preciso conhecer as causas das barreiras
relacionais e tomar consciência dos limites pessoais nesta
área. De facto, quando tomamos consciência dos nossos
limites na comunicação, progressivamente conseguimos
evitá-los e superá-los com maior facilidade. Quando fazemos
este esforço, tornamo-nos pessoas mais compreensivas,
tolerantes e flexíveis perante o modo dos outros
interagirem.
A comunicação autêntica não é
unidireccional, se assim fosse, seria uma comunicação pobre
e incompleta. A comunicação que transforma e fomenta a
comunhão é a que acolhe a própria realidade e a do outro. O
acolhimento do outro leva-nos a crescer na intimidade com
Deus. O acolhimento pressupõe o diálogo e este é um factor
importante no desenvolvimento das potencialidades
comunicativas tanto a nível pessoal, como social e cultural.
Sendo imagem e semelhança de Deus, a pessoa descobre-se como
ser dialogante como o é o próprio Deus. O diálogo é um acto
de mútua aprendizagem, uma oportunidade para a proximidade
do outro, um exercício de respeito mútuo mesmo quando as
opiniões divergentes são mantidas.
Um dos grandes meios que temos
para comunicar, para encontrar a pessoa, é a palavra. É com
a palavra que comunicamos, mas também é com a palavra que
podemos ferir o outro. Uma palavra pode agradar ou ferir,
convencer ou estimular, louvar ou criticar… na relação entre
pessoas, a qualidade da linguagem é expressão de uma
comunicação autêntica em que a pessoa partilha as suas
experiências interiores e os valores em que acredita. Se na
relação com o outro a linguagem é tão importante, então
devemos dispensar-lhe todos os cuidados para que as nossas
palavras, pelo tom, oportunidade e adequação sejam uma
verdadeira comunicação humana.
A pessoa humana é
essencialmente comunicação. Nenhum dos seus comportamentos
foge a este princípio: “agir ou não agir, palavra ou
silêncio têm sempre um carácter comunicativo” (Paul
Watzlawick). Apesar de estarmos na era da palavra falada, do
diálogo e da comunicação, às vezes, não somos bons ouvintes.
Precisamos cultivar a
espiritualidade do diálogo:
-
Na relação connosco
próprios, através do amor à verdade, do desejo
de conversão interior, da capacidade de perdoar, do
despojamento…
-
Na relação
interpessoal, através da sinceridade, da
fraternidade, da ternura, da superação de preconceitos…
-
Na relação com Deus,
através da oração, da abertura ao Espírito Santo, da
esperança, da confiança, do compromisso com o Reino…
A comunicação autêntica entre
as pessoas, que se exprime na relação, apesar de não ser
fácil, é possível. Constrói-se através de um caminho gradual
feito de sucessos e insucessos. Este caminho é enriquecedor
para a pessoa, especialmente se o caminho conduz a uma meta.
Neste percurso, o insucesso pode tornar-se uma experiência
evolutiva para quem se empenha sinceramente e com
generosidade na procura de relações interpessoais
autenticas.
Termino com a referência ao
conto O Mendigo de Tagore que explicita um dos
princípios da comunicação: no uso das técnicas de
comunicação, não é suficiente a competência, mas são
necessárias, acima de tudo, as qualidades humanas da
generosidade, do amor e da simplicidade. Todas as
competências serão inúteis se a pessoa que quer aprender a
arte de comunicar não for capaz de, após ter treinado muito,
colocar na comunicação o melhor de si mesmo naquilo que
expõe e apresenta aos seus ouvintes.
O mendigo
Ia eu mendigando de porta
em porta pela rua da povoação. Num lugar davam-me uma
maçã, no outro um pedaço de pão, no outro uma espiga de
trigo. Inesperadamente, lá ao longe apareceu a tua
carruagem de ouro, parecida a um sonho maravilhoso.
Perguntei:
- Quem será esse Rei dos
reis?
As minhas esperanças
cresceram e pensei que os dias tristes da minha vida
estavam para terminar. Esperei que me fosse dada a
esmola sem ter de a pedir, e que as tuas abundantes
riquezas fossem espalhadas no pó do caminho. A carruagem
parou ao meu lado. O teu olhar caiu sobre mim e tu
desceste com um sorriso. Pressenti que os meus dias de
mendigo tinham chegado ao fim e fiquei a esperar
tesouros imensos. Tinha chegado o momento supremo da
minha vida.
Mas tu, descendo
lentamente da carruagem, ficaste quieto diante de mim e
estendeste-me a mão direita dizendo:
- Que tens para me dar?
Que gosto verdadeiramente
rico de um rei foi esse de me estenderes a tua mão para
pedir esmola a um pobre! Titubeante e confundido, tirei
lentamente do meu saco de pedinte um grão de trigo e
dei-to. Com um gesto simples, sorriste e continuaste o
teu caminho. Mas qual não foi a minha surpresa quando,
ao fim do dia, encontrei na minha mochila, um grãozinho
de ouro…. Chorei amargamente por não ter tido a
generosidade suficiente para entregar-te tudo quanto
possuía… (Tagore)
Para reflectir:
É difícil definir de uma forma
abstracta o que é a generosidade. É muito mais fácil
descrever situações concretas em que pessoas foram
generosas. E no contacto diário que temos com as pessoas,
podemos facilmente distinguir o que é generosidade no dar,
no partilhar, no comunicar verdadeiramente e o que é
egoísmo. Comunicar é acima de tudo “dar” e predispor-se a
receber do outro. E nós, na arte de comunicar:
O que damos?
O que não damos?
O que retemos para nós?
Reflexão do
mês de Setembro
É o desafio que nos faz o
cartaz que chegou a cada uma das nossas comunidades no
início do ano pastoral! O que se tem é para ser partilhado
com os outros! De facto a palavra comunicação tem origem no
latim – comunicare – que quer dizer tornar comum,
partilhar, repartir, trocar opiniões. Este vocábulo está
intimamente relacionado com os conceitos de participação, de
interacção, de troca de mensagens, de emissão e recepção de
novas informações!
Paul Watzlawick, um grande
estudioso dos paradigmas da comunicação afirmou que é
impossível não se comunicar. Se é verdade que é impossível
não comunicar, também é verdade que é possível desenvolver a
capacidade de comunicar. Todos precisamos de ouvir dos
outros e de dizer aos outros o que é a vida, de narrar as
experiências fundamentais da vida humana: a partilha das
alegrias, preocupações, sonhos e projectos. Olhando para os
nossos Fundadores apercebemo-nos do estilo inconfundível de
comunicação que se vivia em Valdocco e em Mornese. D. Bosco
sabia comunicar e educava à comunicação. Comunicava um ideal
de santidade como meta a todos acessível que se constrói na
experiência da vida quotidiana.
Um idêntico estilo de relação
educativa foi posto em prática por Maria Domingas
Mazzarello. O ambiente na Casa de Mornese era caracterizado
por uma atmosfera onde reinava o espírito de família, a
sinceridade, espontaneidade e alegria evangélica. Maria
Mazzarello era uma pessoa que rezava e contemplava, que
vivia unida a Deus. Mulher aberta ao Espírito Santo, por
isso, uma pessoa com uma profunda e rica vida interior,
hábil na arte de comunicar.
Nós FMA, que vivemos numa
sociedade em que a necessidade de comunicação se faz cada
vez mais intensa, especialmente nos jovens, somos convidadas
a ser “sinal e expressão do amor preveniente de Deus”, a ser
pessoas capazes de comunicar, capazes de verdadeiro diálogo
educativo; capazes de crescer na alegria e no optimismo, de
comunicar a nossa vida como partilha e como proposta.
Para começar… basta apenas um
clique para:
Comunica e partilha!
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