|
Foi algo longamente esperado
depois de anos de guerra
furiosa. Mas tanto o Governo
Árabe como os Rebeldes não
mediram o perigo que pairava
sobre o país. Esqueceram-se
das imensas perdas de vidas
humanas, da pobreza e do
sofrimento de milhares de
seres humanos. Não avaliaram
a destruição espalhada por
toda a região. Fixaram-se em
ideologias que lhes
proporcionaram uns escassos
dez anos da assim chamada
“paz”. Desta forma a guerra
continua igual colhendo os
frutos da crueldade e
desumanidade deixando o país
numa marginalização
irreparável. Houve um
movimento para dividir a
nação em Norte e Sul com
governos separados mas a
extracção de petróleo dos
últimos anos na região Sul
levou o governo árabe do
Norte a não aceitar o pedido
de separação do Sul.
Resultado: arrasamento e
destruição de estados ricos
em petróleo como Abiyei em
Maio de 2008. Nem uma única
casa ficou de pé. Tudo foi
queimado ou saqueado. A
população fugiu em massa
deixando todos os seus
pertences e está agora
abrigada em campos de
refugiados. Aqueles que
optaram por não fugir
tornaram-se alvo das armas
dos soldados.
Quanto ao Darfur, que tem
uma área tão grande como a
França, foi um estado
independente até 1916 quando
o governo Britânico que
então dominava no Sudão o
anexou ao seu território. A
maioria do povo é de origem
africana. O nome Darfur –
que significa terra de
quatro – vem das quatro
tribos que habitaram o
lugar. Há centenas de anos
os mercadores árabes
aventuraram-se pelo interior
e não encontrando comércio
bom e próspero, tentaram um
negócio lucrativo no
comércio de escravos.
Atacavam os aldeamentos e
arrastavam as pessoas
vendendo-as nos mercados
livres. Havia também agentes
que os vinham buscar
levando-os para outras
regiões. É exemplo verídico
o caso de Santa Bhakita, que
era de Nyala no sul do
Darfur, a qual tinha o
corpo cheio de cicatrizes
das chicotadas e marcas dos
raptores e patrões de
escravos.
Até mesmo na Cronistória FMA,
vol III, no capítulo que
fala dos acontecimentos de
1880 pode ler-se o seguinte:
“Entretanto Nossa Senhora
Auxiliadora mandou de
presente uma jovem africana
(sem dúvida do Darfur onde a
escravatura era praticada)
resgatada da escravatura
negra pelo Bispo Missionário
Daniel Comboni e regenerada
para Cristo. De vez em
quando ele trazia para a
Europa um pequeno grupo
entregando-as a famílias
católicas e Institutos
religiosos. A jovem confiada
a Madre Mazzarello tinha
cerca de 20 anos. Era uma
jovem bonita e saudável mas
no rosto tinha cinco
cicatrizes quais marcas de
pertença aos vários patrões
a quem tinha sido vendida. O
cenário da actividade
missionária e apostólica do
Bispo Daniel Comboni é perto
da casa Episcopal de El
Obeid, a cuja diocese
pertence a missão FMA.
Os Árabes conquistaram poder
sobre a região virando uma
tribo contra a outra e
fornecendo-lhe armas. Quando
a guerra civil deflagrou no
Sul muitas pessoas fugiram e
refugiaram-se no Darfur que
gozava de uma paz relativa.
O Governo preparou-lhes uma
ratoeira de forma que eles
já não puderam regressar
para se juntar aos Rebeldes
e dominá-los. Desde 2003 que
o Darfur se tornou o foco da
rebelião e da destruição
amplamente noticiados pelos
meios da comunicação social.
Estes desalojados (IDP)
estão situados em diferentes
partes do Darfur. Dois
campos estão perto do lugar
onde trabalham as FMA. Há
mais 15 campos que pertencem
à mesma paróquia mas
difíceis de contactar devido
à distância, à falta de
estradas e problemas de
segurança.
As FMA prestam assistência
no campo Khor Omer que tem
cerca de 15 mil habitantes
alojados em pequenas
palhotas espalhadas numa
grande área desprovida de
recursos. As FMA vão
diariamente ao campo para
lhes dar uma educação
primária, prestar serviços
de saúde, promoção e
assistência social às
mulheres através da educação
de adultos, corte e costura,
bordados, trabalhos de mão,
educação sanitária, etc.
Há uma escola primária no
Campo de refugiados que está
instalada em 3 barracas de
colmo extremamente
deterioradas. O tecto já não
existe em algumas partes de
forma que as crianças ficam
sujeitas às intempéries do
tempo. A escola vai até ao
4º ano com dois anos de pré
escolar perfazendo um total
de seis aulas. As crianças
do Campo que não frequentam
regularmente a escola porque
não podem pagar a
mensalidade mínima, aqueles
que abandonaram a escola ou
são demasiado grandes para a
frequentar são treinados à
parte para poderem enfrentar
a vida como os outros.
Aqueles que frequentam a
escola do governo têm que
andar duas a três horas para
ir e vir da escola. O
Governo não lhes facilita a
vida porque teme que eles se
tornem fortes e hábeis e
acabem por dominá-los. A
ignorância dos pais junta-se
à miséria das crianças. Há
cerca de 500 crianças que
frequentam a escola. Uma
Irmã tem a responsabilidade
total da escola com 8
professores a ajudá-la. A
Irmã também dá aulas de
Inglês e métodos de ensino
aos Professores que na
maioria não passaram do 10º
ano.
|